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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de inauguração da Unidade de Produção de Etanol 2G - Piracicaba/SP

por Portal Planalto publicado 22/07/2015 13h40, última modificação 22/07/2015 13h44

Piracicaba-SP, 22 de julho de 2015

 

Bom dia a todos.

Eu queria iniciar fazendo uma saudação aos trabalhadores e às trabalhadoras da Raízen aqui presentes.

Cumprimentar o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, Cumprimentá-lo, também, por esse evento que nós estamos aqui realizando. Pelo fato de aqui nós termos praticamente, eu vou falar inaugurando, mas na verdade é  realizando um salto em direção ao futuro.

Cumprimentar os ministros de estado Eduardo Braga, de Minas e Energia; Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação Social,

Cumprimentar o presidente do Conselho de Administração da Cosan e da Raízen, e destacar que é imprescindível, para algumas realizações, a determinação e o comprometimento dos líderes que, diante das dificuldades ou das oportunidades, são capazes de construir um caminho. Então, eu saúdo o Rubens Ometto por todas as realizações que hoje se materializam nessa planta,

Saudar o presidente da Raízen, Vasco Dias. E quando saúdo o Vasco Dias, eu quero cumprimentar todos os integrantes da diretoria da Raízen, todos os funcionários da Raízen,

Cumprimentar o senhor Charles Holiday, presidente do Conselho da Royal Dutch Shell. E também destacar a sua presença tanto no Campo de Libra, como parceiros da Petrobras, da Total e das empresas chinesas, como também pela aquisição da British Gas, a BG, que é, sem sombra de dúvida, uma das empresas detentoras dos maiores ativos de gás do Brasil,

Cumprimentar também os deputados federais Mendes Thame e Sérgio Souza,

Cumprimentar a Elizabeth Farina aqui presente, que representa os empresários, todos, que integram a cadeia de etanol e de cana-de-açúcar,

Cumprimentar os deputados aqui presentes em nome dos dois deputados já mencionados,

Cumprimentar o prefeito de Piracicaba, Gabriel Ferrato,

Cumprimentar o presidente da Federação dos trabalhadores nas indústrias químicas e farmacêuticas do estado de São Paulo, senhor Sérgio Luiz Leite, e o secretário geral da força sindical, por intermédio dele saúdo os sindicalistas aqui presentes,

Cumprimentar os senhores e as senhoras jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

A inauguração dessa planta de produção de etanol celulósico, etanol com base na celulose, que é o chamado etanol de segunda geração, é a materialização de um sonho que muitos daqueles que trabalham nessa área vem perseguindo há anos e anos para não dizer há décadas, e é sem sombra de dúvida uma grande realização da Raízen. É um investimento coerente, com um papel central que essa empresa passou a desempenhar no cenário da energia no Brasil.

A Raízen, ao se colocar na vanguarda da produção de etanol de segunda geração, contribui para se construir uma das mais importantes alternativas no que se refere a combustível verde dentro das matrizes energéticas. Todos nós sabemos que o maior desafio quando se trata de produzir energia de forma sustentável está na área de combustíveis, e sabemos também que os passos em direção a um melhor tratamento em relação a questão do clima passa necessariamente pela matriz de combustíveis, além da matriz de energia elétrica.

É simbólico que essa planta, que representa o futuro nos combustíveis renováveis, esteja localizada nesta usina Costa Pinto, que é a unidade onde nasceu tanto o Ometto como a Cosan. Aqui é muito simbólico que se encontrem a tradição e a inovação. A tradição porque essa planta se beneficia do fato daqui se produzir cana-de-açúcar, etanol de primeira geração e, agora, etanol de segunda geração. Essa planta se beneficia também pelo fato que aqui também se produz energia elétrica com base na biomassa. Essa planta, portanto, é a demonstração da capacidade de integração de várias etapas da questão energética no mesmo lugar. E, por ser uma planta de etanol de segunda geração, ela é, sobretudo, uma grande conquista para o Brasil. Com ela nós vamos dar um passo significativo para estarmos de novo liderando o paradigma tecnológico de produtividade, de sustentabilidade, de produção com base na inovação e, sobretudo, com base na transformação da celulose em energia. O salto, portanto, é imenso. Com esse salto, que é o etanol de segunda geração, será possível, como mostrou os que me antecederam, aumentar a produção de etanol em 50% sem ampliar a área de cultivo. Isso é o nome para a produtividade, isso é o nome também para que nós possamos ter uma produção energeticamente mais eficiente.

Além disso, o etanol de segunda geração vai emitir 15 vezes menos carbono na atmosfera que o etanol de primeira geração. Essas razões são importantíssimas no momento em que o mundo olha com extrema preocupação para a questão da mudança do clima e, uma das mais importantes reuniões multilaterais nessa área terá lugar no final do ano em Paris, a COP21. Todos os países se preparam para isso, todos os países se preparam para demonstrar a sua preocupação, o seu empenho e as suas realizações nessa área. Estou certa que essa planta aqui em Piracicaba, na Costa Pinto, será, sem sombra de dúvida, um dos fatores muito bem-vindos nesta COP21.

Além disso, eu acredito que todas essas razões explicam porque esta planta foi financiada pelo BNDES. Ela é um dos projetos selecionados no âmbito do programa Inova Empresa, um programa cujo objetivo é assegurar que o estado brasileiro participe do incentivo inicial para a inovação. Daí porque na linha estratégica do programa chamado PAISS, o Plano Nacional de Apoio a Inovação Tecnológica e Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico, ela teve um destaque especial. O governo federal se tornou parceiro da Raízen nesta planta porque ao consolidar a produção de etanol celulose em escala comercial, nós  nos manteremos na vanguarda da produção e do uso desse combustível. E isso significa garantir uma rota inovadora que implique em maior produção, maior produtividade, melhores e maiores empregos. Sobretudo, significa também colocar o Brasil em uma posição  especial para essa nova etapa na  história, na longa história,  do etanol como um dos combustíveis alternativos ao petróleo. No caso do etanol, ele tem uma característica que é fundamental destacar, ele é capaz de utilizar a mesma logística, a mesma estrutura do petróleo. Portanto, ele tem um poder de penetração e de combinação que torna mais fácil um dos  grandes desafios, eu  repito, para a questão do clima, que  é a matriz do combustível. Tornar a matriz do combustível mais sustentável. E essa planta, ela também tem um outro poder, ela nos qualifica como país para as negociações internacionais como mudanças climáticas. É claro que o Brasil atua em vários outros setores. Atua na agricultura de baixo carbono, atua na redução do desmatamento e no reflorestamento, mas, sem sombra de dúvida, a produção comercial do etanol de segunda geração tem um papel central nesta questão. Eu  estive recentemente nos Estados Unidos e  uma das questões mais importantes levantadas na visita e nas discursões com o governo americano, e em especial com o presidente Barack Obama, foi o nosso compromisso recíproco de chegar a 20% na matriz de energia elétrica. O Brasil considera que é muito importante que em 2030 nós não façamos só menção à matriz de energia elétrica, mas façamos menção à matriz de energia, e portanto, com destaque especial para as fontes renováveis na área de combustíveis. Isso criará uma imensa demanda para o etanol no mundo. Nós vamos levar essa proposta e esse compromisso a Paris, em dezembro, quando será realizada a COP21.

 Senhoras e senhores,

Nós vemos, portanto, a adoção do etanol de segunda geração como o mais novo capítulo de uma trajetória que muito nos orgulha.

Eu fui ministra de Minas e Energia no início dos anos 2000. Naquela época, produzir com base na celulose etanol era um sonho. Ou quando não era um sonho, era um experimento. Hoje nós estamos aqui transformando isso num produto comercial que vai ser vendido e vai ser… para o mercado interno, e vai ser exportado.

Portanto, eu quero mais uma vez congratular a Shell, pela sua pesquisa, a Raízen, por ter colocado essa planta numa cadeia que lhe dá sustentação e lhe dá eficiência. Nós vimos aqui que é possível não só, aqui nessa unidade, produzir etanol de primeira geração, etanol de segunda geração, mas produzir também eletricidade.

E aí eu quero cumprimentar a Raízen pelo fato que também eu estive presente quando foi colocado o desafio para essa empresa. Na época, ainda, se eu não me engano, era Cosan, que era a produção de mil megawatts com base  no (incompreensível) e foi cumprida.

Eu acredito que nós temos aqui em presença uma das mais eficientes unidades de produção de energia. E, nesse sentido, o Brasil pode também se congratular pelo fato de termos construído a tecnologia flex fuel e de termos inovado em várias outras atividades.

Quero dizer, complementando o que o ministro já disse, que nós consideramos fundamental, também, a renovação dos canaviais e, sobretudo, a estrutura logística com a construção do etanoldulto da Raízen junto com a Petrobras e outros acionistas. Construir uma malha multimodal dará também maior viabilidade a todos os empreendimentos na área da produção de cana e de etanol.

Finalmente, eu quero dizer que essa linha estratégica do País, que é aquela que privilegia a inovação nesta cadeia de produção, ela vai continuar e hoje o BNDES e a Finep têm uma carteira de R$ 4,28 bilhões. Nós sabemos que o pré-sal trouxe novas perspectivas para o Brasil. É importante saber também que não há contradição entre o pré-sal e a produção de etanol de primeira e segunda geração. A grande capacidade e o grande potencial desse setor é que eles são complementares, e aqui nós temos empresas que atuam dos dois lados, quero me referir a Shell. E quero dizer que a inovação tecnológica em todas as esferas é o caminho do País, e é o caminho do País por que nós estamos em uma travessia. Nós sabemos que houve uma alteração nas condições internacionais e que o ciclo das commodities, o chamado superciclo das commodities, se encerrou. Sabemos que nessa travessia nós vamos procurar sempre buscar maior produtividade, menores custos, maior inovação para garantir empregos e garantir um crescimento do país no curto, no médio e no longo prazo.

Hoje, nós perseguimos o reequilíbrio das contas públicas, que é uma parte essencial para que a economia se recupere. Nós já tomamos um conjunto de medidas, algumas já estão dando resultado, como é o caso do realinhamento dos preços, no caso do etanol, por exemplo, o aumento da mistura. Tem dado resultado também o fato de que tem havido um aumento agora das exportações no Brasil. Nós vamos continuar tomando medidas microeconômicas para facilitar a atividade e para garantir um ambiente de negócios mais amigável.

Vamos ampliar as concessões, vamos fazer um imenso esforço para manter os principais programas em funcionamento, como é o caso, por exemplo, do Minha Casa Minha Vida.

Sem dúvida, nós estamos em um ano de travessia, também estamos em um ano de novas possibilidade. Estamos  atualizando as bases da nossa economia, e nós iremos voltar a crescer dentro do nosso potencial. O nosso objetivo é consolidar a expansão de uma classe média no Brasil. Queremos que o Brasil seja um país de classe média, e ao mesmo tempo queremos que nós tenhamos competitividade em relação aos demais países do mundo.

Por isso, eu não posso deixar de congratular, de dar os parabéns à Raízen por estar na vanguarda desse processo, por estar olhando o médio e o longo prazo.

O compromisso do meu governo é atuar sempre em parceria. E atuar em parceria com esse setor é estratégico. É estratégico para o  desenvolvimento do Brasil, é estratégico para o estado de São Paulo, e é estratégico, sobretudo, para o mundo. Por quê? O etanol, ao ser um combustível verde-amarelo, é também uma prova de que esse combustível verde-amarelo, ele é possível de ser utilizado por todos os veículos que se movimentam no Brasil, por todos os veículos particulares. Nós somos um dos poucos países que pode dizer isso.

Mas eu acredito que também essa planta nos dá uma ponte bastante robusta para o futuro. Para o futuro porque mostra que é possível, sim, da celulose produzir etanol, que é possível, sim, com essa produção sermos capazes de comercializá-lo, e que é possível, sim, que o mundo tenha maior competitividade e sustentabilidade ao mesmo tempo produzindo renda e emprego.

 Muito obrigada.


Ouça a íntegra do discurso (20min29s) da presidenta.