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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de formatura de 2.400 alunos do Pronatec/BSM

por Portal do Planalto publicado 18/07/2013 18h08, última modificação 04/07/2014 20h17

 

Fortaleza-CE, 18 de julho de 2013

 

Eu quero aqui, hoje, dirigir um cumprimento especial a todas as formandas, a todos os formandos do Programa Pronatec Brasil sem Miséria.

Esse, para mim, é um momento muito especial, mas, antes de falar com vocês, eu vou cumprimentar, aqui, o governador Cid Gomes; o prefeito Roberto Cláudio. Os ministros de Estado que hoje me acompanham: a Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; o Fernando Bezerra, da Integração Nacional; o Aguinaldo Ribeiro, das Cidades; o Leônidas Cristino, cearense, como vocês, do Ministério de Portos.

Eu queria dizer que hoje de manhã nós estivemos, junto com o governador Cid Gomes e o ministro Fernando Bezerra e o Aguinaldo Ribeiro, ali no metrô, inaugurando a linha sul, que vai... nós andamos entre as estações José de Alencar e Chico da Silva. É muito importante esse metrô para a cidade de Fortaleza. Então, eu tive muito prazer de estar lá com eles hoje.

Também estivemos, com o governador Cid Gomes e o Fernando Bezerra Coelho – e por isso que passaram esse vídeo para vocês, é o vídeo do Cinturão das Águas, que traz segurança hídrica, água é vida, então traz segurança hídrica para o estado do Ceará.

Mas hoje eu estou aqui, junto com os senadores, também, Inácio Arruda, José Pimentel; os deputados federais Chico Lopes, Eudes Xavier, Ilário Marques; o senador [deputado] José Guimarães; com todos os secretários, vice-prefeito de Fortaleza, presidente da Câmara dos Vereadores.

E eu queria saudar aqui o Senai, na pessoa do Roberto Ferreira; o Senac, na pessoa da Ana Cláudia Alencar; e o Senat, na pessoa do Dimas Barreira.

Queria também dirigir um cumprimento especial àqueles que falaram em nome dos formandos: o André Araújo Guerra, que falou em nome dos formandos; a Iara Maria de Souza, que proferiu o juramento; a Maria Mendonça Silva, Antônia Jaques da Silva e o Gladson Alves de Araújo, que tiveram as carteiras assinadas.

Queria cumprimentar também e dirigir uma homenagem especial aos professores que ministraram o curso. Um aplauso nosso para eles. Eles deram o melhor da sua dedicação para a formação de vocês.

Queria cumprimentar também os senhores e as senhoras jornalistas, os fotógrafos e os cinegrafistas.

Olha, gente, formaturas são momentos muito especiais na vida de uma pessoa. Elas sempre representam a celebração de uma conquista, de uma vitória e de um início de vida. O governador Cid Gomes falou sobre a importância que o presidente Lula dava para a sua formação no Senai. E ele disse que ele teve dois diplomas na vida: um foi do Senai e o outro o diploma de presidente.

Os diplomas, eles valem porque eles representam um esforço de cada pessoa, um esforço e um reconhecimento de que esse esforço, esse esforço adquiriu um valor que você carrega pela vida inteira. É, talvez, a maior riqueza que alguém carrega, porque você carrega só levando o corpo, mais nada. E você carrega algo que você conquistou, algo que implicou em um maior conhecimento.

Por isso, eu, primeiro, quero dizer aqui: hoje é um momento de festa. Nós comemoramos aqui a vitória de cada uma e de cada um. Por isso, primeiro eu quero dizer: parabéns para vocês.

A segunda coisa que eu queria dizer e que me emociona muito, é saber que, aqui, 71% das pessoas presentes são mulheres. E que 64% tem entre 16 e 29 anos. Por que eu falo nesses dois dados? Eu acho muito importante, também, que os homens se formem, mas, na história recente do Brasil é muito mais difícil você ver uma turma de formação profissional tão completada, tão cheia de mulheres, e isso é muito para o Brasil. O Brasil precisa de cada um dos brasileiros e das brasileiras, e precisa das mulheres. Precisa que as mulheres tenham condições de cuidar dos seus filhos, de cuidar, de uma forma muito expressiva, da sua família, mas também o Brasil precisa que as mulheres tenham uma profissão. Nós precisamos de cada uma das mulheres. Por isso, essa é, sem dúvida, o segundo motivo. Esse é o segundo motivo que nós devemos celebrar: o fato de serem mulheres que estão formando aqui hoje.

O terceiro motivo é que esse é um passo muito importante. É um passo muito importante e eu tenho certeza que é um dos primeiros passos porque vocês são jovens, e vocês deram o primeiro passo para se formar profissionalmente e, a partir de agora, vocês têm de estar atentos porque isso não acabou, não. A formatura é só o início. Portanto, vocês vão poder dar outros passos daqui para frente.

Hoje, com esta formatura, crescem as chances de uma mudança de vida, de conseguir um melhor emprego e até de abrir um pequeno negócio. Existem oportunidades para todo mundo, e eu queria dizer que este Brasil é muito grande e vai precisar cada vez mais de trabalhadores e trabalhadoras, empreendedores e empreendedoras. Por isso, há um horizonte de oportunidades que quem se empenhar, estudar e trabalhar, vai ter sucesso.

Hoje, por isso, é um dia de comemoração. Os mais de três mil formandos do Programa Brasil sem Miséria vêm de vários lugares do Ceará. Vêm de Fortaleza... eu queria saber quem é de Fortaleza porque agora eu vou falar todas as cidades. Vêm de Aquiraz; vêm de Cascavel; Caucaia, lá no fundo; Eusébio; Horizonte. Acho que vocês não estão se formando, não. Maracanaú, Maranguape, Pacajus, São Gonçalo do Amarante, e todos eles juntos têm de comemorar essa conquista. Então um aplauso para todos.

Os formandos de hoje, como a ministra Tereza disse, fazem parte de um conjunto de 34 mil cearenses que vêm cursando o Pronatec do Brasil sem Miséria em 61 municípios, e isso para nós é muito importante. Por que é importante? Porque nós queremos, cada vez mais, qualificar o trabalho dos brasileiros e das brasileiras. Se perguntarem para vocês: por que a gente quer um trabalho mais qualificado? Porque um país só se desenvolve quando os seus trabalhadores são capazes de um trabalho qualificado. O que é um trabalho qualificado? Aquele de um especialista, que aprendeu a fazer uma coisa da forma melhor possível. E isso significa que você aumenta o valor do produto que você faz ou do serviço que você presta, mas também vai significar sempre um salário maior.

E aí nós recorremos ao Sistema S, porque isso é uma parceria com o governo do estado, com as prefeituras, o governador Cid Gomes e os prefeitos, e com cada um dos serviços do Sistema S: o Senai, o Senat e o Senac. Além disso, uma coisa que é muito importante: todo mundo reconhece a qualidade dos cursos do Sistema S, e assim os empresários também valorizam esses cursos, sabem que as pessoas que o fazem saem melhor formadas, o que também é muito importante para abrir as portas do mercado de trabalho.

Para mim, para o governo federal e, eu tenho certeza, para o governo do estado, para as prefeituras e para o Senai, o que nós queremos, a nossa grande preocupação é que o esforço de vocês resulte em melhoria da vida de vocês, melhoria do trabalho que vocês vão ter acesso. A conquista do emprego é, portanto, um dos maiores objetivos nossos aqui.

E aí eu quero dizer para vocês que tem histórias fantásticas que me contaram sobre alguns de vocês. E eu queria compartilhar essas histórias que evidenciam como a vida pode melhorar. Eu falo de uma história como essa da dona Antônia Jaques da Silva, uma das formandas de hoje, que esteve aqui. A Antônia está acostumada a trabalhar desde os 19 anos e estava desempregada. Agora, graças ao Pronatec, ela aprendeu a profissão de frentista e vai voltar a ter a sua carteira de trabalho assinada. Com o emprego, vem segurança para ela e para seus filhos.

Outra história muito comovente e interessante é a do Mardônio da Silva Souza. O Mardônio tem 23 anos e, que eu saiba, está aqui presente. Está ali o Mardônio. Ele tem 23 anos, como eu dizia, e eu achei muito interessante porque ele disse que não acreditava no curso, achava que um curso gratuito, que oferecia lanche e transporte era enganação. Não podia ser um curso de verdade, só podia ser enganação. Mesmo assim, ele resolveu tentar, fez o curso, um curso no Senai de mecânico de máquina de costura, e aí ele percebeu, ficou motivado. Por que é que ele ficou motivado? Porque ele percebeu que o curso era muito bom, os professores muito empenhados e de qualidade e que, portanto, era um ótimo curso do Senai. E antes mesmo dele formar, ele já conseguiu um emprego e hoje ele está se formando. Mas ele conseguiu um emprego, e esse emprego deriva do esforço dele e também do fato de que nós sabemos que todo mundo sabe como é bom um curso do Sistema S.

Qual é o nosso objetivo? É multiplicar essas histórias, histórias bem-sucedidas como da dona Antônia e do Mardônio. Eu tenho certeza que, se depender de cada um de vocês aqui, cada beneficiário do Brasil sem Miséria, não vai faltar dedicação, não vai faltar esforço para transformar a oportunidade de fazer um bom curso na oportunidade de mudar de vida e conseguir um bom emprego. Nós todos aqui acreditamos em vocês, mas, sobretudo, é importante que cada uma aqui presente e cada um acredite em si mesmo. É isso que faz a diferença.

Eu queria dizer para vocês que desde junho de 2011 nós lançamos esse programa chamado Brasil sem Miséria. É um programa de transferência de renda, é um programa de formação profissional para inclusão no mercado de trabalho, e é um programa de garantir, a essa população do Bolsa Família, do Cadastro Único, acesso a serviços.

Nós focamos nos beneficiários do Bolsa Família... Por quê? Porque esse é o compromisso de um governo que tem responsabilidade com aquela parte da população brasileira que durante muitos anos foi excluída e que, agora, tem de ser o centro das atenções de qualquer governo que queira ser um governo comprometido com o povo brasileiro.

E por isso nós temos dado vários passos nessa questão do Bolsa Família. O primeiro passo fundamental foi na questão da renda, isso que o Cid Gomes, o nosso governador, se referiu aqui, quando nós passamos a garantir para cada uma das pessoas que integram uma família cadastrada no Bolsa Família o direito a receber, no mínimo, R$ 70,00. Nós, com isso, alcançamos um limite, que é o limite de sair da pobreza extrema ou da miséria.

Mas aí nós mesmos dissemos: sair da extrema pobreza é só o começo, é só o primeiro passo. O Bolsa Família, eu quero dizer primeiro aqui, vai continuar sendo pago, enquanto houver uma brasileira ou um brasileiro que precise dele. Esse é o compromisso do meu governo, foi o compromisso do governo do presidente Lula. Somente quem não conhece o Bolsa Família é capaz de criticar o Bolsa Família.

Eu costumo dizer que quando a gente fala que o fim da miséria ou da pobreza extrema é só um começo, é porque nós sabemos que tem dois caminhos para mudar a vida, definitivamente, desses milhões de brasileiros que hoje vivem melhor porque recebem o Bolsa Família, só tem dois caminhos, não tem três caminhos, tem dois caminhos. No caso das crianças e dos jovens, o caminho é o acesso à educação, é o acesso à educação, à mais educação e à educação.

O acesso à educação para as crianças e para os jovens significa acesso à creche, alfabetização na idade certa e, aliás, o estado do Ceará, no governo do nosso Cid Gomes, é exemplar nessa questão da alfabetização na idade certa. Ela é essencial para milhões de brasileiros, brasileirinhos e brasileirinhas. Por quê? Porque significa que eles têm de, até uma certa idade, por exemplo, até 8 anos, que eles saibam ler, fazer as operações básicas de aritmética, interpretar um texto e serem capazes, portanto... tem gente que fala que é menos, que são seis anos; varia de seis, sete, no limite de oito anos.

Além disso, nenhum país ficou desenvolvido se não deu escola em tempo integral para as crianças e jovens, mais acesso à universidade, sobretudo, mais acesso a cursos profissionalizantes. Esses fatores que garantem que as famílias que têm crianças e jovens precisam de educação é um dos caminhos para sair, definitivamente, de uma situação de pobreza extrema.

O segundo caminho é o emprego dos adultos, é o caminho dos adultos, e aí, mesmo o emprego, que é o caminho dos adultos, daqueles que têm condições de entrar no mercado de trabalho, porque o jovem tem de estudar, é conseguir duas coisas: ter um emprego e ter uma formação profissional, porque a formação profissional permite que o emprego melhore e esse é, sem dúvida nenhuma, o outro caminho.

Por isso, que no Brasil sem Miséria nós juntamos Bolsa Família com formação profissional. Juntamos também Bolsa Família com creche. Inclusive, em todas as prefeituras do Brasil, onde têm crianças do Bolsa Família, o governo federal paga 50% a mais para garantir que na creche a gente ataque a raiz da desigualdade, que é uma oportunidade diferente para as crianças pequenininhas. É assegurar que elas tenham o que há de melhor em educação desde pequenas.

Eu queria dizer, meus amigos e minhas amigas, queridos formandos, eu tenho certeza na capacidade de vocês e vocês demonstraram essa capacidade ao se formar. Vocês aproveitaram, com garra, com determinação essa oportunidade, e vocês, sem dúvida nenhuma, vão construir uma nova etapa na vida de vocês.

Por isso, eu só tenho uma palavra de cumprimento e um desejo. O desejo é muito trabalho e boa sorte, e o cumprimento é parabéns para cada um de vocês, aqui, formandos.

 

Ouça a íntegra (23min01s) do discurso da Presidenta Dilma