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Discurso da presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de entrega de unidades habitacionais no Residencial Juazeiro, do Programa Minha Casa Minha Vida II - Juazeiro/BA

por Portal Planalto publicado 14/08/2015 14h20, última modificação 14/08/2015 17h28

Juazeiro/BA, 14 de agosto de 2015

 

Queria... Um grande abraço a todas, às queridas mulheres, um grande abraço aos nossos companheiros.

Eu quero começar cumprimentando todas essas famílias que vão receber a chave e as que receberam as chaves. Eu gostaria de abraçar a cada uma dessas famílias, mas eu abracei a Itala Maiane, o José Roberto, a Ana Paula, a Francisca, a Ivanildes e a Naiara, mas eu queria abraçar cada uma das famílias aqui do Residencial Juazeiro.

Um grande abraço para começar essa conversa.

Queria agradecer as palavras do governador Rui Costa, que é nosso parceiro aqui. Aqui na Bahia nós temos essa parceria, aqui com Isaac e com o Rui e por isso, Juazeiro caminha para frente.

Quero cumprimentar também os ministros que me acompanham, o ministro Jaques Wagner, ex-governador da Bahia que vocês conhecem muito bem, e o ministro Gilberto Kassab, ministro das cidades,

Cumprimento a nossa queria primeira dama, ex-primeira dama Fátima Mendonça,

Cumprimento também o deputado Marcelo Nilo, presidente da Assembleia Legislativa da Bahia,

Cumprimento a nossa queria senadora Lídice da Mata, e os deputados federais, o Daniel Almeida e o José Rocha, o Zé Rocha,

Mais uma vez eu gostaria de saudar o prefeito, e agradecer o prefeito por essa tão fraterna, tão forte, tão emocionante recepção.

Quero agradecer também os deputados estaduais, Crisóstomo Lima, Odacir Amorim, Fabiola Mansur e Roberto Carlos, o vereador Damião Medrado, presidente da Câmara aqui de Juazeiro, a presidente da Caixa, Mirian Belchior, o vice-prefeito de Juazeiro, Irmão Francisco,

Queria cumprimentar ainda, o secretário Carlos Martins, do Desenvolvimento Urbano e em nome dele cumprimento todos os secretários,

Queria cumprimentar o empresário que construiu o residencial o senhor Antônio Santos Filgueiras, diretor da construtora Sertenge SA,

Um cumprimento especial aos representantes aqui dos movimentos sociais,

Cumprimento o pessoal da ASA, da Articulação do Semiárido Brasileiro, Cícero Félix dos Santos, e agradeço ao Cícero a parceria que nós fizemos nos últimos 4 anos e continuamos fazendo. Nós conseguimos construir 1 milhão de cisternas, 750 mil cisternas no meu governo e as outras 250 mil no governo do presidente Lula. Nós fizemos em menos de cinco anos, um pouco mais cinco anos e meio, nós fizemos juntos 1 milhão de cisternas, levando água para a população rural que precisa da água para viver e para plantar,

Cumprimento também o pessoal todo do MST ao cumprimentar o Giovanildo de Jesus,

Cumprimento o sindicato dos trabalhadores rurais aqui de Juazeiro, cumprimentando o Mitu, o Emerson José da Silva,

Cumprimento o sindicato de trabalhadores rurais de Petrolina, cumprimentando a Maria de Lourdes de Menezes Lima,

Cumprimento o pessoal do MAB, Movimento de Atingidos por Barragem, ao cumprimentar a Marta Rodrigues dos Santos,

Cumprimento o movimento dos agricultores e Perímetro de Irrigação, Ivan Pinto,

Cumprimento a Federação Municipal das Associações de Moradores e entidades afins de Juazeiro, o Francisco de Souza,

Cumprimento os jornalistas, os fotógrafos e os cinegrafistas.

 

Eu sei que Juazeiro é uma terra de gente forte, de gente trabalhadora, de gente batalhadora. E é também a terra de pessoas que deram grande contribuição para o país. Eu vou falar de dois artistas, um, o João Gilberto, nascido aqui, outra a Ivete Sangalo - um homem e uma mulher de valor e que dão grande contribuição para alegrar nossas vidas.

E cumprimento também Juazeiro, porque Juazeiro, para o Brasil inteiro, é símbolo do velho Chico, do Rio São Francisco.

Eu estive aqui a quatro anos atrás, lá em agosto de 2011, e eu estive aqui em uma cerimônia muito parecida com essa. Naquela época, em agosto de 2011, eu entreguei as chaves para 1500 famílias aqui de Juazeiro no residencial São Francisco, lá no bairro Antônio conselheiro. E hoje, eu volto aqui mais uma vez, para entregar as chaves para mais famílias, agora 1.480 famílias. E eu volto para fazer isso com uma alegria imensa no coração, uma alegria imensa no coração porque eu estou entregando para as pessoas uma chave que quando vocês botarem ela na porta, virarem a chave e entrarem, vocês estarão entrando na sua casa própria, na casa de vocês. Na casa que vocês vão poder criar suas famílias, dar toda a atenção para seus filhos, para os jovens, para os seus parentes também mais idosos e onde vão receber os amigos para uma cervejinha.

A casa é o lugar mais importante, porque é onde a gente passa a vida da gente. Por isso, morar de favor é muito difícil, morar de aluguel, muito caro, também é muito difícil, faz muito mal para o bolso, por que você paga o aluguel e fica faltando para outras coisas. E também morar em muitos lugares que são áreas de risco - e aí há qualquer problema quem paga é a família.

Então, agora vocês estão aqui nesse residencial que leva o nome Juazeiro. E aqui vocês vão criar a família de vocês. O Brasil precisa disso, o Brasil precisa que as famílias se sintam acolhidas e protegidas. Por que diante da maior dificuldade, se você tiver a sua casa, você tem onde ir. Um abraço para a senhora, um abraço para senhora, depois eu vou aí falar com a senhora - você também (vou falar aí com você).

Mas eu quero falar uma coisa para vocês: Ainda falta entregar aqui, porque está em construção, mais de 4200 casas. O total aqui que nós vamos entregar em Juazeiro dá 11 mil moradias, 11 mil moradias é algo que eu fico muito feliz. Vocês viram que tem família com sete crianças, tem família com quatro crianças, tem com duas, tem com uma, mas o Minha Casa, Minha Vida é sempre uma casa que tem a ver com família. Daí eu fico muito feliz de estar aqui, porque um em cada cinco moradores de Juazeiro moram em uma casa decente e digna do Minha Casa Minha Vida. E esse, esse é um prêmio que eu carrego na minha vida.

Eu sei perfeitamente que, o Brasil tem toda uma tradição no passado de não olhar para aqueles que mais precisam para aqueles que sofrem para aqueles que trabalham. E nós, desde o governo do presidente Lula, falamos: ‘Não, tem de acabar com isso’. O dinheiro que nós somos, depois da eleição indicados para administrar, tem de ser dedicado para resolver a vida e melhorar a vida dos brasileiros. Por que isso? Porque isso beneficia todo mundo, beneficia as famílias que receberam, mas beneficia também todo o país. Porque que beneficia todo o país, vocês podiam me perguntar? Primeiro, porque aqui foi construído um conjunto de casas, pessoas foram empregadas para construir essas casas, mas essas casas elas usam, as janelas são de alumínio, houve gente construindo essas janelas de alumínio, houve gente fazendo cada uma das partes dessas casas. E aí, vocês ao ter a casa também garantiram emprego para muita gente.

Além disso, aqui vocês vão criar toda uma vida em comum, e aí, vocês podem aqui também saber que aqui perto vai ter gente trabalhando para trazer aquilo que vocês compram todo dia. Então, isso aqui vai virar um bairro e aí eu aproveito a palavras do governador, ”vocês têm de cuidar disso aqui”. Hoje nós ainda cuidamos, daqui a pouco a responsabilidade passa a ser para cada uma das famílias.

O governador explicou por que tem de pagar e tudo isso, mas eu quero falar de outra coisa, eu vou falar porque que tem de embelezar. Tem de embelezar porque a gente vive mais feliz num lugar bonito conservado, sem sujeira na parede, mas também por outro motivo, porque isso aqui agora, quando a gente fala casa própria, é patrimônio de vocês. E isso aqui é riqueza de vocês, vocês agora têm um patrimônio. Se começou valendo 60 mil, daqui a pouco vai valer 120 e vai ser valorizado, mas para ser valorizado vocês têm de cuidar.

E aí, eu vou falar uma coisa, tem muita criança, eu vi aqui muita criança pequena. Criança pequena tem de viver num lugar que tem árvore, árvore e criança rima e combina. Acho que vocês têm de embelezar, aqui tem de ter árvore aqui. O prefeito eu tenho certeza que vai ajudar a botar uma árvore, o governador também eu tenho certeza que vai ajudar a botar uma árvore. O governador também, eu tenho certeza, que vai ajudar a botar uma árvore. Ele, o prefeito, fez um pedido para mim, dois pedidos: Eu vou fazer um pedido para o prefeito - prefeito, o meu pedido é que você, você coloque árvores aqui no residencial Juazeiro. E o outro pedido prefeito, é que o senhor também coloque creche, uma creche aqui no residencial Juazeiro. E aí eu empatei com ele. O meu é uma árvore e cresce e eu vou cuidar do dele para ver o que é possível fazer. É claro que o do prefeito é muito mais caro.

O prefeito me pediu para eu interligar o Rio Tocantins, não é, prefeito? Com o São Francisco. Acho prefeito que vai ser mais ou menos, o prefeito não tenho ideia assim do valor, mas acho prefeito que o ministro Kassab vai ter um certo problema junto com o ministro da Integração, porque vai passar isso do orçamento deles. Isso não fica menos de bilhões e bilhões de reais prefeito, não é algo trivial.

Agora, eu acho que a gente tem de olhar para o São Francisco. A primeira coisa que temos de fazer no São Francisco, a primeira coisa que a gente tem de fazer no São Francisco, é recuperar as margens do São Francisco. Porque um dos fatores também de agravamento da seca é a falta de mata ciliar na beira dos rios. Mas eu quero falar uma coisa aqui concordando com o prefeito: Nos últimos quatro anos, o nordeste passa por uma das maiores secas históricas, se a gente comparar ao longo dos 100 anos passados, esta é uma das maiores secas. E aí, eu pergunto uma coisa para vocês: no passado quando havia seca havia algumas coisas terríveis. Primeiro: as pessoas tinham problema até para se alimentar, passavam fome. Hoje não tem isso, porque que não tem? Porque tem o programa Bolsa Família.

Hoje você não vê as pessoas invadindo supermercado por que não tem o que comer, por que tem programas sociais tanto do governo federal quanto do prefeito quanto do governador, por quê? Porque nós temos certeza de uma coisa, a gente não combate seca, o que a gente faz? A gente convive com a seca, o que é conviver com a seca? É criar as condições para que, em havendo seca, as pessoas não sofram, por que nós não controlamos a seca, o homem não controla a seca, nós não conseguimos fazer chover, ainda, pode ser que no futuro a gente faça chover. Mas se a gente não controla a seca, a gente pode conviver com ela, a gente pode fazer cisterna.

Por isso, que eu cumprimentei o pessoal da Asa, que nos ajudou a fazer cisterna pelo semiárido a fora. Porque fazer 1 milhão de cisterna não foi fácil. E por que que a gente faz a cisterna? Porque é aquela história, na hora que chove a gente guarda aquela água e vai usando sempre que precisar. Por que você não consegue, você não consegue sem mecanismos de armazenar água, você não consegue conviver com a seca. E aí, nós estamos fazendo a interligação do São Francisco, e vai chegar o dia que o prefeito pediu nós vamos ter de fazer também: Ligar o rio Tocantins ao rio São Francisco fazendo obviamente uma avaliação técnica sobre isso. Mas a interligação do São Francisco, que daqui a duas semanas eu volto aqui, aqui nessa região, não é bem aqui em Juazeiro é um pouco mais para cima, eu volto aqui para a gente dá os primeiros 49 km do canal do São Francisco com a água chegando. E aí, nós temos de garantir que a água chegue a vocês.

Com tudo isso que eu falei, eu quero dizer uma coisa, eu acho que nos últimos 13 anos no governo do presidente Lula e no meu, nós fizemos uma coisa, e eu acho que isso vai distinguir o meu governo e o governo dele, que é o seguinte: Nós olhamos para a Bahia, nós olhamos para o Nordeste. Quando o prefeito diz que aqui nós estamos concluindo a 235, nós estamos concluindo a 235.

Aqui tem um IFET, não tinha um IFET, agora tem um IFET. Por que o IFET é fator importante? Porque com  IFET as crianças e os jovens estudam e se formam num curso técnico, vão ter um trabalho melhor. Quando tem um IFET a empresa olha, (Instituto Federal de Educação Técnica), a empresa olha e fala: “ó, lá em Juazeiro tem gente que tá se formando com capacidade técnica”, se eu quiser colocar minha empresa lá vai ter gente com capacidade de trabalhar e de criar o meu produto. Então o IFET é importante por isso.

Agora algo que o prefeito e o governador falaram e que é fundamental para o nosso país, é creche. Por que creche? No passado era, a gente dizia: É que as mulheres tem direito de trabalhar e ter onde deixar seus filhos. É verdade, isso é verdade para a creche, mas não é essa a verdade total, a verdade total é a seguinte: Está provado, para lá de provado, que as crianças até uma certa idade entre 0 à 3, 0 à  5 anos, elas formam as suas capacidades que vão servir para toda a vida, para o resto do estudo, para arranjar emprego, para ter uma profissão e para ganhar a vida. Hora, o que que era necessário que o estado faça? O estado tem de olhar para as crianças e garantir que uma criança que venha da classe popular tenha a mesma oportunidade de uma criança que venham de uma família rica. Porque a raiz da desigualdade começa bem cedo quando as crianças tem oportunidades diferentes. Uma boa creche, ela vai ficar estimulando a criança, garantindo que ela adquira as competências que ela vai carregar para os resto da vida.

Por isso, prefeito eu cumprimento o senhor por ter feito tantas creches, o senhor se distingue entre os outros prefeitos, o senhor pegou 18 creches e já fez 13, não é isso prefeito? Já fez 14, já chegou a 14, isso é importantíssimo.

E aliás, eu quero dizer mais uma coisa. É fundamental aqui em Juazeiro, porque Juazeiro é um polo. Juazeiro é uma cidade muito importante, vocês estão aqui e também vocês têm do lado de lá do rio, Petrolina, uma empurra a outra. E aí, aqui em Juazeiro, nós sermos capazes de pavimentar a cidade, de sanear a cidade, de garantir que tem esgoto tratado, água tratada é fundamental para que essa cidade se desenvolva.

Eu vim aqui hoje muito feliz, muito feliz, porque eu tenho certeza que uma cidade em que nós pudermos garantir que sim, que cada morador aqui de Juazeiro tenha a sua casa própria, é uma cidade que eu vou carregar para sempre no meu coração. A gente vence desafio, como vocês vencem os seus com luta, otimismo e esperança, com coragem e com determinação. Ninguém que olha para dificuldade e fica com medo dela, vence a dificuldade. A gente só vence dificuldade com coragem e determinação.

Nós sabemos que quando você começa a fazer uma coisa tem muita gente que olha e fala, não vai dar certo, ah, não vai dar certo!  Esse pessoal do não vai dar certo, nunca vai conseguir realizar o que deve ser realizado.

Quando nós fizemos o Minha Casa Minha Vida, uma porção de gente disse, não vai dar certo, e deu certo. É obvio que no início você tem uma dificuldade aqui e outra ali, mas com coragem e determinação e esperança e muita força no coração, você faz dar certo. Da mesma forma, hoje nós estamos fazendo no Brasil, nós estamos numa travessia. E nessa travessia nós vamos fazer dar certo.

O Brasil, podem ter certeza, vai voltar a crescer, vai reduzir a inflação. O Minha Casa Minha Vida 3, nós vamos lançar agora até o dia 10 de setembro e isso significa o que? Mais 3 milhões de casas, além das casas que nós já entregamos e daquelas que estão em construção, qual é a boa notícia? É que aqueles ainda que não tiveram acesso a sua casa própria vão ter, vão ter e podem ter certeza, nós aprendemos a cada, a cada momento, a cada vez, em cada fase, fazemos casa melhor, fazemos casa. Aí olhamos, olhamos, essas daqui, por exemplo, tem azulejo até metade e na cozinha e no banheiro. Nós vamos cada vez melhorando mais as casas e levando as casas para aquelas pessoas que mais precisam.

Quero falar também, que existem o Minha Casa, Minha Vida Rural, para aquelas populações que moram ainda na zona rural. É importante que essas populações também tenham acesso a casa própria.

Por fim, eu quero dizer para vocês, eu terei o máximo prazer em voltar novamente em Juazeiro para entregar mais casas para a população aqui de Juazeiro. E finalmente dou um abraço a cada uma das famílias aqui do Residencial Juazeiro. Desejo a cada uma muito sucesso, muita saúde, mas, sobretudo, eu desejo que os filhos, os filhos, os brasileirinhos e as brasileirinhas aqui desse Residencial tenham uma vida melhor do que seus pais tiveram, que seus avôs tiveram. É isso que a gente deseja sempre para as famílias, que os filhos tenham uma vida melhor que seus pais tiveram, e é para isso que o meu governo trabalha todo santo dia, para que crianças, os jovens desse país tenham uma vida melhor do que nós tivemos.

Muito obrigada e um beijo no coração.

  

Ouça a íntegra do discurso (28min37s) da presidenta Dilma.