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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de inauguração da Estação Pirajá e do trecho Bom Juá-Pirajá, do Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas - Salvador/BA

por Portal Planalto publicado 22/12/2015 15h00, última modificação 23/12/2015 11h53

Salvador-BA, 22 de dezembro de 2015.

 

Obrigada e muito bom dia, muito bom dia aqui ao meu querido povo baiano.

Eu sempre que venho aqui faço duas coisas, aliás, eu faço uma coisa, hoje vou fazer falar duas coisas primeiro: primeiro, eu quero agradecer, mais uma vez, ao povo baiano pelos votos que me deram na eleição de 2014. Essa é a primeira coisa, é sempre a primeira coisa que eu faço é agradecer a vocês; a segunda coisa que vou fazer hoje é dizer que de fato eu vou aceitar o convite do governador e vou vir de metrô do aeroporto até a estação Acesso Norte. Vou vir.

Então eu começo, primeiro, agradecendo aqui aos nossos artistas, porque a Bahia também é arte. Começo pelo vozeirão do Lazzo Matumbique, que interpretou o Hino Nacional Brasileiro, e a gente sente, a gente sente a nacionalidade saindo de dentro da alma.

Quero também cumprimentar o maestro Gilmar Guimarães e a Orquestra de Violões da Escola Estadual Nossa Senhora da Conceição, do município de Miguel Calmon,

Quero também agradecer e dizer que cada vez que eu escuto o Olodum e o Ilê Aiyê eu fico querendo ficar aqui na Bahia para sempre.

Então, agora eu quero cumprimentar nosso querido governador Rui Costa, governador desse estado fundador do Brasil que é a Bahia.

Quero cumprimentar também o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto,

Cumprimentar o ministro das Cidades, Gilberto Kassab,

O vice-governador da Bahia, João Leão,

O deputado Marcelo Nilo, presidente da Assembleia Legislativa,

A nossa querida senadora guerreira Lídice da Mata,

Os deputados federais: a minha querida deputada Alice Portugal, o deputado Antônio Brito, o Bebeto, Daniel Almeida, o Davidson Magalhães, o Jorge Sola, o José Carlos Aleluia, Luis Carlos Caetano e Valmir Assunção,

Cumprimentar o professor Luciano Coutinho, presidente do BNDES,

Maurício Muniz, secretário nacional do Programa de Aceleração do Crescimento, PAC,

Cumprimentar o Carlos Martins, secretário de Desenvolvimento Urbano da Bahia,

Cumprimentar Luis Valença, presidente da Concessionária Metrô Bahia,

Cumprimentar Irailson de Oliveira, presidente do Sintrapav,

Cumprimentar o Idelmário Proença, líder comunitário do Pirajá,

Quero cumprimentar aqui todas as lideranças, todas as lideranças aqui presentes,

Cumprimentar os senhores jornalistas, os senhores fotógrafos e os senhores cinegrafistas.

 

Em julho do ano passado, eu vim aqui a Salvador participar também do momento muito esperado por todo o povo baiano, por  todo povo de Salvador. A inauguração do trecho Lapa Acesso Norte do metrô. Depois de 14 anos de espera, a capital da Bahia finalmente tinha um metrô em operação. Hoje, hoje eu fico ainda mais feliz ao inaugurar mais uma estação do metrô, essa estação de Pirajá, e entregar o trecho Bonjuá-Pirajá. Ao fazer isso eu compartilho com vocês o momento histórico, que é aquele em que uma cidade do tamanho de Salvador tem acesso àquilo que ela tinha direito há muito mais de 14 anos. Há mais de 100 anos capitais como essa, essa capital do Brasil, têm metrô. Nós, desde o governo do presidente Lula, e, especialmente no meu governo, começamos a correr atrás desse que é um elemento fundamental das grandes cidades, o metrô, e a integração entre o metrô e o transporte urbano no nosso país.

Por isso eu fico extremamente orgulhosa da parceria com o governo do estado e com o setor privado que permitiu que nós entregássemos a Linha 1 do metrô de Salvador. Ela está pronta. Ela está pronta mas agora nós estamos avaliando uma ampliação até Cajazeiras, uma vez que em Cajazeiras nós temos uma população imensa esperando também pelo metrô. Não é algo para que alguém tenha de se orgulhar, não ter feito metrô. É algo para se orgulhar, o que nós fizemos. Nós, em dois anos e meio, colocamos em andamento esse projeto. É um feito e tanto que expressa a seriedade do compromisso do meu governo com o povo dessa cidade.

Além disso, eu quero dizer para vocês que é muito importante também a Linha 2 do metrô, essa linha que vai permitir que eu cumpra a promessa que eu fiz aqui com o governador de vir do aeroporto até o Acesso Norte. Com isso, nós teremos, nas duas linhas, 41 km. E acho que, a partir daí, e com todas as integrações, nós chegaremos a um momento especial nessa cidade. Ela que, durante muito tempo, tinha uma porção de buracos e não tinha metrô, agora ela orgulhosa vai exibir para o Brasil um metrô dessa qualidade, com esses ônibus, com essa qualidade. É um exemplo de parceria - e aqui eu agradeço mais uma vez o governador, tanto o nosso querido Jaques Wagner -, que hoje não pode vir, mas certamente está aqui conosco -, quanto o Rui Costa. É dessa parceria que nós estamos falando.

Agora eu quero dizer uma coisa para vocês: eu tenho também muito orgulho de ter estado aqui há mais tempo inaugurando a Via Expressa de Salvador. Eu acredito, uma das maiores obras viárias aqui na cidade depois da construção da Avenida Paralela. Nós também modernizamos os 13 km do trem de subúrbio de Salvador no trecho Calçada-Paripe. Por que que eu  falo tudo isso? Eu falo tudo isso para dizer para vocês o seguinte: mesmo em momentos de dificuldades imediatas, nós não vamos parar. Nós vamos continuar investindo naquilo que faz diferença na vida das pessoas. E se tem uma coisa que faz diferença na vida das pessoas, é o transporte urbano. O metrô, a integração com todo o sistema de transporte urbano. Por quê? Porque isso significa ganhar tempo, ganhar tempo para a vida de cada um e de cada uma, ganhar tempo para a vida das famílias, ganhar tempo para olhar os filhos, ganhar tempo, enfim, para se distrair, para tomar uma cervejinha, porque ninguém é de ferro. Além disso, eu acredito que é muito importante que a gente tenha consciência que em um  momento difícil, apesar dele, nós vamos fazer ao mesmo tempo as mudanças necessárias para o País voltar a crescer e, ao mesmo tempo, investir todo do dinheiro que nós temos na garantia de melhores condições, não só em transporte público, mas também, hoje eu vou ter o orgulho, daqui a pouco, de estar em Camaçari e entregar mais de 4 mil e 400 (3.500 ) moradias para a Bahia. Para a Bahia e em várias cidades. E isso faz diferença, porque isso é o acesso a uma coisa que é sagrada porque é um sonho de todo mundo, a casa própria. Eu quero dizer a vocês que ainda, que ainda... obrigada, engasguei… que vocês terão, que vocês terão. Nós já começamos a Fase 3, mas vamos lançá-la oficialmente agora no mês que vem.

Bom, mas eu queria dizer outra coisa para vocês que eu considero muito importante aqui para a cidade de Salvador. Nós entregamos todos os estudos para a concessão do aeroporto de Salvador. Ele vai ser ampliado, ele vai ter melhores pistas, melhores pátios, vai ter uma grande melhoria na sua capacidade de recepção, até porque é um dos grandes destinos, não só da população brasileira, mas também de turistas para o Brasil. E aí eu queria anunciar que nós, até o final do primeiro trimestre do ano que vem, estamos já em condições de fazer a concessão, e aí isso significará necessariamente uma grande melhoria para essa cidade.

Além disso, eu quero dizer para vocês que o governo federal está agindo para reconstruir as condições de crescimento do País. Estamos lutando não só para assegurar que haja um desenvolvimento maior na área de mobilidade urbana, mas também numa questão fundamental: há cinco anos o Nordeste brasileiro, a Bahia também, Pernambuco e outros estados, vem sofrendo o flagelo da seca. Hoje nós, mais tarde, também, iremos inaugurar mais um trecho do Canal do São Francisco. Com esse trecho... obrigada, muito obrigada. Dá tempo de eu respirar. Com esse trecho nós vamos, nós vamos dar consequência a nossa estratégia de convivência com a seca, porque a seca você não combate, a seca vai ocorrer sistematicamente. Vai ter anos em que vai chover e vai ter anos em que vai ter seca. O que nós temos que fazer é construir as condições para conviver com a seca. Senão vocês pensam o seguinte: em todo hemisfério norte, todo ano tem inverno. Ninguém combate o inverno, e o inverno equivale, de uma certa forma, de uma certa forma, à seca, porque ele destrói tudo. Se você  não tiver as condições de repor, você perdeu tudo durante o inverno. No caso da seca, nós sempre tivemos uma imensa dificuldade principalmente quando ela dura como atualmente está durando cinco anos. O que que nós estamos fazendo? O governador estava me mostrando há pouco uma imagem de uma adutora. Que é a adutora.. ah é o canal, o canal de Irecê. Esse canal, ele junto com toda a capacidade que nós temos de garantir... o pessoal ali está entusiasmado, bastante entusiasmado. Calma, gente, calma. Nós, sem sombra de dúvidas, podemos bem. Nós somos democratas. Nós somos democratas. Nós convivemos com a diferença. Nós não queremos eliminar as diferenças. Deixe as manifestações continuarem porque isso é intrínseco à nossa democracia e nós lutamos muito na vida para garantir que as pessoas tivessem o desejo e dever de se manifestar quando quisessem. Muito obrigada, mas eu vou continuar. Acho que é muito importante falar aqui de seca, porque seca é uma das questões que o governo federal tem maior preocupação, assim como com a recuperação do Rio São Francisco. Eu, atualmente, tenho um compromisso com vocês: eu pretendo, este ano de 2016, mobilizar todos os nossos esforços para recuperar o Rio São Francisco. E ninguém pode falar no Rio São Francisco sem falar na Bahia. A Bahia deve muito ao Rio São Francisco, o Brasil deve muito ao Rio São Francisco e nós vamos ter de devolver ao rio a vida que ele tem de ter. Eu estou comprometida com isso. O nosso País, neste ano de 2016, vai ter uma clara política para o Rio São Francisco, e eu peço aí a parceria do governador para essa nossa tarefa.

Finalmente, aproveitando que aqui a devida paixão cívica ocorre, aparecem as divergências, eu vou falar para vocês sobre democracia. No Brasil, nós temos, hoje, uma democracia que nós conquistamos a duras penas. Pessoas lutaram por ela, pessoas morreram por ela, pessoas deram o melhor de si, inclusive, deram a suas vidas e foram, inclusive, torturadas.

Eu acredito na democracia e vou falar para vocês sobre impeachment. Por que vocês me mostram que não vai ter golpe? Impeachment em si não é golpe porque está previsto na nossa Constituição. Ele vira golpe quando não há nenhum fundamento legal para qualquer projeto de impeachment. E por que que não há fundamento legal? Não há fundamento legal porque eu tenho uma vida ilibada. Meu passado, meu presente, não há nenhuma, nenhuma acusação fundada contra mim. De outro lado, de outro lado a Constituição é clara. Se faz impeachment quando há crime de responsabilidade. Não há contra mim nenhum crime de responsabilidade. Eu sequer fui julgada. Sequer. Portanto, o que está acontecendo é um processo que tem duas características. A primeira é muito grave porque afeta a vida da população. Qual é ela? É a tese do “quanto pior, melhor”, “quanto pior, melhor”. E quando esta a tese do “quanto pior, melhor”, o que que acontece? É pior para o povo brasileiro e melhor para uns poucos. O que nós temos de garantir é que o Brasil volte a crescer, volte a gerar empregos e isso nós somos capazes de fazer, porque foi no nosso período de governo que o País mais gerou empregos, teve as menores taxas de desemprego e onde nós tiramos o Brasil do mapa da fome. A segunda questão é uma questão muito clara.

Nós não vivemos num regime parlamentar. Como é que funciona um regime parlamentar em qualquer parte do mundo? Funciona assim, o primeiro ministro é escolhido entre deputados e forma um gabinete. Caso haja em qualquer momento desconfiança, ele é retirado, novas eleições são convocadas e um novo gabinete se forma. Por que que é assim? Porque o voto a ele dado pela população é um voto proporcional, é um voto como se dá para deputado aqui no Brasil.

No presidencialismo não é isso não. No presidencialismo, uma pessoa concorre à eleição de presidente. Eu, por acaso, ganhei 54 milhões de votos. Daí porque a Constituição prevê as formas pelas quais um presidente pode ser retirado do poder. Não gostar do presidente, querer encurtar o tempo para chegar a ser presidente, perder eleições sistematicamente não são alegações previstas na Constituição. Não são. Por isso eu digo para vocês uma coisa: o nosso País precisa de tranquilidade, precisa que todos nós olhemos acima dos nossos interesses partidários e eleitorais e coloquemos os interesses do Brasil acima de todos os interesses pessoais e políticos. Isso significa que nós temos de fazer um grande esforço para que o que nós queremos individualmente não atrapalhe o que o Brasil precisa como nação e como país.

Aproveitando que nós estamos num momento especial, que é um momento de reflexão, que é o final do ano, eu quero dizer para vocês que o que nós estamos fazendo em Salvador, que garantiu transformar em realidade a tão esperada Linha 1 do metrô, porque nós trabalhamos, porque nós nos esforçamos, porque o governo federal e o governo do estado tiveram um interesse único que era o bem do povo de Salvador e da Bahia,  nós temos de aplicar para o  Brasil. É essa, é essa a chave da questão, trabalhar juntos, e tendo claro qual é o interesse do País, todos nós agirmos para melhorar, para garantir a democracia, para gerar crescimento, para gerar emprego, para gerar renda, sobretudo. No dia que nós escutamos essa juventude baiana maravilhosa, apresentando-se para nós para garantir um futuro de educação de qualidade para todos os nossos jovens.

Um grande abraço para vocês. Feliz natal, feliz ano novo e que Deus nos proteja.

 

Ouça a íntegra (26min05s) do discurso da presidenta.