Você está aqui: Página Inicial > Mandatos de Dilma Rousseff (2011-2015 e 2015-2016) > Discursos > Discursos da Presidenta > Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de entrega de 998 unidades habitacionais dos Residenciais Zé Keti e Ismael Silva do programa Minha Casa Minha Vida - Rio de Janeiro/RJ

Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de entrega de 998 unidades habitacionais dos Residenciais Zé Keti e Ismael Silva do programa Minha Casa Minha Vida - Rio de Janeiro/RJ

por Portal Planalto publicado 30/06/2014 20h14, última modificação 30/06/2014 20h16

Rio de Janeiro-RJ, 30 de junho de 2014

 

 

Boa tarde e noite para todas as senhoras e senhores aqui presentes. Um abraço para todas vocês, mulheres do Minha Casa, Minha Vida, homens do Minha Casa, Minha Vida e crianças do Minha Casa, Minha Vida.

Eu quero cumprimentar, primeiro, a Tânia Maria, cuja casa visitei. E ela é avó da Sofia, a Sofia que tem um ano e meio, mas parece que tem quatro, de tão viva que a Sofia é. A Joseline Maria, o Darci Nunes, a Verônica de Melo, a Regina Célia e a Bárbara Leite, todas elas receberam aqui as chaves no palco. Mas queria poder cumprimentar cada uma e cada um dos moradores aqui desse complexo residencial Zé Kéti e Ismael Silva, do Residencial Zé Keti e do Residencial Ismael Silva.

Queria agradecer também ao governador Pezão, o governador Pezão, Luiz Fernando Pezão, pela parceria, é importante a gente ter parceiros. Vocês todos sabem que ninguém sozinho, sozinho, consegue nada, é preciso a gente ter parceiro, ter time, senão você não ganha, senão você não consegue realizar, senão você não defende aqueles que você quer defender e  eu tenho um time. Eu tive, aqui no Rio, a parceria do Pezão, a parceria também do prefeito Eduardo Paes. Esses dois representam o que nós conseguimos de melhor aqui no Rio de Janeiro. Nós três herdamos uma parceria que foi iniciada lá atrás, entre o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula e demos continuidade e avançamos na nossa parceria.

E hoje estamos aqui nessa cerimônia que uma única palavra sintetiza: ela é comovente para mim, extremamente comovente, até pelo lugar onde, ao invés de celas que prendem homens, nós construímos casas, moradias que libertam as pessoas, que transformam seus sonhos em realidade, que criam laços afetivos, que permitem que os homens e as mulheres sejam felizes.

Eu também quero cumprimentar o meu ministro das cidades, Gilberto Occhi, responsável pelo programa Minha Casa, Minha Vida junto com o presidente, banqueiro da Caixa Econômica Federal. O Pezão disse que ele é banqueiro, ele é um banqueiro especial, é banqueiro de um banco público, um banco do Estado brasileiro, a Caixa Econômica Federal. Agora, gente, ele cobra, ele também cobra, mas ele cobra dando condições para as pessoas pagarem.

Queria cumprimentar os deputados federais aqui presentes. Cumprimentar Edson Santos, o Hugo Leal, o Luiz Sérgio, o Pedro Paulo, o Rogerio Belém e o Simão Sessim.

Cumprimentar também os deputados estaduais: o Felipe Peixotto, o Rafael Picciani e o Roberto Dinamite.

Queria cumprimentar o Jorge Hereda mais uma vez,

Cumprimentar o Adilson, vice-prefeito aqui do Rio,

Cumprimentar o José Geraldo Machado, secretário de Habitação,

Cumprimentar o Hudson Braga, secretário de Obras,

O Pierre Batista, secretário municipal de Habitação.

Queria cumprimentar dois prefeitos e também agradecer a eles pela parceira: o de prefeito de Queimados, Max Lemos; e o prefeito de Friburgo, Rogério Cabral.

Cumprimentar os vereadores Marcelino D’Almeida e Thiago Ribeiro.

Cumprimentar os trabalhadores que construíram esses conjuntos habitacionais que são, antes de tudo, lares para as famílias.

Cumprimentar os empresários. O Régis Pinheiros Campos, presidente da Emccamp.

Queria agradecer e cumprimentar a todos os presentes,

E aos senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Olha, gente, é uma emoção muito grande estar aqui. E eu acho que tem três razões fundamentais para que essa cerimônia aqui no Residencial Zé Keti e no Residencial Ismael Silva sejam importantes. A primeira, são 998 famílias, e é uma coisa que nós precisamos reconhecer. Uma das coisas mais importantes que o nosso país tem é justamente as famílias que representam a proteção, o acolhimento, e a criação das crianças e dos jovens deste país. Nós sabemos que muitas vezes, as mulheres hoje são chefes de família. Por isso é importante assinalar que para nós há uma prioridade dada às mulheres, porque a mulher representa a criação dos filhos. Quando for o homem, que for o representante da criação dos filhos, será ele, mas, na grande maioria das vezes, a titularidade, ou seja, em nome de quem fica o imóvel, é em nome da mulher, pelo fato de ela representar a família. E uma coisa importante no Minha Casa, Minha Vida, é que é feito para as famílias, para as pessoas que mais precisam, para aquelas que nunca tinham conseguido a sua casa própria.

A segunda questão, eu já falei, mas eu vou ampliar: aqui era um presídio, aqui as pessoas eram presas. Há 200 anos isso acontecia aqui. Muitos presos passaram por aqui, inclusive presos políticos, por exemplo: um grande escritor brasileiro, Graciliano Ramos, esteve preso aqui no complexo Frei Caneca; um líder como Luís Carlos Prestes e sua mulher, Olga Benário, que foi morta depois, pelo Hitler, pelos nazistas. Então, aqui era um lugar onde a privação da liberdade era regra. E hoje eu cumprimento o governador Pezão, o ex-governador Sérgio Cabral, cumprimento o nosso prefeito trabalhador, porque vocês têm um prefeito trabalhador, o nosso prefeito trabalhador Eduardo Paes, por ter transformado um lugar que era presídio num lugar de alegria, de moradia de famílias, de criação de crianças e de oportunidade para todos vocês.

A terceira questão é uma homenagem que nós estamos fazendo ao Zé Keti e ao Ismael Silva, dois grandes sambistas brasileiros, dois grandes sambistas, duas pessoas que falaram para a alma e para o coração dos brasileiros. E ao falarem para a alma e para o coração dos brasileiros, deram voz ao povo brasileiro e aqui também nós fazemos hoje uma homenagem a eles.

E por uma quarta razão: é muito importante a participação do governador e do prefeito. Por quê? Porque aqui é uma região central, é uma região ultravalorizada. Então, é extremamente importante esse ato de transformar esta área, que tem imenso valor imobiliário, numa área para a população brasileira que, para nós, tem imenso valor. Para nós, a população que aqui vai morar é uma população extremamente valorosa. Primeiro, porque é população lutadora: muitos aqui perderam suas casas nas enchentes, nos desastres naturais; outros jamais, nem seus pais, nem seus avós tiveram casa própria; outras moravam de favor com os parentes; outras pagavam aluguel que não cabia no bolso direito. Então, por essas razões eu digo: mesmo considerando o valor imobiliário que aqui seria obtido, tem mais valor para nós a moradia de 998 famílias, tem mais valor.

Eu acho que o Minha Casa, Minha Vida foi um programa que tem um sentido. Antes de tudo, eu acho que aqui é um recomeço para muitas famílias, é um momento em que vocês podem olhar o futuro e lembrar o seguinte: agora vocês têm uma moradia. Na hora que vocês botarem a chave na fechadura, virarem a chave, abrir a porta e entrar, é isso que vocês têm, vocês têm um lar a ser construído. E quando a gente tem um lar, a gente também vai ter um futuro melhor, vai ter mais oportunidades, vai cuidar melhor das crianças, vai dar educação melhor para as crianças. E aqui vocês vão ter essas, todas essas garantias. Aqui vai ter escola, aqui vai ter creche, aqui vai ter todos os equipamentos sociais e, na verdade, vocês estão perto de tudo, é um lugar que fica, na verdade, no centro do Rio de Janeiro, no coração do Rio de Janeiro. Por isso, é um recomeço e é também caminho para o futuro.

Além disso, eu queria dizer para vocês, quando estava chegando, eu fui chamada ali por um conjunto de pessoas que ainda não tiveram acesso à sua casa própria. Então, eu queria dizer para eles o seguinte: nós, até o final do ano, vamos ter contratado os 3,750 milhões de casas no Brasil todo que a gente tinha combinado e compromissado - e palavra comprometida é palavra realizada - que nós íamos fazer.

Mas a gente sabe que ainda tem muita gente que precisa da casa própria. Por isso eu quero dizer para vocês, inclusive, me ajudarem e transmitirem para essas pessoas, que o programa Minha Casa, Minha Vida, ele continua. E eu estou falando isso porque se a gente não lançar o programa agora, os empresários, todos os prefeitos e todo mundo não se prepara para continuidade dele. Nós vamos lançar, sim. Nós vamos fazer uma grande cerimônia, ligando vários estados, inclusive aqui no Rio de Janeiro e vamos lançar um número maior de casas. Será maior que os 2,750 milhões do meu governo. O Lula tinha feito, porque nós começamos a fazer em 2009. Mas não teve tempo, então no governo Lula só fizemos um milhão. Agora fizemos 2,750 milhões. A boa notícia é que com o Lula e comigo, nós aprendemos no processo. Hoje o programa está em pé. E, além disso, como eu disse no início, nós temos alguns parceiros excepcionais. E aqui no Rio de Janeiro, eu tive parceiros excepcionais. Eles entraram com uma coisa que é muito vantajosa: com o imóvel. Eles entraram com o complexo penitenciário Frei Caneca derrubado e colocaram esse complexo à disposição da Caixa Econômica e dos empresários, para que a gente pudesse construir aqui essas moradias. Então, parceira é algo que todos vocês sabem como é importante.

Nós estamos em plena Copa do Mundo. E aqui, na Copa d Mundo, apesar de uma porção de gente azarar, porque teve gente azarando, teve gente dizendo que não ia ter Copa, teve gente dizendo que se tivesse Copa seria um caos, teve gente que falou o seguinte: “Por que vocês não devolvem a Copa para a Fifa?” Parlamentares, senador falou isso. Vejam vocês que muita gente azarou essa Copa. Mas nós éramos um time, um time espalhado pelo Brasil. Nós conseguimos construir os estádios, os aeroportos, aqui vocês têm uma prova de uma obra fantástica que... eu já vou falar no BRT Transcarioca. Você não estava presente, eu já te citei hoje. Sabe por que eu cito ele? Porque ele inaugurou, nós inauguramos, há umas quatro semanas atrás, para mais, o BRT Transcarioca. E, gente, eu vou falar para vocês: eu nunca vi uma obra tão bem feita, tão bem cuidada. E vou contar para vocês uma coisa: antes da inauguração, consta que de noite, tarde da noite, tipo uma hora da manhã, ele andou os 39 quilômetros do BRT para ver se tudo estava dentro dos conformes. Então, eu sempre cito o BRT, porque esse BRT é um orgulho, sai lá do aeroporto, passa por vários, mas vários subúrbios cariocas que antes não eram vistos e, agora, o BRT coloca no centro das coisas e faz com que uma pessoa que trabalha em Madureira, não é? Possa ter um emprego perto do aeroporto, possa ter um emprego também na Barra. Isso facilita a vida de todo mundo. Além disso, tem todas as conexões com o metrô, tem todas as conexões com o metrô. Com o trem da baixada também. Você vê que eles estão sabendo muito. A força da parceria é essa. Quando as pessoas que pegam junto, a gente realiza. E quando as pessoas que pegam junto pensam parecido, aí que realiza mais fácil.

E eu quero aqui dar meu testemunho. Nós conseguimos muitas coisas aqui no Rio de Janeiro. Eu, inclusive, sinto não ter um clone, se eu tivesse um clone, quarta-feira eu ia lá inaugurar o Morro da Providência, mas eu ia, mas não posso, não tenho clone. Eu tenho de estar em outro estado da Federação. Ou ia, sexta-feira, lá em Friburgo, queria muito ir em Friburgo, porque eu assisti a luta do Pezão em Friburgo, eu assisti a luta durante todo o processo. Aliás, eu conversei várias vezes com o Pezão, ele ia para uma padaria, porque tinha caído todos os telefones, eu falava com o Pezão, ele na padaria e eu lá no Palácio do Planalto, para tomar providência para socorrer as pessoas, porque no início de um desastre o que você tem de fazer é salvar vida. E agora estamos aqui, lá em Friburgo, inaugurando um conjunto habitacional e eu lamento não ir. Lamento, porque eu gostaria, eu vi o problema, queria ver a solução.

Finalmente, eu quero dizer para vocês, eu quero dizer para vocês o seguinte: essa casa, essa casa é de vocês, ela representará para vocês, não devem nada a ninguém. Por que vocês não devem nada a ninguém? Porque ela é fruto de uma decisão de usar os impostos pagos por todos os brasileiros para construir esta casa. A decisão é a decisão de governo - governo federal, governo estadual e governo municipal - comprometido com uma visão de como se deve governar o Brasil, o estado do Rio e a cidade do Rio de Janeiro: dando oportunidades, gastando dinheiro do Orçamento para beneficiar a vida de milhões de brasileiros e não para beneficiar a vida de uns poucos, com era no passado. Eu acredito piamente numa coisa, eu acredito que... O Pezão, o Pezão citou o Zé Keti sobre “a voz do povo agora será ouvida”. E eu vou citar uma música do Ismael, o final de uma música do Ismael que é “Alegria”, em que ele disse: “Foi-se a Tristeza, veio a alegria. Eu tinha certeza que um dia eu seria feliz”. E eu acho que é isso que está acontecendo hoje. Vocês têm certeza que chegou o dia de ser feliz.

Um beijo no coração de cada um e de cada uma.

 

Ouça a íntegra (21min33s) do discurso da Presidenta Dilma Rousseff