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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de entrega de 300 ônibus escolares a 78 municípios do Mato Grosso do Sul, no âmbito do Programa “Caminho da Escola”

por Portal do Planalto publicado 29/04/2013 17h28, última modificação 04/07/2014 20h15

 

Campo Grande-MS, 29 de abril de 2013

 

Boa tarde a todos. Agradeço o carinho, agradeço essa demonstração de carinho.

Eu queria cumprimentar aquele menino lindo, o André Matheus Cardoso, aluno da rede municipal de ensino de Mundo Novo. Em nome do André eu saúdo todos os estudantes, todas as crianças do nosso país que têm e que carregam consigo o nosso futuro.

Queria cumprimentar o governador do estado do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, a quem eu conheço desde o governo do presidente Lula e com quem, desde aquela época, fizermos várias parcerias juntos e sempre nos pautamos por um princípio republicano de relacionamento e respeito.

Cumprimento também a senhora Beth Puccinelli, a nossa primeira-dama do estado.

Cumprimento o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal. Pode ter certeza, Alcides, que nós temos adiante de nós um mundo de parcerias a ser feita.

Queria cumprimentar o prefeito de Anastácio, o nosso Douglas Melo Figueiredo, que é presidente da Associação dos municípios do Mato Grosso do Sul. Em nome dele, eu cumprimento cada uma das prefeitas e dos prefeitos que eu tive a honra, aqui, de cumprimentar e abraçar. E quero dizer que para mim é um orgulho ter estado aqui, estar aqui com vocês e ver essa quantidade de ônibus do programa Caminho da Escola. E quero dizer para vocês que nossa parceria, a parceria do governo federal com os prefeitos, principalmente, com os prefeitos das pequenas cidades do nosso Brasil, cidades com habitantes... com o número de habitantes menor que 50 mil, e que aqui no estado são 70 municípios é uma das nossas mais importantes, um dos nossos mais importantes, um dos nossos mais importantes programas.

Queria cumprimentar o Aloizio Mercadante, ministro da Educação; a Helena Chagas, ministra da Comunicação Social.

Cumprimentar a vice-governadora Simone Tebet.

O Deputado Gerson Domingos, presidente da Assembleia Legislativa do estado.

O desembargador Joenildo de Souza Chaves, presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Queria cumprimentar meus parceiros no Senado: senador Delcídio do Amaral, senador Valdemir Moka.

Queria cumprimentar os parceiros da Câmara Federal: Akira Otsubo, Antonio Carlos Biffi, Geraldo Rezende, Reinaldo Azambuja e Vander Loubet.

Queria cumprimentar a secretária de estado Maria Milene Badeca da Costa, presidente também do Conselho Nacional de Secretários da Educação. Por intermédio dela eu cumprimento todos os secretários aqui presentes, secretários municipais.

Cumprimentar o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Márcio César.

Cumprimentar o Magno Botareli, presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação do estado do Mato Grosso do Sul.

Cumprimentar o senhor Genilson Duarte, presidente da CUT do estado do Mato Grosso do Sul, por intermédio de quem eu também cumprimento os trabalhadores e produtores rurais do estado.

Cumprimentar as senhoras e os senhores reitores, diretores de instituições de ensino e nossas professoras e professores.

Cumprimentar as senhoras e os senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

Eu queria dizer para vocês, primeiro, que vir aqui no Mato Grosso do Sul e ainda receber o título que me honra de cidadã sul-mato-grossense é uma honra muito grande. É uma honra e uma satisfação. Porque não tem nada mais importante para um presidente e uma presidenta do que ser reconhecida e receber esse título, que a partir de agora, eu, além de ser cidadã nascida em Minas e, como disse uma vez o Luís Fernando Veríssimo, gaúcha de propósito, agora eu sou cidadã sul-mato-grossense por votação. Que baita honra! Então, eu agradeço à Assembleia Legislativa do Estado. E agradeço também ao querido deputado que, em 2008, antes de eu ser presidenta, me deu essa honra. Ela me dá ainda mais orgulho por isso.

E ao recebê-la, ao receber esse título, eu quero dizer para vocês que eu tenho aqui, de uma forma muito solene, de reafirmar meu compromisso com este estado, um compromisso de trabalhar intensamente com o governador, com todos os prefeitos. Porque o Brasil atravessa uma nova fase, uma fase em que as relações de democracia se aprofundam.

No passado, era comum que se exigisse daquele prefeito, daquele governador, que ele tivesse a sua visão política, o seu credo ou até a sua convicção futebolística para poder passar recursos. O Brasil mudou, nós... e eu acho que uma pessoa que a gente tem de reconhecer que deu um passo decisivo nessa direção foi o presidente Lula. Qual é o passo que foi dado? É que nós passamos a ter uma relação muito clara com os entes federados – os estados e os municípios –, nós respeitamos os prefeitos e os governadores – e aí fiquei muito feliz com as palavras do governador, porque ele também defende essa posição e essa convicção – nós respeitamos os prefeitos e os governadores por um motivo: por que todos nós fomos eleitos pelo voto popular.

E a democracia, ela faz uma... ela cria, através desse voto direto que as pessoas vão lá e depositam na urna, ela cria um vínculo que é o seguinte: você pode iniciar sua campanha, o governador pode iniciar a dele, o prefeito pode iniciar a dele, por um partido, uma coligação, da forma que for, mas depois que ele vai... ele recebe o voto popular, majoritário e ganha a eleição, ele é prefeito de todos os munícipes, ele é governador de toda a população do estado e ele é presidente de todos os brasileiros.

Só assim um país se transforma numa grande nação, quando as suas lideranças têm a convicção de que devem responsabilidade, respeito e obrigação para o povo brasileiro, para ninguém mais, mas deve obrigação para o povo, e aí deve respeito ao governador e aos prefeitos.

Por isso também eu venho aqui hoje, e sempre que a gente vai num estado a gente traz boas notícias. Antes de eu falar das boas notícias, eu queria dizer que Mato Grosso sempre vai me lembrar... Mato Grosso do Sul, vocês me desculpem, Mato Grosso do Sul vai sempre me lembrar uma coisa: Bonito. Não tem Bonito lá no outro Mato Grosso, tem? Não. Tem aqui. Mato Grosso do Sul sempre vai me lembrar Bonito, porque eu vim aqui uma vez para inaugurar a termelétrica em Três Lagoas. Então fui lá em Três Lagoas, depois eu fiz um desvio e acabei lá em Bonito. Naquela época eu podia andar solta por aí, eu era só ministra. E aí eu vesti uma roupa, aquelas de neoprene, botei um pé de pato e vi a coisa mais bonita da minha vida, que foi tudo aquilo que se vê quando se mergulha em Bonito. Nunca vou esquecer. Para mim, Mato Grosso do Sul é isso, é uma beleza natural fantástica. Para mim, Mato Grosso do Sul é aquilo que eu queria que alguém de fora do estado ou de fora do país visse do nosso país.

Essa beleza natural ímpar faz deste estado um estado também especial porque este estado é um dos maiores produtores agrícolas do nosso país. E o estado que é produtor agrícola, ele tem de dar muita importância ao interior, além de dar importância à zona urbana, que é geralmente a tendência em todos os demais estados da Federação, que não tem tanta pujança agrícola, nós temos de dar importância para o interior, para aquele lugar onde moram, onde residem os habitantes do mundo rural.

Daí a importância que o governo federal dá a essa questão do Caminho da Escola. E aí destinamos, destinamos, na verdade, do meu governo, do início dele, 1º de janeiro de 2011, até agora, nós destinamos, para o Mato Grosso do Sul, 558 ônibus do Programa Caminho da Escola, para todos os 69 municípios, porque, num montante de 117 milhões uma contribuição, também, dessa contrapartida que o governador, que é um governador que briga pelo seu estado, apareceu na minha frente dizendo que ele queria uma contrapartida, e ninguém resiste a uma insistência do governador. Ele queria porque queria a contrapartida, ganhou a contrapartida. E aí nos ajudou nesses 558 ônibus do Programa Caminho da Escola.

É sempre bom lembrar que mesmo, mesmo Campo Grande, mesmo Campo Grande recebeu 8 ônibus, 8 ônibus que vêm do programa que eu tenho especial atenção a esse programa, porque faz parte do Caminho da Escola, mas se destina a atender, porque são 8 ônibus especiais, modificados, eles se destinam a atender aos jovens e às crianças com deficiência, dentro do Programa Viver sem Limites.

Eu lembro disso porque eu acho que o nosso país é um país que não pode abrir mão de nenhum dos brasileiros e das brasileiras. E o Programa Viver sem Limite é o reconhecimento do direito de cidadania daqueles brasileiros e brasileiras que têm alguma espécie... são crianças ou jovens com alguma deficiência.

Eu gostaria de dizer ainda para vocês que nós entregamos hoje 300 ônibus aqui, é fato, e que ainda vamos ter de entregar os restantes até o final... entre o final deste ano e [20]14. E, para a gente ter uma ideia do tamanho disso, é dizer o seguinte. Nós temos um dado do censo: 79 mil alunos da rede pública de educação, aqui no estado do Mato Grosso do Sul, moram em áreas que precisam de transporte coletivo pelo município para chegar às escolas. Então, o esforço é atender esses 79 mil, porque o negócio não é ônibus, o negócio é gente, o negócio são pessoas. Então são 79 mil alunos, 79 mil jovens e crianças, censitariamente, que precisam de transporte escolar, e a gente tem de atender, sem discriminação, todos eles.

Nós sabemos que se não tiver ônibus de qualidade, além das pessoas... das crianças terem de andar quilômetros e quilômetros para chegar numa escola, ao mesmo tempo, elas passam por muitas dificuldades e muitas vezes nem vão à escola por causa disso.

Por isso, dentro desse princípio que nós temos para a questão das escolas, é muito importante esses ônibus, porque eles fazem parte de uma estratégia que o Mercadante, aqui, o ministro da Educação explicou para vocês. Qual é a estratégia? O Brasil já vem dando vários passos. Nos últimos dez anos nós distribuímos renda, tiramos 40 milhões e elevamos à classe média 36 milhões. Somando tudo, tiramos da extrema miséria, fizemos... tivemos várias ações no sentido de valorizar o trabalho, criamos 19 milhões... Só nos últimos três anos, 3 milhões e 900 [mil] trabalhadores com carteira assinada. Criamos o PAA, a Agricultura Familiar que desenvolveu. O setor agrícola tem um Plano Safra acima dos R$ 100 bilhões. O pessoal da agricultura familiar tem outro Plano Safra acima... que chega a 18 bilhões de reais.

O Brasil evoluiu muito, mas tem uma coisa que é crucial para a gente dar o salto que nós necessitamos para nos transformar, primeiro, num país de classe média e, além de nos transformar num país de classe média, numa nação desenvolvida. E essa... Não tem outro jeito. Se falarem para vocês que é só o PIB crescer, vocês acreditem parcialmente. É importante que o PIB cresça. Se falarem para vocês que é importante que a gente descubra, cada vez mais, o petróleo do pré-sal, explore, que a gente aumente a capacidade da nossa agricultura, da nossa indústria, que o nosso setor de serviços cresça para atender a demanda daqueles que saíram da pobreza e entraram na classe média, e que saíram da miséria extrema, tudo isso vocês concordem parcialmente. Tem uma coisa que sem a qual nós não daremos nenhum salto e nenhum passo à frente, essa coisa chama-se educação, educação e educação.

E esse é um desafio que não pode ser só do governo, que não pode ser só da presidenta, do governador, dos prefeitos e das prefeitas. Esse é um desafio que é da família, da família, de cada uma das famílias deste nosso país. E também, no caso dos homens, é um desafio deles, eles têm de entender da importância e, por isso, é algo fundamental que a sociedade perceba o relevante papel que cumpre a educação, tanto para melhorar a vida das pessoas, para melhorar a vida das famílias, para a pessoa, aquela mãe que conseguiu botar o filho na creche, coloque ele depois para fazer o ensino integral. Depois ele entra na universidade, a mãe tem de querer que ele chegue ao Ciência sem Fronteiras, vá estudar lá fora. Ou então que ele tenha um curso técnico que melhore o seu salário, ganhando muito mais. Porque hoje, no Brasil, se valoriza como nunca uma especialização, a capacidade da pessoa se formar em eletricista, em um azulejista de primeira, uma pessoa especializada em usinagem, uma pessoa que sabe o caminho das pedras na indústria, na área de infraestrutura. Nós sabemos que as pessoas valorizam a educação, mas nós temos de transformar a educação num valor em si. Nós temos de mostrar que isso é importante para as famílias, mas é fundamental, necessário e essencial para o Brasil.

Por isso eu queria aqui, além... depois de contar a minha conversa com o governador, eu queria dizer para vocês que nós, nessa questão da educação, somos teimosos, nós somos insistentes, e nós vamos enviar uma nova proposta para uso dos recursos, royalties e participações especiais e o recurso do pré-sal para ser gasto exclusivamente na educação. O Brasil precisa de duas coisas para melhorar a educação: da vontade de todos nós – vontade política do governo –, paixão das famílias, mas também precisa de recurso. E por isso que nós vamos insistir com isso. Nós iremos teimar, o Brasil tem de destinar essa sua grande riqueza para ser gasta em educação.

E eu queria dizer para vocês que, além disso, aqui no Mato Grosso do Sul nós temos um compromisso. Nós queremos expandir as creches – o Mercadante disse para vocês –, porque creche é óbvio que eu, como mulher, sei a importância de ter onde colocar, com segurança e qualidade, os filhos quando você trabalha. Mas a creche, para uma política de governo, não é isso somente. A creche ataca a raiz da desigualdade. Qual é a raiz da desigualdade? Cada um de nós é diferente um do outro, não somos? Todo mundo é diferente e isso é muito bom porque seria muito chato todo mundo igual à gente mesmo. Mas as oportunidades têm de ser iguais. Não é a gente que tem de ser igual. A oportunidade que a pessoa tem na vida tem de ser igual. Um país tem de procurar fazer isso. Daí surgir uma grande democracia de fato.

Então, nós queremos que a criança pequenininha, todas elas, tenham os mesmos incentivos, os mesmos estímulos, porque uma criança de classe média, vai a chata da avó, como eu, vai lá, pega o livro e fica lá, enchendo a paciência do neto, vai lá, briga, estimula, mostra o número, desde pequeno. Nós queremos isso para os filhos das famílias mais pobres deste país, nós queremos o que há de melhor no ensino. Nós não queremos um ensino qualquer, eles merecem o que há de melhor. Para o povo brasileiro, nós todos temos de querer o que há de melhor.

Por isso que no caso da Minha Casa, Minha Vida, eu disse: “Muda... ah, não tem... não forrou o piso? Perfeitamente. Agora a gente tem dinheiro, vamos forrar o piso”. Então, forra-se o piso. Porque eu não fui eleita para construir uma casa que não tenha qualidade mínima. E qualidade mínima é piso no chão.

Eu vou repetir aqui, porque eu vou pedir para os prefeitos e para as prefeitas duas coisas: vou pedir para os prefeitos e para as prefeitas cuidarem da Alfabetização na Idade Certa. É para lá de provado que se você conseguir alfabetizar até os 8 anos é muito mais fácil para a criança, depois, acompanhar e se desenvolver. Se ela não for alfabetizada direito até os 8 anos, ela... na minha época chamava “fazer um primário bem feito”, chamava “primário” e não “fundamental”. É isso, é ter a capacidade de dar para uma criança de oito anos, no nosso país, ela ler um textinho simples e interpretar, ela ser capaz de escrever também um textinho simples, fazer as contas. Conta, aí, é o seguinte: ela tem de saber multiplicar, dividir, somar e subtrair. É essencial isso para a criança.

E depois este país, porque nenhum país chegou a ser uma nação desenvolvida em ter educação em tempo integral. Nunca, você não viu em nenhum lugar do mundo um país ser uma nação desenvolvida enquanto não teve educação em dois turnos. E educação em dois turnos, no segundo turno não é para a criança ficar lá jogando futebol só, ou aprendendo arte, é para ter aula de Português, Matemática, uma língua e Ciências. É para isso que tem educação em dois turnos. Nós precisamos de ter educação de primeiríssimo mundo no Brasil, e por isso também estamos ampliando e democratizando o acesso. A política de cotas é uma democratização do acesso. Ah, você teve... participou, quando era estudante do médio ou do fundamental, da escola pública? Perfeitamente, então tem direito de ir para a universidade pública. É mais democrático, o filho do pobre pode ir. Além disso, usam-se métodos, cada vez mais, de ampliação do acesso. Hoje nós temos o financiamento. Qualquer um que quiser estudar numa escola privada consegue, ou bolsa do ProUni ou ele se financia e paga. Sabe como é que paga? Se o curso dele for de quatro anos – 4x3, 12 + 1 –, paga em 13 anos. E se estiver trabalhando na rede pública de saúde ou como professor, aí pode inclusive pagar com o seu próprio trabalho a sua... o seu curso, a sua matrícula e tudo o mais.

Eu quero dizer que eu tenho muito orgulho de ter feito aqui nove campi novos de escolas técnicas, dos quais seis estão funcionando: Aquidauana, Campo Grande, Corumbá, Coxim, Ponta Porã e Três Lagoas. Por que é que eu tenho orgulho? Porque o Brasil precisa de escola técnica, porque nos outros países desenvolvidos, para cada um universitário, tem cinco, cinco técnicos. Aqui nós não temos essa relação. Nós temos de formar trabalhadores especializados porque eles vão ganhar mais, eles vão ter uma renda melhor, nós vamos melhorar o nível de emprego, nós vamos melhorar a qualidade da nossa indústria e da nossa agricultura.

Eu queria dizer também que na universidade aqui, aqui na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, nós estamos oferecendo 6 mil e 500 vagas, e 13 mil jovens estudam em universidades privadas com bolsa do ProUni, e outros 20 mil têm financiamento do Fies. Nós queremos aumentar cada vez mais isso, nós queremos que todas essas pessoas tenham acesso, tenham acesso à educação de qualidade.

Essa é uma riqueza decisiva para o país, e é uma riqueza boa, porque cada um carrega ela consigo mesma, ninguém pode te roubar a educação que nós temos de dar para cada uma das crianças ou dos nossos jovens. É uma riqueza que significa a melhoria interna de cada um dos brasileiros e das brasileiras.

Eu queria falar, agora, para os prefeitos, uma coisa. Nós, na política de dar força para os prefeitos, nós olhamos os prefeitos de cidades menores ou igual a 50 mil habitantes. E, para eles nós criamos um projeto chamado Projeto Estrada Vicinal, podia chamar também “projeto pequena barragem”, “projeto pequena drenagem”, chamamos Projeto Estrada Vicinal, que é o fato que nós vamos dar para todos os prefeitos, de todo o Brasil, uma retroescavadeira, que me parece que já foi concluída a distribuição, uma motoniveladora e um caminhão-caçamba. Garanto que o caminhão-caçamba vocês não sabiam, não sabiam. Sabe por que vocês não sabiam? Porque foi decidido tem duas semanas e, às vezes, leva tempo de chegar a notícia. Mas são três: uma moto, uma retro e um caminhão-caçamba.

Por que nós estamos fazendo isso? Porque a gente dá o Caminho da Escola, o ônibus, aí tem de dar condição para o prefeito e autonomia para ele poder melhorar a sua estrada, dar uma encascalhada, fazer uma melhoria na estrada, o que facilita a vida do prefeito, torna ele mais independente e permite que ele tenha margem de manobra.

Eu queria lembrar também, eu queria lembrar também que o prefeito, que o prefeito tem acesso ao Minha Casa, Minha Vida, cidades de 50 mil, igual a 50 mil ou menor que 50 mil. E também ele tem que tomar providência para que isso ocorra, junto ao Ministério das Cidades.

Além disso, eu queria pedir... aí agora eu vou pedir, que é o seguinte: nós precisamos de vocês para cadastrar, para encontrar através do Busca Ativa as pessoas que ainda estão num nível de... chamado de miséria extrema, abaixo dos R$ 70 per capita em uma família. Uma família de três pessoas que ganha menos de R$ 200 cada... o conjunto dela ganhar menos de R$ 210, ela está em pobreza extrema. Então, eu quero pedir aos senhores que nos ajudem a detectar esses últimos brasileiros que ainda estão em situação de pobreza extrema, porque nós conseguimos, através do Brasil sem Miséria, com a ampliação do Bolsa Família, nós conseguimos tirar, nesse último ano, junto com... no ano passado, 22 milhões de brasileiros da miséria e zeramos o cadastro. Tudo o que estava cadastrado nós conseguimos colocar com um nível de renda mínima de R$ 70 por pessoa da família.

Então, precisamos dos prefeitos que é quem cadastra, precisamos que os prefeitos localizem, e isso significa que onde tem muito assentamento dá direito ao assentado a todos os programas sociais do governo. O assentado tem direito ao Minha Casa, Minha Vida Rural, para início de conversa, tem direito a ganhar o Bolsa Família – R$ 70 por cabeça, por pessoa. O assentado tem direito a todos os programas sociais do governo, e aí eu peço a cada prefeito, a cada prefeita que nos ajude com esse cadastro, porque cadastrar é o caminho mais perto para que a gente possa chegar e atingir essas pessoas porque elas são cidadãs brasileiras, são homens e mulheres que têm direito a todos os programas sociais do governo. Os programas sociais do governo são para brasileiros que moram no campo e na cidade. Por isso eu pediria para os senhores que me dessem essa ajuda.

Agora eu vou começar a falar dos pleitos e dos acordos aqui que nós fizemos. O primeiro é a 419, a BR-419. A BR-419, nós vamos, assim que concluírem a apresentação do projeto executivo, nós vamos fazer a avaliação e transferir para o estado do Mato Grosso do Sul executar. Além disso, nós estamos olhando todas as regiões de fronteira dentro do programa que nós temos, que é o chamado Programa Estratégico de Fronteiras, que une a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional de Segurança Pública, pelo Ministério da Justiça; e pelo Ministério da Defesa, o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Esses dois ministérios, eles se juntam, fazem o Programa Estratégico de Fronteiras, que é um programa que é composto pela Operação Ágata e pela Operação Sentinela. A Operação Ágata, ela é localizada, pontual, baixa o Exército, a Marinha, a Aeronáutica, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária, etc ... e faz uma limpeza na fronteira. E a Operação Sentinela é isso permanente com a Polícia Federal mais um trabalho de inteligência e também de repressão.

Dentro desse programa nós precisamos de ter rodovias que deem acesso e permitam uma maior... patrulhamento de fronteira. Daí nós estamos também fazendo uma discussão no sentido de introduzir, no Plano Rodoviário Nacional, uma estrada que é estadual, que é a MS-165, não é isso? Ela não vai chamar isso mais. Ela vai ter que chamar outra coisa porque ela entra nos números da BR, e as BRs têm número baseado na questão de Norte, Sul, Leste, Oeste, tem lá toda uma regra que a lei estabelece. Mas seria isso, a sub-fronteiras que vai virar isso.

Além disso, eu quero lembrar algumas coisas que nós fizemos aqui, e também eu acho que é o do maior interesse do governador, dos senadores e dos deputados. Eu lembro que, muitas vezes, eu recebi senadores me pedindo que acelerasse a concessão das rodovias BR-163, BR-267, BR-262 nos trechos que atravessam, como aqui no estado, que são cerca de 1.400 quilômetros, que nós vamos ampliar alguns trechos, duplicar, outros modernizar.

Nós também vamos fazer aqui no estado, o que é fundamental, o prolongamento da Norte-Sul, saindo de Anápolis, que fica pronto agora, mas esse trecho será até Dourados, passando por Panorama. Também vamos fazer o trecho entre Maracaju e Mafra, para conectar aqui o Mato Grosso do Sul com o estado do Paraná, através do Porto de Paranaguá. Esses investimentos todos vão contemplar o estado com um transporte multimodal de menor custo relativo.

Além disso, eu queria dizer que todos os pleitos, todos os pleitos, o governo federal faz, tem feito, tem aberto espaço em todos os estados da Federação para permitir que os estados invistam, ampliando os seus níveis de endividamento. Também isso será bastante acelerado a partir de todos os acertos feitos entre o governador, a Presidência e o Ministério da Fazenda.

Agora, tem uma notícia muito boa. Nós vamos investir, na primeira etapa do Programa de Aeroportos Regionais, porque nós voltamos a fazer aeroportos regionais, vamos subsidiar assentos nos aviões, para que eles se tornem competitivos, ou seja, nós pagamos a diferença entre a passagem de ônibus e o preço médio da passagem de aviação, para aviões regionais nós vamos bancar. E aqui no estado nós vamos fazer ou ampliar – eu não sei se todos têm –, mas ou ampliamos, porque nós vamos padronizar o aeroporto regional no Brasil: ele vai ter um terminal de passageiros, ele vai ter uma pista e pátio, e ele vai ter uma característica com equipamentos para permitir pouso e decolagem de jato em alguns.

E aqui são oito aeroportos que estão nessa categoria. Alguns já existem e serão ampliados, modernizados, melhorados, reequipados: Bonito, Coxim, Corumbá, Costa Rica, Dourados, Naviraí, Nova Andradina e Três Lagoas. São os oito aeroportos, totalizando R$ 201 milhões. E além disso eu queria comemorar também que, finalmente, nós estamos construindo a fábrica de fertilizantes nitrogenados em Três Lagoas. Eu quis ir inaugurar a térmica lá em Três Lagoas, eu vim inaugurar a térmica, eu vi essa discussão sobre a fábrica de nitrogenados baseada no gás, ocorrer... fico muito feliz quando a gente vê que isso, finalmente, chegará a ser realizado integralmente. Por quê? Porque fertilizante no Brasil é tão importante como o petróleo. Nós somos um país que tem de buscar, cada vez mais, ampliar a sua produção de fertilizantes, seja de potássio, seja de toda a cadeia de fertilizantes, o tal do NPK. Isso significa que Mato Grosso do Sul tem uma situação privilegiada, porque Mato Grosso do Sul tem um conjunto de oferta de gás vindo da Bolívia, que tornará sempre atraente essa produção aqui de fertilizantes, e o mercado é, de fato, um grande mercado.

Eu queria finalizar dizendo para vocês o seguinte. Eu vou voltar ao meu início. Tem um companheiro ali que gosta de falar o meu nome, vocês notaram? Oi. Você fala Dilma, eu falo oi para você. É uma senhora, por sinal. Outro. Agora parou, gente, peralá, deixa eu falar o fim. Tá.

Eu queria dizer para vocês o seguinte. Não tem jeito, o Brasil é hoje um país muito melhor do que era uma década atrás. Ô gente, eu acho bom vocês gritarem, não tem problema, não. Democracia é isso aí. Tem gente que acha... Não, não, eu vou dizer para vocês. Tem gente que acha que democracia é ausência de uns querendo uma coisa e outros, outra. Não é, não. Democracia é o fato de que há diferenças e que a gente convive com elas, procura um ponto de equilíbrio e resolve as coisas, ou quando dá, por consenso, mas sempre pelo diálogo, sempre pelo diálogo. Por isso eu não tenho problema nenhum, podem falar em problema nenhum. Só deixa eu concluir aqui meu finalzinho, que eu estou no fim.

É o seguinte: eu quero dizer para vocês que eu tenho confiança, muita confiança, que este ano o Brasil vai continuar crescendo. E podem ter certeza, apesar de a gente ver... até outro dia... nós estamos em época da Copa do Mundo, não é? Nós estamos em época da Copa do Mundo. Daqui a um ano será a Copa do Mundo, e este ano é a Copa das Confederações. Todo mundo sabe que a Copa do Mundo é algo importante para o Brasil, foi onde nós começamos a ganhar. O Brasil ganhou bastante mostrando um futebol fantástico.

Hoje nós, além de mostrar um futebol fantástico, mostramos também que somos capazes de distribuir renda, temos US$ 378 bilhões de reserva, somos um país que tem uma força própria, um país estável, que controla a sua inflação, que tem a menor taxa de desemprego, se a gente for olhar, um recorde não só para o Brasil, mas internacional.

Mas, uma outra coisa importantíssima surgiu no Brasil, importantíssima. E eu vou falar o que é. Ela está ligada, de uma certa forma, a uma crônica feita por um senhor que se tivesse nascido em qualquer lugar de língua inglesa seria considerada gênio lá. Nós temos obrigação de considerá-lo gênio aqui, porque ele nasceu aqui. Ele fez uma crônica – ele chamava Nelson Rodrigues, ele era muito engraçado – ele fez uma crônica que chamava “Complexo de Vira-lata”. Ele dizia que – isso foi na época, se eu não me engano, do jogo com a Suécia, final com a Suécia, não tenho certeza, em [19]58, mas foi na final, um pouco antes da final com a Suécia – ele fez uma crônica que ele dizia o seguinte: que o Brasil tinha complexo de vira-lata e que ele não podia ter complexo de vira-lata, e que a equipe era boa, tanto que a equipe era boa que ela era boa tecnicamente, taticamente, fisicamente, artisticamente. Tanto é que nós dessa vez ganhamos a Copa. Mas ele sempre fava desse complexo de vira-lata que pode... a gente pode traduzir como um pessimismo, aquela pessoa que sempre acha que tudo vai dar errado, que ela é menor que os outros. E ele dizia uma coisa, e eu queria dizer isso para vocês. Ele dizia que se uma equipe entra... eu não vou citar literalmente, não, mas se uma equipe entra para jogar com o nome Brasil, se ela entra para jogar com o fundo musical do Hino Nacional, então ela é a pátria de chuteiras. Eu queria dizer para vocês que nós, nós – o governo federal, o governador, os prefeitos, os empresários, os trabalhadores, a sociedade –, nós entramos para jogar o nome Brasil aqui, e ao som... e com o fundo musical do Hino Nacional. Não tem quem nos derrote se não acharmos nós que já estamos derrotados. Não tem quem nos derrote! Isso é o que garante a nossa força, é o fato de que juntos ninguém nos derrota. E aí... eu já expliquei essa pequena parte numa entrevista que eu dei em Roma, quando me falaram que o Papa era argentino, eu expliquei que Deus era brasileiro.

Bom, isso significa o seguinte. O Brasil tem todas as condições de avançar. Nós mudamos, nós somos respeitados no mundo, nós somos um país forte, nós somos uma das maiores economias. Nós temos uma agricultura forte e competitiva, uma indústria forte e competitiva. Nós temos uma população trabalhadora, capaz, que não desiste nunca, que entra para ganhar, sempre entrou para ganhar. Nós não temos mais, nesses últimos dez anos, nós enterramos o complexo de vira-lata. Vamos aproveitar, levantar bem o nariz e ter muita autoconfiança porque nós somos de um país vencedor.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra (49min26s) do discurso da Presidenta Dilma