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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de formatura de 4.500 alunos do Pronatec e de inauguração de três novos campi do IFRN: Ceará-Mirim, Canguaretama e São Paulo do Potengi - Natal/RN

por Portal do Planalto publicado 02/10/2013 17h20, última modificação 04/07/2014 20h18

Natal-RN, 02 de outubro de 2013

 

Eu queria iniciar cumprimentando o Marco Antônio Rodrigues. O Marco Antônio, além de ter uma voz belíssima, fez um discurso, aqui, que honra vocês pronatequianos. Ele falou com o coração e a razão e, por isso, ele fez um discurso que me comoveu, e eu queria cumprimentá-lo por isso.

Queria cumprimentar também o Lucivaldo Tarquínio da Silva, que prestou juramento em nome de todos vocês. E quando eu cumprimento os dois, eu estou cumprimentando cada um de vocês.

Queria dizer uma coisa: nós somos, e temos orgulho disso, uma das maiores democracias do mundo. Nós somos um país e uma nação que tem uma característica, nós somos tolerantes. Nós aceitamos a diversidade, nós aceitamos a diferença de crença, de religião; nós aceitamos a diferença de etnias; nós somos um país que tem na sua diversidade a sua maior força. Nós somos índios, nós somos negros afrodescendentes, nós somos dos mais variados tons do branco. E eu queria dizer que, por isso, nós também respeitamos as pessoas. A gente pode discordar delas, mas a gente tem de deixá-las dizer o que pensam. Vamos respeitar a governadora que está aqui. Vamos, não, é feio, isso é feio.

Eu vou falar para vocês uma coisa: o reitor esteve aqui e falou em cidadania. Cidadania é respeito. Ninguém respeita quem não se respeita e não respeita os outros.

Por isso, eu cumprimento a governadora Rosalba Ciarlini.

Os ministros de Estado: Aloizio Mercadante, da Educação; ao cumprimentar o ministro Garibaldi Alves, que é daqui, eu queria reafirmar o compromisso do meu governo com o atendimento à população potiguar, e o governo está sob a coordenação do ministro Garibaldi, criando novas agências da Previdência. Estou falando isso porque agora, até o início do ano que vem, o ministro pretende inaugurar aqui, aqui em Ceará-Mirim, uma agência do INSS, e também mais 12 agências serão inauguradas aqui no Rio Grande do Norte.

Saúdo também a ministra Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação Social.

O desembargador Aderson Silvino, presidente do Tribunal.

Os deputados Federais Betinho Rosado, Fábio Farias, a Fátima Bezerra, João Maia, a Sandra Rosado e o Paulo Wagner.

Quero saudar os prefeitos de onde nós estamos inaugurando os campi do Instituto Federal do Rio Grande do Norte: o prefeito aqui, de Ceará-Mirim, Antônio Marcos de Abreu Peixoto, e dizer para ele que eu vou olhar os pleitos dele com atenção e que eu estou acostumada, prefeito, é assim mesmo que tem que ser, depois que a gente faz uma coisa, tem de pedir outra, é assim mesmo, prefeito, pode ficar tranquilo; a prefeita, também, de Canguaretama, a Maria de Fátima Borges Marinho; e o prefeito de São Paulo do Potengi, José Leonardo de Araújo. Ao cumprimentar os três eu cumprimento todos os prefeitos.

Queria também dirigir um cumprimento especial ao senhor Belchior de Oliveira Rocha, nosso reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia aqui do Rio Grande do Norte. E eu cumprimento, através dele, todos os professores do Instituto Federal.

Queria cumprimentar a Ângela Maria Paiva Cruz, reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Queria dirigir um cumprimento especial – esse programa Pronatec, ele é um programa de parceria, parceria entre o governo federal e institutos federais de educação, as escolas federais técnicas, as escolas estaduais, quando existirem, e as entidades. Queria cumprimentar o José Vieira, do Senac; cumprimentar o Eudo Laranjeira Costa, do Senat; o Marcelo Fernandes de Queiroz, do Sesc-Senac; e queria cumprimentar o vice-presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, Pedro Terceiro de Melo.

Queria cumprimentar os diretores dos campi aqui hoje inaugurados: o José Paiva, de Ceará-Mirim; o Valdelúcio Ribeiro, de Canguaretama; e o Edinaldo Pereira, de São Paulo do Potengi.

Minha querida Manoela Braga, presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.

Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas,

Senhoras e senhores,

Primeiro, a característica principal desse ato, é um ato de formatura de vocês, do Pronatec. Ele se enche de significado, porque é um caminho que vocês construíram e que leva vocês a vários lugares. Principalmente aqueles lugares em que a força da dedicação de cada um permitiu que vocês adquirissem conhecimentos que vocês não tinham e, agora, vocês dão um passo no rumo de uma nova vida. Por isso, primeiro de tudo, parabéns a cada uma das brasileiras e dos brasileiros que, com seu esforço, conseguiram o diploma de cada um de vocês. Palmas para cada um de vocês. Em qualquer programa, a coisa mais importante são as pessoas, qualquer programa. De nada adianta todo o esforço da gente, das entidades parceiras, se o esforço de vocês não levou vocês ao sucesso. Por isso, o primeiro parabéns é de vocês.

Queria saudar também – eu sei que aqui tem vários municípios, me informaram que as pessoas são de Natal, queria aqui dar um parabéns para Natal; são de Parnamirim, parabéns Parnamirim; são de São Gonçalo do Amarante, parabéns; são de Marananguape. Não tem Marananguape? O “x” dele, gente, e o “r” dele, tinha de levar ele a fazer aquelas coisas que fazia antes, de caligrafia, você lembra de caligrafia? O x dele e o r são iguais. Afonso Pereira, Maxaranguape, Afonso Bezerra, aqui está escrito Canguaretama, é Canguaretama; agora é Ceará-Mirim, Currais Novos, São Paulo do Potengi, Santa Cruz, Macaíba, Taipu – ê, Taipu tá bom, hein? –, Riachuelo, Bento Fernandes, Touros, Rio do Fogo. Faltou alguma? Vera Cruz? Agora eu não estou escutando... João Câmara. Mais algum? Pureza. Vera Cruz, já falei. Pureza.

Bom, gente, e agora eu vou falar das escolas também onde vocês se formaram. Senai, Senac, Instituto Federal, Escola Técnica de Jundiaí, Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Senat, Senar. Parabéns a todos vocês.

Eu quero dizer para vocês que eu também acho que tem uma outra razão para gente aqui estar comemorando, que é a construção desses campi do Instituto Federal do Rio Grande do Norte e dos dois outros que nós aqui também estamos inaugurando.

Mas eu queria hoje começar com uma homenagem aos pronatequianos. Eu agradeço muito a vocês se vocês seguirem aquilo que o Marco Antonio falou: se vocês trouxerem para o Pronatec mais pessoas, se vocês incentivarem e que vocês motivarem pelo exemplo de vocês. Porque hoje nós estamos aqui mostrando para o Brasil que aqui no Rio Grande do Norte 4,5 mil estudantes do Pronatec estão se formando. São estudantes que não estão no chamado ensino regular, são estudantes que se formam se capacitando profissionalmente, algo que o Brasil tem de valorizar, que muito precisa. Se beneficia vocês, beneficia muito mais ainda ao Brasil. Nós, para crescermos, para sermos uma nação desenvolvida, vamos precisar de ter estudantes trabalhadores, trabalhadores estudantes.

Nos países desenvolvidos, para cada um universitário nós temos 10, em torno de 10 com ensino técnico de alto nível. Nós queremos que os trabalhadores do nosso país tenham ensino técnico de alto nível. Por quê? Porque o ensino técnico de alto nível dá salário melhor, dá também maior perspectiva para as pessoas que fazem o ensino e para as suas famílias. Esse é o momento especial, o Brasil está fazendo um esforço para não só gerar emprego, mas gerar o melhor emprego possível. E o melhor emprego possível, sabe o que ele faz com o Brasil? Ele transforma o Brasil numa das economias mais importantes do mundo. Por isso, esse é um caminho onde cruza os interesses de vocês e os interesses de todo o país.

Eu queria dizer para vocês que tem uma pessoa aqui, no Rio Grande do Norte, e foi em Angicos, há 50 anos, que um homem chamado Paulo Freireaplicou, pela primeira vez, as diretrizes do seu método de educação de adultos. E hoje nós estamos aqui dando um passo além, muito além do que ele deu naquela época, mas o dele tem importância, porque era aquele passo decisivo, que é o primeiro. Naquela época, esse homem chamado Paulo Freire disse uma coisa: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem a educação tampouco a sociedade muda”. Se nós queremos mudar o nosso país, fazer com que as pessoas tenham oportunidades iguais – as pessoas são diferentes –, agora os brasileirinhos e brasileirinhas tem de ter as mesmas oportunidades. Os brasileiros e as brasileiras, todos tem de ter a mesma oportunidade.

E aí eu quero lembrar uma outra pessoa, que teve e dizia com muito orgulho: “Eu tive dois diplomas, um do Senai, outro de presidente da República”. É o Lula. E a oportunidade primeira que ele teve, que o levou à segunda, foi se formar no Senai. Então, eu quero dizer para vocês: valorizem, valorizem esse diploma e não parem aí. Nem presidente da República pode parar de estudar, tem de dar um jeito, sempre tem de dar uma estudada. A gente nuca pode parar de estudar, a gente nunca pode parar de aprender. A característica mais interessante do ser humano é essa imensa capacidade que a gente tem, de dar a volta por cima. E a gente dá a volta por cima quando a gente se esforça também para aprender, a gente aprende com o erro, a gente aprende com o acerto, a gente aprende com curso e a gente aprende com esforço, por isso eu dou meus parabéns mais uma vez a vocês.

E quero dizer para vocês que tem duas características que eu sempre digo que eu me entusiasmo, no curso do Pronatec. A primeira é o fato de que o Pronatec dá opção. As pessoas não são iguais, ela tem de ter opção. E ela dá cursos diferenciados, aqui são 32 cursos. Esses 32 cursos que são cursos que permitem que haja um gama de escolhas. Vão de computação, passando por cursos importantes num estado bonito como esse, que tem no turismo, sem sombra de dúvida, uma das suas oportunidades, que são os cursos na área do turismo, os de hotelaria. Mas eu acredito que, sobretudo, também, a área de serviços, e aí eu vi a hora que o pessoal do Senac, eu chamei o Senac, apareceram muitos que se reconheceram como tal. Em qualquer hipótese, eu quero dizer para vocês que é uma parceria, um ensino técnico fazer 8 milhões em 2 anos e meio, que é o que nós, na prática, estamos fazendo, porque lançamos, em três anos, vamos dizer assim, é um esforço imenso, mas é um esforço... Por que nós estamos fazendo? Porque nós queremos também que os cursos não só sejam diversificados – e aí vem a segunda característica –, eles sejam bons, eles sejam cursos nos quais vocês aprendam.

Daí porque fizemos cursos com parcerias, tanto com a Federal, os institutos federais que, como mostrou o ministro, até o início do nosso governo, o governo federal não podia fazer escolas técnicas, e isso paralisou a oferta de oportunidade de estudo de todo mundo. Isso não está certo. Por isso que nós mudamos isso, não só mudamos, mas ampliamos o número de vagas para todo mundo. E, além disso, procuramos o que havia de melhor no Brasil em termos de ensino técnico. E o que é que tem de melhor no Brasil? O Sistema S. E fizemos parceria com o Sistema S.

Hoje, eu quero dizer para vocês que eu vou contar uma história de uma pessoa que não esteve aqui no palco, mas é ilustrativa à história. Várias pessoas aqui assinaram a sua carteira de trabalho. Eu vou contar a historia de uma empreendedora, uma pequena empreendedora, ela chama Maria Janaína Cardoso da Silva. Ela deve estar por aqui hoje. E a Maria Janaína, a Maria Janaína... Ela tá aí? Bom, a Maria Janaína fez o curso do Senac de auxiliar de cozinha. O que ela queria? Ela tem um restaurante, ela queria melhorar o desempenho dela lá no restaurante, que é numa das cidades que todo mundo comenta, eu ainda vou vir aqui para passar as minhas férias, no dia em que eu tiver férias, que é São Miguel do Gostoso. E eu sempre ouvi dizer que é um dos lugares mais bonitos do Brasil. E ela, então, tinha um restaurante, ela trabalhava antes na cozinha de outros restaurantes e pousadas lá em São Miguel do Gostoso. Quando o marido dela ficou desempregado, em 2011, a Maria Janaína resolveu vender a casa e comprar um restaurante lá no terreno da mãe dela – dele, aliás, a mãe é dele – lá na beira-mar. E aí o que aconteceu? Eles botaram trabalho no restaurante, eles se esforçaram. No início desse ano, a Maria Janaína foi lá e se inscreveu como microempreendedora individual, para formalizar o negócio dela e contratar um funcionário, que era o seu primeiro funcionário, para substituir o marido que tinha ido trabalhar nas obras de ampliação do terminal rodoviário de Natal. Então, ela foi também fazer um curso no Pronatec. E aí o que ela conseguiu? Ela conseguiu melhorar ainda mais a qualidade do restaurante que ela tem, e com isso ela está melhorando a situação dela e do marido. Por que contei a história da Maria Janaína? Porque não é só na Carteira de Trabalho, ou seja, não é só no emprego, mas também é para melhorar o pequeno negócio que a pessoa tenha. Então, a história da Maria Janaína mostra muito o que é o Pronatec. O Pronatec é isso: é oportunidade de trabalho e também de virar uma empreendedora.

E eu queria dizer para vocês que tudo isso tem um segundo passo. O segundo passo é justamente o IFET, o segundo passo é o IFET. Porque vocês não vão poder trabalhar, parar de trabalhar e nem de estudar. Muitos de vocês vão ter um outro caminho, que é entrar aqui no IFET, estudar, fazer um curso, continuar trabalhando e continuar estudando. E aí eu tenho orgulho de dizer que nós, em 2002, tínhamos 140 escolas em todo o Brasil, e que, no final de 2014, nesses 10 anos, um pouco mais de 10 anos, nós vamos chegar a 562 escolas. Saindo de 140 para 562.

Finalmente, eu quero dizer para vocês uma outra coisa: nós temos de valorizar o professor, o professor tem de ser valorizado, de tudo que aconteceu. Porque a gente, no Brasil é engraçado, a gente quer educação mais qualificada sem falar no professor? Não é possível, não é? Só pode ter educação de qualidade com professor melhor remunerado e também melhor formado, melhor capacitado e melhor formado. Para isso, o Brasil precisa investir na educação. Pois eu quero dizer para vocês que a grande novidade desse ano na educação é o fato de que nós aprovamos os royalties do petróleo e do Fundo Social para a educação. Porque vai ter de gastar dinheiro com professor, vai ter de gastar dinheiro com escola. E aí eu chego numa questão: o curso de vocês é gratuito, não é? Para vocês, para vocês ele é gratuito. Porque o governo paga R$ 14 bilhões, para os oito vai pagar R$ 14 bilhões para os oito milhões de alunos do Pronatec.

O que quero dizer é o seguinte: o Estado brasileiro tem de garantir os recursos para o Pronatec continuar. O Pronatec, quando nós aprovamos os recursos dos royalties, nós estamos de olho, de olho no fato de que o Pronatec precisa de dinheiro para continuar. E aí o que vai acontecer? Vai acontecer que nós vamos melhorar o Pronatec cada vez mais. Porque não foram só vocês que aprenderam. Aprendeu o Instituto Federal Tecnológico de Educação, aqui, aprendeu o Senai, o Senac, o Senat e o Senac. Aprenderam com quem? Com vocês, dando curso de formação profissional. Por isso que aprovar os royalties é importante. Nós precisamos de bons professores, como vocês, eu tenho certeza. E aqui eu queria que vocês se levantassem e dessem uma salva de palmas para os professores que formaram vocês.

E eu queria encerrar dizendo para vocês que amanhã é feriado aqui. É feriado porque no passado, aqui, um grupo de brasileiros e de brasileiras, dentro de uma igreja, foram massacrados.

E eu queria dizer para vocês, finalizando, que nós somos um povo que tem mostras de grande coragem, que diante da adversidade as pessoas se empoderam e se manifestam. Amanhã eu queria que vocês lembrassem que nós somos um país especial: nós não temos guerra, nós não temos perseguição religiosa, nós não temos, nós não temos, e ninguém tem direito, no Brasil, de falar sobre isso, nós não temos, este país não pode ter e se dar o direito de ter preconceito étnico e racial. Por que é que ele não pode? Porque nós somos o país que foi formado com a diferença de todas as raças. Falam muito da nossa diversidade ambiental quando a gente olha para a Amazônia e vê aquela riqueza toda; olha para a Mata Atlântica, para o litoral nordestino, para todo o cerrado brasileiro, para os pampas. Nós somos diversos, ambiental e climaticamente, mas, sobretudo, nós somos diversos porque nós somos um país formado por várias, várias correntes de seres humanos que para aqui se dirigiram para construir a nossa democracia tropical.

E aí, eu quero dizer para vocês. Amanhã nós lembremos também desses homens e dessas mulheres sacrificados porque eles foram sacrificados num momento em que aqueles que os mataram dentro da igreja olharam para eles como não humanos, e isso este país não pode fazer. Daí por que eu digo para vocês. Num mundo como este em que nós vivemos, em que nós vemos só conflitos, nós vemos só repressão, este país ter dado o passo, ter criado o sistema de cotas nas universidades, este país ter dado o passo, não ter tido conflito com seus vizinhos em 140 anos é uma manifestação de grande civilidade, de grande força democrática e, sobretudo, nós somos capazes de construir uma sociedade com mais igualdade de oportunidades, e isso hoje vocês mostraram que não é um sonho, é uma realidade.

Parabéns para vocês!

 

Ouça a íntegra (31min47s) do discurso da Presidenta Dilma