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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de inauguração do Museu do Amanhã - Rio de Janeiro/RJ

por Portal Planalto publicado 17/12/2015 23h23, última modificação 17/12/2015 23h24

Rio de Janeiro-RJ, 17 de dezembro de 2015

 

 

Boa noite a todos. Boa noite, e queria cumprimentar aqui o governador Luiz Fernando Pezão e a Maria Lúcia, primeira-dama aqui.

Queria cumprimentar também o nosso querido Eduardo Paes e a Cristiane Paes,

Queria cumprimentar os ministros de Estado que me acompanham hoje: o Juca Ferreira, da Cultura, e o Celso Pansera, da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Cumprimento os deputados federais: a nossa deputada federal Jandira Feghali, ao deputado Picciani, ao deputado Luiz Sérgio, ao deputado Pedro Paulo, ao deputado Altineu, ao deputado Washington Reis.

Cumprimento também o José Roberto Marinho, presidente da Fundação Roberto Marinho, e a senhora Vânia Marinho,

Cumprimento o presidente do Banco Santander - a placa caiu - o presidente do Banco Santander, Jesús Zabalza,

Cumprimento o presidente da BG Brasil, Nelson Silva, e a senhora Marina Silva,

Cumprimento o Hugo Marreto, diretor do Museu do Amanhã, e a senhora Betty Gofman,

Cumprimento o senhor Santiago Calatrava, idealizador do Museu do Amanhã,

Cumprimento também João Roberto Marinho, sua filha e seu genro,

Cumprimento o nosso querido Nobre,

Cumprimento também o Luiz Pinguelli,

Cumprimento, enfim, a todos os presentes que, de uma maneira ou de outra, contribuíram para a construção desse Museu.

 

Sem dúvida nenhuma, o Eduardo Paes tem uma imensa capacidade de trabalho. Mas se fosse só capacidade de trabalho, Eduardo, seria muito pouco. Além de uma enorme capacidade de trabalho, você tem muitas boas ideias. E você consegue ter boas ideias porque as nossas ideias são fruto também da nossa capacidade de ter um contato, uma articulação,  um relacionamento com várias pessoas que vão nos ajudando a formar essas boas ideias. E isso aqui é fruto da sua espécie de antena para atrair essas boas ideias, configurá-las e transformá-las nesse grande projeto, utilizando claramente o que tem de melhor nas pessoas e o que tem de melhor disponível.

Um arquiteto do porte do Calatrava. Eu hoje conheci, eu não o conhecia e me acompanhou numa exposição do museu, o conceito do Luiz Alberto. Ele tem uma capacidade imensa de mostrar o conceito, o que que é este Museu do Amanhã. Então, eu considero, Eduardo, que você mostra aqui uma competência especial, um talento especial, um talento para transformar uma cidade que você ama.

Esse museu é um museu belíssimo. Mas ele é, sobretudo, instigante e inspirador. Esse museu é um museu feito para o meu neto, para o neto de todos nós. Esse museu é um museu feito para os nossos filhos e também feito para nós. E eu estava dizendo para eles, quando eu vi aquela... entrei naquela sala em que se mostra o início do universo e a gente chega até a nossa situação e a grande capacidade que nós temos, que é o pensamento e, portanto, a nossa capacidade de criar cultura, o que nos distingue como humanidade, eu fiquei estarrecida com uma coisa. O tempo é muito curto e, ao mesmo tempo, é muito denso todos os conceitos que são externados. E aí fica claro o poder da arte.

Eu assisti recentemente numa viagem aos Estados Unidos, lá dentro da Nasa, naquela sala que é uma sala de múltiplas dimensões onde eles mostram o nascimento do universo, eu assisti toda uma representação extremamente sofisticada que mostra o desenvolvimento e chega ao ponto da via láctea ser um ponto. E não me comoveu como me comoveu o que eu vi aqui hoje, porque tinha a competência de artistas brasileiros envolvida. Então saúdo a equipe do Fernando Meirelles.

E também me marcou muito ver que na abertura aqui, na parte inicial do Museu, o que nós temos é o que havia de mistura entre cientista, filósofo e pensador da Grécia antiga, do VI século antes de Cristo, Heráclito de Éfeso, e não de algum cientista. É essa mistura que tem o Amanhã, essa mistura complexa entre ciência, entre arte, entre filosofia e entre o sentido, porque nós estamos aqui. E aí o grande sentido também da preservação do planeta. Acho que na semana, no ano - vou dizer mais, no ano - e no mês da COP21, a primeira Conferência do Clima que chega a um acordo global. Acordo global que não é fácil de ser feito por conta da diferença entre os Estados e o desenvolvimento dos países.

Esse é um museu que está plenamente no ritmo do que deve ser o amanhã. Daí me disseram também, eu não consegui ver a parte porque eu olho devagar, do que é o Eduardo me falando: “Vambora, vambora”. E eu não pude ver todos os aspectos do museu, mas me disseram que ele terá um aspecto da questão do clima, da mudança do clima. Por que eu digo… por que eu me interesso por isso? Porque eu acredito muito no efeito que isso terá sobre os nossos jovens e as nossas crianças. E também me disseram que é só de oito anos porque tem um problema do letramento. Te asseguro, viu, Luiz Alberto, que meu neto de cinco ficaria louco aqui, mesmo não entendendo uma única palavra de português, aliás, não lendo, porque tem um apelo visual muito grande.

De outra parte, eu queria cumprimentar o José Roberto Marinho pela maravilhosa escultura que ele doou e que integra, para mim, o espaço, o espaço mais bonito desse Museu, que é quando ele se abre para a Baía de Guanabara. De fato, o Eduardo Paes tem razão quando ele dizia que a cidade estava de costas para o que havia de mais bonito nela, que era essa integração com a Baía de Guanabara. Ele tinha toda razão.

Eu quero dizer para vocês que essa semana nós inauguramos um outro museu. E esse outro museu tem todo o sentido ligado a esse museu. São inteiramente diferentes. O museu que nós inauguramos essa semana, eu e o ministro da Cultura, o Juca, é um museu que tem a sua abertura para o barroco mineiro. E, portanto, ele não é um museu, é o Museu de Congonhas, apesar de ser um museu bastante moderno, não é o Museu do Amanhã. Mas de uma forma muito especial é também o Museu do Amanhã, porque é um museu que afirma o nosso patrimônio histórico, o nosso patrimônio histórico que é o barroco mineiro, o mestre Aleijadinho, o Manoel Ataíde. E é esta conexão que fará do amanhã um amanhã melhor. É a nossa capacidade de entender a nossa história, de valorizá-la e preservá-la.

Eu falo isso também por uma outra razão. Eu quero dizer ao Eduardo que hoje nós inauguramos aqui um patrimônio histórico do País. Ele é um patrimônio histórico mesmo ele sendo tão novinho, já é um patrimônio histórico. Lá, Congonhas, é Patrimônio Histórico da Humanidade. Daqui a pouco o Museu do Amanhã também será um Patrimônio Histórico da Humanidade. E transformará, como eu entendo toda essa região aqui, num grande, eu acho, num grande local para expressar a história do nosso País. Aqui nós temos uma parte do império, aqui deve ter alguma coisa da República Velha. O Rio é isso. O Rio tem a trajetória da nossa vida política também, e ela deve ser preservada.

Por isso, Eduardo, eu fico muito feliz de estar aqui com você hoje. E por todas as vezes que você me amolou, que você sempre… porque ele sempre, sempre falta uma coisa. Ele falou ontem, mas faltou mais uma coisa, náo é, Nuzman? O Nuzman também sabe disso. Eu creio - e falei no Nuzman por uma coisa: acredito que este será um dos maiores, eu acho assim, representantes e símbolos do País que nós queremos construir, e nós teremos extrema honra de mostrá-lo a todos que virão às Olimpíadas.

Parabéns a todos que trabalharam aqui. Eu não sei o nome de todos, mas eu sei que isso aqui só tem essa dimensão porque é um trabalho de equipe, e essa é a arte do Eduardo. Parabéns ao Rio de Janeiro, que ganha esse espaço cultural, artístico, científico, e que vai elevar o espírito e, de fato, fazer aquela síntese pela qual começa o filme, que é: luz, energia, matéria. Matéria que vira vida, e vida que vira pensamento.

Muito obrigada.

 

 Ouça a íntegra (12min23s) do discurso da Presidenta Dilma Rousseff