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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de entrega de 2508 unidades habitacionais dos Parques Residenciais da Lealdade e da Amizade, do Programa Minha Casa, Minha Vida - São José do Rio Preto/SP

por Portal Planalto publicado 04/04/2014 14h55, última modificação 04/07/2014 20h21

São José do Rio Preto-SP, 4 de abril de 2014

 

Boa tarde a todos vocês, a todos os riopretenses, e a todas as riopretenses, e queria dizer também a todos os moradores aqui da região.

Primeiro, eu quero cumprimentar a Gislaine, para quem eu dei a chave, o Eder, o Gilson, a Maria do Carmo, a Morenita e a Cristine. Todos eles receberam suas chaves aqui do residencial que tem um nome lindo, o residencial que chama lealdade e amizade, talvez os dois grandes sentimentos que a gente tem em relação a todas as pessoas e que a gente deve ter, porque isso melhora não só a vida dos outros, mas a nossa própria vida.

Queria cumprimentar aqui o nosso ministro, o nosso ministro das Cidades, Gilberto Occhi.

Cumprimentar o nosso prefeito de São José do Rio Preto, o Valdomiro Lopes, e queria cumprimentar também a senhora Eliana Lopes. E ao cumprimentar, cumprimento todos os prefeitos, todas as prefeitas aqui presentes.

            Queria cumprimentar o representante do secretário estadual de Planejamento e Desenvolvimento Regional, Júlio Semeghini, neste ato representando o governo de São Paulo.

            Cumprimentar o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha.

            Cumprimentar, aqui, os deputados que integram a minha base e que ajudaram a aprovar esse Programa Minha Casa, Minha Vida: deputados Arlindo Chinaglia, Edinho Araújo, Nilton Lima.

            A mesma coisa os deputados estaduais João Paulo Rillo, Edinho Silva, Itamar Borges, Orlando Bolçone.

            Queria cumprimentar, dirigir um cumprimento especial ao presidente da Câmara de São José do Rio Preto, o Paulo Pauleira,

            Cumprimentar o superintendente regional da Caixa em São José do Rio Preto, o Fernando Tadeu,

            Cumprimentar o empresário, presidente do Grupo Pacaembu, responsável por essas construções, o empresário Eduardo Almeida,

            Cumprimentar aqui os jornalistas, as senhoras jornalistas, os fotógrafos e os cinegrafistas.

Eu, de fato, estive aqui em 2011, como o prefeito lembrou, e entreguei as 1.993 casas do Minha Casa, Minha Vida no Parque Residencial Nova Esperança. Naquele dia, o prefeito me perguntou se Rio Preto receberia mais casas e eu disse que sim. Então, estou aqui hoje para completar essa promessa. Depois de 3 anos eu volto aqui e fico muito feliz de ser uma presidenta, viu, prefeito, que volta aqui por duas vezes no seu mandato - 2011 e 2014. Volto aqui para entregar essas 2.508 novas moradias.

E aí, eu quero dizer para vocês uma coisa: eu sei que, além desses nomes bonitos, amizade e lealdade, além de toda a significação dessas construções, que de fato as casas são bem bonitas, são bem confortáveis, eu visitei uma – a casa da Gislaine -, de fato, tem algo a mais aqui. Além da casa, eu acho que tem uma coisa que é fundamental para cada um de nós. Que é ter o seu lugar para morar, a sua casa, a casa na qual você vai viver, receber seus amigos. A casa onde mora você, sua família, a casa na qual você vive o dia a dia, a vida de cada um de nós, enfrenta as alegrias, enfrenta as tristezas. Mas a casa é um lugar todo especial para cada um de nós. Lá, nós nos sentimos protegidos. Lá, nós temos a certeza que uma parte do mundo é nossa. A casa é isso, é quando uma parte do mundo é sua, não é de ninguém. Então, eu estou feliz de estar aqui porque eu sei que 2.508 novas moradias vão ser preenchidas por vidas. Porque enquanto elas estão vazias, elas só são uma construção. Mas quando você abre a porta e entra, passa a ser o lugar que você vive sua vida.

E aí, eu quero dizer para vocês uma coisa fundamental. Quando vocês abrirem a porta e entrar na casa, entrem de cabeça erguida. Por que de cabeça erguida? Porque a casa é de vocês. Nem o governo federal, nem ninguém deu a casa para vocês. Essa casa, o dinheiro dela vem do imposto que cada um de nós paga nesse país. Ela é de vocês, vocês não devem nada a ninguém, nem à Caixa Econômica, nem ao prefeito, nem ao governo do estado e também não devem ao governo federal que colocou o dinheiro. Porque aí vocês têm de perguntar: de onde veio o dinheiro? Ora, esse dinheiro que nós estamos colocando aqui nessa casa, e colocamos em todas as casas do Minha Casa, Minha Vida, é dinheiro pago por todos os brasileiros, é dinheiro do imposto de todos os brasileiros. Por isso, entrem na casa de cabeça erguida, ela é de vocês.

Quero dizer para vocês uma outra coisa: o que é que um governo tem obrigação de fazer? O governo tem obrigação de olhar para o povo e saber que o povo se esforça todo dia. Que cada um dos brasileiros e das brasileiras corre atrás, busca resolver seus problemas, enfrenta sua vida. As famílias da gente, é óbvio que dão apoio.  Então, o que um governo deve fazer? O governo deve oferecer oportunidades para as pessoas melhorarem de vida. É isso que um governo tem obrigação de fazer: assegurar oportunidade. Casa é oportunidade. Porque na casa... hoje, uma das ganhadoras me disse o seguinte: “agora eu vou poder ficar de olho nos meus filhos”. Uma outra me disse: “Eu estou fazendo 78 anos e é a minha primeira casa”.

Então, quero dizer para vocês isso: a casa tem esse sentido que toda política de um governo que tem compromisso com a sua população tem de ter, que é esse: o que nós temos de fazer é ajudar as pessoas a realizar seu sonhos, a melhorar de vida. Por isso, eu fico muito feliz de estar aqui, porque eu tenho certeza que nós estamos melhorando a vida, ajudando a melhorar, de 2.508 famílias.

E eu queria contar um pouco da história desse programa para vocês. Ele começa, esse programa, começa lá atrás, em 2008, e nós fizemos o primeiro Minha Casa, Minha Vida. Naquela época, a gente não tinha muita experiência, era o primeiro programa de habitação a ser feito, mas nós não começamos por baixo, não, porque na época o presidente Lula me disse: “No mínimo 1 milhão de casas, para começar essa história, no mínimo 1 milhão de casas”.

E aí, no Minha Casa Minha Vida 1, eu era ministra da Casa Civil do presidente Lula, no Minha Casa Minha Vida 1 nós fizemos 1 milhão de casas. Aprendemos, no Minha Casa Minha Vida 2 fizemos 2,750 milhões casas. Os 2 milhões estão nessa situação, vou contar para vocês: nós já entregamos 1,6 milhão moradias pelo Brasil afora. Nesses 1,6 milhão, estão já esse residencial e aquele da Nova Esperança, que estive aqui. Agora, tem mais 1,7 milhão moradias que estão sendo construídas. E daí, quero dizer que aqui, no Minha Casa Minha Vida está em construção em torno de mais de 9 mil moradias.

E eu quero explicar uma coisa para vocês, como é que a gente pensou o programa. Sabe como é que era antes? Por que no Brasil tem essa quantidade de gente sem casa? Porque achavam que era só uma questão que o mercado ia resolver. Ora, como é que o mercado ia resolver um problema onde não fecha as contas? Uma casa que custa R$ 70 mil, como é que alguém pode comprar se não tiver uma contribuição do imposto de todos os brasileiros? Como é que ele pode? Não pode, se ele ganha até R$ 1.600. Não consegue pagar. Então, o que o governo fez? Enfiou a mão no bolso do dinheiro arrecadado e disse: esse dinheiro tem prioridade, ele tem de ir para o pagamento das casas para que o Brasil tenha uma política de moradias em que as pessoas possam ter acesso à sua casa própria.

Por isso eu quero dizer, eu vi uma porção de gente aí que não foi sorteada, que estava tenso. Eu quero avisar para as pessoas que nós vamos deixar prontinho o Minha Casa, Minha Vida 3. A senhora pode ficar descansada, esse programa não vai parar não. Nós vamos deixar pronto o Minha Casa, Minha Vida 3. Então, a senhora pode ter certeza que o povo brasileiro não deixa um programa como esse parar.

Eu quero dizer uma outra coisa: o ministro mostrou aquele cartão, quando a pessoa recebe a chave, ela recebe um cartão. Esse é um cartão de crédito, nele tem a possibilidade de se gastar R$ 5 mil. Esses R$ 5 mil, você não precisa de gastar logo depois que você recebe o cartão, não precisa também de gastar, de jeito nenhum, mas de jeito nenhum, se você não precisar de comprar alguma coisa nova. Mas se você precisar, você tem esse cartão e você pode comprar móveis e pode comprar eletrodomésticos. Nos eletrodomésticos, tem de computador, passando por fogão, geladeira e, obviamente, o preço é um preço mais em conta do que o preço que se paga se você for comprar numa loja. Por isso, você pesquisem, peçam descontos, e vocês tenham certeza, não precisa sair correndo, não.

Eu fico muito feliz de estar aqui. Se você contar o programa Minha Casa, Minha Vida 1, programa Minha Casa, Minha Vida 2 aqui hoje, em São José do Rio Preto, nós chegamos a 12 mil e 600 casas. Aí temos em fases variadas de construção, contratados aqui, 9 mil e 300. Aí nós chegamos a algo como perto de 21 mil. Se você multiplicar por 4, vai dar umas 87 mil pessoas, que acredito que é 1/5 da população aqui de São José do Rio Preto.

Isso não significa que o programa acabou aí. Ele vai continuar, só que ele vai continuar no quadro dos programas, do final do Minha Casa Minha Vida 2 e, depois, do Minha Casa Minha Vida 3. Por isso, eu quero dizer hoje para vocês que é um momento, para mim, muito especial. Nós estamos aqui, olhando com todo o interesse, todo o interesse, para a situação aqui de todas as pessoas, não só do Residencial Lealdade e Amizade, que a gente dá essa prioridade porque são as pessoas mais pobres, mais vulneráveis, ou com familiares e não têm onde morar, mas também a gente olha para todo o município de São José do Rio Preto.

Para vocês terem uma ideia, para ter uma ideia, eu acredito – e aí o prefeito pode me confirmar ou não –, mas eu não acredito que concentrado num período houve um governo federal que colocou tanto dinheiro em São José do Rio Preto. Obrigada, nunca. Nós estamos, para vocês terem uma ideia, colocando perto de R$ 700 milhões aqui. É mobilidade urbana, é pavimentação, é saneamento, principalmente sistema de esgoto sanitário, é sistema de águas, ampliação da estação de tratamento, acesso à água através de adutora, prevenção de área de risco, canalizando e drenando dois trechos do Rio Preto, enfim, é a BR-153, é o aeroporto que nós vamos fazer, aqui em São José do Rio Preto.

Mas, eu queria falar de duas coisas... É, eu já falei mobilidade urbana, que é importante, implantação de corredor, terminal, bicicletário, ciclofaixa, no total de R$ 201 milhões. Obrigado, prefeito.

Mas eu queria também dizer outra coisa. Eu queria falar aqui sobre educação, eu queria falar sobre educação. Primeiro, eu quero falar sobre o Pronatec, porque o Pronatec é um programa especial e pode beneficiar cada um ou cada uma aqui presente, mulher e homem, e saibam que as mulheres geralmente são 52% do programa, ou seja, são mulheres que buscam o programa. O que é o Pronatec? O Pronatec é um curso de capacitação profissional. Para quê? Para as pessoas terem um salário melhor. Esse curso profissional, o governo faz, o governo paga integralmente, ele é grátis. E se dá aonde? Nós fizemos uma parceria com o sistema S, como o Senai e o Senac, por exemplo. Esse curso é assim: o governo entra com as suas escolas técnicas, o Senai e o Senac entram com as suas vagas, com as suas escolas, e nós formamos e capacitamos as pessoas. Para que a gente faz isso? Porque o Brasil precisa de cada um de nós, precisa da senhora, do senhor, precisa daquele pessoal que está lá no fundo, o que está no meio e o que está aqui na frente, precisa de todo mundo. Para que todo mundo possa dar a sua contribuição o Brasil, qual é a minha obrigação? É fazer com que cada um possa sempre melhorar com a contribuição que dá. Como? Ele fazendo um curso, ele se capacita, ele se capacitando, ganha ele, a família dele, ela e a família dela, e ganha o Brasil. Então, o Pronatec é isso.

E aí eu quero cumprimentar São José do Rio Preto, porque aqui 12 mil matrículas foram realizadas. Mas o que quero pedir é que mais pessoas procurem os cursos do Pronatec. Além disso, eu queria falar aqui que tem 6 mil e 700 alunos com bolsas do ProUni. Sem essas bolsas, eles não conseguiriam cursar uma universidade. O que é muito importante, cada um aqui sabe como é importante que seus filhos, seus parentes e até a gente mesmo curse uma universidade.

E aí eu vou falar de mais um programa que é o Mais Médicos. Por que eu vou falar do Mais Médicos? Está aqui, inclusive, o ex-ministro da Saúde que ajudou o governo a elaborar o Mais Médicos. Por que Mais Médicos? Porque a gente sabe que o Brasil, se você comparar com o Uruguai e a Argentina, tem menos médicos por habitante. Então, a gente sabe que cada um de nós aqui precisa de médico. Todo mundo precisa de médico. Não precisa de ir no hospital, não precisa de ir na UPA, não precisa de ficar na fila se tiver médico no posto médico,  porque mais de 80% dos nossos problemas a gente resolve lá no posto médico. Que problema? Pressão alta. Pressão alta, se você medir e controlar, tomar seu remedinho, você resolve lá. Diabetes, asma, enfim, as doenças do cotidiano você resolve no posto médico. Não tinha médico suficiente, nós chamamos primeiros os brasileiros formados aqui. Depois, chamamos os médicos que tinham diploma fora do Brasil. Hoje, nós estamos no mês que nós vamos chegar à meta. Os municípios que pediram médicos, nós estamos colocando 13.235 médicos para atender a população brasileira. Aqui em São José, eles estão chegando agora, em abril, e nós temos certeza que eles farão a diferença, as senhoras aqui presentes, os senhores, os jovens, as crianças, os mais velhos, como eu, vão ter acesso agora a um médico que vai te atender de segunda a sexta, cumprindo horário comercial. Por isso eu falei nesse programa.

E aí, eu quero dizer mais uma coisa: um governo, ele só tem uma régua, a gente tem régua para medir tudo, mede pano, mede o tamanho da criança, a gente mede com a régua. Como é a régua de medir governo? A régua de medir governo é a capacidade que o governo tem de ajudar as pessoas a melhorar de vida. Por isso que eu falei nesses programas. A gente tem uma régua para medir. Eu sei que é necessário melhorar mobilidade urbana, eu sei que é necessário melhorar o abastecimento d’água. Agora, é também importante ter casa, ter educação, assegurar o acesso à educação para todos os brasileiros, ter médicos, e é isso que nós estamos fazendo. Então, eu acho que sempre a gente tem de usar a régua. Para quê? Não é para ficar contente, sugiro que vocês não fiquem contentes, porque na vida tem de ser assim: tudo que a gente conquista é só um começo, toda vez que a gente conquista uma coisa, a gente tem de querer mais.

Então, eu quero aqui, todo mundo que está recebendo uma casa hoje, já que recebeu a casa, queira que seus filhos, suas crianças, seus netos, eles estudem, porque aí eles vão melhorar de vida, e nós vamos melhorar, o Brasil inteiro vai melhorar com eles. Por isso que eu digo para vocês: agora nós vamos avançar ainda mais. Primeiro, garantindo que aqueles que não chegaram a ter casa, tenham sua casa; depois, garantindo que aqueles que já têm a sua casa, tenham mais educação, mais saúde, mais mobilidade urbana. O que é mobilidade urbana? Transporte público de qualidade. E, sobretudo, que eles procurem, procurem realizar seus sonhos. Sabe por quê? Porque o Brasil, o Brasil é do tamanho dos sonhos de cada um dos brasileiros e das brasileiras, porque quem constrói o Brasil não é um governo, nem federal, nem estadual ou municipal, quem constrói o Brasil é cada um dos homens, das mulheres que lutam todos os dias pra melhorar suas vidas e realizam seus sonhos.

Por isso, eu dou os parabéns àqueles que receberam a sua chave. E continuem brigando e lutando por uma vida melhor. Um abraço.

 

Ouça a íntegra do discurso (27min10s) da Presidenta Dilma Rousseff