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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de inauguração do Centro Cultural Banco do Brasil

por Portal do Planalto publicado 27/08/2013 20h55, última modificação 04/07/2014 20h17

 

Belo Horizonte-MG, 27 de agosto de 2013

 

Boa tarde, boa noite a todos vocês.

Eu queria primeiro cumprimentar o governador de Minas Gerais, governador Anastasia.

Cumprimentar o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, e sua senhora, Regina Lacerda.

Cumprimentar o presidente do Banco do Brasil, Aldenir Bendine, e a senhora Silvana Maria Bendine.

Cumprimentar todos os ministros que me acompanham: a Marta Suplicy, da Cultura; Antônio Andrade, da Agricultura; Aloizio Mercadante, da Educação; e Helena Chagas, da Comunicação Social.

Cumprimentar os deputados federais aqui presentes: [Miguel] Corrêa Júnior, Odair Cunha, Newton Cardoso, Nilmário Miranda, Wellington Prado.

Cumprimentar o senhor Alexandre Colliex, vice-presidente do Centro Pompidou.

Cumprimentar a senhora Emma Lavigne, curadora da Exposição ELLES – Mulheres Artistas da Coleção do Centro Pompidou.

Cumprimentar todos os presentes, representantes do meio artístico e empresários.

Cumprimentar as senhoras jornalistas, os senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Nós aqui sabemos, todos nós, que tem vários jeitos de se fazer uma declaração de amor. Primeiro a pessoa pode, geralmente, o homem pode se ajoelhar e declarar seu mais absoluto amor por ela. Segundo, é possível também a declaração de amor ser feita por carta. Também é possível a construção de monumentos, como é o caso do Taj Mahal. Aqui nós temos uma declaração de amor feita à cidade de Belo Horizonte pelo Banco do Brasil, em parceria com o governo federal, com o estado e a prefeitura.

Para mim, voltar à Praça da Liberdade é um imenso prazer, e agradeço à minha segurança, porque eles não me deixam fugir sempre e hoje eu fugi para a praça, e fui olhar na praça... Porque quando você revisita um lugar, você acende memórias, então eu fui reacender as minhas memórias na Praça da Liberdade. Eu comecei a caminhar, eu caminhei com 1 ano e pouco, eu não fui daquelas meninas que caminharam rapidinho, não. Caminhei com 1 ano e pouco. E eu caminhei, por acaso, aqui na Praça da Liberdade. Meus primeiros passos foram aqui. Eu morei até uns 10 anos, eu acredito - não tenho muita precisão da data - na rua Sergipe, 1348, e circulei da rua Sergipe para a praça, para o Minas Tênis Clube e para o colégio Isabela Hendrix, onde eu fiz meu pré-primário, durante uma parte muito grande da minha vida. Então, esta praça, ela me traz recordações de muitos anos atrás, e as alamedas da praça, o coreto e eu fico assim extremamente feliz de ver o coreto reconstituído. Já prometi ao Anastasia que se ele me arranjar uma banda eu volto para escutar a banda tocar no coreto. E também admirando as palmeiras imperiais que fazem o contorno e adornam essa praça. Admirando o prédio do Palácio da Liberdade, que eu sempre achei que fosse um Palácio Hindu pelas características da sua cúpula, e ao mesmo tempo olhando sem ver os prédios das secretarias. Porque as secretarias eram algo anódino na vida da gente.

E hoje eu fico muito feliz em estar aqui junto com o Banco do Brasil, nesse local que faz parte indelével da minha vida, porque eu carrego ela comigo, está na minha memória. Eu fico muito feliz de estar aqui hoje, fazendo com que esse prédio seja visto, seja admirado, seja utilizado, seja usado pelas pessoas de Belo Horizonte. Cumprimento o Banco do Brasil por isso e tenho certeza que a arquitetura que nós hoje vemos aqui, que entregamos para usufruto da cidade, os espaços, o cuidado na restauração e o fato de se transformar no espaço de cultura e arte vai fazer a diferença para a melhoria da qualidade de vida dos belorizontinos.

Como sede do governo mineiro essa praça foi objeto e foi espaço, e foi lugar de vida e de muitas situações históricas no nosso país. Por isso, nada mais importante do que também preservar nossa história, porque é preservar nossa memória, é preservar a nossa cultura. E, sobretudo, fazê-lo utilizando, usando, usufruindo, que é o princípio de plenitude que cerca a vida.

Agora eu tenho certeza, ao ver tudo isso que eu vi hoje, que essa Praça da Liberdade está sendo reinventada. E reinventar é algo muito importante, reinventar é uma forma de preservar avançando. A parceria entre o governo de Minas Gerais e o governo federal, por meio do Banco do Brasil, da Universidade Federal de Minas Gerais e das empresas privadas, tenho certeza que vai transformar essa praça em um dos maiores complexos culturais do Brasil, complexos culturais desses que o Brasil precisa sobremaneira para poder de fato se transformar numa nação desenvolvida.

Nós, mineiros, temos de nos orgulhar da praça. Eu acho muito interessante falar em nós mineiros, porque a ditadura me tirou de Minas Gerais e aí eu fui acolhida no Rio Grande do Sul. Então, aqui em Minas Gerais tem algumas pessoas que dizem que eu não sou mineira. Agora, lá no Rio Grande do Sul, também as pessoas que não gostam de mim dizem que eu não sou gaúcha. Que eu não sou gaúcha, eu acho que fica um pouco óbvio porque ninguém fala “ocê” no Rio Grande do Sul, nem fala “uai”, mas também eu já misturei um pouco porque eu falo “barbaridade”. Então, eu sou essa mistura. Mas essa mistura tem um ponto de partida que é essa Praça da Liberdade em todos os sentidos. Acho que aqui em Minas Gerais nós tivemos sempre o valor dessa palavra: liberdade.

Esse momento é muito importante, e esse Espaço Cultural do Banco do Brasil, como nós sabemos, se soma a outros aqui nesta praça, e isso vai contribuir para que o povo belohorizontino, o povo mineiro, e os brasileiros que por aqui transitam, tenham acesso a algo fundamental para um país como o nosso, que avança na direção do desenvolvimento, que é um espaço de popularização da cultura.

Cumprimento também a ministra Marta, pelo fato de que hoje nós estamos publicando o Vale-Cultura. Popularizar a cultura implica não só em dizer “devemos popularizar a cultura”, mas em criar e oferecer, e tornar disponível todos os instrumentos para isso. E, sem dúvida nenhuma, nós temos certeza que o Vale-Cultura vai ser um instrumento dessa popularização e do acesso.

Aqui em Minas Gerais eu fiquei encantada quando o prefeito acaba de dizer, o prefeito de Belo Horizonte acaba de dizer que aqui se consome mais cultura ao se consumir teatro e livros. Eu só tenho uma questão a colocar: eu sempre pensei que sempre se consumiu – viu, Márcio? – porque eu lembro, ou seja, todo o meu acesso à cultura também se deu aqui, se deu no espaço do Centro de Estudos Cinematográfico, se deu no fato de a gente ir em pequenos teatros, isso há – eu não vou dizer há quantos anos atrás – mas há muitos anos atrás. Então, eu acredito que Minas tem uma tradição literária, tem uma tradição de literatos e uma tradição de levar as pessoas a usufruir da Cultura.

Queria dizer, também, que o valor cultural no Brasil é algo muito importante. Nós estamos num estado muito especial. E eu queria falar rapidamente sobre a questão do programa PAC Cidades Históricas, porque ele beneficiará, sobretudo, o estado de Minas Gerais, principalmente porque nós temos aqui concentrado aqui, em Minas Gerais, um patrimônio histórico e cultural de envergadura invejável. Na semana passada nós anunciamos, em São João del-Rei, as 425 obras nas 44 cidades dos 20 estados da Federação. Minas Gerais foi o estado contemplado com o maior volume de recursos. Serão R$ 257 milhões para obras em oito municípios: Belo Horizonte, Congonhas, Diamantina, Mariana, Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei e Serro.

Aqui em Belo Horizonte, por exemplo, nós vamos restaurar o Museu de Arte e a Igreja de São Francisco de Assis, lá na Pampulha. Aliás, é importante a gente dizer isso quando a gente vê o que é a qualidade de uma restauração e como é possível, ao restaurar, usar, usufruir e dar um sentido às nossas vidas. Então, continuando, na região da Praça da Estação nós vamos restaurar a Casa do Conde, que abriga a Casa do Patrimônio, sede do Iphan, e o galpão da antiga oficina. Vamos restaurar também três casas da antiga Rede Ferroviária Federal, que serão integradas ao Museu de Artes de Ofícios, dona Ângela, e instalar a Escola Livre de Artes lá onde fica a antiga hospedaria, também na Praça da Estação.

Esses investimentos na Pampulha e na Praça da Estação têm o mesmo sentido dos que estão sendo feitos aqui, na Praça da Liberdade: reintegrar prédios históricos à vida da cidade, permitindo que a população se aproprie deles, que a população tenha a lembrança histórica do que aconteceu, mas que usufrua deles, viva neles. Afinal, o sentido último de todo o esforço que fazemos para preservar a nossa história e a nossa cultura é beneficiar a vida da nossa população.

Por isso, eu quero parabenizar o Banco do Brasil, seus diretores aqui presentes, parabenizar o presidente Bendine, parabenizar o governo do estado e, principalmente, eu quero parabenizar essa parceria com Centro Pompidou por escolher o tema, como abertura, o tema Mulher.

Esta ideia de contar a história da arte universal exclusivamente com trabalhos feitos por mulheres surgiu de uma iniciativa do Centro Pompidou. A excelência das obras e o encantamento que elas causam mais que justificam a importância dessa exposição, sobretudo porque durante muitos anos foi dito que as mulheres não tinham o extraordinário talento para pintar.

Cada um de nós sonha com alguma coisa, tem uns que sonham em ser cantores; outros, pianistas; outros, jogadores de futebol; outros, grandes esgrimistas; eu sempre quis ser pintora. Não tenho o menor talento, mas sei admirar. Admirar é algo muito importante. E a pintura, quando você admira, te faz abrir uma porta para a compreensão dessa trajetória que é a nossa presença sob a face da terra. Por isso, eu queria dizer que a pintura Mulheres coloca uma reflexão para nós, uma reflexão sobre o papel das mulheres nas sociedades, sobre a importância que as mulheres têm numa sociedade civilizada e democrática, sobre o fato de que – eu aí fecho o ciclo do meu dia – eu estive na Câmara recebendo o relatório da CPMI sobre a violência contra a mulher. Esta exposição, ela completa a visão necessária para a questão da mulher na sociedade brasileira que é o repúdio, primeiro, à violência contra as mulheres, mas também a imensa capacidade das mulheres de gerar vida, de gerar arte e gerar esperança.

Boa Noite.

 

Ouça aqui a íntegra do discurso (16min24s) da Presidenta Dilma.