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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de comemoração dos 90 anos de fundação da Folha de S. Paulo

por Portal do Planalto publicado 21/02/2011 17h47, última modificação 25/06/2014 08h53
Na programação, na Sala São Paulo, foi veiculado documentário sobre a trajetória do jornal, seguido de concerto da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e de um ato multirreligioso com representantes de oito religiões

 

São Paulo-SP, 21 de fevereiro de 2011

 

Eu queria desejar boa noite a todos os presentes,

Cumprimentar o senhor Michel Temer, vice-presidente da República,

O nosso governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e a senhora Lu Alckmin,

Queria cumprimentar o senador José Sarney, presidente do Senado,

Queria também cumprimentar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,

Cumprimentar o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia,

O ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal, por meio de quem cumprimento os demais ministros do Supremo presentes a esta cerimônia,

Queria cumprimentar a família Frias, o Luís, o Otávio, a Maria Cristina,

E queria cumprimentar também o senhor José Serra, ex-governador do estado,

Dirijo um cumprimento especial também aos governadores aqui presentes,

E também aos ministros de Estado que me acompanham nesta cerimônia,

Cumprimento o senhor Barros Munhoz, presidente da Assembleia Legislativa do estado,

Queria cumprimentar também todos os senadores, deputados e senadoras, deputados e deputadas federais, deputados e deputadas estaduais,

Queria cumprimentar o senhor Paulo Skaf, presidente da Fiesp,

Dirigir um cumprimento especial aos representantes das diferentes religiões que estiveram neste palco,

Dirigir também um cumprimento a todos os funcionários do Grupo Folha,

Queria cumprimentar os senhores e as senhoras jornalistas, e todos aqueles que contribuem para que a Folha seja diariamente levada até nós.

Eu estou aqui representando a Presidência da República, estou aqui como presidente da República. E tenho certeza de que cada um de nós percebe, hoje, que o Brasil é um país em desenvolvimento econômico acelerado, que aspira ser, ao mesmo tempo, um país justo, uma nação justa, sem pobreza e com cada vez menos desigualdades.

 Para todos nós isso não é concebível sem democracia. Uma democracia viva, construída com o esforço de cada um de nós, e construída ao longo desses anos por todos aqui presentes, que cresce e se consolida a cada dia. É uma democracia ainda jovem, mas nem por isso mais valorosa e valiosa.

A nossa democracia, ela se fortalece por meio de práticas diárias, como os diferentes processos eleitorais, as discussões que a sociedade trava e que leva até suas representações políticas e, sobretudo, pela atividade da liberdade de opinião e de expressão. E, obviamente, uma liberdade que se alicerça, também, na liberdade de crítica, o direito de se expressar e se manifestar de acordo com as suas convicções.

Nós, quando saímos da ditadura, em 1988, consagramos a liberdade de imprensa e rompemos com aquele passado que vedava manifestações e que tornou a censura o pilar de uma atividade que afetou profundamente a imprensa brasileira.

A multiplicidade de pontos de vista, a abordagem investigativa e sem preconceitos dos grandes temas de interesse nacional constituem requisitos indispensáveis para o pleno usufruto da democracia, mesmo quando são irritantes, mesmo quando nos afetam, mesmo quando nos atingem. O amadurecimento da consciência cívica da nossa sociedade faz com que nós tenhamos a obrigação de conviver de forma civilizada com as diferenças de opinião, de crença e de propostas.

Ao comemorar o aniversário de 90 anos da Folha de S. Paulo, este grande jornal brasileiro, o que estamos celebrando também é a existência da liberdade de imprensa no Brasil.

Sabemos que nem sempre foi assim. A censura obrigou o primeiro jornal brasileiro a ser impresso em Londres, a partir de 1808. Nestes 188 anos de independência, é necessário reconhecer que na maior parte do tempo a imprensa brasileira viveu sob algum tipo de censura.

De Libero Badaró a Wladimir Herzog, ser um jornalista no Brasil tem sido um ato de coragem. É esta coragem que aplaudo hoje no aniversário da Folha.

Uma imprensa livre, plural e investigativa, ela é imprescindível para a democracia em um país como o nosso que, além de ser um país continental, é um país que congrega diferenças culturais, apesar da nossa unidade.

Um governo deve saber conviver com as críticas dos jornais, para ter um compromisso real com a democracia, porque a democracia exige, sobretudo, esse contraditório e, repito mais uma vez, o convívio civilizado com a multiplicidade de opiniões, crenças, aspirações.

Este evento é também uma homenagem à obra e ao legado de um grande empresário, um homem que é referência para toda a imprensa brasileira. Octávio Frias de Oliveira foi um exemplo de jornalismo dinâmico e inovador. Trabalhador desde os 14 anos de idade, Octávio Frias transformou a Folha de S. Paulo em um dos jornais mais importantes do nosso país e foi responsável por revolucionar a forma de se fazer jornalismo no nosso Brasil.

Soube, por exemplo, levar o seu jornal a ocupar espaços decisivos em momentos marcantes da nossa história, como foi o caso da campanha das “Diretas Já!”. Soube também promover uma série de inovações tecnológicas, tanto nas versões impressas dos seus jornais, como nas novas fronteiras digitais da internet.

Reafirmo, nesta homenagem aos 90 anos da Folha de S. Paulo, meu compromisso inabalável com a garantia plena das liberdades democráticas, entre elas a liberdade de imprensa e de opinião.

Sei que o jornalismo impresso atravessa um momento especial na sua história. A revolução tecnológica proporcionada pela internet modificou para sempre os hábitos dos leitores e, principalmente, a relação desses leitores com seus jornais. Como oferecer um produto que acompanhe a velocidade tecnológica e não perca a sua profundidade? Como aceitar as críticas dos leitores e torná-las um ativo do jornal?

Sei que as senhoras e os senhores conhecem a dimensão do desafio que enfrentam. E que, com a mesma dedicação com que enfrentaram a censura, irão encontrar a resposta para esse novo desafio. E desejo a vocês o que, nesse caminho, sintetiza melhor o sucesso: que dentro de 90 anos a Folha continue sendo tão importante como agora para se entender o Brasil.

É nesse espírito que parabenizo a Folha pelos seus 90 anos. Parabenizo cada um daqueles que contribuem e daquelas que contribuem para que ela chegue à luz, a todos esses profissionais que lhe dedicam diariamente o melhor do seu talento e do seu trabalho.

Por fim, reitero sempre que no Brasil de hoje, nesse Brasil com uma democracia tão nova, todos nós devemos preferir, um milhão de vezes, os sons das vozes críticas de uma imprensa livre, ao silêncio das ditaduras.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra do discurso (10min19s) da Presidenta Dilma.