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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de inauguração do Hospital de Clínicas municipal José Alencar - São Bernardo do Campo/SP

por Portal Planalto publicado 13/12/2013 17h38, última modificação 04/07/2014 20h20

 

São Bernardo do Campo-SP, 13 de dezembro de 2013

 

Eu queria iniciar agradecendo, primeiro, o título de Cidadã São-bernardense. Me orgulha muito receber este título, principalmente porque São Bernardo, além de ser essa grande cidade do nosso país, ela tem a grande vantagem de ter sido a pátria da redemocratização em nosso país, e de ter tido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um grande líder. O grande líder desse país responsável, não só pelo processo de democratização, mas por ter colocado no centro de toda a política, da boa política, o povo brasileiro. De olhar para o crescimento do povo brasileiro com uma condição fundamental que um presidente eleito pelo povo, mas não apenas enquanto presidente, como líder sindical, como atuando aqui em São Bernardo e como um brasileiro que levou essa mensagem para todos os brasileiros. E aí, eu queria registrar também que, junto com ele, tinha uma companheira muito valorosa: a nossa companheira Marisa Letícia Lula da Silva, que também acompanhou todas as lutas, que esteve junto nas horas difíceis e que participou, diretamente como companheira de todos nós, desse processo. Então, muito me honra.

E aí, eu queria agradecer – inverter um pouquinho a pauta – e agradecer, aqui, o vereador Tião Mateus, presidente da Câmara Municipal de São Bernardo do Campo, por meio de quem eu cumprimento todos os vereadores aqui presentes e agradeço o título de Cidadã São-bernardense.

Cumprimento nosso ministro Padilha. E vocês viram que o nosso ministro da Saúde é uma pessoa que tem um compromisso de alma com a questão da saúde pública no nosso país, e com o tratamento humano, o tratamento humano, que é uma questão fundamental para nós hoje, porque, como ele mesmo disse, coloca a pessoa no centro do atendimento à saúde pública.

Queria cumprimentar a Miriam Belchior, ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, que é aqui do ABC, mais concretamente de Santo André.

Queria também cumprimentar o nosso querido, o nosso grande prefeito Luiz Marinho, de São Bernardo do Campo, presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. E a Nilza de Oliveira, secretária e também primeira-dama do município. O Marinho, o Marinho foi um dos mais talentosos ministros do presidente Lula, tanto como ministro do Trabalho quanto como ministro da Previdência Social. E se hoje nós conseguimos superar aquela tragédia – não sei se vocês lembram – das filas do INSS, a gente se deve à determinação do presidente Lula e à capacidade do Marinho de gerir o Ministério da Previdência.

Queria cumprimentar também o nosso querido Josué Gomes da Silva, filho do meu companheiro, meu querido companheiro, meu saudoso companheiro José Alencar. Eu me recordo que ele, já com grande dificuldade e com problemas sérios de saúde, queria ir à minha posse. Me recordo e me emociono sempre que eu lembro disso, pela imensa solidariedade dele, pelo espírito de luta, o espírito de luta, tanto na doença como na vida diária. Ele sempre foi um corajoso companheiro que ajudou o presidente Lula, ajudou a cada um de nós e que sempre tinha palavra de apoio. Eu tenho, como todas as pessoas, momentos em que a gente carrega uma grande dor na vida. Um dos momentos em que eu carreguei uma grande dor foi quando da perda do Zé Alencar. Nada mais honroso de estar aqui hoje, na inauguração de um hospital dessa qualidade com o nome do Zé Alencar. Eu tenho certeza de que ele está, neste momento, extremamente alegre.

Queria cumprimentar o senador Humberto Costa, ex-ministro da Saúde Humberto Costa, responsável por um dos programas mais importantes dos nossos governos, que foi o Samu.

E aí cumprimentar, também, o Artur Chioro, secretário de Saúde de São Bernardo e grande responsável – na administração do Marinho – por um hospital dessa qualidade.

Eu queria cumprimentar os deputados federais Arlindo Chinaglia, Carlos Zarattini, Devanir Ribeiro, Newton Lima. O Arlindo Chinaglia, líder do meu governo na Câmara Federal.

Cumprimentar a deputada estadual Ana do Carmo,

Cumprimentar, de maneira toda especial, o secretário de Saúde do estado de São Paulo, David Uip. Porque o Dr. David Uip, além de ser secretário e estar aqui representando o governador Alckmin, é também o médico que me atendeu e que eu... porque eu também tive câncer e que eu tenho muito orgulho de ter sido tratada por ele, um médico da qualidade do Dr. Uip.

Queria mais uma vez cumprimentar o Arthur Chioro, secretário de Saúde aqui de São Bernardo,

Cumprimentar os prefeitos: aqui, o de Santo André, o nosso querido Carlos Grana; o prefeito de Mauá, Donizete Braga; o prefeito Gabriel Maranhão, de Rio Grande da Serra; a vice-prefeita de Diadema, Silvana Guarnieri.

Dirigir um cumprimento ao nosso querido prefeito de Araçatuba, que sempre, toda vez que me encontra, pela milésima vez, se apresenta: “Eu sou o prefeito de Araçatuba”. Então, eu cumprimento o Cido, nosso querido prefeito de Araçatuba,

Agradecer mais uma vez aos vereadores, em especial ao vereador Tião Mateus.

Cumprimentar o superintendente do Hospital de Clínicas, Daniel Beltrame,

Cumprimentar o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Luciano Lourenço,

E, finalmente, cumprimentar as senhoras e os senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Eu queria dizer para vocês que hoje eu estou aqui e o Hospital das Clínicas José Alencar é um presente especial que nós aqui, todos juntos, entregamos à população de São Bernardo do Campo. E aí, eu fico muito honrada com isso. Eu fico muito honrada porque o Padilha disse: “Se não é, se não está, sem dúvida nenhuma está entre os melhores”. Eu quero dizer para vocês uma coisa: eu entrei aqui, eu já fui em muito hospital, eu fui em muita inauguração, mas eu entrei aqui e me espantou, no bom sentido da palavra, a qualidade do hospital, a qualidade dele, os detalhes. Por exemplo, na UTI, me chamou atenção – até porque o Arthur me mostrou – o fato que na UTI você tem janelas, que essas janelas dão para uma vegetação, uma plantinha verde. Me chamou a atenção o cuidado que este hospital tem nos mínimos detalhes, além do fato de ele ser equipado com equipamentos de última geração. Mas ele tem aquele cuidado também com as pessoas que vão acompanhar os doentes. A sala em que os pacientes, familiares que acompanham... aliás, os familiares que acompanham pacientes na UTI é uma sala toda cuidadosa, é uma sala que vai ter o conforto para garantir que as pessoas que estão passando por um momento difícil não tenham ainda o absurdo de viver uma situação de desconforto e falta das mínimas condições de passar o tempo difícil ali.

Este hospital, então, ele tem algo que eu considero que é o elemento principal. O principal elemento é: ele é um hospital feito e construído e, mais do que tudo, imaginado para atender pessoas, porque um hospital feito para atender pessoas, ele tem que levar em conta o elemento fundamental quando se está doente. Quando a gente está doente, a gente está frágil; quando a gente está doente, a gente está desprotegido. Nós estamos na situação humana mais difícil que é quando a gente enfrenta o fato de que a gente é mortal.

Então, este hospital tem um grau de humanidade que torna essa – se é possível dizer – essa situação de fragilidade mais facilmente suportável, porque ele é acolhedor, ele nos envolve, ele permite justamente que a gente se sinta melhor, que a gente trabalhe a parte psicológica do doente e que transforme essa em uma situação menos penosa.

Eu quero dizer que ele faz jus à importância de São Bernardo nesta região. Ele vai garantir um atendimento do que se chama de alta complexidade, e isso é muito importante em uma região populosa como esta. Não só para São Bernardo, mas para Diadema, e para Santo André e para as cidades vizinhas, porque será uma forma de diminuir a pressão de demanda sobre esses outros hospitais.

Eu acredito que poucos hospitais, pelo menos os quais eu conheci nesses últimos tempos, têm essa capacidade para 1,5 mil internações, 1,5 mil cirurgias, 10 mil consultas por mês. É um grande hospital, sem dúvida, um hospital do tamanho de São Bernardo.

E esta é uma pareceria, porque esse empreendimento exige que estejamos juntos, governo estadual, prefeitura e governo federal, e que o governo federal coloque uma parte maior dos recursos. Nós todos aqui estamos investindo R$ 240 milhões, R$ 126 milhões é a parte do governo federal, e certamente nós daremos uma contribuição significativa na manutenção desse hospital, na garantia que esse hospital terá um serviço à altura da sua qualidade.

O Hospital José Alencar é um dos maiores investimentos do governo federal na área de saúde aqui no estado de São Paulo. Não é o único investimento nosso, porque nós olhamos a questão da saúde, como falou o Padilha, como uma rede. Não basta ter hospital, você precisa ter posto de saúde, UPA – Unidade de Pronto Atendimento de Urgência e hospital. Cada um deles resolve um certo tipo de problema. O que não é possível é só ter um deles. Por exemplo, tudo indica, segundo o Ministério da Saúde, que 80% dos problemas de saúde são resolvidos nos postos de saúde. Agora, para resolver os problemas nos postos de saúde é preciso ter médico nos postos de saúde, resolvendo aqueles problemas básicos que as pessoas têm ao longo da sua vida: problema de pressão, problema... quem é diabético, problema de... tem que fazer o controle da sua taxa de açúcar, que tem criança tem que olhar o problema... muitas vezes a criança pode ter bronquite, asma, enfim, aqueles problemas mais básicos. Depois, na UPA, se resolvem 97% ou 95%, eu não tenho certeza – Padilha, é 95 ou 97? – 97% dos demais problemas se resolvem na UPA. Porque uma UPA tem até uma UTI, uma UTI menor, mas, por exemplo, se uma pessoa tiver um ataque do coração, ela pode ser estabilizada na UTI da UPA. E, por fim, nós temos o hospital para os casos mais graves. Daí porque também o Samu é muito importante, porque quem leva de uma linha, de um ponto a outro da rede é o Samu. Sem um sistema de ambulâncias, você não tem como estruturar uma rede. Também sem um sistema de controle de leitos, você não tem um controle adequado da rede.

Pois bem, a situação do nosso país é que nós temos que melhorar a qualidade do atendimento no posto de saúde, na UPA e nos hospitais. Temos que melhorar a qualidade do atendimento em todas essas áreas. Para isso a gente tem que começar. Então nós começamos. E como é que nós começamos? Nós começamos do único jeito que dá para começar: escutando as pessoas, vendo aquilo que era a maior reclamação da população brasileira quando se trata da saúde. Qual era ela? As pessoas querem ser atendidas por um médico. Eu, quando estou doente, quero ser atendida por um médico, a senhora quer ser atendida por um médico. Enfim, cada um de nós quer as mesmas coisas e queremos o melhor atendimento possível: que o médico preste atenção, que o médico nos escute e que nos responda e que dê a nós a orientação que nós precisamos.

O que nós vimos em todas as enquetes especiais que o Ministério da Saúde faz é que as pessoas queixavam e reclamavam muito que não tinham acesso a médico, não ia no posto de saúde, principalmente as pessoas mais pobres que moravam nas periferias das grandes cidades, nas periferias das cidades médias, no interior do nosso país, no Nordeste – principalmente na região do semiárido –, no Amazonas e também aquelas populações de indígenas, principalmente nos distritos indígenas, e as populações negras quilombolas.

Por isso, nós resolvemos fazer todo um chamamento para garantir que houvesse médico suficiente para atender à nossa população. E notamos outra coisa: além de não ter médico aí, nós tínhamos uma certa escassez de médicos especialistas. Por exemplo, médico pediatra. Médico pediatra é uma coisa difícil de você ter no Brasil em número suficiente. Então o que nós fizemos? Resolvemos, primeiro, providenciar que houvesse formação de médicos aqui no Brasil. Criar escolas de medicina, como essa que será criada aqui em São Bernardo, em vários pontos do país. Aumentar o número de médicos formados no Brasil e aumentar o número de especialistas. Mas, demora a formar médicos e demora a fazer também os cursos de especialização. Mais de seis anos tudo isso demora.

Como a gente tinha que providenciar e tinha que atender com urgência à população, nós abrimos também o programa Mais Médicos, não só nessa questão de aumentar as escolas de medicina, mas de aumentar o número de médicos, prontamente, com urgência, no nosso país. E aí chamamos primeiro médicos brasileiros. Depois chamamos médicos estrangeiros, tanto estrangeiros quanto ao diploma, porque tem muito médico brasileiro formado no exterior, como médicos de outros países formados nos outros países. E é esse programa Mais Médicos que hoje tem por objetivo garantir o atendimento da nossa população. E garantir o atendimento nos postos de saúde, de forma que as pessoas tenham acesso a eles no período em que eles vão prestar esse serviço, de segunda a sexta-feira, durante todo o horário que eles vão prestar o serviço e, obviamente, em alguns casos, até fora do horário. Mas o que é importante é perceber que os municípios todos do país, como São Bernardo, como todos os municípios aqui do Grande ABC, se mobilizaram e falaram: “olha, eu quero tantos médicos”, cada um falou quantos médicos queria. O Ministério da Saúde olhou, viu aquilo que estava correto e começou a providenciar os referidos médicos.

Hoje, nós estamos na seguinte situação: até o final dessa semana chegam aos municípios do nosso país que pediram médico, aqui vão chegar mais sete médicos, vai dar um total de 18 médicos aqui, em São Bernardo. Mas no Brasil inteiro chegam em torno 6,5 mil, 6,6 mil médicos. Isso significa uma cobertura para 23 milhões de pessoas, o que é algo muito importante, significa que mais 23 milhões de pessoas terão condições de ser atendidas em um período de tempo em que, anteriormente, elas não tinham nenhum atendimento médico. Até abril serão 13 mil médicos no Brasil, e vão ser, portanto, 45,5 milhões de pessoas com cobertura. Quando chegar março, nós vamos fazer uma reavaliação, e se for necessário, nós traremos mais médicos para o Brasil. E isso é a conclusão de uma coisa muito importante que nós aprendemos. Aprendemos com o presidente Lula, que dizia o seguinte e que disse sempre isso: “Eu não fui eleito para construir ‘muquifo’ para o povo brasileiro. ‘Muquifo’ é algo ruim para o povo brasileiro”. Eu também não fui. Nós fomos eleitos para buscar para o povo brasileiro aquilo que há de melhor, seja no programa Minha Casa Minha Vida, a melhor qualidade de moradia de casa e de apartamento, seja no Pronatec, a melhor formação técnico-profissional que tem no Brasil – é isso que nós temos que dar para o nosso povo –, seja nas nossas universidades.

Agora, no caso da Saúde isso ainda é mais sério. No caso da Saúde, a questão é a humanização do tratamento de saúde no Brasil. Nós conseguimos, como povo, criar o melhor modelo de atenção à saúde básica, o SUS – Sistema Único de Saúde –, que é público, gratuito e universal e tem que ser de qualidade. É esse o desafio que nós estamos fazendo com o Mais Médicos, é procurar assegurar que esse sistema de saúde tenha, primeiro, foco na pessoa humana, que a gente olhe, antes de tudo, para a pessoa. Mesmo quando a gente olha para a beleza deste edifício, nós estamos pensando como será confortável que o Brasil tivesse... como seria bom que o Brasil tivesse essa qualidade de atendimento para garantir às pessoas o que há de melhor. É isso que nós temos que buscar para o Brasil. Nunca podemos pensar pequeno. Nós vamos ter que pensar grande, do tamanho do nosso país, inclusive na saúde pública.

Com isso eu quero dizer para vocês que eu estou muito feliz, e veja como é bom, meu aniversário é amanhã, mas o presente é para São Bernardo. Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra (28min35s) do discurso da Presidenta Dilma