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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de inauguração do BRT Transcarioca - Rio de Janeiro/RJ

por Portal Planalto publicado 01/06/2014 13h01, última modificação 01/06/2014 13h04

Rio de Janeiro-RJ, 01 de junho de 2014

 

 

Primeiro eu queria dar bom dia a todos. Bom dia. Um belíssimo dia, aliás. Um belíssimo dia porque aqui, nós estamos todos juntos, e aí eu queria cumprimentar primeiro os trabalhadores. Os trabalhadores que com as suas mãos construíram esse BRT Transcarioca.

E aí, eu vou pedir para o Pezão para quebrar o protocolo, Pezão, e cumprimentar na sequência esse extraordinario trabalhador, que é o nosso prefeito Eduardo Paes. Um prefeito que acorda de madrugada e sai andando do nosso Galeão até Madureira para fiscalizar obra – e dizem que às vezes ele vai também mais longe, mas eu não vou dizer aqui aonde – é um prefeito que, de fato, cuida da sua cidade. Cuidar é isso. Cuidar é ter esse compromisso, eu diria para vocês que tem hora que até é uma obsessão, não é Eduardo? De ver se está tudo certo, se de fato esse BRT é um presente para a cidade do Rio de Janeiro. Eu acho que o BRT Transcarioca, ele dá samba. Porque só as coisas grandes deste país deram samba. Então, para mim, o que posso falar para ele de melhor é que o BRT Transcarioca tem estatura, tem história e tem benefício para dar samba.

E aí quero cumprimentar e dirigir um cumprimento muito caloroso a todos os sambistas, e eu vou ler, viu? Eu vou ler para não esquecer ninguém.

Primeiro, o Ito Melodia, da União da Ilha do Governador, por onde eu passei,

Depois, o Bira, do Fundo de Quintal do Cacique de Ramos, e aí homenageio todo o Cacique de Ramos,

O Preto Jóia, da Imperatriz Leopoldinense,

O Monarco e a Velha Guarda, da Portela,

Dirigir um cumprimento todo especial a Dona Ivone Lara e à Velha Guarda do Império Serrano,

O Nelson Sargento e a Mangueira,

Queria também dirigir um cumprimento para Dona Neném,

Cumprimentar o Marquinhos, de Osvaldo Cruz, e o Mauro Diniz, cumprimentando todos os sambistas aqui. Esses representantes, homens e mulheres que falam da nossa alma, do nosso samba. Que falam do nosso coração e dos nossos sentimentos. Por isso, eu cumprimento todos eles, e ao saudá-los, eu cumprimento todos os artistas, músicos, compositores e intérpretes aqui presentes.

Queria saudar o nosso companheiro Pezão, o representante, aqui, do governo do estado. E queria dizer que aqui, no Rio de Janeiro, nós formamos uma grande parceria desde o governo do presidente Lula. Era o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral; agora é o Pezão e eu, e sempre o Eduardo Paes. Com essa parceria, porque uma parceria é algo que se faz não para nós mesmos, nós fizemos para a população do Rio de Janeiro, nós fizemos porque sobretudo a gente deve, a gente deve satisfação àqueles que nos elegeram. E, por isso, eu fico muito feliz de estar aqui.

Hoje, eu comecei o dia inaugurando o Terminal 2 do Aeroporto do Galeão, que praticamente dobra a capacidade de transporte de passageiros. E aí vocês podiam me dizer: “Ah , mas aeroporto não é igual à Transcarioca. Aeroporto é um transporte de elite”. E eu vou dizer para vocês: era. Era um transporte de elite, porque nós passamos de 33 milhões de passageiros/ano no Brasil para 113 milhões de passageiros/ano no Brasil. E hoje todos aqueles que querem viajar podem viajar, e muitas vezes são pessoas que jamais tiveram acesso a um aeroporto. De fato, acusam a gente de ter transformado o aeroporto numa grande rodoviária. Nós transformamos o aeroporto numa grande rodoviária, porque não tem mal nenhum em rodoviária. Agora, o aeroporto que estamos transformando é um aeroporto de qualidade, porque o povo brasileiro merece o que há de melhor qualidade.

E aí eu chego aqui no Transcarioca. O quê que é, eu vou dizer para vocês o quê que é, de fato, absolutamente fantástico nesse BRT Transcarioca. Quê que é? Primeiro, os ônibus parecem trens, são trens sobre rodas. Tem do trem não só essa similaridade, mas o fato de que percorrem uma via especial, uma via como se fosse segregada, uma espécie de canal pelo qual, feito nas ruas, pelo qual o ônibus trafega. E ao mesmo tempo, com uma rapidez que, de fato, é fundamental. Porque, quando a gente fala de transporte urbano coletivo de massa, nós estamos falando de uma coisa extremamente preciosa para a vida de cada um de nós, que é o tempo. É o tempo de viver, todos nós – todos nós – precisamos de tempo para viver. E aí o quê que é que o Transcarioca ganha? Ganha o tempo, o tempo de cada um de nós, da nossa vida. É transporte público de massa de qualidade. É isso que o Transcarioca é, com todos os detalhes.

Eu tinha guardado a minha passagem, a minha passagem, meu cartão de passagem. Por quê que eu tinha guardado o meu cartão de passagem? Porque, primeiro, eu quero destacar que é bilhete único. Bilhete único significa o direito das pessoas que moram mais longe aqui, no Rio de Janeiro, nessa imensa cidade do nosso país, o direito de trafegar pelo menos em três grandes vias. Então, a pessoa pode usar o bilhete para a Transcarioca, pode fazer conexão para o metrô e, além disso, pode depois pegar outro ônibus e até chegar à barca. Dependendo de como é que ele precisa para ir da casa para o trabalho, do trabalho para casa e da casa para o estudo, enfim, para o lazer, para qualquer ponto dessa cidade.

E, além disso, esse bilhete único que eu acredito que, nessa extensão, será o primeiro grande bilhete único do nosso país, mas eu tenho certeza que todo o país caminha para isso, todo o país caminha para isso. Ao inaugurar aqui a Transcarioca, eu queria dizer para vocês que essa parceria com o Pezão e com o Eduardo Paes possibilitou que nós, juntos, transformássemos o Rio de Janeiro. E aí eu queria dizer uma outra coisa: fica visível quando a gente trafega pela Transcarioca que, sem a pacificação de vários bairros aqui no Rio de Janeiro, esta construção fantástica, que é o BRT, ela não seria possível. Então eu quero saudar também toda a política de UPPs e de pacificação feita aqui com parceria do governo federal. Agora mesmo, nós estamos juntos na Favela da Maré por conta dessa parceria, com a presença do exército, não é, do dr. Pezão?

Queria dizer para vocês que o vice-governador, Paulo Melo, tem sido uma pessoa fundamental. Eu sei que ele é presidente da Assembleia, mas agora ele assumiu o título de vice-governador. Então, o vice-governador também tem sido um parceiro sensacional.

Queria também cumprimentar os ministros de Estado que me acompanham: o Gilberto Occhi, a Miriam, o Aldo Rebelo e o Thomas Traumann.

            Cumprimentar a todos os deputados federais,

            Dirigir, aqui, um cumprimento especial aos vereadores, porque eu sei que os vereadores são agentes fundamentais nesse processo.

            Cumprimentar também o Celso Athaíde, que é fundador de uma entidade muito importante, que é a Central Única das Favelas,

            Cumprimentar toda a imprensa.

Mas, continuando aqui o que eu estava dizendo, eu acredito que nós estamos aqui, agora, mostrando para o Brasil o seguinte: de fato tem 49 anos que essa obra foi planejada. De fato... Pode ficar descansado, eu não tropeço. Ele está desde manhã, gente, num nervosismo só, porque ele… essa obra é que nem filho, então ele já acordou de manhã, já tratou... agora ele pode descansar, deu tudo certo, está perfeita, Eduardo. Está perfeita. E isso é muito bom que seja assim, porque mostra que, de fato, só uma pessoa que tem amor pela sua cidade consegue fazer no prazo que foi feito tantas desapropriações e levar a cabo. Porque não adianta dizer que há 49 anos atrás alguém pensou. O que importa é que alguém realizou. O que importa é que alguém foi capaz de enfrentar todos os desafios: desafio de desapropriação, vocês não imaginam o que é; o desafio de liberação de licenciamentos de todos os processos; o desafio da obra de engenharia; o desafio de comprar os ônibus articulados, que são como trens.

Então, esse é um processo que eu acho que tem que ser valorizado, sim. Pode ter esperado, pode ter esperado 49 anos, mas a coisa que tem de ser destacada é que foi realizada agora. Por quê? Por que não foi realizado antes? Por que não deixaram pronto o projeto executivo? Por que não deixaram o projeto de engenharia ali direitinho? Não, nós tivemos de fazer tudo, nós tivemos de providenciar tudo para que essa obra se realizasse. Então, Eduardo, nós… eu vou dizer nós, tá, porque foi uma parceria. Mas nesse “nós” tem uma hierarquia. Nesse “nós” entra você primeiro, tá? Então nós realizamos algo que por 49 anos não estava, não estava previsto de ser realizado, porque fazer é diferente de planejar, e vocês trabalhadores sabem disso. Sabem que fazer é outra conversa, a hora que tem de fazer.

Eu fico muito feliz de estar aqui por isso, porque eu considero que esse é um exemplo de que é muito importante para uma cidade com essa beleza ter essa variante de metrô. Não é um metrô, por que o que acontece com o metrô? Você entra lá debaixo da terra e não vê mais nada. O que é que vai acontecer? Nós vamos, todos nós a partir da Transcarioca, começar a melhorar todos esses bairros. O subúrbio se tornou visível e agora nós temos de olhar com cuidado para as avenidas, nós temos de melhorar as casas, nós temos de fazer um esforço para nós mesmos, porque, de fato, o coração do Rio de Janeiro está aqui, e isso nós queremos que esse coração se pinte, se colora e se mostre na sua grande força. Durante muitos anos, toda essa região não foi visível, agora ela será visível e agora ela será também transformada.

Eu fico também extremamente satisfeita por um outro motivo. Diziam que a Copa do Mundo não tinha legado nenhum. Eu, pessoalmente, acho que nenhum legado é da Copa do Mundo, todos os legados são do povo brasileiro. Por exemplo, nós não estamos fazendo aeroportos para a Copa do Mundo. Nós estamos fazendo aeroportos para todos os brasileiros. Por acaso, vai ser usado na Copa do Mundo. Nós não estamos fazendo uma obra desse porte para Copa do Mundo, nós temos o compromisso de fazê-la para todos os cariocas. E até porque, vamos pensar um pouco? Ninguém, todos nós sabemos que de quatro em quatro anos tem Copa do Mundo. Muitos brasileiros saem do Brasil e vão assistir a Copa do Mundo em outros países. São tratados com carinho, são tratados com extrema gentileza, são tratados e bem recebidos. Nós também, que somos um povo afrodescendente, indígena, e também com toda a tradição branca, a combinação de negros, índios e brancos deu origem a um povo alegre, feliz, produziu o samba, deu origem a todas as nossas tradições e, sobretudo, alegria e a generosidade e o carinho no trato.

Pois bem, quando vem um turista nos visitar, de outros países ou de outros estados, quando eles vão embora para casa, na mala deles não cabe o BRT Transcarioca, não cabe o Aeroporto do Galeão, não cabe o estádio do Maracanã. Agora, na mala deles cabe o seguinte: o gesto de carinho, o gesto de afeto, o gesto de bem receber. Nós somos esse povo, esse povo que receberá, não com violência, que receberá com carinho e com muito cuidado e respeito todos os que vierem nos visitar. E quero dizer uma coisa: se quiserem conhecer o Rio e a qualidade do transporte público, a Transcarioca, Eduardo Paes, vai nos orgulhar. A Transcarioca é um orgulho para o nosso país. Este é o padrão de transporte público de massa que o nosso povo merece, e que nós temos o compromisso e mostramos hoje aqui: é possível fazer transporte público de massa.

E encerrando, eu quero dizer para vocês: nós estamos saindo daqui e vamos na CCPL. De fato, se vocês pegarem as fotografias que estão aqui, as fotografias do antes e do depois da CCPL, o quê que vocês vão ver? Vocês vão ver uma moradia indigna, onde tinham ratos, onde tinham baratas, onde as pessoas viviam em condições subumanas; e vocês vão ver uma modificação, a palavra é dignidade; vocês vão ver moradias dignas. Eu tenho muito orgulho do nosso programa de habitação popular que é o Minha Casa, Minha Vida, que fizemos em parceria aqui, com o governo do Rio de Janeiro, na época começamos com o governador Sérgio Cabral, e agora continuamos com o Pezão. Aliás, eu e o Pezão... Foi na Rocinha, não é, Pezão? Na Rocinha, eu fui indicada pelo presidente Lula como mãe do PAC, e o presidente Lula, na mesma oportunidade, indicou o Pezão como pai do PAC no Rio de Janeiro. Eu quero dar uma salva de palmas também para o pezão.

Muito obrigada a todos vocês. Hoje é um dia, além de belíssimo, na hora que eu vi a rua, eu vi, olha, o Rio de Janeiro acordou vestido para festa. Então, o Rio acordou vestido para festa do Eduardo Paes. Parabéns, Eduardo.

 

Ouça a íntegra(19min49s) do discurso da Presidenta Dilma Rousseff