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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de comemoração dos 60 anos do jornal O Dia

por Portal do Planalto publicado 27/06/2011 09h41, última modificação 04/07/2014 20h06
No último dia 5, data de aniversário, o jornal circulou uma edição especial que reuniu as “60 ideias que estão mudando o Rio de Janeiro”, além da história da publicação. A edição especial mapeou projetos de ONGs, de pessoas físicas e dos setores público e privado, analisou o caminho que estão seguindo e os resultados dessas iniciativas

 

Rio de Janeiro-RJ, 27 de junho de 2011 

 

Eu queria iniciar minha fala cumprimentando este governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que foi um parceiro do governo federal e dos municípios, e do município do Rio de Janeiro. Mas, sobretudo, um parceiro do povo do Rio de Janeiro.

Eu queria destacar a diferença. Eu estive no governo federal antes de ser presidenta, como ministra-chefe da Casa Civil, e a diferença que nós notamos aqui no Rio de Janeiro, quando o governo do Sérgio Cabral iniciou. E todo o dinamismo e toda a articulação para melhorar o Rio de Janeiro, para dar ao Rio de Janeiro aquilo que o Rio de Janeiro merecia, que era o desenvolvimento de todo o seu potencial. Isso significa que houve o interesse do governador, no que se refere a obras de infraestrutura, a melhorias de investimento, uma siderúrgica, uma refinaria, várias estradas, mas também seu compromisso imenso com o povo mais pobre do Rio de Janeiro, melhorando os investimentos em todos os bairros populares. E também sendo um exemplo para o Brasil, no que se refere às Unidades Pacificadoras, as UPPs. Então, eu inicio com este cumprimento todo especial e fraterno ao Sérgio Cabral, por todas as realizações que nós fizemos juntos e que ainda faremos.

Queria cumprimentar o Pezão, o Luiz Fernando Pezão, vice-governador do Rio de Janeiro, e também parceiro do governo federal na construção de todos os grandes projetos que fizemos em conjunto.

Cumprimentar os ministros Helena Chagas, da Comunicação Social, e Luiz Sérgio, da Pesca e Aquicultura. Eu estou com dois ministros cariocas, veja você, Sérgio; dois ministros: uma ministra e um ministro, hoje.

Queria cumprimentar também o meu querido parceiro e também um especial gestor público, um especial articulador de projetos, e com uma capacidade inequívoca de levar o Rio de Janeiro, a cidade do Rio de Janeiro a isso que eu acho que o povo do Rio de Janeiro merece, que é estar de acordo com a beleza desta cidade, com a fantástica maravilha que o Rio de Janeiro sempre se revela diante dos nossos olhos. Então, queria saudar de maneira, também, muito especial o nosso prefeito Eduardo Paes.

Agradeço imensamente à Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos, presidente do Conselho de Administração da Ejesa. E, de fato, fico impressionada com a presença das mulheres em várias áreas. No caso da Maria Alexandra, na direção de um jornal que hoje comemora 60 anos, e em uma cerimônia em que eu tenho a honra de estar presente.

Queria cumprimentar os senadores Francisco Dornelles e Lindbergh Farias, aqui presentes,

Queria cumprimentar também o deputado Paulo Melo, presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro,

Cumprimentar os senhores e as senhoras deputadas federais Alessandro Molon, Benedita da Silva, Marcelo Matos e Miro Teixeira,

Queria agradecer também a este momento todo especial que foi a premiação, cumprimentando a Lucinha Araújo, presidente da Sociedade Viva Cazuza, e, de fato, mãe de um dos maiores artistas e cantores que este país conheceu,

O sargento Márcio Alves, da Polícia Militar do Rio de Janeiro,

O José Júnior, coordenador do grupo AfroReggae,

O Martinho, o Martinho, o eterno Martinho, o Martinho que animou toda a minha geração, e que para nós sempre foi um amigo, um parceiro e uma pessoa comprometida com o Brasil,

A professora Sueli Pontes Gaspar – eu não tenho nem como me manifestar aqui diante desta maravilha que é o fato de que uma professora tenha uma consciência profunda do que significa para o Brasil abrir oportunidades para as crianças, e o fato de que esta professora é a grande heroína do processo que ela chamou de “formiguinha”, que passa por milhões e milhões de professoras e professores anônimos, que são os responsáveis – podem ter certeza – pela melhoria da Educação no Brasil,

Queria cumprimentar todos os convidados,

As senhoras e os senhores profissionais da imprensa,

Os senhores jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos aqui presentes,

É, sem sombra de dúvida, com grande satisfação que eu participo desta cerimônia de comemoração dos 60 anos de um dos jornais mais populares do Brasil. E é importante que a gente considere também este Jornal como um jornal imensamente inovador. Inovador, pelo fato de que ele tem, não só através do seu projeto gráfico, do profissionalismo dos jornalistas que aqui trabalham, mas também pelo fato da fórmula que o Jornal utiliza, que é tornar acessíveis à população do Rio de Janeiro informações, divulgando situações e conhecimentos.

Eu gostaria de destacar que essa preocupação, ela consiste em identificar as necessidades das pessoas, além de prestar a informação. Porque identificar as necessidades das pessoas é levar a elas referências daquilo que as mobilizam. E, aí, eu queria destacar que este é um jornal que mostra onde conseguir um emprego, como fazer para receber uma aposentadoria. Por isso, ele honra o nome que tem: ele é um jornal do dia, é um jornal que lida com as necessidades, que lida com os anseios e que lida com as esperanças da população. Além de – como foi extremamente destacado aqui – também se referir, ser uma referência em relação ao que é o Rio de Janeiro. Eu fiquei extremamente impactada com o depoimento, aqui, do nosso companheiro do AfroReggae, dizendo que O Dia ajudou a promover o AfroReggae.

Eu queria destacar também que o Jornal, ele hoje, nesses 60 anos – e como disse a Maria Alexandra, olhando para o futuro – ele é um jornal... Olhando para o futuro mas, também, lembrando sempre do passado, é um jornal que se insere em um momento especial do Brasil: o momento em que nós superamos, de fato, a ditadura e superamos as características mais negativas dela, que são a falta de liberdade de expressão, a falta de liberdade de comunicação e a censura sistemática.

Eu acredito que O Dia surge, também, num momento especial do Brasil. Ele passou por toda uma fase, passou por toda a história do Brasil, ele viveu 60 anos de Brasil. E, agora, nós podemos dizer que ele vive um dos momentos mais especiais, em que o Brasil tem... não só conseguiu, com a suas próprias forças e seu grande esforço, superar os efeitos de um processo de arbítrio mas, também, construiu uma sólida democracia no mundo. E essa construção de uma das mais sólidas democracias, ela converge também para um processo de ampliação das bases da nossa sociedade. Nós também nos tornamos um país mais democrático. Se somos hoje a sétima economia do mundo, somos também, inequivocamente, um país que se democratizou ao mudar seu modelo de desenvolvimento, ao crescer e distribuir renda.

Eu queria destacar que hoje, no jornal, a imprensa vai noticiar, ou está noticiando na internet um estudo da Fundação Getúlio Vargas, do professor Marcelo Neri que mostra que, de 2003 – ano da eleição do presidente Lula – até maio deste ano, cerca de 40 milhões, aproximadamente 40 milhões de brasileiros chegaram à classe média. E chegaram à classe média vindos das camadas mais pobres da população. Para a gente ter uma ideia do que significam esses quase 40 milhões – na verdade 39,5 milhões – para a gente ter uma noção dessa proporção, é como se nesse período nós tirássemos da pobreza e elevássemos para a classe média toda a Argentina, que tem 41 milhões de habitantes, ou um pouco mais do que duas vezes a população do Chile, que tem em torno de 17 milhões de habitantes. É um feito enorme.

E esse feito, ele é muito importante, porque significa que todos esses brasileiros e essas brasileiras se juntaram a um contingente de cidadãos, de cidadãos com maiores condições: têm mais acesso à educação, à saúde, aos bens de consumo, à informação e aos jornais. E nós sabemos que esse processo vai continuar, porque tem um empenho do governo brasileiro, e eu tenho certeza, da sociedade brasileira, da nação brasileira. Por quê? Porque nós, através dos programas que nós estamos desenvolvendo, juntamente com o fato de que o Brasil mudou – e o Brasil mudou – está progressivamente comprometido com um fato: dar oportunidade para todos, mas olhar para aqueles que são mais pobres e transformar essa situação superando a miséria, a pobreza extrema.

Para nós, superar a pobreza extrema tanto é um desafio, mas também um compromisso moral e ético, mas sobretudo é importante que todos percebam que isso tem um efeito direto sobre a situação econômica.

Nós somos um dos países BRICS – dos BRICS – não porque nós tenhamos certas características de PIB: o nosso PIB cresce, somos uma economia emergente. Nós somos uma economia emergente porque nós somos uma população de 190 milhões de pessoas, 190 milhões que podem ser consumidores, 190 milhões que são o limite do nosso potencial. O nosso potencial de crescimento não é o petróleo que nós temos, não é o minério que nós temos, nem tampouco a agricultura ou nossa indústria sofisticada. O nosso potencial são os 190 milhões que a Sueli está ajudando a transformar em brasileiros cidadãos. Porque eu concordo com a Sueli: o caminho da igualdade de oportunidades é a educação, ela é o grande caminho.

Por isso, eu tenho certeza de que o Brasil vai continuar crescendo. Por isso, eu tenho certeza de que ele vai precisar cada vez mais de jornais e de uma imprensa livre, de jornais que criem acesso ao povo trabalhador brasileiro, que levem a ele as informações que ele deseja e, ao mesmo tempo, ele abra a gama de discussões, de desafios, de inquietações e de ansiedades que são próprias do desenvolvimento, quando as pessoas ascendem socialmente.

Nós temos certeza de que a multiplicação de novos meios de comunicação vai ser um fato deste século XXI, com a internet e todas as outras formas digitais que a informação assumirá. Mas eu creio, também, que o jornal vai continuar sendo um dos instrumentos fundamentais, pelos quais as pessoas criam relações sociais. Porque o jornal não informa, só, ele cria vínculos e laços numa população, numa comunidade. Se O Dia é a cara do Rio de Janeiro é porque ele serve ao povo do Rio de Janeiro.

E, aí, eu gostaria de encerrar me dirigindo aos cinco homenageados: ao Martinho da Vila, cujas canções embalaram e fizeram sonhar tantas gerações de brasileiros, em especial a minha, Martinho; à Lucinha Araújo, mulher e cidadã, batalhadora e lutadora, exemplo da bravura e da doçura das mães brasileiras; ao Márcio Alves que, no cumprimento do seu dever, se tornou o herói das crianças, do povo do Rio de Janeiro e do Realengo, e motivo de admiração de todos nós; ao José Júnior, cujo trabalho à frente do AfroReggae é exemplar daquele que deve ser nosso compromisso cotidiano de remover as barreiras que separam uma parcela da nossa população da cidadania plena, e o respeito a formas de cultura tão especiais, tão fantásticas, que nós devemos acolher e, sobretudo, incentivar; à Sueli Gaspar, educadora que acredita... Eu tenho certeza, viu, Sueli, como todos nós aqui, que a educação de qualidade é transformadora, é capaz de revolucionar a vida de cada um dos brasileiros e de toda a sociedade.

Cada um de vocês é referência para a mudança que queremos no Brasil. Cada um de vocês é exemplo de dedicação, luta, criatividade e engajamento, atributos necessários e importantíssimos para que nós construamos um Brasil cada vez mais justo, mais digno de sua população.

Reitero minhas congratulações à direção e à equipe de jornalistas do jornal O Dia por este aniversário de 60 anos - tão jovens! Todos os “sessentões” aqui, como eu, acham muito jovem o Jornal - e pela reconhecida e conhecida qualidade do trabalho dos seus jornalistas e funcionários.

Parabenizo também o jornal O Dia por ele ter assumido, por meio do Instituto Ary Carvalho, um compromisso inequívoco com a transformação da sociedade brasileira, apoiando atividades culturais, educacionais e de saúde em comunidades do Rio de Janeiro.

Quero também felicitar o grupo editorial Ejesa pela escolha do Museu Histórico Nacional como cenário para esta celebração. Aqui – ou muito perto daqui – nós começamos a virar uma nação. Portanto, é um momento muito especial, em que nós paramos e meditamos sobre... e refletimos sobre toda essa trajetória, e o fato de que depende de nós construirmos juntos um futuro para este país. Esse futuro, nós começamos já a construir hoje, no presente. E eu queria, mais uma vez, destacar os gestores do Rio de Janeiro: seu governador e seu prefeito, e os nossos homenageados, como símbolos dessa possibilidade que nós temos, que é, além de uma possibilidade, um potencial efetivo, concreto, que nós vamos realizar nos próximos anos.

Muito obrigada.

 

Ouça na íntegra o discurso (19min01s) da Presidenta Dilma.