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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de entrega de 32 máquinas a municípios do estado do Pará

por Portal Planalto publicado 25/04/2014 19h47, última modificação 04/07/2014 20h22

Belém-PA, 25 de abril de 2014

 

Boa tarde, muito boa tarde a todos vocês aqui hoje.

Vocês vejam como é que é a vida. Eu nunca acho uma Dilma, e hoje uma Dilma fala e a outra Dilma depois fala.

Então eu queria começar – o vice-governador vai me permitir – cumprimentando a Dilma Serrão, prefeita de Belterra. E, ao cumprimentar a Dilma Serrão, eu cumprimento cada um dos prefeitos, dos prefeitos aqui presentes, 30 prefeitos aqui presentes e todos os prefeitos que receberam as máquinas do programa Mais Máquinas.

Cumprimento o senhor Helenilson Pontes, vice-governador do Pará.

Cumprimento dois ex-governadores do Pará. Muito orgulho que os dois estejam aqui no palanque, são dois senadores. Senador Jader Barbalho e a senhora Ana Júlia Carepa.

Cumprimento também os ministros de Estado que vieram comigo hoje: o Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário; o ministro dos Transportes, César Borges; o ministro da Educação, Henrique Paim; o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann; o ministro da Secretaria de Portos, Antônio Henrique.

Cumprimento os deputados federais: Beto Faro, Cláudio Puty, Elcione Barbalho, Lúcio Vale, Miriquinho Batista e Zé Geraldo.

Cumprimento também o senhor Elias Santiago, presidente da Federação das Associações de Municípios do Pará.

O Carlos Augusto Santos Silva, representante da Fetraf.

Cumprimento os senhores jornalistas, os senhores fotógrafos e os senhores cinegrafistas.

 

Ok, tá bom, tá bom, tá bom. Eu queria dizer para vocês... primeiro eu vou responder, me permitam, me permitam responder aqui a esse cartaz sobre a saúde. Eu vou responder a vocês. Porque houve... eu sei que um hospital privado aqui foi paralisado e está fechado, apesar de estar pronto. O governo federal soube disso e procurou ajudar a prefeitura, e agora, como essa ajuda à prefeitura ficava mais difícil, eu acertei hoje com o governador que o governador coloque esse hospital no investimento que nós estamos liberando para ele, e, portanto, nós iremos passar para o governo do estado o dinheiro para esse hospital ser reaberto. Nós consideramos isso muito importante. Essa é uma questão que vem sendo colocada durante muito tempo e nós hoje nos dispomos a investir nesse hospital através do estado.

Agora eu queria falar para os prefeitos, não só para os prefeitos. Queria falar aqui para os vereadores que estão presentes aqui, para os secretários das prefeituras que estão aqui. Por que eu quero falar para eles? Porque eu concordo com o ministro Rossetto. O início do Brasil e o fim do Brasil e o meio do Brasil são os municípios, porque não existe, de fato... nem é União, nem é um estado, um estado fisicamente. Existem, fisicamente, os municípios, as cidades e as zonas rurais.

Daí por que a gente olhou e viu que os municípios do país, aqueles que mais precisavam, são aqueles menores. Aliás, dos 50.061 municípios até 50 mil habitantes que existe neste nosso país, a grande maioria tem até 50 mil habitantes, e foi para esses municípios que nós desenhamos esse programa que eu chamo de Mais Máquinas. Por quê? Porque eu sei perfeitamente, eu tenho entregado pelo Brasil afora essas máquinas. Inclusive já estive entregando aqui.

O que é que eu escuto dos prefeitos? Os prefeitos falam para mim: “Ah, Presidenta, olha, eu tinha uma máquina muito velha, que só dava oficina.” Ou então diz para mim: “Olha, Presidenta, eu não tinha nenhuma máquina, nenhuma máquina no meu município, principalmente retroescavadeira ou motoniveladora.” E agora, em alguns municípios se tinha caminhões- caçamba. Até me disseram, viu, Ana Júlia, que foram do seu governo, aqui hoje me falaram isso.

Então nós fizemos um programa, que é o programa do kit de máquinas, que eu chamo de Mais Máquinas. Esse programa tem por objetivo doar as máquinas para as prefeituras. Por quê? Porque nós acreditamos que as prefeituras têm de ter maior autonomia. Elas têm de ter instrumentos novos para poder beneficiar a população que mora nos municípios.

Nós estávamos olhando hoje e, segundo o IBGE, nos 109 municípios beneficiados pelo programa Mais Máquinas, vivem 2,4 milhões de pessoas, tanto na zona rural como na zona urbana do município. Então é para beneficiar essa população que nós fizemos esse programa de doação de máquinas. Se o município fosse comprar essas máquinas, fosse comprá-las no mercado, pagaria 1 milhão de reais pelo kit das três. Por isso é muito importante essa doação, e por que isso? Porque a gente acredita que é muito, mas muito estratégico para o país que nós tenhamos essa quantidade de máquinas distribuídas em todo o Brasil.

E aí eu quero dizer para vocês: essas máquinas não beneficiam só a vocês. Beneficiam também indústrias brasileiras que as produzem. Indústrias, porque esse programa compra máquinas de indústrias nacionais. É um programa de compras que se baseia no fato de que a gente compra com o dinheiro público, mas beneficia emprego e renda para o povo brasileiro.

E aí o total de máquinas que nós vamos entregar é 18 mil máquinas, não é pouco. É muito expressiva a quantidade de máquinas. E eu quero dizer que eu assumi um compromisso com os municípios até 50 mil habitantes porque eu percebi que se fazia programas para os grandes municípios, para a zona metropolitana, para os municípios médios, e sempre os pequenos tinham mais dificuldade de pegar e se aproveitar dos programas que o governo oferece.

Daí por que nós, primeiro, fizemos esse programa. Depois incluímos os municípios até 50 mil habitantes no programa Minha Casa Minha Vida, que é muito importante para a população dos municípios de vocês. Esse programa do Minha Casa Minha Vida, ele viabiliza, no Brasil, algo que nunca foi viabilizado antes, que é o sonho da casa própria para aqueles que mais precisam.

Além disso, eu agradeço à prefeita por ter falado do Mais Médicos. O Mais Médicos, ele tem um objetivo claro: nós queremos garantir um atendimento de qualidade na área da saúde. É por isso que nós estamos dando as condições, o recurso para que se faça esse hospital que estava fechado. Mas a gente sabe que não adianta só o hospital, só o posto de saúde, não adianta. É necessário que as pessoas tenham acesso a atendimento médico, não duas vezes por semana, não uma parte do dia, mas sistematicamente, de segunda a sexta-feira e, se for necessário, no sábado e no domingo, tenham acesso a um médico. Onde? No posto de saúde. Sabe por quê? Porque todo mundo da área de saúde sabe que você consegue resolver 80% do problema, ou melhor, dos problemas de saúde da população num posto de saúde desde que haja não só o posto, não só as paredes, não só os equipamentos, mas que dentro do posto tenha um médico para te atender, e esse médico, nós tomamos duas providências. Uma providência que é de médio prazo. Nós estamos criando oportunidade de formação de 11 mil médicos no Brasil, e assegurando que esses médicos possam também fazer residência e virar especialistas, seja especialista em ginecologia, seja anestesista, seja traumatologista, enfim, que eles possam ter essa especialidade se formando no Brasil. Mas um curso de medicina leva seis anos, no mínimo.

Então o que nós fizemos? Como a saúde de ninguém pode esperar, a saúde de nenhum de vocês pode esperar, nós trouxemos... fizemos um chamado, chamamos primeiro os médicos formados no Brasil. Depois chamamos os médicos com diploma fora do Brasil para atender a demanda de médicos, e a demanda de médicos não era pequena. Para vocês terem uma ideia, se você somar todos os médicos pedidos e solicitados, dá 14 mil médicos. Se você multiplicar por três e meio... por que multiplica por 3 mil? Não é 3,5 e é por 3.500 pessoas, porque esse é o valor da Organização Mundial de Saúde. Então, se você multiplicar, 14 mil médicos cobre, na saúde básica, 49 milhões de brasileiros.

E aí eu quero dizer para vocês aqui. Nós estamos trazendo esses médicos para os pequenos municípios, para os municípios do Norte e do Nordeste, para os municípios dos grandes centros urbanos que têm suas periferias sem médicos, para os municípios dos departamentos de saúde indígena, os municípios com quilombolas porque esses municípios eram os que não eram atendidos por médicos na atenção básica. O que é a atenção básica? É quem tem, por exemplo, uma pressão alta ou quem tem diabetes ou uma grávida que tem de ser acompanhada. Então, o que nós fizemos? Estamos trazendo esses médicos, eu quero dizer aqui para vocês, em primeira mão, que até o final deste mês nós atenderemos cem por cento da demanda, aqui e no resto do Brasil. Eu sei que além de médico, a gente tem de investir em posto de saúde e em hospitais, e isso também nós estamos fazendo.

Obrigada, obrigada. Eu queria dizer que tem uma outra área que eu tenho grande atenção por ela, e, tradicionalmente, ninguém queria investir nessa área. Por que ninguém queria investir? Porque ela está enterrada: é esgotamento sanitário e abastecimento de água. Eu tenho muito orgulho em dizer que o governo federal colocou aqui, em investimento, 1,4 bilhão de reais em esgotamento sanitário, em tratamento e distribuição de água. Ainda é pouco, sabe por que é pouco? Porque no Brasil não gostavam de investir em saneamento. Eu gosto de investir em saneamento porque isso resulta... porque isso significa... é da democracia, gente, é da democracia.

Eu dei alguns exemplos até aqui para mostrar que a relação do meu governo com os municípios é uma relação comprometida. Ô gente, eu entendo. Agora, por favor, eu estou no fim, eu agradeço. É da democracia, eles têm direito absoluto de falar o que quiserem. Vocês também, mas eu quero pedir, eu quero pedir o seguinte: a gente pode fazer isso, se manifestar, desde que a gente não prejudique a maioria. A maioria está ali calada.

Então, eu vou concluir dizendo para a maioria e para a minoria, para todos, por que é que eu dei esse exemplo? Eu dei esse exemplo pelo seguinte, eu quero dizer para vocês que o Brasil só vai para frente se o Pará for para frente. A população do Brasil só vai melhorar de vida se a população do Pará melhorar de vida. Esse é meu compromisso com vocês.

E hoje eu tive um dos maiores... uma das maiores alegrias, aliás, duas grandes alegrias. Primeiro, eu participei da formação do Pronatec, 1.200 jovens formandos e formandas. Além disso, eu participei também da inauguração do porto, do Complexo Portuário de Miritituba-Barcarena, que vai trazer oportunidades de desenvolvimento aqui para o estado.

Então, para mim, é um dia... foi um dia muito feliz aqui no Pará. E quero dizer para vocês, quero dizer para vocês que eu sempre sou muito bem recebida aqui e que eu voltarei sempre que eu puder.

Muito obrigado, um beijo no coração de cada um e de cada uma.

 

Ouça a íntegra (20min01s) do discurso da Presidenta Dilma