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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de contratação do Metrô de Curitiba e lançamento do edital da Parceria Público-Privada - Curitiba/PR

por Portal Planalto publicado 09/05/2014 21h37, última modificação 04/07/2014 20h22

Curitiba-PR, 09 de maio de 2014

 

 

Boa tarde a todos. Eu queria cumprimentar o nosso vice-governador do Paraná, Flávio Arns.

Cumprimentar o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet e a senhora Márcia Fruet.

E cumprimentar o ex-governador do Paraná, Orlando Pessuti.

Hoje, aqui, nós, de fato, estamos celebrando, além da obra, uma parceria entre o governo federal, o município e estado, algo que é fundamental para o país, principalmente numa relação republicana entre nós todos.

            Queria cumprimentar também o ministro de Estado Gilberto Occhi, das Cidades; e o ministro das Comunicações, o paranaense Paulo Bernardo.

            Queria dirigir um cumprimento especial à senadora Gleisi Hoffmann, que foi, até há pouco tempo atrás, ministra-chefe da Casa Civil, e que contribuiu muito para esta cerimônia de hoje.

            Cumprimentar e agradecer pelo apoio dos deputados federais a todos os projetos de investimento aqui no Paraná e, também, aos investimentos sociais. Deputados federais: Ângelo Vanhoni, a Rosane Ferreira, o Doutor Rosinha, e a todos os deputados federais que votaram conosco.

            Dirigir um cumprimento muito especial ao Edson Campagnolo, presidente da Federação das Indústrias do Paraná, da Fiep, e agradecer pelo fato de que nós estamos aqui, na Casa das Indústrias.

            Queria também já iniciar a minha fala dizendo que eu tenho tido muito orgulho da parceria que nós estabelecemos para construir o Pronatec com todos os órgãos da CNI e as federações de cada estado, e o Sistema S como um todo, e aqui, em especial, com o Senai e o Senac, o Senar e o Senat, ou seja, todos os órgãos do Sistema S. Fico muito feliz de estar aqui hoje,

Queria também cumprimentar o secretário nacional de Transporte, o Júlio Eduardo dos Santos,

            Cumprimentar a vice-prefeita de Curitiba, a companheira querida Mirian Gonçalves,

            Cumprimentar o vereador Paulo Salamuni, presidente da Câmara de Curitiba,

            Os secretários municipais aqui presentes, do governo, Ricardo MacDonald, da Administração; do Planejamento e Gestão, Fábio Scatolini, aliás, Scatolin.

            Queria cumprimentar Sérgio Pires, presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano,

            Cumprimentar o Roberto Gregório da Silva Júnior, presidente da Urbanização de Curitiba,

            Queria cumprimentar a todos os participantes de sindicatos empresariais e sindicatos de trabalhadores,

            Cumprimentar dirigentes e lideranças dos movimentos sociais,

            Cumprimentar a todos os participantes desta cerimônia neste auditório e no salão Caio Gruber Amaral, ao lado, por telão,

            Queria também cumprimentar as senhoras e os senhores jornalistas, os senhores fotógrafos e cinegrafistas,

Senhoras e senhores,

 

Eu estou aqui hoje numa cerimônia que para nós todos no Brasil é muito importante. O prefeito Gustavo Fruet falou algo com o qual eu concordo: o Século XXI é o século das grandes cidades. Cidades antes médias se transformarão cada vez mais em grandes cidades. Esse impust para urbanização, que atinge todo mundo, transforma o país e os outros países do mundo em nações extremamente urbanizadas. Nós vamos ter de saber lidar com o processo de transformar essa tendência em uma tendência mais humana.

Uma parte disso implica em criar condições para as pequenas e médias cidades do país serem adequadas e atraírem a presença, e garantirem a presença das populações naquelas regiões. Mas, em outra parte – e isso diz respeito, aqui, diretamente a nós –, eu perguntei há pouco para o prefeito qual é a população de Curitiba. Ele me respondeu: 1,8 milhão pessoas. Mas a população dessa região toda, da Grande Curitiba está em torno de 3 milhões, portanto, trata-se de uma grande metrópole. Sem a questão do transporte público resolvido, transporte público de qualidade resolvido, nós não resolvemos a questão da mobilidade dentro da cidade, de como nós, sem perder uma coisa que é um sinônimo de vida, que é o tempo, é o tempo que nós estamos aqui discutindo, sem isso nós teremos uma cidade cada vez mais desarticulada.

Curitiba e outras cidades que estão em processo de transformação em grandes metrópoles têm a oportunidade rara que as demais cidades do Brasil, as grandes, como São Paulo e Rio, não tiveram. Nós podemos agora iniciar um processo de investimentos em parceria, no sentido de garantir que as cidades tenham acesso a trilho, é muito importante trilho. Aqui vocês criaram uma variante do trilho que era a caneleta segregada, vocês criaram antes de muitas cidades do mundo. Eu vivo dizendo que o BRT é o nome em inglês para o Expresso, nada mais do que isso, e vocês criaram o Expresso lá atrás. Mas, seja trilho, seja canaleta, trata-se de garantir um transporte rápido, seguro e eficiente, e que poupe o tempo das pessoas, e que garanta uma vida mais humana, em que as pessoas possam se apropriar dos espaços urbanos.

Então, eu estou aqui hoje num momento muito importante, porque nós sabemos que não se investia em metrô no Brasil. E não se investia em metrô no Brasil por uma questão muito simples: a equação não fechava. Ou o governo federal que, apesar de não ter a responsabilidade constitucional pelo transporte urbano, tem responsabilidade constitucional pela segurança e conforto das pessoas, o governo federal pouco participava de esforços como esse dos metrôs. Aí tem de articular o governo federal, a prefeitura, o governo do estado e a iniciativa privada. É essa articulação que permite a viabilidade do metrô.

E aí eu vou falar uma coisa para vocês, que eu acho importante: o governo coloca, sim, recurso do Orçamento Geral da União. Nós arrecadamos, nós colocamos esse dinheiro a fundo perdido. Por que colocamos o dinheiro a fundo perdido? Porque é absolutamente necessário colocar, caso contrário o projeto não ocorre. Mas aí eu quero contar outra coisa: também é necessário um padrão de financiamento. É necessário que você tenha um financiamento que seja adequado ao projeto. Vocês acham que dá para financiar um metrô em 7 anos, em 10 anos, em 20 anos? Não dá, não. O financiamento federal a metrôs é 30 anos, com 5 de carência e 5% de juros, só assim é viável o metrô. Portanto trata-se, ao contrário do que alguns dizem por aí, trata-se de subsídio, e subsídio é necessário no Brasil, sim. Há que subsidiar vários segmentos, porque senão não tem obra, não. Foi só quando nós conseguimos chegar nesse padrão que nós conseguimos, no nosso plano de mobilidade urbana, construir nove metrôs hoje, estão em construção nove metrôs. Cidades que não tiveram metrô, como é o caso de Curitiba, como é o caso de Porto Alegre, passaram a ter essa possibilidade. E isso é um luxo? Não é um luxo, não. É uma necessidade básica. É necessidade básica como é necessidade da cesta básica. As pessoas terão de se movimentar na cidade, portanto elas precisam de um transporte público de qualidade. E aí tem outra questão que é muito importante e que vocês aqui têm toda uma experiência, que é a integração dos modais.

Hoje nós estamos aqui para anunciar o metrô e três BRTs. Por que os BRTs? Que são... O BRT, na verdade, eu tinha de chegar aqui e falar: os três expressos, os três expressos. Eu antes estava falando, em todo o Brasil, que eram os três ligeirinhos, mas aí me explicaram que o expresso é melhor que o ligeirinho. Então, vou desdizer tudo o que eu disse: é três expressos, porque é a canaleta segregada. E é isso que eu queria dizer. Eu pensava que o expresso chamava ligeirinho, até porque o nome é bonito, viu? Para nós é muito bonito. Mas, eu digo isso em todo o Brasil: BRT é isso, é uma experiência nascida aqui no Brasil. Vocês aqui do Paraná têm de ter muito orgulho disso, é algo importante, foi uma visão, não é? Uma visão inovadora do processo de transporte urbano.

Então, essa integração, nós estamos querendo que ocorra em todo o Brasil. Não é só aqui, mas em todas as grandes cidades. Aí, nós colocamos R$ 143 bilhões para fazer os investimentos em todas as regiões do país. Até agora, aqui dessa carteira que hoje nós estamos anunciando, que juntando todos nós dá 5,260 bilhões, nós colocamos, entre Orçamento Geral da União e investimento, nós colocamos 3,2 bilhões. Tudo bem.

No Brasil inteiro, nós estamos com esses R$ 143 bilhões. Mas eu quero dizer para vocês o seguinte: por que isso é importante? Por que o investimento em mobilidade, em todo o Brasil, é um compromisso do governo? Por conta do seguinte: nós conseguimos, ao longo dos últimos 12 anos, nós conseguimos melhorar a renda da população. Então, a renda da população cresceu 70%. Criamos 20,2 milhões novos empregos com carteira assinada, dentro do meu governo nós criamos 4,8 milhões, se contar o meu governo e o do Lula foi 20 milhões. Mas nós também elevamos para a classe média 42 milhões de pessoas. Isso significou que as pessoas começaram a poder consumir. Mas não cresceu no mesmo ritmo os serviços, e a mobilidade urbana é um dos principais serviços públicos que um país necessita fornecer para sua população.

Então, os governos federais, com exceção do governo do presidente Lula, nos últimos 2 anos do período dele, não investiam em mobilidade urbana. Nós, como sabemos que dentro dos serviços públicos este é um dos mais importantes para as pessoas, passamos a investir e construímos essa carteira de R$ 143 bilhões, dos quais nós já tínhamos 93 antes das manifestações de junho e, depois das manifestações de junho, no ano passado, agregamos mais 50 milhões. E fizemos isso porque entre saúde, educação, segurança e mobilidade, essas são as quatro mais importantes demandas por serviços públicos que a nossa população tem.

E é bom a gente lembrar o seguinte: serviço é uma coisa, público, de mobilidade urbana, metrô é uma coisa que leva tempo. O prefeito está dizendo aqui, ele assinou hoje, aí ele vai fazer o edital, aí o edital vai escolher quem é que vai ser o ganhador. Aí começa a construção, não é, prefeito? Aí começa o problema. Nós sabemos, começa o problema. Aí, dia sim e o outro também, nós vamos ter de cuidar de resolver o problema. Aí nós temos um compromisso: nós temos de correr atrás do prazo, porque nós estamos correndo atrás do prejuízo que foi não ter esses investimentos no passado. Trata-se disso, trata-se do fato de que nós agora temos de dar conta da nossa época e do passado que não foi feito. E todos nós, que somos gestores públicos – o Pessuti que foi, o Arns que é, o Fruet que é –, todos nós corremos nessa direção. É fundamental que nós façamos isso.

Eu fico muito feliz de estar aqui, porque nós temos um nível de investimento muito importante aqui no Paraná. Eu tenho vindo aqui várias vezes e tenho um grande compromisso com o Paraná. Antes de eu passar para a outra questão, eu quero fazer um comunicado. Eu recebi um presente, eu pensei o Fruet ia me dar o carneiro, já tinha aceitado o carneiro do Fruet, pensei em botar ele comendo a grama do Alvorada. Mas eu te asseguro que ele me deu... Não sei se vocês viram direito, mas ele me deu um presente belíssimo, que é uma caixa de marchetaria e dentro tem uma obra, quatro obras de arte, que são pêssankas, que são muito bonitas. Então, eu agradeço ao Fruet não ter me dado o carneiro. Mas, ô Fruet, da próxima vez eu aceito, hein?

Bom, mas antes... Ele me deu esse presente. Eu já tinha vindo aqui e estou trazendo também o meu presente, Fruet. O meu presente é algo que eu sei, sei pela Gleisi, que lutou muito por isso, mas sei que é importante para vocês, imagino o quanto, que é a inclusão no PAC do contorno sul de Curitiba, da BR-376. É uma restauração e uma adequação da capacidade com 14,5 km. O valor vai ficar em torno de... a gente ainda vai fazer a licitação, eu não posso precisar o valor, até porque o valor é objeto de disputa. É um avaliação que vai ficar em torno de R$ 400 milhões, um pouco menos, um pouco mais, depende da licitação que vai ser por RDC Integrada, porque o nosso objetivo é nos esforçarmos todos para fazê-la até o final de agosto. Nós sabemos a importância dos contornos nas metrópoles. Nós sabemos, porque antes, muitos dos lugares por que passam hoje rodovias, antes eram zonas afastadas. Com o crescimento das cidades, você passa a ter rodovias cortando o centro da cidade, zonas industriais, zonas residenciais, até, em algumas cidades. Aqui, que eu saiba, corta uma zona industrial, não é isso? E eu acredito que essa é uma obra importante para completar essa questão da mobilidade urbana aqui, para evitar esse transporte de cargas por dentro da cidade. É o meu presente em troca do futuro carneiro. Ô Fruet, lá já tem ema, já tem arara, já tem peixe, tem galinha, pato, e agora tem dois carneiros. Espero que eles convivam pacificamente.

Mas o que eu queira dizer para vocês? O meu compromisso aqui com o estado tem a ver com o fato de ser esse um dos estados estratégicos para o nosso país. O nosso país é um país diverso, um país que tem a sua riqueza nessa diversidade. Cada estado tem um papel na Federação, cada estado dá a sua contribuição. Aqui, o estado do Paraná sempre deu a sua contribuição pela qualidade da sua população. Nós temos aqui um nível de escolaridade bem alto, nós temos aqui também um agronegócio forte, uma agricultura familiar forte, nós temos aqui uma indústria muito significativa. Mas, sobretudo, é importante toda a riqueza que o Paraná significa para o Brasil. E daí eu sempre olhei com muito cuidado para a questão logística. E eu queria dar uma informação para vocês: o investimento do governo federal em rodovias, considerando BR-153, trecho Paraná; 158, trecho Paraná; 163, trecho Paraná; 277, Paraná; 376, Paraná; a 487, monta em R$ 2,262 bilhões. E no porto de Paranaguá, estou falando isso por conta da importância do escoamento da safra, de toda a questão ligada à logística neste estado aqui, também o porto de Paranaguá, nós estamos fazendo uma dragagem de aprofundamento de 220 milhões.

Mas hoje, como eu estou aqui, eu conversei muito com o presidente aqui, da Federação das Indústrias do Paraná, eu falei com ele uma coisa importante sobre os Institutos Senai de Inovação. Eu tenho muito orgulho de um programa que nós compartilhamos na parceira. É um programa que não seria o sucesso que é se não tivesse a presença do Sistema S e dos Institutos Federais Tecnológicos de Educação, e Ciência e Tecnologia.

E aí eu, inclusive, quero ver se eu consigo dar pelo menos uma olhada no nosso Instituto Senai de Inovação, aqui do Paraná, que tem um foco em eletroquímica e, pelo que eu saiba, também em materiais e nanotecnologia. Por que eu estou falando isso aqui para vocês? Porque eu acho que o Paraná tem uma contribuição importante a dar para o Brasil na área da inovação. Inovação, para nós, vai ser algo estratégico, e quando a gente fala em inovação, a gente tem de falar de educação, tem de falar dessa parceria feita por nós, que é o Pronatec.

Então, vou falar do Pronatec. O Pronatec é um programa que nós temos por objetivo, desde a sua elaboração e do seu início, formar 8 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, de jovens, mulheres, homens, adultos, de todas as idades em quê? Em três, vamos dizer, em três níveis: um que é o nível do ensino técnico de nível médio, é garantir ou a simultaneidade do curso, ou que ele seja sequencial, ou seja, depois que a pessoa acabou o ensino médio ela possa fazê-lo. Que bom, você é estudante do Pronatec? Você faz o quê? Alfaiataria.

Bom, eu acho importantíssimo, então tem esse. Depois, a grande maioria, que é o curso que a gente chama de qualificação profissional, capacitação profissional, que é um curso menor, porque esse, do ensino de nível médio, o técnico de nível médio, é entre um ano e meio a dois. Esse outro vai até quatro meses. E tem uma parte do Pronatec que é muito importante, que é para todas as pessoas que estão no Bolsa Família ou no Cadastro Social, o chamado Pronatec Brasil sem Miséria, que é permitir que essas pessoas tenham uma porta para o mercado de trabalho, se formando em várias, mas variadíssimas categorias de cursos, variadíssimas. São mais de 400 cursos, tipos de cursos que têm a ver com o mercado.

E aí? Por que estou falando isso? Porque faz parte do Pronatec os chamados ISI, que são esses Institutos Senai de Inovação, porque nós fizemos uma parceria com a CNI e fizemos um financiamento também de prazos adequados para que o Senai pudesse construir laboratórios de inovação e laboratórios tecnológicos. Isso é crucial para o Brasil porque muda a produtividade do país. Ao mudar a produtividade do país, muda da indústria, muda da agricultura, muda dos serviços, muda de todas as áreas. Esse é um esforço que eu acredito que é um dos programas mais importantes, e estou me referindo aqui porque eu sei que a Federação das Indústrias do Paraná tem um papel estratégico e de qualidade no fornecimento desses cursos, e é um padrão importante para todo o país. Por isso, eu queria agradecer essa parceria.

Eu acredito que nós temos hoje uma grande... um compromisso e missão, que é a questão da educação. Eu falei do Pronatec, mas eu quero falar para vocês da educação em geral. Eu tenho imenso interesse em elevar a presença do governo em todas as atividades educacionais. Inclusive passamos no Congresso a transformação de 75% dos royalties do petróleo e de 50% do excedente em óleo do pré-sal para a educação, por quê? Porque nós sabemos, todos nós, que uma das coisas mais importantes é o caminho da educação, porque ele cumpre dois papéis: um papel que é garantir a mobilidade, a mobilidade de ascensão social no nosso país. Quanto mais uma pessoa estudar, quanto melhor for a qualidade do curso, quanto melhor ela for formada, mais nós vamos tornar permanente a ascensão social que nós fizemos pela renda e pelo emprego. Vamos mudar de patamar isso.

Segundo, nós temos de ser um país que adentre à economia do conhecimento. Daí porque temos de formar pessoas capazes de serem técnicos, universitários, de serem pesquisadores, cientistas e, portanto, sejam capazes de inventar, inovar, enfim, transformar cada vez mais o nosso país num país em que o valor dos 201 milhões de brasileiros seja o valor da qualidade do seu trabalho, da sua gestão, da sua governança.

Então, eu acredito que creche, creche, que é algo fundamental para nós. Antes eu pensava que era para beneficiar a mãe, muitas vezes eu falei: “A mãe precisa de creche”. Quem precisa mesmo de creche é a criança, é a criança, os brasileirinhos, as brasileirinhas, para terem as mesmas oportunidades. Porque de 0 a 3 anos você forma, e eles vão ter as mesmas oportunidades. Daí, eu agradeço também ao Fruet pelo seu esforço nessa área. Precisamos de escola em tempo integral, precisamos de alfabetizar na idade certa, precisamos do Pronatec, precisamos de ampliar o acesso dos estudantes deste país ao ensino universitário e precisamos de garantir que eles estudem no exterior.

Pois bem, tudo isso precisa de uma coisa, que é professor bem pago. Qual é a importância dos royalties do petróleo? De onde vai sair o dinheiro para a gente fazer esta que vai ser para mim uma das maiores transformações do país? Vai sair do petróleo, só pode sair dali. Por isso os 75% dos royalties mais os 50% do fundo social, são estratégicos, por quê? Sem esse dinheiro nós não conseguiremos pagar bem os professores. Isso vale para o município, vale para o estado e vale para a União. É desse bolo que sairá isso. A nossa sorte é que esse bolo existe, vai começar a ser arrecadado, e nós vamos ter de trilhar esse caminho. Esse é o grande caminho. Se perguntarem para mim: qual é o grande caminho do futuro? É conseguir transformar a profissão de professor em algo extremamente reconhecido socialmente, mas também fazer com que os nossos professores sejam aquelas pessoas em que a gente enxergue a dedicação, a competência, a capacidade, porque tem de formá-los, nós vamos ter de gastar dinheiro formando professor cada vez melhor, atraindo cada vez, para a profissão de professor, os grandes talentos. Enfim, trata-se de, no Brasil, iniciar um processo de pactuação, e esse pacto implica que a sociedade, os governos, irão remunerá-los, mas em troca eles também darão o melhor dos seus esforços para que nós possamos dar um salto significativo.

Daí eu quero explicar para vocês porque eu gosto tanto do Pronatec. Eu gosto por conta que é outro caminho de oportunidade, porque a educação tem vários caminhos e várias oportunidades, uma é o Pronatec. Você olha para o mundo e vê que o mundo não forma só universitário, não. Um técnico de nível alto é uma pessoa extremamente valorizada em todo o mundo. Muitas vezes até, um técnico muito especializado ganha mais que universitário. Então, o Brasil tem de valorizar certas coisas, tem de valorizar o ensino técnico, e eu fico muito feliz porque aqui, fiz toda essa conversa para dizer que 310 mil matrículas do Pronatec nós conseguimos aqui, e pretendemos que tenham nos próximos períodos mais matrículas.

Aqui o ProUni também é muito significativo. São 117 mil estudantes que têm acesso ao ensino privado via o ProUni. Também o Fies, que é o financiamento educacional que o governo faz, também subsidiado, ao contrário do que alguns não querem, tem de ter financiamento subsidiado para a educação, sim, 80 mil contratos. E acho muito significativa a quantidade de pessoas que fazem o Ciência Sem Fronteiras, que têm acesso às melhores universidades do mundo, que chegam quase a 4,5 mil pessoas. São todos esses cursos que nós pretendemos que sejam cursos de estado, ou seja, que sejam permanentes daqui para frente.

Queria dizer também que o Minha Casa Minha Vida aqui no estado do Paraná é um orgulho para nós, porque aqui nós já fizemos um investimento, nessa questão do Minha Casa Minha Vida, de 15,3 bilhões. Nós colocamos... 5,6 bilhões desses 15 são subsídio, senão a conta não fecha. Como uma pessoa que ganha até R$ 1.600 pode pagar uma casa que aqui está em torno do quê? 56? Quanto que está? 62? Aqui, em média, R$ 62 mil. Não paga. Pelo mercado ela não paga, ela não consegue, a renda dela vai ser comprometida em mais de 30%. Daí porque eu acredito que esse é um dos melhores e mais importantes programas do Brasil. Por que ele é um bom programa? Porque não só ele distribui renda, ele distribui riqueza, porque o dia que essa pessoa, daqui a 10 anos, concluir... Porque ela tem 10 anos para pagar a casa, e ela paga com um limite de 5% da renda dela. Quando concluir esse processo nós vamos ter, e ai falo também para o varejo, para as grandes redes e as pequenas redes de varejo, essa pessoa vai ter riqueza que ela nunca teve, vai ter patrimônio. Ter uma casa é ter patrimônio. Nós não só estamos distribuindo renda, mas nós estamos também assegurando o acesso ao capital a essas pessoas. Porque 60%... Obrigada pelo seu entusiasmo. Nós temos aqui um companheiro muito entusiasmado, eu estou agradecendo a ele. Muito obrigado. Não, não, é ótimo quando você tem uma pessoa entusiasmada, que você vai ficando também.

Então, eu queria dizer para vocês, eu queria dizer que o Paraná terá sempre, da parte do governo federal, a disposição de parceira com todas as instâncias, sobretudo também parcerias com o setor privado, tanto no que se refere, aqui, à indústria... Eu poderia falar bastante sobre a questão da agricultura, porque aqui, por exemplo, é um dos estados em que o nosso Plano Safra mais financia. Aliás, em mais essa questão, os financiamentos são subsidiados, o Plano Safra inteirinho é subsidiado, nós emprestamos a juros mais baixos que os juros praticados na Selic. E como é que a gente faz isso? Dado o nível de juro, dado que nós oferecemos para o produtor, nós pagamos a diferença, não é, Paulo Bernardo, que sempre foi responsável, no passado, pelo pagamento dessa diferença Ou seja, nós subsidiamos a agricultura. Nós subsidiamos a agricultura porque é fundamental que ela cresça, que ela gere renda, que os produtores tenham acesso a todos esses benefícios.

Então, eu quero dizer aqui também que nós vamos lançar o Plano Safra agora, daqui a duas semanas, acho que dia 19, segunda-feira, e certamente, na questão da agricultura de agronegócio o Paraná será bastante contemplado. Mas, sobretudo, na semana seguinte, no dia 26, também quando nós lançarmos o Programa da Agricultura Familiar, que beneficia a agricultura familiar e cooperativas. Em todos esses programas o Paraná é uma das áreas muito beneficiadas.

Eu queria finalizar dizendo para vocês que no agronegócio, por exemplo, nós tivemos 16,7 bilhões em financiamento rural concedido a produtores e cooperativas, e na agricultura familiar tivemos quase 126 mil contratos do Pronaf, com créditos também muito significativos. E também compramos produtos do PAA, do Programa de Aquisição de Alimentos.

Finalmente, eu chego no fato que nós, aqui, para os municípios até 50 mil habitantes, já entregamos todas as retroescavadeiras, e que faltam apenas 82 motoniveladoras e 87 caminhões-caçamba. Isso para 367 dos municípios aqui do estado, num total de 92% de todos os municípios, que nós distribuímos esse kit de máquinas completamente modernas para todos os prefeitos de todas as cidades até 50 mil habitantes.

Por que eu acabo com isso? Porque se nós fizemos metrô, se nós fizemos metrô, se nós investimos em BRTs, se nós investimos em pavimentação 500 milhões, é justo que nós também, nas pequenas cidades, ofereçamos condições para que elas possam garantir que as estradas vicinais sejam adequadas não só para o escoamento da safra, principalmente aqui, num estado que tem uma produção, em pequenas propriedades, tão forte, mas também para que as pessoas, as crianças andem pelo caminho da escola, aqueles onibusinhos amarelos, ou usem o SAMU para transportar ambulância, enfim, trafeguem pelas suas regiões.

Então, nós demos a retroescavadeira, a motoniveladora e o caminhão-caçamba, um de cada um para cada um dos municípios até 50 mil habitantes aqui, ao estado, sem olhar se eles torciam pelo Paraná ou pelo Atlético, o Coxo, o Roxo, não olhando isso, que é uma questão delicada, não olhamos. Não olhamos o partido ao qual o prefeito pertence, nem tampouco qualquer outra questão que pudesse distinguí-lo. É para todos os prefeitos, sem exceção.

Eu agradeço a atenção de vocês. Mais uma vez quero dizer que o governo federal é parceiro do Paraná, é parceiro de Curitiba, é parceiro de todas as outras cidades às quais nós concretamente temos parceria, que são as mais variadas do estado.

Muito obrigada, e fico muito feliz aqui.

 

 

 Ouça a íntegra(41min31s) do discurso da Presidenta Dilma Rousseff