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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de entrega de equipamentos para estradas vicinais (PAC 2) e de lançamento da Rede Brasil Rural

por Portal do Planalto publicado 13/12/2011 21h28, última modificação 04/07/2014 20h09
Rede Brasil Rural é uma ferramenta virtual que visa facilitar o contato entre as cooperativas de produtores rurais e os fornecedores de insumos, da logística de transporte e dos consumidores públicos e privados

Porto Alegre-RS, 13 de dezembro de 2011


Eu queria começar cumprimentando os agricultores familiares do Rio Grande do Sul, bem como os prefeitos dos 126 municípios gaúchos beneficiados com a entrega das máquinas retroescavadeiras. E dizer que eu estou, de fato, muito feliz de estar aqui no Rio Grande do Sul neste final do ano de 2011.

E queria iniciar as minhas saudações cumprimentando o governador Tarso Genro, o vice-governador Beto Grill, e dizer que, sem dúvida nenhuma, mudou a qualidade da relação do Rio Grande do Sul com o governo federal, com a União, e isso foi muito importante para o Brasil. Espero também que tenha sido muito importante para o Rio Grande do Sul.

Queria cumprimentar os ministros de Estado que me acompanham hoje: ministro Afonso Florence, do Desenvolvimento Agrário; o ministro Mendes Ribeiro Filho, da Agricultura; e o ministro Paulo Sérgio Passos, dos Transportes.

Queria cumprimentar o deputado Adão Villaverde, presidente da Assembleia Legislativa,

Queria cumprimentar o querido prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, com quem, recentemente, anunciei mais uma parceria, que foi a construção do metrô.

Queria cumprimentar o ex-governador Olívio Dutra, a quem eu tive a honra de integrar o seu governo, e eu, sempre que venho ao Rio Grande do Sul, fico muito feliz de ver o ex-governador Olívio Dutra.

Queria cumprimentar os deputados federais Elvino Bohn Gass, Fernando Marrone e Paulo Pimenta,

Me acompanha também nesta viagem o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte, o Dnit, o general Jorge Fraxe.

Queria também cumprimentar o diretor da Agência Nacional de Transportes, Bernardo Figueiredo,

Queria cumprimentar o senhor Paulo Tigre, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria, e, juntamente com esse cumprimento, eu cumprimento um parceiro nosso que tem também tido um grande empenho nos projetos como este da Rede Brasil Rural. Queria cumprimentar o presidente da Federação das Indústrias do estado do Rio Grande do Sul, Heitor José Müller, pela sua objetividade e pelo seu apoio para este projeto.

Cumprimentar os prefeitos José Nunes, de São Lourenço do Sul e Cleri Camilotti, de Três Passos, em nome de quem cumprimento todos os prefeitos dos 126 municípios beneficiados.

Queria também cumprimentar o senhor Enrico Fermi Torquato, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis,

O senhor Elton Weber, representante da Contag,

O senhor Romário Rosseto, representante da Via Campesina,

O senhor Roberto Balen, coordenador estadual da Federação de Trabalhadores da Agricultura Familiar - Fetraf,

O senhor Udo Tessmer, presidente da Cooperativa Mista dos Pequenos Agricultores da Região Sul,

Saúdo também os deputados estaduais e as deputadas estaduais,

Os secretários e as secretárias municipais e estaduais,

Os vereadores e as vereadoras,

Saúdo os senhores jornalistas, as senhoras jornalistas, os senhores fotógrafos e cinegrafistas,

 

Eu vim aqui ao Rio Grande do Sul para anunciar algumas coisas. Eu vou começar pela questão das 114 máquinas – as 114 retroescavadeiras – para 126 municípios, porque alguns dos municípios formaram consórcios e, portanto, mais municípios recebem uma escavadeira.

Por que este programa é importante para o Brasil? Porque, com ele, nós queremos dar mais uma contribuição para tornar cada vez mais moderna a nossa agricultura familiar. Para tornar a nossa agricultura familiar cada vez mais moderna, é importante que os senhores prefeitos estejam em condições de garantir o escoamento da produção, daí porque retroescavadeira, porque retroescavadeira significa estradas vicinais, e estradas vicinais significam o escoamento da produção rural. E aí, no nosso caso, é assegurar que a agricultura familiar tenha uma infraestrutura e uma logística adequada para aquilo que nós queremos que ela se transforme no Brasil: em uma das maiores forças produtivas, igual ao pequeno empresário rural, aliás, urbano que se beneficia hoje da própria infraestrutura da cidade.

Nós queremos um país de classe média e, para isso, nós temos de fazer com que a renda – a renda dos agricultores familiares – cresça cada vez mais. Não há conflito entre agricultura comercial, o grande agronegócio e a agricultura familiar. Pelo contrário, eu acredito que há uma interação muito positiva no quadro nacional dessas duas grandes formas de produção e também da capacidade de competição, da capacidade de eficiência que o nosso país pode ter, tanto através da adoção de modernas tecnologias, como sempre viemos adotando no agronegócio, como também melhorando e dando, cada vez mais, condições para o pequeno agricultor.

Portanto, esta obra é uma obra do PAC – faz parte do PAC 2 –, que olha também para a condição de infraestrutura dos pequenos municípios deste país. Trata-se de 114 retroescavadeiras, e essas 114 retroescavadeiras integram uma visão de obra estruturante. Nós queremos que as estradas vicinais, por menores que sejam, tenham uma qualidade e permitam o escoamento do produto.

Começamos aqui pelo Rio Grande do Sul porque acreditamos que o Rio Grande do Sul sempre teve uma imensa força no cooperativismo, no associativismo e nas formas de agricultura familiar que, infelizmente, o Brasil só foi capaz de acessar recentemente, de forma mais intensa, a partir de 2003. Por isso, começamos aqui um projeto que é nacional. Nós iremos nos outros estados também levar essa questão fundamental das retroescavadeiras.

Mas hoje, como vocês viram, se lançou também a Rede Brasil Rural, que é um outro patamar, também, dessa modernização que eu estou falando, que é uma ferramenta extremamente amigável que vai permitir que tanto os fornecedores como os agricultores tenham acesso a melhores preços, tenham acesso a melhores condições de compra, possam usufruir de uma moderna tecnologia de informação, como será essa Rede. Eu tenho certeza que, pela exposição aqui do Ministro do Desenvolvimento Agrário, ficou muito clara a importância dessa ferramenta.

E eu queria cumprimentar, mais uma vez, essa parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Fiergs, como sendo uma demonstração e um exemplo, através do presidente Müller, dessa parceria governo e iniciativa privada.

Eu queria também dizer para vocês, antes de chegar no meu anúncio final, que hoje, lá em Brasília, nós lançamos um programa muito importante também para todo o Brasil e, obviamente, para o Rio Grande do Sul, sem sombra de dúvida, que foi o programa Ciência sem Fronteiras.

Nós tínhamos, na verdade, lançado o Programa no dia 26 de julho. Cento e quarenta dias depois, o que nós fizemos foi começar a apresentar os primeiros alunos selecionados e, além disso, comunicar que nós conseguimos o que era o nosso objetivo. O governo entra com 75 mil bolsas de estudo para estudantes de graduação e de pós-graduação e doutores, nas melhores universidades do mundo, e, ao mesmo tempo, queríamos que a iniciativa privada entrasse com 25 mil. Pois bem, a iniciativa privada, mais as estatais, entraram com 26 mil, sendo que 6,5 mil, se eu não me engano, da Febraban; 6 mil da Confederação Nacional da Indústria; se eu não me engano, 4 mil da Abdib; o restante das empresas: Petrobras, Eletrobras e Vale. Várias outras empresas estão interessadas também nesse processo, mas nós atingimos a meta de... agora são 101 mil bolsas.

E, ao mesmo tempo, nós anunciamos o seguinte: nós já temos contrato, já articulado com seis países: com os Estados Unidos, o Reino Unido, a Itália, a França, o Canadá, e... eu esqueci de algum. Bom, se eu lembrar... mas tem mais um país. São seis, eu tenho certeza. São os da... ah, e a Espanha, desculpa. Com esses países nós estabelecemos várias bolsas. O governo federal vai cobrir integralmente a bolsa e, ao mesmo tempo, vai assegurar para os alunos selecionados – e esses alunos selecionados serão aqueles com nota 600, acima de 600, no Enem –, vai assegurar para eles um curso de férias aqui no Brasil, e de seis meses a oito meses de imersão nas cidades, nas regiões selecionadas por eles, seja, no caso, Alemanha, que aí serão oito meses, e nos demais vai ficar em torno de seis meses.

Ao mesmo tempo, a rede federal de universidades brasileiras vai garantir, para todos os alunos com nota acima de 600 pontos no Enem, curso de férias intensivo e na língua por ele escolhida, que ele pretenda participar do nosso exame de seleção.

O que nós conseguiremos com isso? Nós conseguiremos com isso que, na área de Ciências Exatas, Engenharia, Matemática, Química, Física, Biologia, Ciências Médicas, Tecnologia da Informação, nós tenhamos, no país, um ambiente em que esses estudantes voltem, integrem as suas universidades e permitam que nós tenhamos acesso a essa questão que é fundamental para o Brasil, que é a economia do conhecimento.

Eu tenho certeza de que nós iremos dar vários passos, nesta década, em direção a isso: a permitir que brasileiros e brasileiras se formem, se eduquem e transformem seu conhecimento em favor do crescimento do país. Nós somos um país complexo que tem de articular, ao mesmo tempo, o combate a nossa dívida histórica com a miséria, e também temos de correr para atingir a nossa dívida histórica com a geração de Ciência, Tecnologia e Inovação no nosso país.

Esse processo é um processo que o governo dá imensa ênfase e, por isso, nós estamos fazendo essa mobilização. Esses 101 mil jovens são a primeira leva de um processo que nós não queremos ver terminado. Nós precisamos disso. Por quê? Por que nós só iremos copiar? Não, porque nós queremos os nossos alunos, os nossos professores, os nossos doutores tendo condições de gerar conhecimento a partir do que existe de mais avançado no mundo.

Este Programa, ele se alicerça, na nossa visão, da importância da educação da creche à pós-graduação. Inclusive o governador Tarso foi um dos ministros do presidente Lula que ajudou a reverter um quadro terrível de abandono das universidades. Hoje, nós interiorizamos as universidades. E eu tenho o compromisso de melhorar a qualidade das universidades, porque elas têm uma relação e um vínculo fundamental com a qualidade da educação, que é o vínculo com os professores. A universidade forma o professor da educação básica, forma a professora ou o professor das creches e da pré-escola, forma o do ensino médio.

E também quero agradecer também uma outra parceria que fizemos, que foi o Pronatec, que é uma parceria com o Sistema S, através do qual, junto com as escolas profissionalizantes do país e junto com o Sistema S, nós pretendemos, até 2014, fornecer 8 milhões de vagas para o ensino profissionalizante.

Finalmente, eu queria dizer para vocês que nós temos e olhamos as cidades do país, e aqui, Porto Alegre e a região toda do Rio Grande do Sul, do Mercosul, e o fluxo de mercadorias que importam para o nosso país, através do Porto do Rio Grande. E há um gargalo claro, visível e nítido, que é a ponte, essa única ponte do Guaíba.

E aí, é sempre bom lembrar que essa primeira ponte do Guaíba, que foi inaugurada no dia 28 de dezembro de 1958, projetada por engenheiros alemães, era, na época, considerada a maior obra de engenharia do Brasil. E, 53 anos depois, eu fico muito feliz de estar aqui dizendo que o governo federal vai anunciar hoje, por meu intermédio e meu compromisso, a construção da segunda ponte do Guaíba. Agora, espero... tenho certeza que com engenheiros brasileiros, mesmo que de origem alemã.

Essa obra será uma obra pública e com custo estimado de R$ 900 milhões – estimado porque é a preço de hoje –, e vai permitir a ligação entre a capital dos gaúchos e toda a metade sul do Rio Grande. Quem mora aqui no Rio Grande sabe qual é o sufoco que mercadorias e pessoas passam para trafegar, na hora de grande congestionamento, pela ponte.

É visível que essa é uma obra estruturante, por isso ela é uma obra pública. É visível também que ela não é uma estrada alternativa só, porque tem duas pontes, mas ela será a ponte que suportará, talvez, o maior movimento, justamente porque será uma ponte muito mais moderna. Vai garantir que o imenso volume de mercadorias possa chegar ao Porto do Rio Grande e, de lá, sair para o resto do Brasil. Mas, sobretudo, ela também terá de ser uma ponte que engrandeça a capital de todos os gaúchos. E o nosso prefeito Fortunati, eu tenho certeza de que vai ficar olhando o projeto, incomodando bastante o Paulo Sérgio para que seja uma obra muito efetiva.

Eu trouxe hoje, aqui, o Ministro dos Transportes, o Diretor-Presidente [Diretor-Geral] do Dnit e também o Diretor-Geral da ANTT porque eu acho importante que os três prestem um esclarecimento para a imprensa, detalhado, de forma que a população gaúcha tenha acesso ao grau de informação sobre essa ponte.

Nós iremos fazer uma ponte de 1,9 quilômetros, em um complexo viário de 8 quilômetros, que inclui, inclusive, dentro do nosso projeto, a Avenida Dona Teodora. Para nós é uma parte de uma parceria estratégica do governo federal com o Rio Grande do Sul, com o governo Tarso e o governo Fortunati.

E queria dizer para vocês que esse antigo e importante sonho, de todos os gaúchos e gaúchas, começa, hoje, a se transformar em realidade. E acho que é justamente o fato de que nós, hoje, somos capazes de ver aqui dois eventos importantes: um, na área de agricultura familiar; outro, na área do transporte e logística. E eu contei para vocês um outro que aconteceu em Brasília, que foi o lançamento, não mais do programa, mas do edital para escolher os estudantes do Brasil: Ciência sem Fronteiras.

Isso mostra, sem dúvida nenhuma, a diferença da situação do Brasil de hoje para o Brasil de antes. Antes, o mundo prosperava e nós estávamos estagnados. Hoje, vários países desenvolvidos estão estagnados, e nós temos um só desafio: nós não temos de parar, nós temos de avançar, continuar consumindo, continuar produzindo.

E eu asseguro a vocês que 2012 será um ano muito melhor que 2011. E por que vai ser melhor? Porque todos os nossos grandes projetos amadureceram e estarão em ritmo de cruzeiro, em 2012. Além disso, a nossa situação de estabilidade macroeconômica e robustez fiscal vai permitir que a nossa política monetária continue sendo uma política monetária muito favorável ao país. A nossa situação do crédito também é uma situação extremamente vantajosa.

Nós somos um país que é capaz de enfrentar o pior cenário, não só porque nós temos os US$ 353 bilhões de reserva. Não é só por isso não, mas porque nós temos um enorme bolsão de liquidez depositado no Banco Central pelos bancos, porque, no Brasil, é obrigatório: para um banco emprestar, ele tem de deixar uma parte do dinheiro dentro do Banco Central. Hoje, isso monta a US$ 450 bilhões. Portanto, nós não teremos nenhum problema com crédito no Brasil.

Nós temos também bancos públicos extremamente atuantes. Temos bancos privados sólidos. Temos uma indústria que sabe que o Brasil, hoje, no mundo, é tido e havido como um dos países com maior oportunidade. Por isso, neste momento que nós estamos aqui propondo um investimento de R$ 900 milhões em uma obra, como é a obra da ponte do Guaíba, nós sabemos que o nosso país mudou de patamar, e nós não mais somos aquele país que, no passado, ia e corria atrás do Fundo Monetário.

Hoje, não é soberba, mas o Fundo Monetário consulta o Brasil a respeito de empréstimo. Acho que isso se dá não só pelo que temos de dinheiro, mas, sobretudo, porque sabem que nós temos uma política de qualidade no Brasil.

E, finalmente, eu quero dizer para vocês: este país é capaz, sim, de enfrentar esse leque de desafios – do combate à miséria extrema, a garantir que nossos os jovens – homens e mulheres – cheguem à tecnologia, à ciência e sejam capazes de inovar aqui no Brasil porque terão acesso ao que há de mais avançado. E nós sabemos a criatividade do nosso povo, a capacidade do nosso povo de inventar e de criar.

Por isso, eu fico muito feliz de estar aqui, e desejo para vocês um Natal e um próspero Ano Novo. Na parte do próspero Ano Novo, eu conto com vocês para transformá-lo no mais próspero possível.

Obrigada!

Ouça a íntegra do discurso (27min17s) da presidenta Dilma