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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de conclusão das obras da P-62 no Estaleiro Atlântico Sul - Ipojuca/PE

por Portal Planalto publicado 17/12/2013 17h10, última modificação 04/07/2014 20h20

Ipojuca-PE, 17 de dezembro de 2013

 

Boa tarde a todos.

Eu queria primeiro cumprimentar os trabalhadores e as trabalhadoras metalúrgicos e da indústria naval, a quem agradecemos a conclusão das obras da P-62 e também as obras da Refinaria Abreu e Lima. Queria cumprimentar cada um e a cada uma de vocês e reconhecer aqui que hoje nós estamos vivendo mais uma vitória, uma vitória sobre aqueles que não acreditaram que os trabalhadores brasileiros podiam e iam construir plataformas e fazer refinarias.

Queria cumprimentar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Agradecer a recepção fraterna, o alto nível das relações que sempre pautaram a nossa convivência.

Queria cumprimentar o embaixador do Japão, Akira Miwa.

Queria cumprimentar os ministros de Estado que me acompanham nessa viagem aqui a Pernambuco: ministro Edison Lobão, de Minas e Energia; ministro Aguinaldo Ribeiro, das Cidades; e a ministra Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação Social.

Queria cumprimentar o vice-governador de Pernambuco, João Soares Lyra Neto.

Os prefeitos: cumprimentar o prefeito de Ipojuca, Carlos Santana; e o prefeito do Recife, Geraldo Júlio.

Cumprimentar os senadores Armando Monteiro Neto e Humberto Costa. Esses senadores de Pernambuco têm sido grandes parceiros do governo federal, para que nós possamos aprovar, no Senado da República, todos os projetos de transformação e de transferência de renda para a população brasileira.

Cumprimentar os deputados federais Eduardo da Fonte, Fernando Ferro, Luciana Santos, João Paulo Lima, Pedro Eugênio, José Augusto Maia. Da mesma forma, a bancada de deputados federais de Pernambuco tem ajudado, e muito, o governo federal.

Deputados estaduais Manoel Santos, Odacir Amorim, Sérgio Leite e Tereza Leitão.

Cumprimentar a nossa querida presidente da Petrobras, Graça Foster,

Cumprimentar o general Jorge Fraxe, diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT).

Cumprimentar os senhores diretores da Petrobras e, ao cumprimentá-los, eu cumprimento cada um dos funcionários da Petrobras aqui presentes: Jorge Carlos Consenza, diretor de Abastecimento; José Miranda Formigli Filho, diretor de Exploração e Produção de Petróleo; José Antônio de Figueiredo, diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais.

Cumprimentar o presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Cumprimentar os parceiros neste empreendimento do Estaleiro Atlântico Sul, cumprimentando Valdir Lima Carreiro, presidente da Iesa Óleo e Gás; Luiz Roberto Ortiz Nascimento, acionista e titular do Conselho de Administração da Camargo Corrêa; Vítor Hallack, presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa.

Cumprimentar o coordenador da Federação Única dos Petroleiros, o querido José Antônio Moraes,

Cumprimentar os senhores e as senhoras jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Queria dizer para vocês que a conclusão da P-62 é mais uma prova de competência da indústria e do trabalhador brasileiro e da trabalhadora brasileira. Quero dizer para vocês que logo no início do governo do presidente Lula, nós tivemos, eu era ministra de Minas e Energia e a Maria das Graças Foster, que é hoje presidenta da Petrobras, era secretária nacional de Petróleo e Combustíveis Renováveis, e o presidente Lula nos deu uma missão. Qual era a missão que o presidente Lula nos deu? Era que, desde a campanha eleitoral, ele vinha dizendo que era possível, no Brasil, produzir plataformas, navios e sondas, e diziam que não era possível. E foi dado a mim e à Maria das Graças a missão de resolver essa questão: produzir aqui no Brasil plataforma, navio, sonda, enfim, os equipamentos que a Petrobras precisava para produzir petróleo aqui no Brasil. E nós começamos essa briga, porque foi uma briga, vocês podem ter certeza que foi uma briga. Primeiro, porque diziam – e aí a gente se surpreende, trabalhadores metalúrgicos, por exemplo, devem se surpreender – diziam que a gente não conseguiria fazer nem casco. E casco era uma coisa que a indústria brasileira tinha todas as condições de fazer. Enfim, diziam que a gente não tinha capacidade de produzir nada. Essas pessoas que gostam de ser negativas, de dizer: “Não, não vai sair, não é possível”, pois é, essas pessoas passaram o tempo todo – eu vou usar uma palavra – “azarando”, para a gente não conseguir fazer as plataformas e os navios. Era literalmente isso: azaravam.

Bom, nós brigamos muito para isso. E hoje o Brasil, o Brasil está fazendo plataforma, porque vocês estão fazendo plataformas, porque os trabalhadores deste país são capazes de fazer plataformas, os trabalhadores deste país são capazes de fazer navios, os trabalhadores deste país são capazes de fazer sondas. E isso é uma conquista que a gente só consegue realizar de uma forma: quando há essa vontade política que une os governos, empresas e trabalhadores. É essa vontade política que permitiu que a gente realizasse esse desafio.

Hoje, essa plataforma possui 63% de conteúdo nacional, que foi uma das brigas que nós tivemos: lutar para ter conteúdo nacional. Por quê? Por um motivo muito simples, porque conteúdo nacional é igual a emprego nacional. Ao invés da gente exportar emprego, quando a gente compra equipamentos no exterior, não que nós não vamos comprar, nós vamos continuar comprando, só que nós vamos comprar menos e produzir mais aqui. Por isso, esse fato do conteúdo nacional é importantíssimo, é a capacidade do país gerar emprego e, com emprego gerado, significa mais renda para as famílias, significa também a melhoria da qualidade do trabalho. O Brasil tem hoje condições de produzir plataformas e equipamentos sofisticados.

Além disso, é um orgulho saber que essa é uma, a P-62 é uma das nove plataformas entregues apenas este ano de 2013. Nove plataformas. E mostra também as credenciais e o dinamismo dessa indústria da qual vocês são a sustentação e a parte mais significativa. Para chegarmos até aqui, vocês podem ter certeza que eu tenho, da minha parte, a certeza que vocês são muito determinados, foi preciso determinação e foi preciso coragem. Aliás, para a gente conquistar as coisas da vida sempre é necessário determinação e coragem. Sem coragem e sem insistir a gente não alcança nada na nossa vida pessoal e também na vida de um país.

Nós decidimos, sim, que deveria ser produzido no Brasil o máximo possível dos equipamentos necessários aos investimentos. Nós decidimos, sim, que o governo faria tudo para garantir que essa indústria naval, que nos anos 80, nos anos de 1980, tinha sido a 2ª indústria naval do mundo, essa indústria ressuscitaria das cinzas e voltaria a ser uma das indústrias mais importantes, não só do Brasil, mas do mundo, porque essa indústria será isso, ela tem capacidade de ser isso, vocês têm capacidade de transformá-la numa indústria de nível internacional.

Além disso, nós decidimos que as críticas, o descrédito que lançavam sobre esse projeto não poderiam nos amedrontar, não iriam colocar a gente na defensiva. Nós íamos partir para a ofensiva e implantar a indústria naval. Como? Através da garantia de demanda que os projetos da Petrobras representam para um país. Por que isso? Porque a Petrobras é uma das maiores empresas de petróleo do mundo. Portanto, ao produzir petróleo e gás, ela gera demanda. Então, uma parte dessa demanda seria ofertada pelo trabalho do Brasil.

Dez anos depois disso, o fato é que a indústria renasceu. Hoje ela tem 79 mil homens e mulheres trabalhando. Outro dia era 70 mil, agora já são 79 mil homens e mulheres trabalhando nessa indústria.

Em 2003 eu visitei estaleiros antigos, não Atlântico Sul, que é novo, nem o polo de estaleiros lá do Rio Grande do Sul, nem nenhum estaleiro de outra parte do Brasil, eu visitei estaleiros antigos. E vocês podem saber de uma coisa, a situação era a seguinte: a gente chegava no pátio, não tinha essa alegria que tem aqui, quando a gente olha no estaleiro e vê todo mundo no pátio trabalhando, você tinha grama crescendo entre o cimento quebrado do chão. E em todo o Brasil chegavam um pouco... a cerca de 7 mil empregos, um pouco mais de 7 mil empregos, no ano de 2003, porque em outros anos anteriores era menos.

Então, o que nós vimos hoje é uma empresa que ressurgiu, que voltou, aliás, uma empresa não, um segmento de indústria, a indústria naval é um segmento de indústria importantíssimo. Como este tem outros estaleiros pelo Brasil afora. Nós – e eu posso garantir a vocês – nós vamos ter muita contratação daqui para frente. Só esse último campo de Libra, para vocês terem uma ideia, só esse último campo, para eles extraírem o petróleo de um campo – não estou falando de muitos campos, estou falando de um, um –, precisa de 12 a 18 plataformas, mais para 18 do que 12. E precisa de navios. Eu estou falando uma coisa das que já está garantida, que já foi licitado, que já tem sócio, grandes empresas são sócias da Petrobras, 75% de todo o óleo fica para o governo, 25% para as empresas.

Portanto, é importante a gente ter na cabeça isso: esse estaleiro está aqui não é para a P-62, porque a P-62 vocês já construíram. Esse estaleiro está aqui para todas as plataformas que vão ser necessárias para tirar petróleo deste país. Para todos os navios, para todas as sondas, para todos os equipamentos. E, aqui, eu quero lembrar especificamente as perspectivas aqui, deste Estaleiro Atlântico Sul que tem sócios do porte da empresa Camargo Corrêa, que tem sócios também internacionais, japoneses que vieram aqui nos ajudar e são muito bem-vindos. Este estaleiro, ele tem algumas encomendas já confirmadas pela direção da Petrobras para mim, porque eu perguntei para eles hoje como é que fica daqui para frente. A gente tem sempre de perguntar. Como é que fica daqui para frente?

Eu não sei se vocês sabem, mas uma das coisas caras da Petrobras é alugar navio-sonda, e essa questão do navio-sonda é muito importante. Então, aqui... para aqui estão confirmados mais 6 navios-sonda de perfuração, e se tudo sair direitinho, mais um, então 7, e um lote de 19 navios Suezmax e Aframax, grandes navios, como é esse que nós estamos vendo aí, porque 3 já foram feitos aqui. Vamos lembrar: Zumbi dos Palmares, João Cândido, o Dragão do Mar e, com esses 3, dá 22, tira esses 3 dá 19. Mas isso é uma parte que já está confirmada. O Brasil vai precisar de muita plataforma daqui para frente, muita plataforma também.

Então o que eu quero dizer para vocês é o seguinte. Com a exploração do petróleo do pré-sal ganhando velocidade e escala, o Brasil vai se transformar, necessariamente, no maior produtor de plataformas de petróleo do século XXI. A gente tem de pensar grande, do tamanho do Brasil.

Vejam vocês uma outra coisa. Além disso, tem uma coisa que eu quero falar para vocês que é muito importante porque faz parte do petróleo, que é a seguinte questão: o que é que nós vamos fazer com essa riqueza que o Brasil vai produzir, do campo de Libra. Se é 12 a 18 plataformas, é bom saberem que vamos produzir, só nesse campo de Libra – diz a Graça para mim que tem até uma gerência que está escrito ali: Campo de Libra, é só para cuidar de Libra, só para cuidar de Libra. Sabe por que eles fizeram isso? Porque esse campo de Libra, no auge dele, ele vai produzir 67% do petróleo que nós produzimos hoje em todo o país. Como nós mudamos a forma de cobrar sobre o petróleo, hoje nós recebemos uma parte do óleo, significa que vai ter uma grande riqueza derivada do petróleo. E onde essa riqueza derivada do petróleo deve ser aplicada? Na coisa que é a única que a gente carrega para a vida inteira, independentemente de quem seja cada um de nós: uma coisa chamada educação.

E aí eu falo sempre o seguinte, porque eu gosto de falar isso, que é o seguinte: nós vamos transformar a riqueza que é finita, porque o petróleo não é uma energia renovável, um campo é que nem assim, ele nasce, cresce e depois ele morre. Mas em que a gente tem... o que um país, uma nação tem de fazer? Transformar essa riqueza finita numa riqueza perene. E a riqueza perene que cada um de nós carrega consigo chama-se educação de qualidade.

Por isso nós aprovamos no Congresso Nacional que 75% de todos os royalties, mais 50% do excedente em óleo que a gente obtém nos poços do pré-sal sejam transformados em educação de qualidade. O que é educação de qualidade? Educação de qualidade é o seguinte: primeiro, é creche. Sabe por que é creche? É creche para as mulheres poderem trabalhar? É, mas não é para isso só, não. É creche para a gente diminuir e acabar com a desigualdade. Por quê? Porque está provado que uma criança, ela, essa criança, se ela tiver certos estímulos, ela se desenvolve muito dos 0 aos 5 anos. A desigualdade entre as pessoas não é por que... eu não estou falando daquela que faz cada um de nós ser diferente do outro. Eu sou diferente do Armando, sou diferente do Humberto, sou diferente da Graça. Não estou falando isso, não. Estou falando em igualdade de oportunidade, é a criança ter os melhores estímulos possíveis. Então, vai ter que ter creche, e professora de creche vai ter que ser uma professora de qualidade, e creche começa primeiro para aqueles que mais precisam, para as pessoas mais pobres deste país. Por que é que tem de ser assim? Porque quando a gente resolve o problema das crianças, nós estamos mudando a raiz da desigualdade, criando um país mais igual, de oportunidades. Depois, junto com isso, alfabetização tem de ser na idade certa. Criança que, aos 8 anos, não sabe ler, não sabe escrever, e não domina as contas simples, a  culpa é de quem? É de nós, nossa culpa. Nós não podemos aceitar isso. Professora alfabetizadora tem de ter status, a gente tem de pagar bem o professor.

Depois nós temos educação em tempo integral. As crianças e os jovens nossos vão ter de ter educação em dois turnos. Depois nós temos de ter educação técnica profissional. Os trabalhadores do nosso país tem que ser cada vez mais bem formados, com cursos especiais. Depois nós temos de dar acesso a todas as pessoas que quiserem entrar na universidade. Nós temos de garantir que o filho do pedreiro pode virar doutor, que era a frase que eu acho que é uma das mais bonitas que eu ouvi gritar. O pessoal gritava: “O filho do... olê, olá... o filho do pedreiro desta vez vai virar doutor”, que eu acho que é uma das coisas que o Brasil está fazendo de forma mais correta.

Ninguém vira uma nação desenvolvida se não tiver essa grande vantagem da educação. Então, vejam vocês que vocês estão não só contribuindo para construir estaleiro, não só contribuindo para construir navios e plataformas. Vocês estão contribuindo para construir o futuro deste país, e o presente, que é educação, mais educação e mais educação.

Eu queria também aproveitar que eu estou aqui, e eu fiquei muito feliz de ter visitado também a Refinaria Abreu e Lima. Sabe por quê? Porque, além de não querer fazer estaleiro, também não queriam fazer refinaria no Brasil, não. Achavam que era melhor comprar lá fora o óleo transformado. É outra grande conquista da Petrobras, é ter sido capaz de construir uma refinaria como essa, a Abreu e Lima. Por isso eu também fiquei muito feliz de visitar a Abreu e Lima e de ver... porque, gente, eu já vim aqui, primeiro era só terra, era pó, pó, tinha muito pó, porque já estava fazendo terraplanagem. Depois eu vim aqui e participei da inauguração da casa de força, mas só tinha a casa de força. Depois eu vim aqui e participei também e vi, fiquei impressionada, primeira vez que eu fiquei muito impressionada, tem um lugar alto ali, na refinaria, eu olhei a refinaria de cima, e era aquela quantidade de gente mexendo, caminhão andando. E hoje eu vim aqui e vi uma refinaria... Ah, e lembro uma vez que eu vim com o Lula e o Lula procurava, procurava porque procurava a unidade de destilação. Ele procurava e ficou bravíssimo, porque não tinha, não tinha unidade de destilação, nós procurávamos e não achávamos. Tanto é que eu tirei um retrato para mostrar para ele que agora tem uma unidade de destilação lá construída, bonitinha.

Mas, então eu fiquei muito feliz. Mas eu quero dizer uma outra coisa para vocês. Eu quero falar para vocês que, além desse desafio, eu quero aproveitar que vocês estão todos aqui e falar sobre uma questão muito importante, que é mobilidade urbana. Eu vim hoje aqui também para anunciar um conjunto de investimentos que o governo federal vai fazer aqui, em parceria com o estado e com a prefeitura. Basicamente, nós vamos investir aqui um total – isso sem contar o que nós já anunciamos antes –, hoje nós estamos anunciando um investimento aproximado, e depois eu explico por que é aproximado, de R$ 2,9 bilhões. Sendo que 1,7 bilhão é em VLTs, um VLT, em um conjunto de corredores de ônibus, e também um outro, isso com a prefeitura, e com o estado é um corredor fluvial sul.

Basicamente seria o seguinte. No VLT, o VLT da Avenida Norte, nós vamos colocar R$ 1 bilhão e 606 milhões, sendo que R$ 840 milhões é em recurso a fundo perdido, recurso do governo federal, e R$ 766 milhões é financiamento para a prefeitura. Cinco corredores de ônibus na Avenida Abdias de Carvalho, na Avenida Beberibe, na Avenida Recife, na Avenida Domingos Ferreira e na Mascarenhas de Morais. Esses cinco corredores de ônibus são com cem por cento de recursos do Orçamento Geral da União. Também vamos colocar um recurso para fazer projetos para um VLT que vai sair do centro e ir para Boa Viagem, e, com o estado, eu acho que é uma parceria, né, Eduardo, muito boa que nós temos na área fluvial. Eu acho que é o único no Brasil, único corredor fluvial, que é o fluvial sul, que complementa os corredores fluviais que nós já temos em investimento aqui.

E... isso é uma coisa, e depois o arco metropolitano, que nós avaliamos numa estimativa aproximada. Nós não sabemos o valor, mas uma estimativa aproximada de R$ 1 bilhão. Pode ser um pouco menos, pode ser um pouco mais, ninguém sabe ainda o que será. Hoje nós estamos anunciando a licitação feita com dinheiro exclusivo do governo federal, por isso que o general Fraxe veio e assinou aquele papel.

Queria dizer para vocês que, com esses dois conjuntos, nós hoje aqui no Recife, nós estamos... e eu acredito que, no conjunto também, o meu governo vai estar investindo em transporte coletivo R$ 5,7 bilhões mais esse R$ 1 bilhão que nós ainda não temos certeza se vai ser R$ 1 bilhão mesmo ou um pouco mais ou um pouco menos.

Ao lançar esse edital para licitação da construção do arco metropolitano, nós estamos cuidando de uma coisa que é importantíssima, que é a mobilidade urbana no Brasil, porque eu quero falar uma coisa para vocês. No Brasil tem umas manias. Tem época que o pessoal acha que o Brasil é menor do que é e pensa que o Brasil é menor do que é, trata o Brasil como sendo menor... E aí, uma dessas épocas é o seguinte: não se fazia metrô no Brasil, não se fazia metrô, não se investia em mobilidade urbana, se achava que simplesmente ônibus resolvia o problema. Hoje está para lá de provado que cada vez em cidades maiores você precisa de metrô, você precisa de trilho, não só de ônibus, você precisa de trilho, ou seja, você precisa segregar o lugar que passa o transporte publico. É isso que precisa.

Então, o governo federal, pela primeira vez na vida, nós investimos, no final do governo Lula, 2009 nós fizemos um investimento, 2010 nós continuamos fazendo. E agora, no meu governo, nós investimos R$ 140 bilhões em mobilidade urbana pelo Brasil afora. Porque se a gente não investir em mobilidade urbana, as cidades brasileiras vão virar o caos. Por isso que nós estamos fazendo esse investimento em VLT, fizemos aqui também em metrô, fazemos corredores de ônibus, porque as pessoas têm o direito, têm o direito de ganhar o tempo delas, porque o tempo que você perde no transporte é um tempo morto, é o tempo que você perdeu para descansar, para ter lazer com a sua família, rapazes e moças, para namorar, noivar, enfim, tempo para tudo, não é, gente? Tempo para tudo. É necessário tempo, sem tempo... E mobilidade urbana é tempo para as pessoas. Por isso que eu considero muito importante todos esses anúncios que eu estou fazendo aqui.

Mas eu vou deixar para o fim um anúncio que eu quero fazer. Dizer para vocês que eu tenho muito orgulho de um programa que chama Mais Médicos. Esse programa que chama Mais Médicos, o objetivo dele é levar para aqueles lugares onde não tem médico, médico para atender as pessoas. Esse programa Mais Médicos, aqui em Pernambuco, ele está sendo muito bem encaminhado. E eu queria dar uns números para vocês. Foram pedidos 532 médicos por 134 dos 185 municípios. Foram pedidos então 532 médicos, já chegaram 433 médicos. Nós já atendemos 81% dos pedidos, e até março, no mais tardar em abril, nós estaremos atendendo a diferença. Por que o Mais Médicos é importante? Para vocês terem uma ideia, com esses médicos nós vamos aumentar o atendimento aqui em Pernambuco e chegaremos a dar uma cobertura para 1,862 milhão de pessoas que não tinham atendimento médico. As pessoas, no Brasil, se queixam muito que o médico não tem contato com ela, não apalpa, não tira a pressão ou não escuta o coração. São essas as queixas que nós temos. Eu tenho muito orgulho desse programa e tenho certeza que ele vai melhorar e muito a vida das pessoas.

Por fim, eu quero dizer para vocês que nós temos tomado decisões fundamentais em favor do desenvolvimento de Pernambuco e do Nordeste. Como afirmava o nosso mestre, um brasileiro dedicado chamado Celso Furtado, nós, nenhum de nós pode aceitar que a desigualdade e o atraso sejam considerados fenômenos naturais como a chuva. Desigualdade e atraso dependem da nossa determinação em mudar a realidade.

E eu quero dizer para vocês que a melhor prova disso, prova aqui para o estado, para o Nordeste, mas prova para todo o Brasil é o extraordinário dinamismo desse complexo portuário-industrial que nós estamos aqui, com a Refinaria Abreu e Lima, com o Estaleiro Atlântico Sul e com todos os outros equipamentos.

Eu quero dar a vocês meus mais entusiasmados e agradecidos parabéns, a cada um dos trabalhadores e das trabalhadoras. Desejar a todos os pernambucanos e em especial a vocês aqui presentes, que também eu sei porque eu conversei com muita gente, perguntei “de onde você é?”, “sou cearense”. “De onde você é?”, “sou mineiro”. “De onde você é?”... ou seja, a gente pergunta, geralmente nessas construções, o Brasil está ali, juntinho, pernambucanos com todos os brasileiros.

Quero desejar a todos vocês um feliz Natal e, sobretudo, um 2014 cada vez melhor para todos nós. Um abraço e um beijo no coração.

 

Ouça a íntegra (37min30s) do discurso da Presidenta Dilma