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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de inauguração da Ponte Gilberto Amado

por Portal do Planalto publicado 29/01/2013 15h15, última modificação 04/07/2014 20h14

 

Estância/Indiaroba-SE, 29 de janeiro de 2013

 

Eu vou... Eu não vou errar nas horas, que o nosso ministro ali adiantou uma. Mas eu vou dar muito bom dia para vocês, tendendo para um boa tarde. Mas eu quero dizer também que eu quebro o protocolo, porque eu acho muito importante aquela placa que nós ali estamos inaugurando, homenageando os trabalhadores. Então, vou começar a minha fala cumprimentando os trabalhadores que aqui participaram da construção da Ponte Gilberto Amado.

E como o Déda é um poeta – vocês têm um governador especial, ele é um poeta –, ele colocou o motivo pelo qual a gente tem de homenagear os trabalhadores. Eles são aqueles que fazem uma das maiores mágicas que nós, seres humanos, somos capazes: transformar uma ideia, um pensamento, um projeto, numa obra com a beleza dessa Ponte Gilberto Amado. Por isso a ele, a minha homenagem.

Eu queria cumprimentar o nosso querido governador Marcelo Déda que, de fato, eu chamo de Dedinha. Vou continuar chamando de Dedinha, porque eu tenho pelo governador Déda uma grande admiração. Todas essas pessoas que falam com a alma e que são capazes de traduzir aquilo que nós sentimos de uma forma clara, mas, ao mesmo tempo, mostrando o sentimento, a paixão, são pessoas que, ao longo da história da humanidade, sempre foram vistas como especiais. E o Déda, além de ser um grande governador, um grande gestor, é uma pessoa especial, porque ele consegue fazer e trazer, de uma forma clara, o pensamento daquilo que são as verdades humanas mais profundas e que comovem cada um de nós.

Eu tenho também, aqui, de fazer uma homenagem a uma grande mulher, que é a Eliane Aquino, a nossa primeira-dama, pela sua força, pelo seu companheirismo, pela sua coragem e pela sua imensa generosidade. Então, homenageio, ao homenagear a Eliane eu estou homenageando essas mulheres sergipanas, essas mulheres sergipanas que, ao longo da história brasileira mostraram sua força e sua garra.

Queria, aqui, dizer e cumprimentar o ministro do Turismo, Gastão Vieira. Vejam vocês que esta ponte, esta ponte Gilberto Amado, com 1.700 metros, 1,7 quilômetros, vejam vocês, é a maior ponte fluvial do Nordeste, mas eu asseguro a vocês que está entre as pontes maiores do Brasil.

O ministro Gastão Vieira colocou uma visão de presente, mas também de futuro, esta ponte lá, nas suas despesas. Porque, de fato, nós temos uma ponte que tem uma característica muito grande. Eu só vou discordar do Déda num aspecto um pouco feminino. O Déda disse que esta ponte era como um traço. Depois que eu vi aquele vão e eu vi toda aquele acabamento que o estaiamento da ponte faz e, ao mesmo tempo, a paisagem fantástica que dali, do vão central, nós temos, desses dois pontos belíssimos da costa brasileira, eu achei que a ponte era mais uma coroa, coroando aquela paisagem. E é por isso que ela é uma obra belíssima, e aí acredito que o ministro Gastão, na sua sensibilidade, percebeu que aí tinha uma grande oportunidade para o turismo e colocou essa despesa no Ministério dele.

Queria também cumprimentar o Lobão, das Minas e Energia. Daqui a pouco nós vamos estar em outro evento, tratando de inaugurar uma usina eólica.

Cumprimentar também o Pepe Vargas, que também vai estar presente na nossa outra cerimônia,

Cumprimentar o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, esse sergipano, que é o general José Elito Siqueira,

E queria dirigir um cumprimento muito especial ao vice-governador Jackson Barreto. Jackson Barreto, na minha recordação, estará sempre ligado à construção da democracia no Brasil. Estará sempre ligado às lutas que nós todos, brasileiros, travamos para que este país se transformasse no que ele é hoje: uma das maiores democracias do mundo.

Queria cumprimentar também dois ex-governadores aqui, do estado: o governador Albano Franco, governador do estado de Sergipe, ex-governador; e o nosso atual prefeito, mas quando eu o conheci era governador do estado de Sergipe, João Alves. Cumprimento os governadores porque eu concordo com o Déda de que um país, um estado, um município se faz pela contribuição daqueles que nos antecederam.

Cumprimento também, de forma muito especial o senador Antônio Carlos Valadares, que tem me ajudado sistematicamente no Senado da República, a aprovar os projetos e as leis importantes para a construção de um Brasil mais desenvolvido.

Quero cumprimentar também os deputados federais que também têm me ajudado nessa labuta, que é governar o nosso país, essa labuta absolutamente extraordinária, que é ser presidenta da República. Cumprimentar Antônio Carlos Valadares Filho, o Fábio Reis, o deputado Laércio José de Oliveira.

Cumprimentar o prefeito de Indiaroba, José Leal da Costa Bitencourt. E eu queria também cumprimentar a primeira-dama Lisa Iara Reis.

Cumprimentar o prefeito de Estância, Carlos Magno Costa Garcia, e a nossa primeira-dama, Deise Garcia.

Por meio do prefeito de Indiaroba e do prefeito de Estância eu cumprimento todos os prefeitos e prefeitas aqui presentes.

E aí a placa, as duas placas, elas são importantes porque elas justamente mostram isso. Mostram o lado de Estância e o lado absoluto de Indiaroba, o que é absolutamente necessário.

Queria cumprimentar o primo do nosso homenageado, desse grande brasileiro, político e diplomata Gilberto Amado, que é o João Freire Amado.

Queria cumprimentar aqui as senhoras e os senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

Eu queria dizer para vocês que é muito difícil, sempre foi, para qualquer um, falar depois do Déda, porque o Dedinha tem essa força que sai dentro dele e que é uma explosão, uma explosão de poemas, de arte e de visão do mundo.

Agora, eu vou contar um caso para vocês, que é mais simplinho, é o seguinte: o Déda, ele briga por este estado, está na alma dele este estado. Ele tem verdadeira paixão. Então, eu conheci o Déda antes, mas eu convivi mais com o Déda porque virava e mexia o Déda ia no meu gabinete, como ministra, e falava: “Eu quero uma ponte”. E aí a gente olhava o Déda chegar e falava assim, depois que ele fazia a ponte: “Vai ter outra ponte”. E aí ele foi indo, e ele fez uma coisa que é extraordinária: ele ligou o estado de Sergipe, ele acabou de dizer que ele vai completar essa ligação, mas ele já ligou o estado de Sergipe, do rio Piauí, como ele diz, ao rio São Francisco, e ele vai completar. E isso é importantíssimo, porque o Déda, como toda pessoa que olha para o futuro e enxerga lá na frente, percebia que não se faz ponte só para o turismo. Me desculpe, Gastão, não se faz só para o turismo. Nós fazemos pontes porque sem pontes nós vivemos separados, sem pontes nós não conseguimos nos agrupar e nos fortalecer.

Várias coisas que nós fazemos, nós criamos a imagem: é uma ponte. É uma ponte para a amizade, é uma ponte para uma vida melhor, enfim. Essa mania do Déda por ponte é uma visão profunda que o Déda tem da importância para o Brasil de se ligar todo o Nordeste brasileiro ao Brasil e ao Norte do Brasil, ao Sudeste e ao Sul, ligar este país que tem um dos mais belos litorais do mundo, para nós mesmos, para cada um de nós, brasileiros. Porque vocês podem ter certeza: não há turismo quando quem mora no lugar não gosta dele, não há turismo quando quem mora no lugar não tem usufruto do lugar. Por isso, as pontes do Déda ligam a nós, brasileiros, lá do Chuí, no Rio Grande do Sul, até o Oiapoque. A ponte do Déda, ela, em si, aqui no estado do Sergipe. Ele viu que era necessário, porque tem muito rio. Nós viemos de helicóptero e o Déda veio mostrando a quantidade de rios que nós estávamos passando.

Agora, para mim, essa ponte é um exemplo claro do Brasil que nós estamos construindo, é um exemplo claro e um bom exemplo. Quando o Déda diz que é... a mim impressiona e me torna muito satisfeita saber que é uma ponte estaiada, porque ponte estaiada, gente, é mais cara que ponte normal, é uma ponte estaiada, tem 1,7 quilômetros, ou seja, é uma grande ponte, e custou R$ 124 milhões. Enfim, é uma das pontes, além de ser uma das mais bonitas do nosso país – eu não vou dizer que ela é a mais bonita, mas vou dizer o seguinte: gostaria de ver uma outra tão bonita. Além do que, uma ponte que teve um custo muito bom.

Por isso, eu quero dizer para vocês que eu estou muito orgulhosa de estar aqui. Essa ponte vai facilitar também a integração produtiva do país, essa ponte vai viabilizar o turismo, e essa ponte nos liga, como brasileiros, a uma das regiões mais importantes do Brasil, uma das regiões que mais cresce.

Nós estávamos olhando a publicação feita pelo governo, que mostra a questão da redução da pobreza, que mostra como se evoluiu aqui, neste estado, no que se refere ao combate à pobreza. Eu tenho certeza que aqui nós estamos numa situação especial. Nós já retiramos, em parceria com os governos do estado e dos municípios, 703 mil pessoas da pobreza, graças à transferência do Bolsa Família.

Mas tem um número que eu acho muito importante, que é o Brasil Carinhoso, que completa a renda das famílias que têm crianças de zero a 15 anos. E isso é algo que para mim tem todo um significado especial, porque criança e jovem é o futuro do nosso país. Então, beneficiá-las é algo muito importante.

Eu também tenho muita alegria de vir aqui, porque o Programa Minha Casa, Minha Vida, que permite o acesso à moradia para famílias que ganham até R$ 1.600,00, aqui já teve 10 mil famílias sergipanas contempladas. E eu sei da importância dos investimentos do PAC em pontes, eu sei do investimento importante, aqui, para a Fafem. Eu sei de uma coisa que também o Déda foi de uma determinação e de um empenho imenso, que é a Carnalita, porque a Carnalita é outro processo que usa uma riqueza aqui, do Sergipe, transforma essa riqueza em fertilizante, e esse fertilizante permite que o Brasil tenha hoje menos importação de potássio, menos necessidade de insumos para essa agricultura brasileira, que é uma das mais competitivas do mundo.

Tudo isso eu tenho de reconhecer aqui que é fruto de um governador determinado, de prefeitos parceiros. E eu quero dizer para os prefeitos: ontem, lá em Brasília, houve a Reunião Nacional de todos os prefeitos, ela começou, ela vai durar três dias, dia 28, ontem, 29, hoje, e 30, depois de amanhã. Nesta reunião, o governo federal organizou todos os investimentos que nós temos para oferecer aos prefeitos de municípios pequenos, médios e grandes.  Novos, ou seja, obra que não está em andamento, que começou antes e está em andamento, não estou falando delas, estou falando de recursos para investimentos novos, que vão de obras de esgoto, água, contenção de encostas, mobilidade urbana, acesso a retroescavadeiras e a motoniveladoras, creches, engloba tudo isso, serão, para os prefeitos, investimentos novos – eu estou repetindo -, R$ 66 bilhões e 800 milhões. O que o prefeito tem de fazer? O prefeito tem de olhar, tem uma lista para cada prefeito, de todas as obras que já foram acertadas com os prefeitos anteriores. Essas estarão numa lista, e as novas serão acertadas com eles. Uma parte foi selecionada e outra parte será agora selecionada.

Por isso, eu tenho certeza que a vida dos municípios vai melhorar. E eu estou falando isso aqui, aproveitando a presença de prefeitos, especialmente para os dois prefeitos aqui presentes: o prefeito de Indiaroba e o prefeito de Estância.

Eu quero também reafirmar aqui, na presença do governador, o compromisso do governo, do meu governo, de continuar parceiro com o governo do nosso querido Dedinha. E dizer a ele... eu perguntei a ele: como é que está a seca, governador? Dizer a ele que nós vamos continuar com um olho na seca, dando tudo o que nós já demos: carro-pipa, cisterna, a bolsa-estiagem, o garantia-safra, mas nós vamos estar com o outro olho na recuperação.

Queremos dizer o seguinte também, aqui para o governador e para os prefeitos que eventualmente estejam aqui: nós sabemos que depois que para, para a seca e vem a chuva, não significa que o município melhora, como num passe de mágica. Por isso, o governo federal é parceiro para ajudar na recuperação dos municípios, tanto no que se refere a um apoio à população mais atingida quanto aos produtores, para recuperar as suas criações e para voltar a crescer e ter um patamar mais elevado de desenvolvimento.

Queria também dizer para o Déda o quanto eu, no fundo da minha alma, torço por ele. Eu e o Déda tivemos a mesma doença. E eu acho que nós estamos no mundo para lutar, obviamente para ser feliz, mas todo mundo tem de lutar, e sabe disso. A gente luta para criar filho, a gente luta para criar neto, a gente luta para ter uma casa, a gente quer o melhor para a nossa família. Mas tem uma luta, Déda, que sai de dentro de nós, é a luta que nós temos de enfrentar para sobreviver, e a gente ganha, a gente ganha a luta, com a graça de Deus e com muito esforço nosso, cada um de nós ganha a luta. E eu tenho certeza, Déda, do fundo do meu coração, eu tenho certeza que você ganhará a luta como eu ganhei.

E quero te dizer mais, e já te disse isso: nós, do governo federal, tenho certeza que todos os prefeitos aqui de Sergipe, vários líderes que não são daqui, estaremos contigo. E agora é que nós vamos pegar mais ainda, junto com você, e vamos realizar os sonhos pelos quais você tem batalhado todos os dias.

Receba, Déda, da minha parte, um abraço apertado, um beijo. E continue lendo para mim, Déda, porque ele me visita e lê poesia. Eu tenho de ter um tempo maior para receber o Déda, porque nós conversamos uma parte, falamos tudo, discutimos ponte, tudo que tem Carnalita, é isso e isso. Mas, além disso, o Déda me leva livro. E o Déda é a única pessoa que me dá presente livro e que marca a página que eu tenho de ler, grampeia, bota um cartãozinho e diz: é aqui que ela tem... você tem de ler isso aqui. O presente do Déda é especial, tem um roteiro, ele te dá um roteiro para você usufruir do presente. E tenho imenso prazer, também, de escutar as poesias do Déda. E eu espero que cedo ele me visite. Eu sei que ele vai pedir mais coisas, mas também me visite para me ler poesia.

Um beijo para vocês.

 

Ouça a íntegra do discurso (25min03s) da Presidenta Dilma