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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de entrega de 520 unidades habitacionais no Residencial Campinas Sirius

por Portal do Planalto publicado 29/08/2013 16h05, última modificação 04/07/2014 20h18

 

Campinas-SP, 29 de agosto de 2013

 

Eu quero dirigir um cumprimento especial à senhora Expedita Maria da Conceição, e em nome da Expedita, eu vou saudar todos os beneficiários do Programa Minha Casa, Minha Vida aqui do conjunto habitacional Sirius.

Cumprimentar o prefeito Jonas Donizette Ferreira, prefeito de Campinas e a senhora Sandra Ferreira.

Queria cumprimentar aqui os ministros de Estado que me acompanham hoje nessa visita a Campinas: o ministro Aguinaldo Ribeiro, das Cidades; Aloizio Mercadante, da Educação; Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – se você quiser eu te dou meu copo.

Queria cumprimentar o deputado federal Arlindo Chinaglia.

Queria cumprimentar os deputados e deputadas estaduais: Ana Perugini, Antonio Mentor, Edinho Silva, Francisco Tito, Gerson Bittencourt.

Cumprimentar o vice-prefeito de Campinas, Henrique Magalhães Teixeira.

Cumprimentar o presidente da Câmara dos Vereadores de Campinas, Campos Filho.

Cumprimentar o senhor Jorge Hereda, presidente da Caixa Econômica Federal.

Cumprimentar a senhora Luiza Helena Trajano Inácio, vice-presidente do Instituto de Desenvolvimento do Varejo.

Queria cumprimentar o presidente da construtora PDG, Carlos Augusto Varejo.

Queria cumprimentar os jornalistas, as senhoras jornalistas, os fotógrafos presentes e os cinegrafistas.

Senhoras e senhores,

Eu quero começar contando uma história para vocês de uma mulher que estudou somente até a 5ª série ginasial, aliás, a 5ª série do curso fundamental, porque vivia na roça com mais nove irmãos e não teve condições de continuar estudando. Mas essa mulher, eu vou tratar dela na próxima cerimônia que eu vou participar aqui em Campinas, que é a formação do Bolsa Família. O que é a formação do Bolsa Família? Quando a gente dá o Bolsa Família, nós estamos permitindo que as pessoas sobrevivam. Quando a gente dá o Bolsa Família, nós temos de dar também condições para as pessoas mudarem de vida. Mudar de vida, você muda de várias formas. Primeiro, estudando. Então, eu vim aqui para fazer dois atos para as pessoas mudarem de vida, dois atos. Primeiro, a casa própria; e segundo, o curso profissionalizante para a pessoa ter a carteira assinada e poder conseguir um emprego.

Então, eu estou feliz, bastante feliz, porque hoje aqui em Campinas é minha primeira visita como presidente. E como presidente eu venho fazer dois atos que são essenciais para mudar a vida das pessoas: casa própria de um lado, formação profissional de outro lado. Que é isso? Isso significa dar para as pessoas um caminho para elas poderem melhorar a vida. Aqui eu estou no conjunto habitacional Sirius. Esse é um conjunto muito importante. Nós vamos entregar aqui nesse residencial 2.620 casas que o governo federal, através da Caixa Econômica Federal, vai entregar esses móveis. Hoje, nós estamos entregando 1060, 1060 moradias que são na verdade, não são construção, porque uma casa pode ser de material, pode ter azulejo, ferro, aço, alumínio, mas uma casa não é isso. Uma casa é onde a gente cria os filhos, onde a gente mora com a família, onde a gente recebe os amigos, onde a gente cria os laços afetivos que qualquer ser humano quer carregar ao longo da sua vida. Então, essa casa, essas casas desses imóveis fazem parte de um projeto que é um olhar diferente sobre as pessoas. Um belo dia esse país parou, fez um investimento, há muitos anos atrás, no BNH. O BNH construiu 500 mil casas, nós, depois de anos e anos sem ter um único investimento na área da habitação popular, nós voltamos a investir. E aí é que entra a questão. Mas o que nós estamos fazendo aqui? O que nós fizemos com esse programa Minha Casa, Minha Vida? Nós fizemos uma coisa que foi importantíssima para as pessoas. Veja bem, se a pessoa ganha até R$ 1.600 e a moradia custa, no mínimo, R$ 50 mil, como é que ela compra? Como é que ela consegue comprar uma moradia, um apartamento, uma casa, se ela ganha R$ 1.600 e ela custa R$ 50 mil? Não tem jeito. Aí entra quem? Entra o governo federal. O que governo federal fez? O governo federal colocou o dinheiro que arrecadou dos impostos... onde ele colocou? Na construção dessas casas. Por que é prestação entre R$ 25 ou R$ 80? Porque nós pagamos o resto. É por isso que custa entre R$ 25 e R$ 80. Porque até R$ 1.600 nós pagamos o resto.

Aqui em Campinas, em todos os estados da federação, em cada um dos municípios que tem Minha Casa, Minha Vida, nós tratamos os moradores que recebem o Minha Casa, Minha Vida da mesma forma. Esse programa é um programa para o Brasil inteiro. Qual é a grande característica aqui de Campinas? É que Campinas tem tido, ao longo dos anos, um ótimo desempenho no Minha Casa, Minha Vida, um ótimo desempenho. Nós temos visto, não só aqui na cidade de Campinas, mas aqui estão os prefeitos da região metropolitana de Campinas, nós temos tido um desempenho bastante bom. Mas a gente fica contente com isso? Não, a gente não pode ficar contente, não. Nós queremos avançar. E é bom que você saiba que ainda tem quase 900 mil moradias ainda para ser contratadas pelo Brasil a fora. E é óbvio que a hora que a gente concluir essa fase que é de 2,75 milhões de moradias, nós vamos continuar construindo mais casas populares, porque o déficit habitacional do Brasil é muito grande. Nós só não conseguimos construir todas de uma vez. Posso até contar um caso para vocês. Eu sou mineira e mineira conta caso, então, eu vou contar um caso: quando nós começamos a fazer esse programa, lá atrás, eu chamei o presidente Lula me pediu que eu dirigisse esse programa, e eu fui dirigir o programa. Aí chamamos os empresários, e eu falei para os empresários: “vem cá – todos os empresários da construção civil – vem cá, quantas casa vocês acham que dá para fazer?” A primeira vez me falaram 200 mil. Eu falei: “assim não dá. 200 mil não dá, o déficit é muito grande”. “Então, quem sabe, 500 mil?”. Aí nós fomos chegando, fomos chegando e, hoje, nós estamos construindo 3 milhões e 750 mil casas. É isso que nós estamos construindo.

Eu sei... Nós já entregamos, até agora, 1 milhão e 300 mil moradias. Essas famílias que receberam essas moradias, elas moravam precariamente, elas viviam de favor, muitas vezes nos fundos de uma outra casa, casa de parente, casa de amigo ou pagavam aluguel e pagavam aluguel a preços incompatíveis com a sua renda, ou viviam em habitações precárias, em locais muito difíceis, em submoradias, até.

Por isso, eu estou muito feliz, porque eu entro lá nos apartamentos para olhar o quê? Eu olho o chão, eu olho se o chão está coberto. A moça ali me perguntou, porque antes não se cobria o chão. A primeira fase, a primeira fase não se cobria o chão, agora que se começou a cobrir. Nós decidimos várias coisas, melhorias, porque você vai aprendendo. Agora é obrigado – é bom vocês saberem o que é obrigado a fazer: por exemplo, o chão tem de estar coberto, ou por madeira ou cerâmica, e a área social também. Se o seu não estava, ele terá de estar. Não é possível fazer 1 milhão ao mesmo tempo, então será feito, eu garanto a vocês que será feito, a Caixa tem obrigação de fazer. As novas todas já saem assim. E eu quero avisar que tem mais novas do que velhas, velhas são aquelas da primeira fase. Quem ganhou primeiro tem a vantagem de ter ganhado primeiro, agora espera um pouquinho, vão cobrir o chão direitinho. Pode deixar que essa é uma questão minha.

Além disso, nós olhamos, agora, o tamanho das janelas, aumentamos as portas, porque tem pessoas deficientes e tem cadeirantes. Esses cadeirantes precisam de ter uma abertura maior nas portas para entrar nessas portas. E isso é fundamental, porque nós somos um país que respeita o deficiente e tem de ter com ele uma relação de dignidade.

E agora também eu quero dizer uma coisa para vocês: esse programa, esse programa é um programa muito importante. Ele foi feito com essa parceria e com essa visão de que o povo brasileiro não tinha condições, uma parte deles, não tinha condições de ter, de ter uma casa própria, se o governo federal não ajudar, e é dever do governo federal ajudar.

Além disso, as outras, são três faixas: tem essa faixa primeira, que é até R$ 1.600,00; tem uma outra faixa, que é entre R$ 1.600 e R$ 3.200; e tem uma terceira, que vai até R$ 5.000, são três faixas. Todas essas faixas têm uma forma de pagamento, cada vez o pagamento aumenta de acordo com a renda. É altamente democrático o Programa Minha Casa, Minha Vida. Todos os eventuais problemas que ele tenha a Caixa está pronta para resolver. Tem até um 0800, não é, presidente da Caixa? Tem um 0800 – ele desceu ali para responder perguntas. O 0800 responde às reclamações de todos os usuários do Minha Casa, Minha Vida.

Agora, eu quero contar para vocês um outro programa, o Minha Casa Melhor. O Minha Casa Melhor, ele é programa que é um cartão que, quem teve acesso ao Minha Casa, Minha Vida, tem direito. Esse cartão é um cartão de crédito até R$ 5.000. Nesse cartão de crédito até R$ 5.000 nós elencamos o que pode ser comprado. Aqui está a Vanessa Evangelista, que recebeu a chave, ela pegou o financiamento do Minha Casa Melhor, comprou um jogo de sofá, mesa de jantar e armário, e cama, e um computador. Cada um... Por que eu dei o exemplo da Vanessa? Porque você tem R$ 5.000, você pode comprar uma lista de móveis e uma lista de eletrodomésticos, que dá um total de R$ 5.000. De onde surgiu os R$ 5.000? Surgiu de uma negociação que nós fizemos com as lojas de varejo do Brasil. Nós chamamos as grandes lojas do varejo, através do IDVB, está aqui Luiza Trajano, do Magazine Luiza.

As lojas do varejo foram extremamente, extremamente corretas, todas elas. Todas elas se dispuseram a participar desse programa. Por quê? Porque o varejo sabe que o consumo é fundamental para o Brasil, é fundamental para o conforto das pessoas, porque quem tem uma casa nova quer móveis e eletrodomésticos novos, mas também é fundamental porque gera emprego, gera demanda para a indústria, gera investimento. Então nós chamamos o IDV... o IDVB, né, ministro? O IDV, o Instituto de Desenvolvimento do Varejo. Eu pensava que era do varejo brasileiro. Está bom, mas é Instituto de Desenvolvimento do Varejo. Chamamos eles e fizemos uma negociação. Os imóveis... os móveis são esses e os eletrodomésticos são esses.

Eu sou, como vocês... hoje eu não sou dona de casa porque eu sou presidente, mas eu fui dona de casa até pouco tempo atrás. Quero dizer para vocês que, como qualquer dona de casa, vocês têm de fazer o seguinte: vocês têm de olhar os preços nas lojas. E olhar o preço, ver qual é o melhor e comprar o que é melhor. Isso é fundamental. Agora, não vai ter todos os produtos, não. Tem aquilo... porque nós não podemos achar que pode ir além de R$ 5 mil. Nós estamos fazendo com R$ 5 mil para dar para o maior número de pessoas. É isso que nós queremos, que cada um do Minha Casa Minha Vida tenha direito a um cartão do Minha Casa Melhor.

E aí, por que é que nós estamos fazendo isso? Eu pergunto para vocês. Eu volto àquele começo que eu disse que eu vim aqui por duas coisas muito boas. Uma coisa é a casa própria e a outra coisa é a formação profissional. Eu volto para esse começo para dizer o seguinte. Tem duas formas do Brasil se livrar da pobreza, e aí eu falo em geral, duas formas. Uma delas, para os adultos, é emprego. Para os jovens e para os adultos é emprego, e emprego no Brasil precisa ser de qualidade, precisa ter formação profissional. A outra forma de se livrar da pobreza é educação, a educação. Então nós temos esse caminho. Agora, ao mesmo tempo que tem essas duas formas, tem uma coisa que todo mundo quer. Se você perguntar para qualquer pessoa neste país “qual é a coisa mais importante para você?” É a minha casa. Entre todos os bens é a minha casa. Eu quero a minha casa. Agora, como a gente é humano, depois que a gente quer a casa, a gente quer melhorar um pouco. Aí você já não quer só a casa. Você está querendo melhorar a sua geladeira. As mulheres não estão querendo mais o “diabo” do tanquinho, porque o tanquinho implica que a gente lave, fique esfregando. Então querem uma máquina de lavar, direita. E isso, gente, é o que faz o mundo mover, o que faz a gente crescer e é justo que vocês queiram. Por isso que nós fizemos o Minha Casa Melhor, para juntar todas essas coisas.

Se houver algum problema com vocês, se vocês acharem que é bom que tenha mais outro produto, o pessoal da Caixa abriu uma linha só para escutar sugestão. Eu já escutei duas, duas, por onde eu tenho andado já me falaram duas coisas. Um pessoal, lá em Minas Gerais, falou para mim: “Presidenta, faz o seguinte: bota não só a cama e o colchão, a mesa e as cadeiras, o armário, o armário do quarto e as camas, bota também o armário de cozinha”. Nós vamos fazer uma revisão e, se der certo na discussão com o varejo, nós vamos botar armário de cozinha.

Em outro lugar já falaram assim para mim: “Ah, mas além disso, lá no eletrodoméstico, além do fogão, da máquina de lavar, da geladeira, do computador, o outro eu esqueci, me ajuda aí o pessoal...” Bom, os universitários aqui não estão funcionando... Eles estão pedindo microondas também. Então, nós vamos olhar, no balanço, no balanço nós vamos olhar esses dois. Para vocês entenderem como a coisa funciona: nós começamos com isso, agora pediram mais duas coisas, a gente vai avaliar, é assim que funciona, porque nós vivemos numa democracia. Conversando e discutindo, e escutando o povo, a gente se entende e resolve os problemas.

Então, eu quero dizer para vocês que eu estou muito feliz aqui. Estou muito feliz porque eu estou aqui com casa nova, casa nova no Residencial Sirius, a estrela mais brilhante do nosso firmamento. E estou aqui também comemorando R$ 1 bilhão, R$ 1 bilhão já atingiu o Minhas Casa Melhor, R$ 1 bilhão. Nós lançamos o Minha Casa Melhor em junho, metade de junho. Passou metade de junho, julho, e estamos chegando no fim de agosto, 2 meses e meio, já chegamos a R$ 1 bilhão.

Então, eu sei que vai ser um programa bem-sucedido, vamos escutar as sugestões de cada um e de cada uma, e vamos garantir que as pessoas... porque é isso que o governo tem de fazer: garantir que o povo deste país tenha uma vida melhor. Casa Melhor e Minha Casa, Minha Vida significa vida melhor.

Um beijo no coração de cada uma e de cada um.

 

Ouça a íntegra (21min48s) do discurso da Presidenta Dilma