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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de batismo da Plataforma P-56

por Portal do Planalto publicado 03/06/2011 18h43, última modificação 25/06/2014 08h53
Na construção da plataforma foram investidos aproximadamente US$ 1,5 bilhão, e gerados 4 mil empregos diretos e 12 mil indiretos. A utilização de conteúdo nacional alcançou 72,9% e o casco foi totalmente construído no Brasil

 

Angra dos Reis-RJ, 03 de junho de 2011

 

Primeiro, eu queria cumprimentar os trabalhadores e as trabalhadoras aqui do Estaleiro e, também, todos os brasileiros que estão aqui trabalhando e construindo um Brasil melhor aqui na indústria naval. O meu grande abraço para cada um de vocês.

O nosso governador Sérgio Cabral, como vocês viram, falou pouco e disse tudo, porque hoje nós estamos aqui numa festa. O que é que nós comemoramos nesta festa? Nós comemoramos, primeiro, esta grande parceria do governo federal com o governo do estado do Rio de Janeiro, aqui representado pelo governador Sérgio Cabral.

Comemoramos também uma parceria com empresários brasileiros, aqui representados pelo nosso querido representante do Sinaval, o Ariovaldo Rocha.

Também comemoramos esta parceria com o senhor Chow Yew Yuen, presidente da Keppel FELS das Américas e senhor Kwok Kai Choong, presidente da Keppel FELS do Brasil.

Nós comemoramos também uma grande parceria com todos os prefeitos do Brasil. Mais especificamente, aqui, eu queria me referir ao prefeito de Angra dos Reis, o senhor Artur Jordão.

Vejam vocês: nós temos aqui, hoje, além de representantes do governo federal... e eu vou saudar dois ministros. Um ministro, que é o ministro Edison Lobão, porque hoje ele representa, pelo governo federal, esse compromisso nosso com um conteúdo local, que significa empregos brasileiros de qualidade para a nossa população. O Lobão disse que aqui nós estávamos numa terra abençoada por Deus. Agora eu acrescento: e bonita por natureza.

Eu queria, também, cumprimentar o Luiz Sérgio, ministro das Relações Institucionais, trabalhador como vocês, com quem eu vim aqui em Angra dos Reis, neste Estaleiro. E naquela época – a gente sempre diz, porque saltava aos olhos –, o mato crescia por entre as pedras e por entre o cimento. Não havia mais aquela força que tinha havido nos anos 80, com a presença de metalúrgicos, de trabalhadores da indústria naval aqui nos estaleiros do Rio de Janeiro.

Por isso, a presença aqui do ministro Luiz Sérgio é importante, porque também ela é um símbolo. Ela é um símbolo de que, no Brasil, os trabalhadores também podem ser ministros, como podem ser presidente, assim como uma mulher pode ser presidenta do Brasil.

Eu queria agradecer aos senadores Lindbergh Farias e Marcelo Crivella também pela sua contribuição, porque no Senado, no passado, o senador Crivella e, a partir deste ano, o senador Lindbergh, têm compromisso também com o desenvolvimento da indústria naval e o crescimento econômico do nosso país com distribuição de renda.

Eu vou dirigir um cumprimento especial à Luiza Erundina, madrinha da Plataforma P-56. Para ser madrinha da Plataforma P-56, uma plataforma feita 100% no Brasil, feita – a gente pode dizer... são 56 mil toneladas de aço boiando no mar. Mas não é isso que deve nos espantar, nos estarrecer e nos admirar. É o fato de que foram braços e mãos brasileiros que construíram esta plataforma. Aí, a nossa querida deputada, Luiza Erundina. Ela é uma homenagem também que nós prestamos à plataforma porque é uma mulher que saiu das lutas sociais do nosso país, foi prefeita de São Paulo, jamais abandonou seus compromissos com os trabalhadores. A deputada federal, Luiza Erundina, ela orgulha esta plataforma e esta plataforma orgulha a deputada Luiza Erundina.

Agradeço também aos deputados federais aqui presentes.
À Benedita da Silva, nossa Bené,
Ao Fernando Jordão,
À Jandira Feghali,
Ao Zoinho,
E cumprimento cada um de vocês e aí dirijo o meu cumprimento a dois representantes do movimento dos trabalhadores: o João Antonio de Moraes, coordenador da Federação Única dos Petroleiros, e o nosso querido Hélio Severino de Azevedo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis.

E deixo o final dos meus cumprimentos à Petrobras, aos trabalhadores da Petrobras, a nossa Petrobras, que hoje tem esse compromisso sagrado com a questão do conteúdo local aqui em Angra e em todos os estados da Federação.

E ai, eu cumprimento o nosso Moraes, o presidente da Federação Única dos Petroleiros. E, ao saudá-lo, quero deixar aqui registrado o nosso compromisso cada vez maior de fazer com que o que o Brasil pode produzir seja produzido no Brasil.

Nós temos capacidade, nós temos condições e nós provamos isso. Vou contar para vocês uma pequena história: quando o presidente Lula fez a sua campanha em 2002, ele tomou conhecimento de muitos absurdos porque na campanha eleitoral a gente toma conhecimento de muitas coisas que estão acontecendo e que não aparecem nos jornais. Ele tomou conhecimento de que no Brasil todas as plataformas estavam sendo produzidas lá fora, assim como os navios, assim como as sondas, assim como a maioria dos equipamentos que a Petrobras compra. Ora, a Petrobras é nossa empresa, é uma empresa brasileira, utilizando o mar brasileiro e o território brasileiro para extrair petróleo. Nós não somos um país que não tem capacidade industrial. Nós somos um país com capacidade industrial. Então, o presidente Lula pensou: “Mas, vem cá, por que é que a nossa empresa, brasileira, compra lá fora e não aqui dentro? Não tem porquê. Eu vou assumir”, disse o presidente Lula, “o compromisso de comprar no Brasil, de produtores brasileiros e de empresários comprometidos com o desenvolvimento do país, tudo aquilo que a Petrobras precisar e nós formos capazes de produzir. O que nós não formos, vamos aprender”.

E aí me mandou – porque ele era presidente da República, ele ordenava aos seus ministros –, me ordenou: “Vá à Petrobras e coloque que, daqui para a frente, nós vamos comprar de estaleiros nacionais, de empresas estabelecidas no Brasil, as plataformas e as sondas. Foi muito difícil, foi muito difícil! Diziam que a gente não era capaz de produzir casco de plataforma, não era, Ariovaldo? Diziam... e não diziam à boca pequena, não. Diziam alto e bom som: “O Brasil não é capaz de produzir casco, o Brasil não é capaz de montar uma plataforma, o Brasil não é capaz de construir e de fornecer equipamentos para a Petrobras”. Vocês vejam o perigo que a gente correu, porque hoje, e cada vez mais, a Petrobras vai ser uma grande investidora no nosso país.

No ano passado, se eu não me engano, ela investiu R$ 78 bilhões, R$78 bilhões. A gente fica imaginando: quanto emprego, quanto equipamento, quantas coisas e quanta riqueza pode ser produzida no Brasil. Quanto trabalho, quanto emprego, quanta comida na mesa do trabalhador, quanta garantia de crianças, meninos estudando nas escolas, quanta garantia de uma vida decente para as famílias brasileiras, se nós conseguirmos dirigir esses R$ 78 bilhões para dentro do Brasil. E foi isso que nós começamos a fazer.

E o Brasil, que não tinha estaleiro mais, que nunca produzia plataforma, nem sonda, nem equipamentos, passou a produzir. Vocês podem hoje, aqui, olhar para tudo isso e dizer: “Nós conseguimos. Nós fomos capazes. E nós fizemos uma cadeia industrial com empregos”.

No que depender de mim, vocês podem ter certeza de uma coisa: eu assumo e reitero, mais uma vez, o meu compromisso com a indústria naval brasileira. Eu assumo o compromisso de sempre querer melhorar o conteúdo nacional.

Nós, agora, temos de querer estabelecer no Brasil uma indústria de “navipeças”. Assim como tem a indústria de autopeças para os automóveis, nós queremos que aqui dentro do Brasil se produza cada peça dessa plataforma.

Nós vamos contar com a parceria desses empresários, como é o caso desses empresários que vêm de longe, como é o caso dos empresários de Cingapura, da Keppel FELS, como é o caso, também, do empresário da Technip aqui presente. Nós podemos contar com eles, porque eles sabem que se vierem para o Brasil terão a garantia de uma demanda: a demanda da Empresa Brasileira de Petróleo S. A. E o que nós estamos fazendo é garantir que o nosso país seja um país cada vez mais rico, porque como nós dissemos hoje, na marca do governo: “País rico é país sem pobreza”. País rico é um país onde seus habitantes têm direito a emprego, têm direito à educação e à saúde de qualidade.

Ontem nós lançamos um programa que se chama Brasil sem Miséria. Durante os oito anos do governo do presidente Lula, que eu tive a alegria de coordenar e a honra de suceder, nós tiramos 28 milhões de brasileiros da miséria. Mas ainda tem brasileiros na miséria. E nós sabemos que o nosso país só cresceu do jeito que cresceu, nos últimos anos, porque nós tiramos da miséria milhões de brasileiros, e eles viraram consumidores, eles viraram cidadãos. E são eles que fazem com que este país seja rico.

Nós somos um país continental. O Lobão disse: hoje é a sétima economia. Mas para a gente virar a quinta, a quarta [economia], ou as dos primeiros lugares, tem uma condição: nós temos de usar a nossa maior riqueza. E qual é a nossa maior riqueza? É que a gente não é um país pequeno, nós somos um país de 190 milhões. Esses 190 milhões é que são a maior riqueza do Brasil, é que transformam o Brasil numa das maiores nações do mundo. Por isso, nesse programa Brasil sem Miséria, nós queremos tirar da miséria os 16 milhões que ainda ganham abaixo de R$ 70,00 per capita numa família e, portanto, ganham muito abaixo do salário mínimo. Uma família!

E é por isso, que esse Programa, além de transferir renda através do Bolsa Família, além de procurar aposentado no campo que nem sabe que tem direito a aposentadoria e dar o direito a ele, porque o direito é dele, esse Programa, o que ele quer é fazer com que o Brasil use toda a sua riqueza, use toda a sua riqueza, trazendo para a civilização, trazendo para a vida melhor, trazendo para ter refeição digna mais 16 milhões de brasileiros. Com isso, todos nós ganhamos, e ao invés do Estado ficar esperando de braços cruzados que o pobre ache uma porta de entrada e uma conversa com o Estado, nós é que vamos correr atrás do pobre para que ele tenha o seu direito reconhecido.

O Brasil mudou, e eu quero dizer para vocês: vai continuar mudando. Nós vamos continuar gerando muitos empregos, nós vamos continuar fazendo os programas que levaram este país a um nível de desenvolvimento que é um exemplo para o mundo. Nós vamos continuar, por exemplo, construindo o Minha Casa, Minha Vida. Na metade deste mês, nós vamos lançar o Minha Casa, Minha Vida 2, construindo mais dois milhões de moradias para a população brasileira.

E eu encerro dizendo a vocês: nós provamos que era possível construir plataformas no Brasil, nós provamos que é possível construir sondas no Brasil, nós provamos que é possível construir os equipamentos e os bens e prestar os serviços que a Petrobras precisa para explorar o pré-sal. Assim como nós provamos isso, nós provamos também que este país cresce, quando cresce a riqueza da sua população, quando ela tem trabalho, quando ela tem dignidade, tem autoestima e tem cabeça erguida para seguir em frente. Viva os trabalhadores da indústria naval!

 

Ouça na íntegra o discurso (20min42s) da Presidenta Dilma.