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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de inauguração do Projeto Expansão Malha Norte – conclusão da Ferronorte e início da operação do Complexo Intermodal de Rondonópolis - Rondonópolis/MT

por Portal do Planalto publicado 19/09/2013 16h36, última modificação 04/07/2014 20h18

Rondonópolis-MT, 19 de setembro de 2013

 

Primeiro, eu queria agradecer o título de cidadã mato-grossense. E também queria agradecer o título de cidadã rondonopolitana. Agradeço ao deputado e ao vereador que me concederam. Quero dizer para vocês que eu fico extremamente agradecida por isso, porque, como presidenta do Brasil, eu sou presidente de todos os brasileiros, mas eu me sinto cada vez mais ligada a cada um dos estados. E, ao receber o título, eu sinto que a população daquele estado, assim como eu abraço a cada um dos cidadãos mato-grossenses, eles também me abraçam. Então, agradeço do fundo do coração ao deputado Hermínio Barreto o título, e também ao vereador.

Quero dizer para vocês que estou muito feliz de estar aqui. O governador do Mato Grosso, Silval Barbosa e a primeira-dama Roseli Barbosa, têm sempre me recebido com carinho. E o governador tem sido um parceiro fundamental de todas as ações do governo federal, e sem o governador seria impossível tocar esses projetos.

Cumprimento também o prefeito de Rondonópolis, o prefeito Percival Muniz e a senhora Ana Carla Muniz, também um parceiro nosso nessa atividade fundamental, que é levar ao povo que nos elegeu aquilo que é necessário para o desenvolvimento do nosso país, dos estados e dos municípios.

Queria dizer que nós temos tido sorte nessas parcerias, desde o governo do presidente Lula, quando nós fizemos uma parceria aqui também com o senador, hoje senador Blairo Maggi, então governador Blairo Maggi. Sinto-me também muito honrada de estar aqui hoje, porque nós, em vários momentos, todos nós, presidente Lula, na época o governador Blairo Maggi, agora eu e o Silval, nós temos tido a clareza de perceber a importância aqui no estado da infraestrutura, tanto para a qualidade de vida da população, mas, também, para o desenvolvimento do estado e para dar suporte a essa grandiosidade que o governador acaba de falar, quando diz que o Mato Grosso passou de 21 milhões de toneladas para 42 milhões de toneladas. Mostra uma pujança que é responsável pelo respeito que o Brasil tem no exterior.

Queria também cumprimentar o presidente da América Latina Logística-ALL, Alexandre Santoro; e Wilson Delara, presidente do Conselho da América Latina Logística. E, por meio deles, eu cumprimento todos os diretores e funcionários desse complexo intermodal.

A imagem às vezes fala muito mais do que qualquer texto escrito. A imagem tem um poder imenso de convencimento, porque ela coloca dentro da gente aquilo que pode ser e aquilo que é. Aqui eu vi hoje o que está sendo, mas eu consegui ver também o que pode ser, que vai construído aqui. E aí eu cheguei a uma conclusão que eu acho muito importante dividir com vocês: para o Brasil também é estratégico que haja empresas médias, que se tornam grandes, na área ferroviária. E eu estou vendo aqui uma grande, mas uma grande possibilidade e potencial, não só pelo trecho ferroviário, mas pelo que esse trecho ferroviário permite de construção de um complexo intermodal. Um complexo intermodal é um local que atrai outras empresas, um complexo intermodal é um local onde se criam emprego e renda, um complexo intermodal, primeiro da América Latina, tem a condição de transformar empresas em negócios em todo o seu entorno. Por isso, eu dou os parabéns à ALL. E fico muito à vontade para fazer isso porque nós sempre tivemos uma acirrada discussão a respeito da necessidade deste trecho até Rondonópolis ser completado, porque ele estava no PAC. Então, meus parabéns para a ALL pela qualidade do que estão construindo aqui.

Quero cumprimentar também o prefeito de Itiquira, o Betão Bortolini.

Os ministros de Estado que me acompanham aqui: o César Borges, dos Transportes, e a ministra Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação.

Queria cumprimentar a senadora Kátia Abreu. A senadora Kátia Abreu representa, aqui, um dos segmentos mais dinâmicos do nosso país, que é o agronegócio, e o faz também com grande competência. Queria, então, saudá-la e, ao saudá-la, aproveito e faço uma saudação para todos os grandes produtores, os médios produtores e os pequenos produtores rurais de nosso país.

E, em especial, queria saudar o ex-governador Blairo Maggi, que tem responsabilidade – e aqui eu presto o meu testemunho – pelo desenvolvimento da infraestrutura também aqui no estado do Mato Grosso. Lembro perfeitamente de um dia em que nós estávamos lançando a ligação entre Uruaçu e Lucas do Rio Verde, lá em Lucas do Rio Verde, e eu não podia comparecer – eu era ministra na época – e eu jurei pelo telefone, pelo telefone, que nós íamos fazer essa obra. E eu quero dizer para vocês: nós vamos fazer essa obra. É meu juramento e o Blairo é o receptáculo dele.

Queria cumprimentar também os deputados federais: o Edinho Araújo, o Carlos Bezerra, o Wellington Fagundes.

Cumprimentar o Jorge Bastos, diretor em exercício da ANTT.

Cumprimentar o Rogério Sales, vice-prefeito de Rondonópolis.

Queria agradecer ao vereador Ibrahim Zaher, presidente da Câmara Municipal de Rondonópolis, através de quem agradeço a todos os vereadores pelo título de Cidadã Rondonopolitana. Vocês não imaginam para mim o simbolismo desse título e a importância dele.

Queria agradecer ao Guilherme Quintela, presidente para a América Latina da União Internacional das Ferrovias.

O Tarcísio Gomes Freitas, o diretor-executivo do DNIT,

O Henrique Pinto, superintendente de estruturação do BNDES,

Queria também agradecer aos senhores dirigentes da Associação Mato-grossense dos Produtores de Soja e da Federação da Agricultura de Mato Grosso.

Queria cumprimentar os integrantes do coral infantil, do competente coral infantil – parabéns para vocês – do Projeto Raio de Luz.

Queria cumprimentar os senhores jornalistas, as senhoras jornalistas, os fotógrafos e os cinegrafistas.

 

Para mim, então, é, de fato, um momento especial de estar aqui a primeira vez como presidenta da República, celebrando justamente, nesse dia, a conclusão da ferrovia até Rondonópolis. E eu sei que essa obra tem história. Em 1901, Euclides da Cunha já falava sobre a importância de ligar essa região ao litoral. A partir da década de [19]70, a luta dos mato-grossenses pela ligação ferroviária ganhou adeptos, sob a liderança do senador Vicente Vuolo, que dá nome a essa ferrovia. E aqui eu queria cumprimentar, peço que o senhor se levante e receba a nossa salva de palmas, cumprimentando toda a família do senador Vuolo.

Quero dizer para vocês que a questão ferroviária no Brasil foi sempre uma questão muito mal resolvida. Todos os grandes países continentais buscaram, ao entrar em um processo de desenvolvimento, buscaram construir ferrovias e internalizar o desenvolvimento através das ferrovias. E a história é terrível nesse ponto, porque isso aconteceu no final do século XIX, início do século XX, sobretudo. Nós estamos no século XXI, e nós estamos correndo atrás para eliminar essa imensa fragilidade da estrutura logística do Brasil, que é país continental, exportador de alimentos, com um grande agronegócio, com um poderio mineral e com uma imensa capacidade de intercomunicação com mercados diversificados que precisam de ligação interna, sem estrutura ferroviária. Esse é um momento especial, porque esse trecho até Rondonópolis é uma questão que nós vemos aqui, em presença, o que significa uma logística intermodal que tenha seu centro na ferrovia. Significa menores custos, significa maior agilidade, significa também uma capacidade de otimizar a relação rodovia e ferrovia, hidrovia, e pensar também a estrutura para portos.

O Brasil é grande e diversificado, e nos obriga a aceitar todas as soluções possíveis, sem preconceito. Nós temos que olhar desde a ferrovia, que implica geralmente em grandes e longas distâncias, combinada com a rodovia, mas temos que olhar até as estradas vicinais. E aqui estão os prefeitos. Queria também dizer para os prefeitos, é por causa dessa visão, que entende a complexidade do Brasil, que para os prefeitos das cidades de até 50 mil habitantes, nós estamos distribuindo o kit: retroescavadeira, motoniveladora e caminhão-caçamba. Porque as veias menores desse sistema, elas são essenciais para irrigar todo o sistema. Daí a importância de dar aos prefeitos autonomia no que se refere também ao custo das suas estradas vicinais.

Hoje, eu estou aqui muito feliz. Porque esse trecho é que nem quando a gente tem filho. A gente olha nascer, depois a gente torce para andar. Depois que anda, a gente torce para correr. E também para falar. Eu torci por cada momento da conclusão dessa ferrovia. Eu torci e quero dizer para vocês, como ministra atuei e, como presidenta, também. E tenho certeza, que esse projeto é fruto de uma grande compreensão, entre os governos, as empresas e a sociedade aqui do Mato Grosso. Todo mundo sai ganhando. E eu tenho certeza que, com isso, nós vamos encurtar distâncias no Brasil e vamos reduzir custo e melhorar a vida de todos nós.

E o melhor de tudo, aqui, é que essa ferrovia não chegou sozinha. Ela não é só duas linhas de trem, duas linhas, dois trilhozinhos. Ela é duas boas linhas de trem e um complexo intermodal. Eu vou enfatizar isso, porque eu acho muito importante que isso seja visto por todo o Brasil como sendo uma realização que nós temos que buscar estender para todo o país. Vai facilitar a integração do transporte de carga, vai facilitar o escoamento da safra de grãos, vai facilitar o recebimento de insumos e vai permitir um grande desenvolvimento, eu tenho certeza, aqui em Rondonópolis. E também eu sei que isso tudo significará, também, mais respaldo para o desenvolvimento e o crescimento do Brasil, que já tem no agronegócio um dos principais fatores dinâmicos do nosso Produto Interno Bruto e, também, da nossa balança de pagamentos. Então, com isso, nós ficamos muito felizes.

Rondonópolis já é o maior PIB do Mato Grosso. Eu fico imaginando o que significará em termos de potencial de desenvolvimento isso que nós estamos vendo aqui. E eu acho também muito importante a [BR]-163. O governo federal colocou toda a BR-163 aqui do Mato Grosso no PIL, no Programa de Investimento em Logística. E colocou justamente por perceber que a BR-163 no seu todo, ela é um outro elemento crucial para essa integração de modais. E eu queria dizer, em que pese o ministro tenha esquecido. Ele esqueceu, não porque não era importante, ele esqueceu porque estava nervoso, que é uma questão que é crucial, que é o problema de tirar o tráfego pesado de dentro da cidade. Porque isso beneficia a população.

Olha, gente, eu acredito que tirar o tráfego é um elemento importante do compromisso que nós temos quando olharmos logística. Logística não é carga. No fundo, logística são as pessoas também, porque é para as pessoas que nós temos que construir a melhor logística para este país. Então, não é admissível que a gente deixe tráfego pesado em cidades.

Daí porque o Ministério dos Transportes definiu no PAC, como sendo um elemento estratégico, os contornos ferroviários e os contornos rodoviários. Os rodoviários são os anéis e os contornos ferroviários, eles têm essa função: quando você cria canais logísticos de tráfego pesado eles têm que sair de dentro das cidades. Essa é uma regra da nossa visão de ferrovia.

Eu queria também dizer para vocês que eu fico muito feliz pela parceria qualificada que nós estabelecemos aqui no Mato Grosso. Nenhum de nós aqui olha qual é o partido que nós pertencemos, qual é o credo religioso que nós professamos, nem o time pelo qual nós torcemos, apesar de alguns olharem com, eu diria assim, com olhos não muito meigos para o time de alguns outros, mas no que se refere a partidos e a credos, isso é inadmissível. Por isso, nós temos aqui uma parceria republicana.

E eu queria, antes de continuar, saudar o fato de que nós fomos capazes, aqui, de desenvolver programas do tipo do Minha Casa, Minha Vida; de creches; programas na área da infraestrutura social, como o Bolsa Família e o Programa Brasil sem Miséria; o Pronatec, que é formação técnica. Aliás, recentemente, eu queria contar um fato que eu acho muito importante: num dos Pronatecs Bolsa Família, nós fizemos o Pronatec aqui no estado vizinho do Tocantins. Por quê? Porque ensino técnico, tem gente que não sabe, no Brasil, mas ensino técnico, hoje, é uma exigência do agronegócio, é uma exigência à formação do operador de máquinas, é uma exigência à compreensão da importância da tecnologia nessa área. Daí porque eu agradeço essas parcerias. Agradeço com todos os prefeitos. Agradeço e quero dizer que nós estaremos sempre prontos a cooperar.

Hoje nós temos aqui no estado um investimento muito importante, se somar a infraestrutura logística, com a infraestrutura habitacional e com o que nós chamamos de infraestrutura social. Ao todo, são mais de R$ 20 bilhões. Mas eu queria também, aproveitando a deixa que o prefeito Percival me deu, falar para vocês do Mais Médicos. O Mais Médicos é um esforço que o governo federal está fazendo para melhorar uma coisa que é reivindicação, não só dos prefeitos, não só dos governadores. Mas se a gente for olhar todas as manifestações da população, é no sentido de melhoria da saúde. E quando a gente olha essa questão da melhoria da saúde, o que a gente vê? As pessoas falando o seguinte: “São necessários melhores hospitais”. “É necessário um atendimento... eu tenho que fazer um exame de laboratório, eu quero fazer esse exame de laboratório”. Mas quando você abre todas as falas, mostra a clareza que a população brasileira tem sobre alguns problemas. As pesquisas apontam o seguinte, as pesquisas só sobre saúde: ‘Nós queremos atendimento médico, e nós queremos aquele atendimento médico que você pega na pessoa, faz o exame? Pega na pessoa, tira a pressão, faz aquele exame clínico. E queremos um atendimento mais humanizado possível.

Então o governo federal fez uma avaliação, olhou os países do mundo para ver como é que era. Nós viemos fazendo, nós não fizemos esse programa improvisado, nós fizemos uma avaliação. O que é que nós percebemos? O Brasil tem que aumentar a formação de médicos. Inclusive, aqui em Rondonópolis, nós vamos aumentar o número de médicos formados na Universidade aqui. Vamos aumentar não só a formação do ponto de vista da graduação, mas também do ponto de vista da residência, por que está provado, o médico que se gradua, que se forma num determinado local, ele tende a ficar naquele determinado local.

Nós damos muito valor ao médico brasileiro, muito valor. Por isso, o Brasil terá de apostar num programa sério de formação de médicos no interior, com alta qualidade na residência, formando pediatras, oncologistas, enfim, anestesiologistas, todas aquelas profissão que são as mais demandadas, no que se refere a especialistas. Nós vamos fazer isso sistematicamente, daqui para frente. Porém, um médico, ele leva tempo para se formar. No ínterim, o governo tem a obrigação de atender à saúde da população.

E aí, quando nós olhamos no resto do mundo, nós percebemos que a relação é a seguinte: quando você olha... não precisa olhar país desenvolvido, não, vamos olhar a Argentina: é um... quando você olha quantos médicos naquele país tem, para cada mil habitantes, na Argentina tem 3,6, 3,6 médicos por mil habitantes; no Uruguai tem um pouco mais, e aí sucessivamente. Tem países que têm quatro e há uma variação em torno disso. O Brasil tem 1,8 médicos por mil habitantes, e tem uma distribuição visivelmente desequilibrada, tem mais médicos nas grandes cidades e menos médicos nas periferias das grandes cidades, no interior do país e no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Além disso, dos países desenvolvidos, ricos, portanto, com dinheiro para formar seus médicos, como é que é, lá nesses países, a distribuição de médicos? É assim: Estados Unidos, 25% dos médicos que trabalham nos Estados Unidos vieram de outros países, formados em outros países; na Inglaterra, 35, 37%, e por aí vai; 20% no Canadá, enfim... No Brasil, vocês sabem quanto é? É 1,78[%], 1,78. Olha a discrepância entre nós e os Estados Unidos, o país mais desenvolvido. Enquanto eles têm 25% dos médicos... eles trazem de fora, portanto eles não gastam dinheiro formando, nós [temos] 1,78 [%].

Por isso o governo federal fez esse Programa Mais Médicos. E aqui nós iniciamos o programa, ele vai iniciar, nós vamos sistematicamente alocar esses médicos. Acredito que é importante para os prefeitos, porque o governo federal arca com o total da bolsa do médico, que é R$ 10mil, mais R$ 4 mil para a equipe que vai trabalhar com esse novo médico. Com isso melhora também a situação das prefeituras. Então, eu falei nisso porque eu acredito que é um programa que está sendo debatido e era meu dever esclarecer aos senhores.

Finalizando, eu quero falar sobre tudo que vem acontecendo no Brasil. Até pouco tempo atrás, quando falávamos do interior do Brasil, tinha gente que ainda pensava que o interior do Brasil era um lugar meio esquecido e pouco desenvolvido. Isso mudou completamente. Hoje, inclusive, o interior do Brasil é um dos segmentos mais dinâmicos da economia brasileira. E Rondonópolis é símbolo desse dinamismo. E ao ser símbolo desse dinamismo merece a atenção do governo federal, a presença do governo federal e o investimento do governo federal.

Por isso vocês podem ter certeza que nós do governo federal vamos estar atentos aqui. Não só para investir na logística, nas estradas, na infraestrutura, em todas as questões relativas à energia, mas nós estamos atentos também para assegurar que essa região tenha programas sociais qualificados. Para garantir que a população daqui tenha uma característica que eu acho fundamental. Nós não podemos pensar que o desenvolvimento é desenvolvimento só do Produto Interno Bruto. Um desenvolvimento só é justificado quando, ao crescer o produto, melhora a renda, o emprego e a educação da população.

Muito obrigada a vocês.

Ouça a íntegra (30min20s) do discurso da presidenta Dilma