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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de entrega de 29 máquinas retroescavadeiras a municípios do estado do Paraná

por Portal do Planalto publicado 04/02/2013 16h10, última modificação 04/07/2014 20h14

 

Cascavel-PR, 04 de fevereiro de 2013


Eu queria começar cumprimentando, vou quebrar mais uma vez o protocolo cumprimentando do Dilvo Grolli. Vou cumprimentar o Dilvo Grolli por duas coisas: primeiro por uma questão, que eu acredito que ela é fundamental para o país, que é essa feira que coloca à disposição do Brasil inteiro o que há de melhor em tecnologia agrícola. Vou cumprimentar por essa organização. Mas eu queria também cumprimentar por uma coisa que é muito importante: pela beleza, pela organização e pelas flores. Eu acho que, quando se constroi com cuidado, carinho e beleza, é como se respeitasse, se mandasse uma força emocional muito grande para todas as pessoas que estão aqui dentro. Porque nós nos sentimos muito bem. Eu que estive lá em cima vendo as flores formando um mirante, a bandeira do Brasil e, além disso, ela tremulando – porque o cuidado está até nesse fato, ela tremula. Você olha de cima, ela está lá mexendo. Eu fiquei, de fato, emocionada.

Então, aqui nós conjugamos o que há de melhor. O verbo que nós conjugamos aqui é o verbo do desenvolvimento do nosso país. Então, queria cumprimentar o Dilvo Grolli. E, em nome dele eu saúdo todos os que o ajudaram a organizar com esse cuidado. Saúdo todos os expositores e todos os visitantes do Show Rural Coopavel. É de fato um show.

Queria cumprimentar o nosso governador do Paraná, Beto Richa. Um parceiro nessa tarefa que é levar o Brasil a novos patamares de desenvolvimento.

Também queria cumprimentar o prefeito de Cascavel, Edgar Bueno. Porque é de fato com os prefeitos aqui presentes, - aos quais eu acabo de entregar esta chave das 20 retroescavadeiras - é com eles, com os governadores do país, aqui o governador do Paraná e com a união nossa, que nós seremos capazes de alterar as condições tanto de produção quanto as condições sociais do Brasil. Eu cumprimento, então, o Edgar Bueno e todos os prefeitos.

Queria saudar os ministros que me acompanham aqui nessa querida visita ao Paraná, em especial a Cascavel. Queria cumprimentar a ministra paranaense Gleisi Hoffmann, da Casa Civil. Eu, em nome dela. Eu, em nome da Gleisi, agradeço as palmas. Queria cumprimentar o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro; cumprimentar o general do Gabinete de Segurança Institucional, José Elito.

Queria dirigir um cumprimento especial aos senadores aqui presentes. Primeiro à senadora Kátia Abreu, presidente da CNA. A senadora Kátia Abreu tem sido, de fato, uma parceira do governo no que se refere a todas as questões relativas ao desenvolvimento do agronegócio, da agricultura, da pecuária, da produção de proteínas no nosso país.

Queria dirigir um cumprimento especial também a um senador que nos acompanha, que é o senador Blairo Maggi, que foi governador do Mato Grosso e que tem sido um exemplo para todos os produtores do Brasil, pelo fato de honrar o nosso país na medida em que produz uma das questões... aliás, produz não só soja, mas produz uma das questões estratégicas para o país, que é o fato deste país nosso ser uma referência na área de alimentos, na área de proteínas. Isso nos dá, necessariamente, junto com a questão da energia, do petróleo, do gás, nos dá uma grande vantagem estratégica. Por isso, eu queria cumprimentar o senador Blairo Maggi.

Cumprimentar dois grandes parceiros no Senado da República, porque essa parceria que fazemos com esses senadores, ela é crucial para o desenvolvimento do Brasil e o desenvolvimento do Paraná. Esses dois senadores são pessoas que têm nos ajudado ao longo desse meu governo desses dois anos. O senador Acir Gurgacz e o senador Sérgio Abreu.

Quebrando, também, o protocolo, a ordem do protocolo, eu queria cumprimentar um ex-senador, Osmar Dias. Que eu tenho muito orgulho de ter no meu governo como vice-presidente do Banco do Brasil, que é o banco dos agricultores.

Queria cumprimentar o deputado federal Nelson Padovani. Deputado Nelson, também eu agradeço pela parceria na Câmara Federal.

Cumprimentar o vice-prefeito de Cascavel, Maurício Querino Teodoro,    Cumprimentar o presidente da Câmara Municipal, Márcio Pacheco,

Cumprimentar meu querido companheiro, diretor-geral da Itaipu Binacional, Jorge Samek,

Cumprimentar o presidente do Incra aqui presente, Carlos Guedes,         Queria cumprimentar e, em nome dele eu queria explicar por que ele não está aqui, o ministro do Ministério do Desenvolvimento Agrário, ele teve que fazer uma intervenção cirúrgica pequena, mas ele teria de fazê-la, por isso ele não está aqui. Então, em nome do ministro eu quero cumprimentar o Walter Bianchini, que é o secretário nacional da Agricultura Familiar.

Queria cumprimentar também o Ademir Mueller, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no estado do Paraná – Fetaep,      O Neveraldo da Silva Oliboni, representante da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras – Fetraf,

O Luiz Possamai, presidente da União das Cooperativas da Agricultura Familiar e da Economia Solidária, a Unicafes,

Uma saudação especial aos integrantes do grupo Viola da Terra. É outro cuidado que é importante e que o show, aqui, representa, de uma forma maravilhosa,

Queria cumprimentar os senhores jornalistas, queria cumprimentar as senhoras jornalistas, os fotógrafos e os cinegrafistas aqui presentes,

Um abraço a todos os prefeitos.

E gostaria de dizer que para mim é uma grande honra estar aqui nessa 25ª edição do Show Rural da Coopavel. Eu sabia que este evento, antes de chegar aqui eu sabia, a minha informação era que este evento mobilizava uma quantidade expressiva de produtores e que tinha muitos visitantes, e que era o que havia de mais avançado e melhor, no que se refere à apresentação de novidades tecnológicas do setor agrícola.

Minhas expectativas foram superadas, como eu disse para vocês. Eu vejo uma organização grandiosa, eu vejo uma organização cuidadosa, eu vejo uma movimentação, uma energia, eu vejo trabalho, eu vejo empreendedorismo. Por isso, para o Brasil, eu fico muito feliz de estar aqui, levando essa imagem para todo o Brasil.

Eu fui convidada a comparecer à próxima edição e eu queria divulgar para os senhores que a mim disseram que, além dessas imensas apresentações que levam todas as indústrias de máquinas e equipamentos agrícolas terem estandes aqui, mostrarem o que há de melhor na sua produção de máquinas e equipamentos com tecnologia moderna, também me disseram que vai ser muito bonito porque terá uma apresentação, em vez das flores que estão aqui, serão rosas. E isso - sem dúvida nenhuma - eu espero que eles consigam superar a beleza de agora.

Eu acho que aqui nós praticamos uma receita vencedora que é fazer com que toda a nossa vantagem cooperativa de solo, de qualidade do nosso produtor, se some ao que há de mais avançado tecnologicamente. Essa é – eu diria – a grande receita de sucesso da agricultura brasileira. Essa receita de sucesso, que é juntar a nossa capacidade de trabalho, o nosso empreendedorismo, as nossas vantagens naturais ao que há de mais moderno em tecnologia, é uma receita que o Brasil todo hoje procura adotar, não só na área agrícola. Mas é uma receita de sucesso, uma receita vencedora. E foi ela que nos transformou na potencia agrícola que nós somos hoje.

A Coopavel, quando ela faz essa organização, ela ajuda a divulgar esta receita. Ela ajuda a evidenciar que aqui está uma das explicações para o fato do Brasil ser extremamente competitivo, chova ou faça sol, no que se refere à produção de alimentos.

Por isso, também é muito importante reconhecer o vigor e a capacidade da agricultura do Paraná. Essa capacidade, esse vigor, essa pujança são inquestionáveis. E dois números... eu tive acesso a dois números que mostram muito bem esse fato. Às vezes os números ilustram bem o que a gente está falando. Primeiro, a safra de grãos do Paraná, neste ano, deve ser 12% maior que no ano passado. E o Paraná deverá responder por 19% da produção recorde de grãos estimada para o Brasil nesta safra. Esses dois números mostram uma grande força. E, todo esse crescimento, combinado com uma agricultura cada vez mais sustentável - aliás, aqui no Paraná, eu tive acesso, há muito tempo atrás, a uma técnica que nós acreditamos ser uma das melhores técnicas de sustentabilidade que foi o plantio direto sobre a palha. E eu tenho certeza que aqui nós já temos 655 contratos de financiamento, no âmbito do Plano de Agricultura de Baixo Carbono. Portanto, o Paraná também é uma referência, não só nacional, mas internacional, para as práticas sustentáveis.

Eu considero que nós temos uma parceria cada vez mais intensa entre o setor agropecuário e o governo federal. E essa parceria se traduziu em várias áreas, em várias atividades, mas eu queria citar uma, que eu acho que é importante e estratégica e que tem tudo a ver com aqui, com esse Show da Coopavel, esse Show Rural da Coopavel, que é o fato de que nós construímos uma política de crédito, de juros baixos para máquinas e equipamentos, que agora nós estamos talvez na fase mais avançada dessa política. Nós começamos a fazer isso na época do governo do presidente Lula, agora nós chegamos a um ponto, com o PSI, que nós reduzimos de 5,5% para 2,5% os juros cobrados do financiamento. É inequívoco que sem financiamento é muito difícil você fazer com que os agricultores tenham acesso a máquinas e equipamentos agrícolas.

Eu queria lembrar que nós começamos isso há um tempo atrás, quando o MDA começou a fazer toda a sua política de oferta de máquinas e equipamentos agrícolas para a agricultura familiar. Quero, inclusive, reiterar que nós vamos, agora, ampliar essa política. Mas eu estava dizendo das medidas que nós tomamos para ampliar, para sustentar e para apoiar a agricultura. Porque o que nós temos de fazer é apoiar, nós não temos de fazer outra coisa, a não ser apoiar.

Eu considero que o plano agrícola e pecuário que, na safra de 2012/2013 chegou a R$ 115 bilhões, é um exemplo desse apoio. No passado, R$ 115 bilhões jamais era oferecido para a agricultura. Nós, agora, com esses R$ 115 bilhões, financiamos o custeio, a comercialização e os investimentos da agricultura brasileira.

Os recursos, a cada ano, eles vão sendo ampliados, porque a cada ano é maior a demanda, o que é importantíssimo que ocorra porque significa que nós estamos cada vez mais melhorando todas as nossas condições do investimento fruto do investimento na produção, melhorando nossas sementes, melhorando nossas práticas agrícolas. Enfim, esses recursos, eles só têm sentido porque eles visam diretamente quem? O grande, o médio... o grande e o médio produtor. O médio produtor, inclusive, foi muitas vezes esquecido nos programas. Nós, a partir de 2010/2011, começamos a focar no médio produtor, porque tinha programa para o grande, tinha programa para o pequeno, e o médio não tinha um foco específico para ele.

Uma outra questão importante é o fato de que nós também fizemos um plano para a agricultura familiar – um plano para a agricultura familiar – e nós destinamos R$ 18 bilhões. Quando lançamos o plano para a agricultura familiar, que é o fortalecimento do Pronaf, mas também de assistência técnica e outros programas, nós dissemos: se gastarem os R$ 18 bilhões – dissemos isso também no plano dos R$ 115 bilhões –, se gastarem o dinheiro, terá mais. Se gastarem, o que gastarem nós cobrimos. Estamos oferecendo R$ 115 aqui, R$ 18 bi ali, tudo bilhão. O que os produtores conseguirem tomar para custeio e investimento, nós teremos disponível mais recursos.

Eu queria dizer que o Plano Agrícola, tanto o Plano Agrícola e Pecuário de 2013/2014 quanto o da Agricultura Familiar – e este ano nós anunciaremos ambos até maio – terão mais recursos do que este ano. Eu acho que o que marca esses planos são duas coisas. Primeiro, ampliação de recursos; segundo, aquela que eu já disse, que é a redução de juros, porque sem essas duas questões fica muito difícil para o produtor fazer face às suas necessidades, fornecer tanto para o nosso mercado doméstico como para o mercado internacional. E por isso eu reitero mais uma vez: continuaremos fazendo isso na próxima safra.

Eu queria lembrar que este ano a Embrapa faz um aniversário muito significativo, e a Embrapa, nós devemos reconhecer, faz... tem aqui no Brasil um papel fundamental. Ela representa algo que nós, brasileiros, temos de nos orgulhar, que é a capacidade de gerar tecnologia. Eu pretendo dizer para vocês que a Embrapa, nessa área de pesquisa, nessa área de adaptação de cultivares, de pesquisa, de produção, de inovações que o Brasil precisa, ela vai ser sempre uma parceira incondicional do produtor rural, e que nós estamos na reta final para construir a agência, uma agência que vai cuidar estritamente da assistência técnica, porque a assistência técnica é um desdobramento, você precisa de desdobrar esse conhecimento e levar ele a todos os produtores. Essa agência vai funcionar como uma extensão, um braço da Embrapa.

E, por isso, eu queria dizer para vocês que eu tenho certeza que a agricultura brasileira vai continuar sendo uma agricultura na fronteira da tecnologia no mundo, não aqui no Brasil, no mundo. E que nós temos imensa consciência do papel que a agricultura tem na economia brasileira, não só porque ela gera superávits comerciais, não é só por isso. Por tudo que ela engendra na agroindústria que ela é capaz de gerar, na produção de conhecimento, na inovação e na transformação do nosso país num país mais desenvolvido.

Então, vocês tenham certeza: produtores pequenos, produtores médios, produtores grandes, cada um da sua forma, mas todos eles empenhados no acesso à tecnologia de ponta. A tecnologia de ponta não é e não pode ser restrita a alguns, ela tem que estar em todos os setores da agricultura brasileira.

E eu tenho certeza que hoje há uma maturidade do setor, o setor tem maturidade, tem maturidade para enfrentar todos os desafios. As lideranças do setor, na área dos produtores, na área dos trabalhadores, elas hoje têm uma compreensão da importância que é para o Brasil o desenvolvimento simultâneo dos diferentes tamanhos da propriedade.

Eu queria também ressaltar, finalizando, uma outra forma de apoio aos agricultores, que é o que nós fizemos há pouco com os prefeitos. O governo resolveu ter uma política para os prefeitos que está ligada também à questão agrícola, não está ligada só à questão agrícola, mas também está ligada à questão agrícola.

Hoje nós estamos entregando, aqui, 29 máquinas retroescavadeiras. Com elas, nós chegamos a 95 máquinas, e ainda nós entregaremos mais 188 até o final do ano, além das motoniveladoras. A decisão do governo federal que foi, inclusive, expressa na reunião dos prefeitos é que todos os prefeitos de municípios menores de 50 mil habitantes... são quase 90% dos municípios; 89, qualquer coisa; 90% dos municípios no Brasil são menores que 50 mil habitantes. Para todos esses prefeitos nós entregaremos uma retroescavadeira e uma motoniveladora, todos.

E aí eu queria também falar para os senhores que nós estamos fazendo um estudo para completar essa dupla: motoniveladora e retroescavadeira. Eu já ia falar “motoescavadeira” e “retroniveladora”. Bom, uma motoniveladora e uma retroescavadeira. Nós vamos completar também com um caminhão caçamba. Só que o caminhão caçamba nós começaremos a entregar mais para perto da metade do segundo semestre. Primeiro nós entregamos motoniveladora... começamos a entregar as motoniveladoras de forma mais maciça até dar tempo de receber caminhão caçamba.

Bom, para quê tudo isso? O que nós queremos é atacar estrada vicinal. A gente sabe que as estradas vicinais são que nem aquelas nossas veias menores, tão essenciais para irrigar as maiores. Sem as pequenas nós não temos uma irrigação correta do organismo. É a mesma coisa com estrada vicinal. Por ela passa o caminhão do leite, por ela passa o ônibus escolar, por ela passa, sem sombra de dúvida, toda a produção agrícola, toda a produção de proteína animal. Então, é fundamental, para a gente ter uma agricultura sólida, que essas estruturas das estradas vicinais estejam, de uma certa forma, mais bem acabadas, mais bem estruturadas.

Por que optamos por municípios abaixo de 50 mil? É simples, é porque os municípios maiores têm mais recursos. Os municípios menores, eles têm de ter o olho maior do governo para que se possa ter acesso a uma melhoria. É uma questão que, sem sombra de dúvida, é mais fácil para esses municípios maiores ter acesso a uma motoniveladora, a uma retroescavadeira e a um caminhão caçamba.

Por isso eu fico muito feliz, senhores prefeitos, de estar aqui hoje com os senhores, e eu tenho certeza que essa relação entre os governos – o governo estadual, o governo das... os prefeitos, o governo federal – com a agricultura e a pecuária, isso é um estímulo para o Brasil. Isso é a base de um crescimento sustentado em que todos nós pegamos juntos e levamos para frente todo esse processo de produção, distribuição e comercialização, e também de inovação.

Hoje eu fiquei muito impressionada aqui na Feira com... o Dilvo ficou me mostrando uma série de equipamentos para agricultura familiar, que mostra a imensa possibilidade que nós temos, na nossa agricultura familiar, de aumentar a sua eficiência, a sua produtividade, porque tem equipamentos dimensionados para uma pequena propriedade, tanto no que se refere à pecuária como no que refere à agricultura.

Por isso eu queria dizer para vocês que o nosso país vai continuar apostando nessas parcerias, não só a parceria com o segmento privado do país, mas essa parceria também entre nós, entes da Federação. O tempo, de fato, em que o Brasil... o governante olhava para o governador ou para o prefeito perguntando de que partido ele era, esse tempo passou. Hoje eu posso falar pelo tempo que eu estou no governo como presidenta e também pelo que eu passei junto com o presidente Lula como ministra da Casa Civil e de Energia.

Nós não... jamais olhamos para a opção política, para a opção religiosa, para a opção esportiva também do prefeito ou do governador. Isso não pode ser critério para que nós façamos ou não parcerias. Por que é que não pode ser? Porque quem nos elegeu – que elegeu a mim, elegeu aos prefeitos e elegeu ao governador – tem um nome só, não tem dois. Tem um nome: é o povo do nosso país, os brasileiros e as brasileiras. É uma visão absolutamente patrimonialista e oligárquica achar que o Estado ou os recursos do Estado pertencem ao governante. Eles não pertencem ao governante, eles pertencem ao povo deste país e é para ele que nós temos de olhar. Por isso eu fico muito feliz de fazer várias parcerias aqui com o governador e com os prefeitos, além dessa das retroescavadeiras.

Eu queria falar de duas parcerias que eu vou pedir... aproveitar para pedir o apoio dos senhores. Queria falar sobre a parceria com os prefeitos para o Cadastro Único, para nós cadastrarmos os brasileiros e as brasileiras que são aqueles que vivem abaixo da linha da pobreza extrema ou da pobreza, cadastrarmos, fazermos um cadastro único. Por que eu estou pedindo isso? Toda vez que eu falo, que tem prefeito, eu vou explicar para vocês por quê. Porque estamos num momento... a gente fala em tecnologia, eu fiz aquele programa Ciência sem Fronteiras, para mandar brasileiros, 100 mil brasileiros, 101 mil, estudar nas melhores universidades do mundo, porque a Embrapa foi formada assim. A Embrapa, mandaram gente estudar no exterior, e quando ele voltaram para cá, eles juntaram o que eles tinham aprendido com a nossa cultura, e deu a Embrapa. A mesma coisa nós achamos que pode dar em várias áreas. Por isso, mandamos, pagamos a bolsa, a estadia, pagamos tudo, o curso de inglês ou o curso de alemão, ou o curso da língua que for, para eles estudarem lá fora. Ao mesmo tempo, esse país que faz isso, que tem de olhar e ver que tem de ter engenheiro, matemático, físico, químico e biólogo, esse país tem de olhar, também, para a extrema pobreza, porque um país não vira uma nação enquanto uma parte do seu povo vive na miséria, não vira.

Daí que eu peço aos prefeitos que façam, que deem importância ao cadastro, sabe por quê? Quando nós chegamos no governo, nós tínhamos 36 milhões de pessoas cadastradas no Bolsa Família, 36 milhões, desses 36 milhões, 17 milhões já tinham saído da linha da pobreza extrema. Aí nós fizemos o Brasil Carinhoso, o Brasil Carinhoso, que era aquele que dava R$ 70,00 per capita para a família que tivesse criança de zero a 15 anos. Com esse programa nós conseguimos tirar 19 milhões e 500 mil pessoas da extrema pobreza. Faltam, do cadastro, mais ou menos uns 2 milhões e meio. Significa que, pelo cadastro que eu tinha, nós acabamos com a extrema pobreza cadastrada no Brasil, com mais 2 milhões e meio, o que nós pretendemos, nos próximos meses, viabilizar, construir. Portanto, nós precisamos agora de ir atrás dos que não estão cadastrados, do que, por um motivo A, B, C ou D, o município não cadastrou.

E aí eu peço aos senhores, prefeitos. E isso é crucial para o Brasil, muda o patamar do nosso país, transforma esta numa nação que saiu, que tirou a sua população da extrema miséria. Isso faz com que a gente, entre outras coisas, mas isso é essencial, faz com que a gente ande de cabeça em pé em todas as reuniões internacionais, que a gente olhe com igualdade para todo mundo, porque um país que tira sua população da pobreza, ele tem de ser respeitado no mundo em que o contrário está se dando. Países que conseguiram chegar e atingir um patamar de bem-estar, hoje veem, uma parte da sua população, caminhar celeremente e, infelizmente, para a perda de direitos de emprego e de perspectiva. Para nós é fundamental que isso ocorra.

E eu queria finalizar dizendo outra coisa. Eu tenho uma parceria muito importante aqui com o governador, muito importante. Nós temos parcerias na água, no saneamento, na pavimentação, na mobilização de grandes cidades – o metrô –, acho que nós vamos conseguir aqui também dar um salto no Minha Casa, Minha Vida, e tudo isso eu tenho certeza que vai se acelerar.

Mas uma coisa é muito importante, é, de fato... o governador falou uma coisa que é certa: o Paraná precisa de infraestrutura. Por isso, quando nós olhamos o Brasil e vimos que ele era um país continental e vimos que esse país continental tinha de ter ferrovias, e fizemos o plano de dez mil quilômetros de ferrovias já, uma das ferrovias, uma das... Eu não falo nem ferrovia, porque, na verdade, é uma das malhas, parte da malha que tem de ligar tanto a zona produtiva aqui do Paraná aos portos como ao resto do país está, de fato, no programa de investimento em ferrovias.

E eu tenho certeza que a ministra Gleisi vai olhar para esse programa porque, obviamente, a ministra Gleisi, ela, sendo aqui do Paraná, ela vai ter interesse nisso, mas por uma outra razão. Porque hoje nós consideramos que essa parceria aqui em portos, ferrovias, rodovias, entre nós e a iniciativa privada – no caso de portos, com o governador –, ela é fundamental para o país crescer.

É por isso que nós daremos... este país só cresce se os estados crescerem, se os municípios se enriquecerem. Não existe um país fora dos municípios e dos estados. O país é isso. Nós somos o estado do Paraná, todos os brasileiros são o estado do Paraná.

E, assim, eu queria encerrar dizendo que hoje nós todos somos, aqui, a cidade de... o município de Cascavel, e mais, ainda menor, nós somos o Show Rural da Coopavel.

 

Ouça a íntegra do discurso (39min17s) da Presidenta Dilma