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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de inauguração do Museu de Congonhas - Congonhas/MG

por Portal Planalto publicado 15/12/2015 15h30, última modificação 15/12/2015 15h44

 

Muito obrigada, muito obrigada.

Bom, eu agradeço o carinho, agradeço todo o afeto, os abraços virtuais, os beijos virtuais, agradeço tudo.

Queria iniciar cumprimentando aqui ao povo de Congonhas, ao povo dessa cidade que é, eu diria, a pátria histórica de Minas Gerais e também do Brasil,

Cumprimento o desembargador Pedro Bitencourt Marcondes, governador em exercício de Minas Gerais,

Cumprimento o ministro da Cultura, Juca Ferreira,

Cumprimento o José de Freitas Cordeiro, o prefeito Zelinho, aqui de Congonhas, e a senhora Miriam de Freitas,

Cumprimento os deputados federais aqui presentes: Diego Andrade, a Jô Moraes, o Mauro Lopes, o Padre João, Reginaldo Lopes e o Wadson Ribeiro,

Cumprimento o senhor Lucien Muñoz, representante permanente da Unesco no Brasil,

Cumprimento os deputados estaduais: meu querido companheiro e colega Angelo Oswaldo, da Cultura; Odair Cunha, secretário de Governo e Nilmário Miranda, de Direitos Humanos,

Cumprimento aqui, e parabenizo, a nossa querida Jurema Machado, presidente do Iphan,

Cumprimento o Carlos Roberto Brandão, presidente do Ibram, o Instituto Brasileiro de Museus,

Cumprimento os deputados estaduais: Bosco, Marilia Campos e Dr. Jean Freire,

Cumprimento o presidente da Câmara de Vereadores, aqui de Congonhas, Vagner Luiz de Souza,

Cumprimento o representante da Arquidiocese de Mariana, o cônego João Francisco Ribeiro,

Queria dirigir um cumprimento especial ao arquiteto do Museu de Congonhas, Gustavo Pena,

Também dirijo um cumprimento muito especial à senhoras e aos senhores que representam aqui as empresas apoiadoras do Museu de Congonhas,

Queria Cumprimentar, com uma manifestação da minha admiração,  o coral aqui da cidade. E, aí, eu cumprimento todo o coral e quero também cumprimentar os músicos que executaram o Hino Nacional, a Carmem Célia, o Elcio Antônio, o Davison Azevedo, o Vinícius Oliveira. Hoje eles nos encantaram aqui no palco e também lá dentro do museu, uma belíssima apresentação.

Queria também cumprimentar as senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

O Museu de Congonhas, todos que me antecederam disseram, é um sonho, que levou 12 anos para se realizar. E, portanto foi, certamente, o trabalho de muitas pessoas, o esforço de muitas pessoas, a dedicação de muitas pessoas e, sobretudo, uma grande capacidade de superar obstáculos, de superar as dificuldades e desafios e realizar esse museu que, de fato, é algo extremamente importante para região, para a cidade e sobretudo nosso País. Quando a gente participa dessa inauguração que entrega esse museu à cidade, nós estamos também abrindo um caminho de muitas possibilidades para cidade e para a população da cidade.

O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, um extraordinário museu a céu aberto, ganha hoje um museu moderno, criado em função do conjunto de obras eternas e fundamentais para todos nós, brasileiros, mas também para a humanidade, como a própria ONU reconheceu, que  circundam esse santuário. Nasce para valorizar, para preservar e para perenizar um patrimônio artístico e cultural da humanidade e, portanto, do nosso País.

O Museu de Congonhas tem a tarefa de oferecer aos visitantes mais conhecimento sobre o significado histórico e cultural de um período muito importante para o nosso País. Um período que, por entre as brechas da liberdade artística, se constituiu aqui um patrimônio do barroco mineiro que, na verdade, só deve nos orgulhar.

Francisco Lisboa, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, Manuel da Costa Ataíde são dois grandes patrimônios artísticos do nosso País. Aqui no museu vão encontrar informações bastante importantes sobre a espetacular obra de ambos. Nós também conheceremos aqui as motivações religiosas que permeiam a construção desse conjunto arquitetônico e a devoção que marca as peregrinações aos santuários.

Aos turistas que vêm a Congonhas para conhecer o patrimônio histórico, nós vamos mostrar a beleza e a devoção que estão por trás dos ex-votos e santos de casa, como os que fazem parte da coleção de Márcia de Moura Castro, que se torna um acervo do museu. Aqui presentes estão os três filhos de Márcia de Moura Castro - e é para eles também o nosso agradecimento. Aos que vêm pedir, agradecer por graças obtidas ou participar da peregrinação do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, nós ofereceremos a oportunidade de conhecer um pouco mais da história do santuário que visitam.

Essa bela construção do museu, nasceu dos traços do arquiteto Gustavo Penna, e vai proporcionar uma nova e criativa maneira de visitar e admirar esse santuário. Irá além, a intenção é transformar o Museu de Congonhas em centro de referência para estudos e pesquisas sobre o barroco e sobre a conservação de monumentos em pedra sabão.

A digitalização em 3D dos profetas, feita com apoio da Unesco, e aqui eu agradeço ao representante da Unesco, eu agradeço à senhora Irina Bokova por esse apoio para uma obra tão importante para preservação da sua memória e, sobretudo, para preservação do nosso patrimônio. Muitas outras iniciativas virão para que nós formemos mais e mais brasileiros nesta necessária e - por que não?-, maravilhosa arte da conservação e da preservação de monumentos de pedra, em especial a nossa pedra sabão, tão mineira e tão importante para o que nós temos de mais belo do ponto de vista do patrimônio histórico, do que nós temos também de mais portentoso do ponto de vista da arquitetura.  

O Museu de Congonhas é uma conquista, sem sombra de dúvidas, é uma conquista para a cidade, é uma conquista para a população. E ao celebrarmos os 30 anos do reconhecimento do Santuário do Bom [Jesus] de Matosinhos como Patrimônio Cultural Mundial, é simbólico que, ao mesmo tempo, estejamos aqui todos nós entregando esse museu que também se transforma num patrimônio para todos nós.

O museu resulta de uma parceria, de um trabalho em cooperação. Uma parceria entre a iniciativa privada - várias empresas e bancos -, uma iniciativa que contou também com o governo federal por meio do Ministério da Cultura, do Iphan e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES, e também da destacada participação da prefeitura de Congonhas que esteve, juntamente com governo, na liderança desse processo, do governo estadual.

O museu, sem sombra de dúvida, valoriza também e é valorizado pela força que a população de Congonhas deu no sentido da preservação da memória e da preservação da beleza aqui existente.

Carlos Drummond de Andrade disse e escreveu, no livro Passeios na Ilha:

(...) certo dia, chamado a discorrer sobre os profetas de pedra, de Congonhas do Campo, (...) arrisquei que eram mineiros esses profetas do Aleijadinho, não vinham de outros países, eram mineiros, encarnando algo de nossa condição de povo em luta contra os tiranos, de povo ilhado na solidão e ao mesmo tempo de povo aberto aos ventos do mundo. (...)

Os ventos que nós queremos fazer chegar a Congonhas são aqueles que trazem o desenvolvimento, que trazem a melhoria de vida, que trazem melhores empregos, ancorado no patrimônio histórico e cultural. Aqui nós investimos bastante nos últimos treze anos, na recuperação e conservação de todo o conjunto arquitetônico e escultórico.

Todas as esculturas dos Passos da Paixão foram recentemente restauradas, assim como as capelas e os jardins. Os profetas têm vigilância 24 horas e seu estado de conservação nos preocupa e é, portanto, sempre monitorado pelo Iphan e pela UFMG. Nos preocupa no sentido de que são obras fundamentais que devem ser preservadas porque, mais do que tudo, integram a alma do nosso País.

Com o PAC Cidades Históricas, nós restauraremos os elementos artísticos da Basílica  e da Romaria. E já estamos restaurando o trajeto entre elas, entre a Basílica e a Romaria. Implantaremos também um parque aqui ao lado do Museu. Além disto, serão restaurados a Igreja Matriz e a Igreja do Rosário, o Cine Teatro Leon, o Casarão do Museu da Imagem e da Memória e a antiga Câmara de Vereadores.

Em uma bem sucedida parceria aqui com o prefeito Zelinho e com a Prefeitura de Congonhas, estamos investindo para aumentar também a participação das indústrias, da cultura e do turismo na economia e na geração de emprego e na renda da cidade. Assim, como ocorre em várias cidades do mundo, que tem no seu patrimônio histórico, na sua conservação, na sua qualificação e na participação da sua população nesse projeto uma das maiores fontes de renda das respectivas cidades. Compartilhamos com a população daqui o esforço de diversificar a base produtiva municipal e da região, diminuindo a dependência da mineração. Não acabando com ela, mas diminuindo a dependência.

Este propósito ganhou ainda mais importância após a tragédia ocorrida em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, e que atingiu toda a bacia hidrográfica do Rio Doce até o Espírito Santo e o mar. Aproveito para reafirmar que meu governo está comprometido com quatro missões em relação a essa tragédia. A primeira delas sempre foi e é atender as vítimas em seus direitos, ajudando-as a recuperar o que perderam e devolvendo-lhes uma vida normal e digna. A segunda é responsabilizar aos culpados e instituir a obrigatoriedade de recuperações e reparações, tanto por perdas humanas como por perdas patrimoniais. E a terceira é a recuperação ambiental e física das áreas e dos mananciais atingidos, sobretudo, o Rio Doce, o nosso Rio Doce, tão importante para todos os mineiros. E eu quero dizer a vocês que essa recuperação faz parte de uma iniciativa que congrega o governo federal, o governo do Espírito Santo e aqui o nosso governador Fernando Pimentel no governo de Minas Gerais, assim como também em uma relação com todos os prefeitos. Nos importa transformar novamente o Rio Doce naquilo que ele foi outrora. Um local com margens, com margens reflorestadas, com nascentes preservadas, recuperando inteiramente o rio. Esse é um projeto que não se esgota no curto prazo, mas que começa no curto prazo e se estende até que o rio seja de fato aquele rio que nós herdamos dos nossos ancestrais.

Asseguro ao povo de Mariana, assim como aos mineiros e aos capixabas que vivem e dependem da bacia do Rio Doce, que tomar as medidas necessárias para que situações como essas nunca mais se repitam, é algo que nós devemos àqueles que perderam aqui suas vidas  na região de Mariana, na região de toda a bacia hidrográfica do Rio Doce, sobretudo,  perderam também seus meios de vida.

Aqui em Congonhas, ao inaugurar este museu, nós projetamos um futuro ancorado na cultura e na riqueza de nosso patrimônio. Nós vamos estimular com o desenvolvimento e o acolhimento de visitantes, a permanência dos turistas por mais tempo nessa cidade, ampliando a demanda por serviços associados – e aqui eu falo de hotéis, alimentação, comércio e receptivos. Fortaleceremos a educação e a pesquisa associada ao patrimônio, abrindo novas alternativas de formação para nossas crianças e jovens.

Eu vou complementar a citação do ministro da Cultura que encerrou suas palavras com Oswald de Andrade. Dizendo:

“As cúpulas brancas dos Passos

E os cocares revirados das palmeiras

São degraus da arte do meu país

Onde ninguém mais subiu

Bíblia de pedra-sabão

Banhada no ouro das Minas, Congonhas do Campo”

Convido, convido as brasileiras e os brasileiros, turistas e estudiosos de todo mundo para virem apreciar e se emocionar com toda beleza que circunda aqui esse santuário, o que circunda Congonhas do Campo.

Parabéns a todos que trabalharam para que o Museu de Congonhas se tornasse realidade. Parabéns à população de Congonhas, que recebem hoje essa grande contribuição para sua riqueza e para sua vida diária.

Um abraço.

 

Ouça a íntegra do discurso (19min02s) da Presidenta Dilma