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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de inauguração do sistema adutor da região de Guanambi - Adutora do Algodão

por Portal do Planalto publicado 09/11/2012 13h40, última modificação 04/07/2014 20h12

 

Malhada-BA, 09 de novembro de 2012

 

Bom dia! Agora vocês falaram mais alto do que da vez do Jaques, hein?

Eu queria dar bom dia para todas as mulheres aqui, e também para os homens. Afinal de contas... afinal de contas, as mulheres são mães de todos os homens, então está todo mundo em casa.

Eu queria dizer para vocês que eu estou muito feliz de estar aqui. Primeiro, porque, quando eu venho à Bahia, eu sempre agradeço. Eu agradeço porque, seu eu sou presidente, eu devo muito aos votos que vocês me deram na eleição, e também porque eu tenho um pedaço de mim que é baiano.

Meu bisavô por parte de pai... não, desculpa, meu querido... meu bisavô, por parte do meu avô, porque meu pai é búlgaro, então não podia morar em Caetité. Meu bisavô, que chamava... o apelido dele era Dudu, saiu daqui de Caetité e foi para Minas Gerais, que é aqui pertinho, e foi morar lá em Paracatu, e aí nasceu o meu avô.

Então, eu quero dizer para vocês que eu tenho um orgulho especial de estar aqui hoje. É um orgulho porque ele saiu daqui, e agora, o que eu estou fazendo é garantir que as pessoas possam ficar aqui, porque elas vão ter água. Então, é um grande... mas é muita alegria para mim, e quando eu vejo esta obra eu penso isso. Eu penso de como é importante para as pessoas viverem, para as famílias, para as mães, porque uma coisa horrível é não poder dar uma água limpa para um filho ou para uma filha, não ter água, faltar água.

Então, por isso eu estou aqui agradecendo a todos aqui presentes, agradecendo ao Jaques Wagner, governador da Bahia, por essa parceria que permitiu que nós construíssemos essa adutora, agradecendo ao Fernando Bezerra, ministro da Integração, pela rapidez com que foi construído.

Agradecendo à empresa privada que fez, a Embasa, a Codevasf, enfim, agradecendo a todos aqui presentes.

Queria dizer para vocês que eu estou aqui - me acompanhado está também, o general Jose Elito, que é do Gabinete de Segurança Institucional, e a ministra Helena Chagas, da Comunicação.

E eu queria cumprimentar os baianos, os meus queridos baianos aqui presentes: a senadora Lídice da Mata; o deputado Afonso Florense, que foi meu ministro do Desenvolvimento Agrário e a quem eu agradeço muito; ao Arthur Oliveira Maia, ao Daniel Almeida, ao Luiz Alberto.

Queria fazer um cumprimento especial a dois prefeitos: ao prefeito Valdemar Lacerda Silva, de Malhada; e ao prefeito Charles Fernandes, de Guanambi.

Mas eu cumprimento a todos os prefeitos aqui da região: o prefeito José Barreira de Alencar, de Caetité, terra do meu bisavô; o prefeito de Candiba, Reginaldo Martins Prado; a prefeita de Carinhanha, Francisca Alves Ribeiro; ao prefeito de Iuiú, Reginaldo Barbosa; o de Lagoa Real, José Carlos Trindade; e a prefeita de Matina, Olga Gentil; e o padre Amário, de Santa Maria da Vitória.

Cumprimento, também, aqui - que me acompanha nesta viagem - o Vicente Andreu, que é da Agência Nacional de Águas.

Queria cumprimentar, também, o Elmo Vaz, presidente da Codevasf; e o Abelardo de Oliveira, que também nós trabalhamos juntos, né, Abelardo? Lá no Ministério das Cidades, quando eu era ministra do Lula.

Queria, por fim, fazer uma homenagem especial à querida Maria do Pindaí, a Maria Mendes.

Vocês viram companheiras mulheres, como a Maria falou bem. Falou bem, falou do fundo do coração e falou palavras sábias.

A Maria falou muito bem. É, mas as Marias, minha filha, deste mundo - ou seja, nós todas, que somos as Marias deste país -, nós também temos direito a nossa hora e a nossa vez.

Queria cumprimentar os moradores aqui da região, de toda a região. Eu sei que são vários municípios: Malhada, Iuiú, Carinhanha, Guanambi, Caetité, Lagoa Real, e, se eu esqueci algum, vocês me desculpem.

E queria cumprimentar os fotógrafos, os jornalistas e os cinegrafistas.

Eu vim aqui inaugurar este sistema adutor, esta adutora chamada Adutora do Algodão. E eu vim fazer isso por um motivo. Primeiro, porque é importante que o Brasil resolva alguns problemas que tem anos e anos e anos que eles se repetem.

E aqui, na Bahia - que é um dos maiores estados do país, um dos maiores estados, e que para o Brasil ser grande, a Bahia ter que ser grande -, uma das coisas essenciais, como acontece em vários outros estados do Nordeste, é a água. Essa água que a Bahia tem, porque esse rio que está aqui perto, que é o rio São Francisco, ele corta a Bahia inteirinha. E, portanto, para nós, agora chegou a hora, junto com o Jaques Wagner, da gente resolver o problema da água de uma forma a garantir que as mulheres e os homens, as crianças possam tomar café da manhã, como a Maria disse, tomar banho, ter uma água saudável.

E também nós queremos – e por isso que nós vamos lançar, terça-feira, o programa de irrigação -, nós queremos usar a água para aumentar o chamado “de comer”. Nós queremos aumentar a produção de alimentos. Nós queremos que a Bahia use de todo o seu potencial também para produzir e criar gado.

Por isso, eu venho aqui. Esta é uma obra simbólica, e é simbólica porque é com obras assim que nós vamos resolver, e vamos derrotar a seca.

A gente sabe, dentro da nossa condição de seres humanos, que nós não controlamos o clima. Nós não controlamos o dia que chove, quando não chove, porque um ano chove mais do que o outro, mas nós podemos garantir que a gente tenha instrumentos para que, quando não chover, a gente tenha água estocada, que a gente tenha um açude, que a gente tenha uma adutora para captar água de um rio volumoso, como é o São Francisco, e levar água para a população, de forma garantida - chova ou faça sol. Por isso, eu estou muito feliz de estar aqui.

Mas a gente... a gente não pode descuidar, não pode fingir que não viu as dificuldade do povo. Por quê? É obrigação de um governo cuidar das pessoas que são aquelas mais frágeis. Garantir também que o país inteiro desfrute da riqueza que ele tem.

Mas cuidar dos mais frágeis significa, necessariamente no caso da seca, tomar não só as medidas, como esta adutora, mas tomar medidas de emergência. Porque quando sua casa está pegando fogo, você tem de apagar o fogo. E aí, nós tomamos uma série de medidas para impedir que as pessoas sofram com a seca mais do que seria o humano.

Nós sabemos que o Brasil é hoje um país melhor, porque é um país que cuida de todos e, em especial, dos mais pobres. Nós criamos o Bolsa Família, e o Bolsa Família funciona como uma rede de proteção para impedir que as pessoas tenham dificuldade de alimentar seus filhos.

Nós sabemos que o Bolsa Família melhorou a vida dos brasileiros, mas, diante da seca, só o Bolsa Família não aguenta. Por isso, nós criamos o programa que chama Bolsa Estiagem, que é para aquele produtor que perdeu a plantação e que tem de receber um auxilio enquanto a seca durar.

E criamos também o Garantia Safra, porque se a safra... se ele não puder colher a safra de feijão, ele tem de ter como sobreviver. Por isso vocês têm de saber uma coisa: um pequeno produtor que tiver aqui e que sofreu com a seca, ele tem direito a receber do governo federal, em cinco parcelas de R$ 80,00, totalizando R$ 400,00, um auxílio que se chama Bolsa Estiagem.

Agora, como a seca em muitos lugares ainda não acabou, nós prorrogamos por mais dois meses. Em vez de R$ 400,00, ele terá direito a mais duas parcelas de R$ 80,00, totalizando R$ 160,00. Isso vai ajudar a enfrentar a seca. E se a gente ver que ela continua feia em alguns lugares, porque aqui, graças a Deus, está chovendo, mas em vários lugares do nordeste não está.

Nós vamos continuar, aqui, fazendo essa política importantíssima das cisternas. A cisterna é fundamental porque quando você tem falta d’água, choveu, assim, você acumula sua água na cisterna, e você guarda essa água para outro momento... ou usa a água.

Eu queria dizer para vocês, que assim como essas medidas, várias outras que nós tomamos são importantes. A gente vai querer resolver o problema do nordeste com obras deste tipo. Mas enquanto elas não estão prontas, nós usamos carros-pipas. O exército brasileiro - e por isso o general Elito me acompanha nesta viagem – o exército brasileiro está administrando quase 4.200 carros-pipas. Nós autorizamos mais 900. Vamos chegar a uns 5 mil carros-pipas. Justamente para impedir que as pessoas fiquem sem saber para onde ir, sem ter a quem recorrer.

E eu queria dizer para vocês uma coisa: nesses últimos anos, com o governo do presidente Lula, nós fizemos um grande esforço para que o Nordeste crescesse mais, para que a Bahia crescesse mais, para que vocês aqui – nesta região de Malhada, Guanambi e Caetité – tivessem melhores empregos.

Nós não vamos permitir, nós vamos usar de todos os recursos que pudermos para que vocês tenham uma volta atrás com a seca. Por isso, eu estou muito feliz de estar aqui - eu repito mais uma vez. Por que o que nós queremos é que a seca passe, e que ninguém sofra as consequências dela. É isso que o governo federal e o governo do estado vão trabalhar incansavelmente para fazer.

Nós queremos que a seca nunca afete a vida das pessoas, que, é óbvio, que a gente vai usar de adutoras, de irrigação, nós vamos usar do que há de melhor no mundo para garantir que o combate à seca não seja uma volta atrás àquele passado antigo, em que se usava a seca para extrair boa vontade, ou extrair benefícios para o povo.

Nós queremos que as adutoras, as cisternas, a irrigação, seja a realidade, que cada vez menos nós precisemos de carros-pipas e de qualquer outro tipo de reforço.

Mas eu vou dizer para vocês uma coisa: eu fico muito satisfeita também de ver uma coisa que é muito forte aqui nesta região. Até outro dia aqui não chovia, e a terra devia estar cinzenta. Aí, chove, e esta terra ela fica verdinha de dar gosto.

Nós brasileiros, nós somos assim. A gente é um povo capaz de aguentar a dificuldade, mas nós temos força suficiente, como esta terra – porque é dela também que a gente tira a força -, para, se chover um pouquinho que seja, a gente verdejar.

E é isso que eu tenho certeza quando eu venho aqui e falo para vocês, porque é uma grande emoção para mim ver a quantidade de gente trabalhadora, lutadora e empreendedora. E eu quero dizer para vocês, que o Brasil, hoje, é um Brasil diferente. No passado, quando tinha seca, você via multidões de gente nas ruas pedindo esmolas. No passado, você via invasões de supermercado, porque as pessoas não tinham para onde correr.

Nós vamos, cada vez mais, ver o nosso povo de cabeça erguida, de nariz em pé, olhando para a seca e sabendo que nós temos todos os recursos para enfrentá-la.

 E aqui na Bahia - eu quero dizer outra coisa para vocês - eu conto... eu conto... esse é um estado especial, é um estado com uma imensa alegria, é um estado com um povo extremamente trabalhador e determinado. Nós temos de dar uma grande importância. E eu vou falar isso aqui, porque eu falo em todos os lugares que eu vou – pra educação. Por quê? Por mais que nós façamos obras, por mais que nós resolvamos os problemas - esses graves - como é o fato, por exemplo de Caetité, não ter um sistema de saneamento. E nós vamos fazer o sistema de saneamento de Caetité.

Mas é preciso educação. Por isso eu peço às mães – nós lançamos ontem um programa que chama Alfabetização na Idade Certa. Alfabetizar as crianças na idade certa...  e qual é a idade certa? E até oito anos. Até oito anos uma criança tem de saber ler e escrever, tudo isso no nível da criança, e interpretar um textinho simples, e também fazer duas operações, as operações mais simples – matemáticas.

Se a criança não sabe isso, a criança, quando ela for fazer o 3º, o 4º, o 5º, ela vai se prejudicar. Então, eu peço às mães e aos pais, aqui: dêem incentivo aos seus filhos para não deixar de comparecer às aulas estes anos, que é o primeiro ano, o segundo e o terceiro, são anos essenciais para a criança poder crescer.

O governo federal vai fazer o possível e o impossível. Nós vamos colocar dinheiro em todas as escolas. Nós consideramos que a professora que alfabetiza é uma pessoa que a gente tem de fazer por ela tudo o que for preciso, porque ela é a grande heroína do professorado do nosso país.

E nós, sem essas crianças saberem bem direitinho, se elas tiverem uma boa educação, nós vamos ter engenheiros, nós vamos ter ótimos técnicos, nós vamos ter cientistas, nós vamos ser aquele país que nós queremos: com emprego de qualidade e cada vez melhor. Nós vamos ser um país que é o país que todos nós sonhamos, em que o mínimo de renda seja de classe média.

Por isso, eu faço esse apelo às mães: cuidem para colocar... é importantíssimo que a criança vá à escola, que a mãe olhe se ela está aprendendo ou não, que a mãe vá lá e queixe para a professora se ela não estiver  aprendendo.

Nós iremos premiar a escola e as professoras que bem alfabetizarem neste país. Só para prêmio de professor e de escola, no ano que vem, nós vamos colocar R$ 500 milhões.

E eu quero dizer para vocês que, fazendo isso, criando as adutoras, garantindo água, fazendo com que este país tenha melhores empregos, garantindo educação para todos, levando muitos jovens que estão aqui a ter acesso ao ProUni, às universidades e às escolas técnicas, é que este país vai, cada vez mais, orgulhar cada um de vocês, e à mim também.

E a Bahia – vou repetir uma vez -, a Bahia é o maior estado aqui do Nordeste, é um dos maiores estados do país. Sem a Bahia, o Brasil também não se desenvolve.

Por isso, eu vou vir aqui sistematicamente com o Jaques Wagner, fazer uma série de  obras para vocês.

Um beijo no coração!  

 

Ouça a íntegra do discurso (24min04s) da Presidenta Dilma.