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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de inauguração da Unidade de Pronto Atendimento – UPA 24h de Horizonte/Pacajus - Horizonte/CE

por Rose Mary Rosendo publicado 22/11/2013 18h35, última modificação 04/07/2014 20h20

Horizonte-CE, 22 de novembro de 2013


Eu queria agradecer e dirigir um cumprimento muito especial aos moradores das cidades de Horizontina [Horizonte] e Pacajus.

Queria também cumprimentar o meu querido governador do Ceará, Cid Gomes.

Cumprimentar meu querido ex-governador, ex-ministro, hoje secretário de Saúde do Ceará, Ciro Gomes.

Cumprimentar os prefeitos Manoel Gomes de Faria Neto, o Nezinho, de Horizonte; o Marcos Paixão, de Pacajus; a senhora Argentina Sampaio Padilha, de Chorozinho. E cumprimentar o Roberto Cláudio, prefeito de Fortaleza.

Queria cumprimentar também os ministros que me acompanham aqui, hoje: ministro Padilha, da Saúde; ministro Aguinaldo, das Cidades; ministro da Educação, Mercadante; e ministra Helena Chagas, da Comunicação Social.

Queria cumprimentar o vice-governador do Ceará, Domingos Filho.

Cumprimentar também o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, o José Albuquerque.

Cumprimentar um grande companheiro, uma pessoa importante e que agora é ex-ministro da Secretaria de Portos, e que muito serviu ao governo federal e aos brasileiros, Leônidas Cristino.

Queria cumprimentar os senadores Eunício Oliveira, Inácio Arruda, e o líder do governo no Congresso, José Pimentel. E agradecer a esses senadores toda a parceria que vêm me dando no governo, ao governo federal, no Congresso.

Cumprimentar os deputados e deputadas federais Chico Lopes, Domingos Neto, Gorete Pereira, João Ananias, Zé Guimarães e Mário Feitosa.

Cumprimentar o Magno Silva Coelho, secretário executivo das Cidades,

Cumprimentar também o André Faço, diretor presidente da Cagece,

Cumprimentar o José Newton Ribeiro, presidente da Construtora Granito, Cumprimentar as jornalistas, os jornalistas, os fotógrafos e os cinegrafistas,

Meus queridos e queridas cidadãos e cidadãs de Horizonte, de Pacajus e de Chorozinho, hoje nós estamos aqui inaugurando uma UPA 24 horas. E, ao mesmo tempo, mostrando que as coisas dão certo quando todo mundo pega junto, e nós pegamos juntos. Nós, do governo federal, com os prefeitos e com o governador Cid Gomes fizemos uma parceria em várias áreas. Nós estamos aqui hoje, faz parte da minha viagem inaugurar essa UPA. Essa UPA que nós estamos inaugurando, ela é símbolo dessa parceria bem-sucedida. E por que eu venho aqui e escolho justamente inaugurar aqui a UPA, em Horizonte, a UPA 24 horas? Pela importância que tem, no sistema de saúde do Brasil, essa inovação que foi a construção de Unidades de Pronto Atendimento 24 horas, que atende urgências e emergências.

O que é a UPA? A UPA é um ponto do nosso sistema de saúde. O nosso sistema de saúde é como uma casa. Você começa do alicerce. O que é o alicerce? É o posto de saúde, o posto de saúde onde você trata os principais problemas das pessoas. Você trata da hipertensão de uma pessoa, do diabetes, no posto de saúde você teria de tratar da diarreia de uma criança, da bronquite, você teria de vacinar a criança, você teria um pré-natal, você teria um acompanhamento diário da saúde das pessoas. Oitenta por cento dos problemas é para ser resolvido no posto de saúde. O que acontecia no Brasil? No posto de saúde, as pessoas iam e não encontravam o quê? Não encontravam o médico, em muitos lugares do nosso país afora. Por exemplo, nas periferias das regiões metropolitanas das grandes cidades deste país; nos estados do Norte e do Nordeste, nas regiões mais pobres, exemplo, no semiárido; no interior do Brasil, fora das regiões litorâneas; no interior, também nas regiões litorâneas pobres; no Amazonas, nas fronteiras do país, enfim, havia muitos municípios sem médicos no Brasil, e a gente pode falar o que for, onde não tiver médico não tem saúde, atendimento à saúde, tanto para tratar quanto para prevenir. Por isso que nós fizemos aquele programa que chamou e chama Mais Médicos. O Mais Médicos, o Padilha já deu os números nacionais. Eu vou dar aqui os números aqui do Ceará.

No Ceará, há um total de 866 médicos que foram pedidos para atender os municípios que não tinham médicos, 866 médicos. Já chegaram até agora 350 médicos, 350 médicos até agora, novembro. Significa que nós melhoramos a vida de 1,2 milhão moradores em 119 municípios aqui no Ceará. Aqui, em Horizonte, chegaram 3 médicos. Em Pacajus, chegaram 4 médicos, que já estão atendendo nos postos de saúde. Virão mais 48 médicos, já estão em Fortaleza. Virão ainda mais médicos, é importante dizer que hoje tem 223 médicos que estão sendo treinados para serem enviados aos municípios já agora em dezembro. Então, quando dezembro chegar, nós vamos ter somando com os 350, mais 223, o que vai dar 573 médicos, ou seja, 2 milhões de cearenses terão melhor atendimento do que tinham, terão acesso a médico.

Eu tenho certeza que nós, quando chegar março, vamos atender a todos os pedidos, a todos os 866 médicos. E aí, 3 milhões de cearenses receberão atenção a saúde. E eu quero dizer que agora em dezembro, em todos os municípios do semiárido, do semiárido, terão pelo menos um médico para atender a população. Em muitos lugares não tinha nenhum médico.

Então, muito bem, nós temos de construir postos de saúde, colocar os equipamentos, colocar remédios, não, Ciro? E, ao mesmo tempo, nós temos de garantir o atendimento médico, a atenção básica, que é a base, o alicerce do SUS, do Sistema Único de Saúde. E aí a população, a população que não teve acesso a atendimento médico, vai passar a ter. Que atendimento é esse? É 8 horas por dia, todos os dias úteis da semana.

Aí entra o segundo passo, a UPA 24 horas. Como ela fica aberta 24 horas, se a pessoa foi lá no posto durante o dia, ela foi atendida, mas se acontecer com ela o que acontece com todas as mães e pais deste país, que é o seguinte: crianças não gostam de ficar doente as 2 horas da tarde, a minha, por exemplo, não gostava, ela só ficava doente de madrugada, não tinha jeito. E era de madrugada que a gente fica apavorado, sai com a criança procurando um médico para atender. Eu fico imaginando nesses municípios que não tinham médico, Ciro, o que uma mãe faz de madrugada quando não tem médico. Agora eu tenho certeza que ela vai ter aonde levar a sua filha, a sua criança. E aí nós sabemos que não só muitas vezes ela vai bater lá na casa do médico que está lá perto dela, que é o médico do posto de saúde, ou ela vai lá na UPA, mas ela sempre vai poder bater na casa do médico, porque a gente faz isso. Todo mundo aqui, se saber onde mora o médico, seu filho estiver doente, você vai lá e bate na porta. Pode ser 3 horas da manhã, mas você vai lá e faz.

E é isso que eu quero dizer para vocês. Esse é o primeiro passo, o segundo é a UPA. A UPA que eu vi hoje, primeiro eu vi essa senhora que estava lá, que o Padilha se referiu, e o Cid, era uma senhora que estava na rua e foi atropelada por uma moto, como ela bateu a cabeça, ela estava fazendo acompanhamento. Ela foi levada para a UPA pelo Samu, quem transportou essa senhora foi o Samu. E aí o Samu é o outro personagem da nossa história. Nós vimos posto de saúde, a UPA, e aí quem mais? O Samu. O que o Samu faz? Recolhe e também, quando a pessoa se estabiliza e se ela precisar de um hospital, se ela cair naquela história do que o Padilha disse aqui, que 95% resolve o problema na UPA. Mas se ela for dos 5% que não resolve, qual é a ideia? O Samu, que levou ela para lá, vai ter uma informação que a UPA vai contatar uma central de atendimento, e essa central vai dizer: olha, para essa questão aqui – vamos supor que ela está com problema de coração – ela tem de ir para tal hospital assim, lá tem vaga, bota a pessoa dentro da ambulância e a pessoa vai para a ambulância. É esse o sistema que nós queremos construir: Posto de Saúde, UPA, Samu, hospital. É esse o sistema. Quando a gente melhora o atendimento na UPA e melhora o atendimento no posto de saúde, sabe o que acontece no hospital? Diminui a fila, melhora o atendimento, não fica aquela quantidade de gente no corredor esperando para ser atendida.

Além disso, pessoas como o governador Cid Gomes aqui, estão fazendo policlínicas, estão criando núcleos de policlínica e, ao mesmo tempo, estão fazendo expansão hospitalar. Mas com tudo isso funcionando direitinho, é óbvio que o sistema de atendimento de saúde à população brasileira vai melhorando cada vez mais. Esse primeiro passo que nós fizemos, que é construir UPAs, construir o Samu nesses últimos 10 anos. A partir do governo Lula nós recuperamos Samu, inventamos e construímos UPA, criamos agora esse Programa Mais Médicos e que vai garantir médicos para a população. O Provab, agora, ele se esgota em janeiro, vai ter nova chamada. O Provab são médicos que acabaram de formar no Brasil.

Mas vai ter uma outra coisa que é importante: mais escolas de medicina. Para que mais escolas de medicina? Mais escolas de medicina para dar oportunidade, pelo interior do Brasil afora, para quem quiser ser médico. Nós temos de formar médicos nas escolas federais deste país afora. Temos também de ter médicos sendo formados em escolas privadas.

Agora, além disso, Ciro, uma coisa importante: abrir residência. Porque o médico geralmente acaba ficando onde ele se formou e fez residência. Aí ele, médico, ou ela, médica, acharam um namorado ou uma namorada, depois casaram, depois vão ficando, o que é fundamental. E aí tem de ter acesso à formação especializada, porque o Brasil precisa de quê? De pediatras para tratar as crianças; precisa do oncologista para tratar as doenças do câncer; precisa do anestesista, para anestesiar as pessoas antes da cirurgia; precisa do traumatologista, do ortopedista, para cuidar daquelas pessoas – e são muitas – que tiveram desastres.

Então, tudo isso, é esse alicerce que está sendo montado aqui com a UPA. É melhorar o Brasil em equipamentos, em diferentes instituições que fazem diferentes papeis. É garantir que tenham um serviço como o Samu. E quando eu viajo pelo Brasil, eu faço questão de ir até os companheiros e as companheiras que trabalham lá no Samu, dar um abraço, dar um incentivo, porque é gente valorosa, é gente que atende a hora que as pessoas mais precisam, com carinho, com atenção. E qualquer um aqui, que sofreu algum desastre sabe como a pessoa fica desamparada, um bom atendimento no Samu às vezes é a diferença entre a vida e a morte.

E eu queria finalizar dizendo para vocês: é também saúde o que foi assinado aqui, que é esse investimento em saneamento, porque saneamento no Brasil ninguém fazia, não é, Ciro? Porque você enterrava a tubulação, ninguém via a tubulação, as pessoas não davam valor, porque ninguém via, aí não era eleitoral. Mas nós não. E aí essa parceria aqui foi muito importante, essa parceria com o prefeito Nezinho, que está fazendo rede de água e esgotos. Nós somos favoráveis a que um dos maiores investimentos do governo federal, que não tem obrigação constitucional, mas eu acho que tem obrigação moral, mora, é com o saneamento. Este país precisa garantir para a sua população água tratada e esgoto tratado. Em água nós temos até uma boa cobertura, em saneamento não. Mas eu quero dizer para vocês que as coisas mudaram. Vou contar uma historinha, uma pequena história. Em 2005, final de 2005, início de 2006, um funcionário da Fazenda, do Ministério da Fazenda do governo federal, eu era ministra-chefe da Casa Civil, chegou pra mim e disse assim: “Olha, o Fundo Monetário aceitou que a gente invista 500 milhões”. Naquela época, o Fundo Monetário aceitava ou recusava, por quê? Porque nós não tínhamos pago o Fundo, porque o governo anterior tinha feito um acordo com o Fundo e deixou acordo para nós. Nós passamos 2003 juntando dinheiro, 2004 juntando dinheiro, e quando foi no final de 2005 fomos lá e pagamos o Fundo. Mas antes disso o Fundo dizia: “Ah, investe aqui, não, investe ali, não pode investir tanto, não pode”.

O que é que eu quero dizer com isso? Quero que vocês façam uma comparação. Hoje o governo federal, até hoje, só no meu governo, não estou contando o que foi investido no governo do presidente Lula, que foi muito, nós investimos R$ 93 bilhões no Brasil. Vocês olham só a diferença: 500 milhões era para investir em todo o Brasil, em todo o Brasil. Era impossível, por isso que não tinha esgoto neste país e não tinha abastecimento de água tratada. Então, eu quero dizer para vocês que uma segunda coisa que muito me honra, muito me orgulha ter vindo aqui, ter participado dessa assinatura do prefeito Nezinho, com a questão do saneamento.

E, finalizando, eu quero dizer para vocês que toda essa política que o Marcos Paixão aqui descreveu, na área de educação, também é algo absolutamente revolucionário que nós temos de fazer para o Brasil. Nós viemos aqui, hoje, inaugurar lá, em Fortaleza, com o Roberto Cláudio, creches, e creches são essenciais para que o Brasil entre no caminho do desenvolvimento. O Brasil só vai ser uma nação desenvolvida se as suas crianças tiverem creches de qualidade que garanta a cada uma delas oportunidades iguais, fazendo com que o filho da pessoa mais pobre do Brasil tenha a mesma qualidade de educação do filho da pessoa mais rica. Creche de qualidade é o caminho para combater a desigualdade. Outro caminho é educação na idade certa, que é algo que foi criado aqui pelo governo do Cid Gomes. Alfabetização na idade certa é fazer o menino, até os 8 anos no máximo, aqui até menos, não é, Cid? É até os 7. Ele tem de ler um texto, interpretar um texto simples, é claro. Ele tem de dominar as 4 operações aritméticas. Por que ele tem? Porque a partir daí ele vai ter de ter as condições para aprender os outros conteúdos. E aí você junta creche, alfabetização na idade certa, e junta escola em tempo integral e dá o caminho do país, que é o caminho que tira o Brasil da miséria. O Bolsa Família tirou 36 milhões. O caminho da educação faz com que nunca mais, nunca mais neste país 36 milhões fiquem na miséria extrema, que nós tiramos e tiramos de forma permanente. O caminho da educação, portanto, é um caminho que torna o Brasil uma nação desenvolvida.

Eu falei aqui só da educação básica, podia ficar falando dos demais, da educação profissional, com o Pronatec, do acesso com o Prouni, podia falar aqui do Fies. Mas, sobretudo, eu quero falar das cotas, das cotas, que garante que as pessoas do ensino público que fizerem ensino público tenham acesso privilegiado aos cursos universitários deste país. E também aos afrodescendentes. É algo importantíssimo porque esse – isso mesmo, levanta mesmo e grita – porque esse é o caminho também do combate perene à desigualdade que nós herdamos do nosso período de escravidão.

Finalizando, eu quero agradecer a recepção do governador, do governador Cid Gomes. Quero agradecer ao prefeito Roberto Cláudio. Quero agradecer ao prefeito Nezinho, aqui de Horizonte. Quero agradecer ao prefeito Marcos Paixão, de Pacajus. Quero agradecer a prefeita Argentina também, de Chorozinho.

Um abraço a todos vocês. Um grande beijo no coração. E eu quero ir aí, dar um abraço fisicamente em vocês, tá bom?

 

Ouça a íntegra (21min12s) do discurso da Presidenta Dilma