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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de assinatura de atos e entrega de 101 máquinas retroescavadeiras e 70 máquinas motoniveladoras a municípios do estado do Rio Grande do Norte

por Portal do Planalto publicado 03/06/2013 18h14, última modificação 04/07/2014 20h17

 

Natal-RN, 03 de junho de 2013

 

Primeiro, eu queria dar uma boa tarde a todas as pessoas que estão aqui, há quase 5 horas sem comer, com o estômago roncando, e dizer que eu vou tentar não ser longa. Veja bem, não falei que ia ser curta, mas não vou ser longa. E dizer para vocês que tem momentos na vida em que a gente participa de cerimônias que são, assim, uma espécie de batismo. Eu me sinto, aqui, batizada como potiguar.

Agradeço o um minuto de palmas proposto pelo nosso presidente da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves. E também todas as palmas que a Rosalba Ciarlini, a governadora, e o prefeito que falou em nome de todos os prefeitos puxaram para mim. E me sinto muito honrada, muito emocionada, pela manifestação, aqui, de amizade, de carinho. E também fico entusiasmada com as reivindicações. Acho que vocês têm toda razão: prefeito e prefeita que não reivindica, tem alguma coisa errada acontecendo. Inclui-se aí também governadores e governadoras.

Eu queria dirigir um cumprimento especial, aqui, uma homenagem aos trabalhadores que serão os operadores das máquinas que nós estamos entregando hoje, esses trabalhadores que foram capacitados para operar essas máquinas. Dirigir a todos eles a minha saudação.

Queria também cumprimentar a governadora Rosalba Ciarlini, que tem sido uma grande parceira em todos esses dois anos e mais de quatro meses, cinco meses de governo, que nós temos trabalhado, ela aqui no Rio Grande do Norte e eu lá em Brasília.

Agradeço também ao presidente da Câmara, ao Henrique Eduardo Alves, por toda a parceria. E também pela sua determinação em buscar sempre, em qualquer oportunidade, aproveitando qualquer espaço, uma reivindicação aqui para o Rio Grande do Norte.

Aliás, eu queria comentar uma coisa com vocês. Eu tenho a declarar uma coisa que eu aprendi ainda como ministra-chefe da Casa Civil do presidente Lula: é que as lideranças do Rio Grande do Norte, as lideranças potiguares, elas são extremamente determinadas, e cessa tudo se não chegamos a (incompreensível) em matéria de divergência política quando se trata de defender o estado do Rio Grande do Norte. E aí eu queria lembrar também – fazendo justiça – quando também, a então governadora Wilma Faria me procurava, como chefe da Casa Civil, e brigava por várias dessas coisas que hoje estão sendo realizadas. Entre elas o aeroporto de São Gonçalo do Amarante.

Queria cumprimentar também um outro parceiro, também que eu tenho o prazer de conhecer bastante, que é o Carlos Eduardo Nunes Alves, o nosso prefeito de Natal.

Queria agradecer a presença dos ministros de Estado que me acompanham aqui hoje: ministro Pepe Vargas, que é do Desenvolvimento Agrário; o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; o ministro César Borges, dos Transportes; o ministro Garibaldi Alves, um grande ministro, não é, Garibaldi, apesar de às vezes ter gente querendo quebrar o ministério dele; e o ministro Gastão Vieira, do Turismo; e a ministra Helena Chagas, da Comunicação Social.

Queria cumprimentar o vice-governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria.

Cumprimentar o presidente da Assembleia Legislativa aqui do Rio Grande do Norte, Ricardo Motta.

O presidente do Tribunal de Justiça, Aderson Silvino.

O senador Paulo Davim.

Queria cumprimentar os deputados federais aqui presentes: a deputada Fátima Bezerra, o deputado Fábio Faria, o deputado João Maia, o Betinho Rosado e a Sandra Rosado.

Cumprimentar, mais uma vez, a governadora... a ex-governadora do estado e vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria.

Queria cumprimentar o nosso prefeito de Lajes e agradecer muito por suas palavras, o Luiz Benes Leocádio de Araújo. Além disso, queria dizer para os prefeitos e para as prefeitas: vocês têm uma ótima liderança, com grande capacidade de expressão, e corretamente colocou os seus pleitos.

Queria também o presidente da CUT do Rio Grande do Sul, José Rodrigues Sobrinho. Da CUT do Rio Grande do Norte. Agora, gente, vocês me desculpem, mas é que eu fui batizada recente, o batismo é recente. Lá também eu fui batizada, porque eu sou mineira de nascimento e vivi até uns 20 anos em Minas Gerais. Mas agora que me batizaram, eu estou muito feliz de ser potiguar. Sou gaúcha, potiguar, amazonense. São os três estados que eu recebi a naturalidade, que é a naturalidade no fim, ao cabo, de ser brasileira. Uma presidenta tem de ser nascida e criada em todos os estados da Federação.

Eu queria também cumprimentar o representante do Movimento de Libertação dos Sem Terra, o Edmilson de Oliveira Lima.

Cumprimentar, aqui, as senhoras e os senhores jornalistas, os fotógrafos e os cinegrafistas, com quem, aliás, eu tive o prazer, hoje, de tirar uma ótima, fotografia, não eles de mim, mas eu com eles. Fiquei muito feliz e agradeço a vocês.

 

Bom, eu quero falar para vocês, assim, com muita sinceridade, que eu venho aqui nesta terra potiguar, aqui no Rio Grande do Norte, que é a esquina do Brasil, e veja que o fato de ser um lugar muito especial do Brasil torna esta região, este estado e esta cidade muito importante. Por isso, eu vim aqui celebrar parcerias, e sempre eu começo por uma parceria que sempre me atraiu muito, que foi o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante. Nessa luta que os ex-governadores e atual governador e o atual presidente do Congresso fizeram para que a gente, de fato, reconhecesse que isso aqui era muito especial, era um local especial do Brasil, perto da África, da Europa e dos Estados Unidos. Enfim, um lugar estratégico, um ponto fundamental, onde pulsava, necessariamente, um projeto, que era esse de construir aqui um hub logístico do país.

Então eu sempre fico muito feliz em vir aqui, porque o Henrique estava me dizendo: “Se você for lá, você não vai reconhecer”. Pois é, vocês vejam só, além disso, 800 trabalhadores trabalhando. Mas o que é importante é que é um projeto que está sendo realizado, e eu começo por ele porque é muito importante, no Brasil, que a gente perceba que nós somos capazes de realizar projetos. Vocês aqui fizeram esse projeto que muita gente considerava que não ia sair do papel. E, hoje, é uma realidade, que vai, de fato, transformar a economia do Rio Grande do Norte. Por isso eu começo por ele. Registrando esse fato, que é aquele fato fundamental. É quando a gente é capaz de dizer: eu fiz. Então, eu digo aqui: nós fizemos esse projeto. E o empenho das pessoas, o empenho das lideranças aqui deste estado. A convicção que tinham de que era necessário fazer esse projeto e realizar esse projeto. Começando lá pela Wilma, passando pela Rosalba, com a presença do Garibaldi que ia em todas as... os processos que levaram a este aeroporto, e do Henrique que foi incansável.

Hoje eu estou aqui em 149 municípios recebendo as chaves das 101 retroescavadeiras e das 70 motoniveladoras. Nós fizemos esse conjunto de equipamentos, que começa com a motoniveladora, a retroescavadeira, o caminhão-caçamba, o caminhão-pipa e a pá carregadeira para os municípios do semiárido e aqueles que... para todos os municípios do semiárido e para aqueles que têm declarado também situação de emergência, fora da região específica do semiárido, pegando um pouco mais outras regiões que muitos estados, como a seca foi das piores, é fundamental que a gente dê cobertura para eles.

Por que é que nós fizemos isso? Porque nós consideramos que era algo estratégico para os municípios ter o equipamento, que não vai durar um ano, que não vai durar dois anos, e que tem uma permanência e que muda o sentido do desenvolvimento dos municípios até 50 mil no Brasil inteiro. Aqui são cinco, no resto do Brasil são três. Nós demos prioridade para o MDA no seguinte sentido: enquanto não entregar, a partir do início do mês retrasado, enquanto não entregar para o Nordeste não entrega para o Brasil. Primeiro entrega para o semiárido nordestino e depois entrega para o Brasil. Porque nós reconhecemos justamente essa questão dos instrumentos que os municípios têm de ter para fazer face a uma situação. Mas não só essa situação emergencial da seca. Fazer face às necessidades dos municípios até 50 mil habitantes.

E eu queria fazer uma consideração com vocês sobre seca. Uma das coisas que mais me assusta é o seguinte: por que é que os países que têm invernos abaixo de 20 graus, com 20 graus negativos ou até dez graus negativos, onde tudo é tomado pela neve suportam esse processo sem voltar atrás no caminho do desenvolvimento.

Por que, se eles podem fazer isso e que nós não podemos fazer a mesma coisa com a seca, que tem a desvantagem de, quando bate, durar um tempo muito longo. Mas que, ao mesmo tempo, quando comparada com o inverno rigoroso, não acontece necessariamente todos os anos, ao contrário do inverno.

Então, eu acho que é importantíssimo que a gente pense claramente duas coisas. Primeiro, afirmar: é possível, é possível conviver com a seca; dois, é possível que nós tenhamos o poder de escolher como conviver com a seca. São esses dois eixos que têm estruturado a ação do governo. Primeiro, nós temos de ter segurança hídrica. Para a segurança hídrica nós temos de combinar, primeiro, ações estruturantes, como essa que eu lanço aqui hoje, a Barragem de Oiticica.

A Barragem de Oiticica, vocês mesmo disseram aqui, durante... desde 1950, portanto 63 anos, a Barragem do Oiticica ficou esperando. Eu asseguro a vocês que se a Barragem de Oiticica tivesse sido construída lá atrás, nossa convivência com a seca seria outra. Estavam aqui me dizendo que uma população de 500 mil pessoas teria um enfrentamento com a seca muito maior, em termos de acesso à água. Então, segurança hídrica tem de fazer, nós temos de fazer obras estruturantes da proporção da Barragem de Oiticica. Por isso que a Barragem de Oiticica é também um compromisso do governo federal. Nós estamos fazendo essa barragem por meio do estado, o governo federal coloca mais de R$ 300 milhões e o governo executa, o governo do estado executa.

Por que essa barragem tem para nós esse papel? Entre outras obras, essas obras estruturantes, elas têm um objetivo. O objetivo é assegurar que nós teremos um horizonte de segurança hídrica, em que a gente pode ter seca e, ao mesmo tempo, controlar a água. Conviver com a seca não é achar que nós vamos acabar com ela. Não, nós vamos derrotar os efeitos da seca. E é isso o que nós queremos com essas obras estruturantes.

Mas também tem obras emergenciais, porque não dá para esperar as pessoas... essas obras, que ficaram sem ser feitas nos últimos 63 anos, nós não... o povo não pode esperar, então tem de ter ações imediatas.

Eu acho que foram muito importantes as ações que nós fizemos aqui no estado do Rio Grande do Norte e que nós fizemos em todo o Nordeste: a ampliação dos carros-pipa e colocar carro-pipa sendo operado pelo governo federal por meio do Exército brasileiro. É o Exército brasileiro que opera carro-pipa para o governo federal para evitar qualquer utilização política desses carros-pipa, o que foi uma realidade no passado.

Além disso, nós... acho que foi uma grande ação nossa. Ela não é uma ação do porte da barragem de Oiticica, mas é uma ação importante, que é construir cisternas em toda a região do interior do semiárido. Essas cisternas, elas são cruciais, primeiro, para fazer reservação de água quando chove, mesmo que seja o mínimo. Segundo, para depositar, nessa cisterna, a água dos carros-pipa, e terceiro, fazer também cisterna de produção, cisterna que vai assegurar que os animais tenham água e que a plantação também possa ter água.

Então, essa estratégia de construir cisternas, ela foi muito importante, e também de pequenos sistemas. Aqui se chama barreiro, numa parte do Brasil se chama aguada. Todos os sistemas mais simples de reservação de água, fazer, sim, essa tecnologia que eu acho fundamental porque ela preserva a água, que é a chamada barragem submersa, que permite que a gente construa, em vários locais, barragens debaixo da terra que reserva toda a água, não deixa a água da chuva dispersar.

Essa questão da segurança hídrica, ela é estratégica. E aí... por isso nós repassamos recursos para o governo construir 96 barreiros, instalar ou recuperar 118 poços e construir 192 pequenos sistemas coletivos de abastecimento.

E nós estamos também pagando o Garantia-Safra e a Bolsa Estiagem. E é por isso que nós não vimos, apesar da profundidade dessa seca, nós não vimos ataques a supermercados, a feiras, porque nós criamos um cinturão de proteção que vai durar enquanto a seca durar. Às vezes até um pouco depois da seca, porque as pessoas vão precisar tempo para se recuperar dessa situação.

E aí eu queria entrar com uma outra questão, que é a segurança produtiva. Nós temos de garantir segurança produtiva aqui no Nordeste, porque o que dá a interrupção, o que faz com que as pessoas voltem para trás com tudo aqui aquilo que conquistaram é não ter a segurança produtiva. Por isso, nós vamos lançar um plano safra do Semiárido. Só para o semiárido. O Brasil tem plano safra da agricultura comercial e tem plano safra da agricultura familiar. Agora nós vamos regionalizar um plano safra só para o Semiárido Nordestino. Para garantir o quê? Para garantir que cada vez que a seca ocorre, cada vez que a seca ocorre as pessoas não percam toda a sua criação, não tenham do que viver, e o governo federal não tenha também, de no meio, ou na entressafra, de importar do Sul do país, da Argentina e do Uruguai, milho para abastecer os animais aqui no Nordeste.

Vocês vejam que nós temos todas as condições para fazer isso. Nós vamos precisar de um aumento da consciência, no sentido de saber que se você não reservar um pouco para a hora da seca, você não vai ter proteção, também, quando ela ocorrer. Mas nós vamos dar estrutura para isso, assistência técnica para isso, nós vamos colocar dinheiro para isso.

E também vamos tratar, nesse plano safra, de ações emergenciais, que foi dito aqui pelo companheiro que está ali vestido de verde e amarelo, e as dívidas, as dívidas também serão equacionadas nesse Plano Safra que nós iremos lançar.

Mas voltando a esse plano de retroescavadeiras e de motoniveladoras, dos dois caminhões pipa e caçamba e da pá carregadeira, eles são fundamentais também para a ação dos prefeitos diante da seca. Por isso, nós temos, o Brasil tem um problema: nós estamos comprando mais que a produção anual de determinadas fábricas nós compramos mais. Por exemplo, pá carregadeira, a informação que eu tenho, é que eles produzem em torno de 3 mil pás carregadeiras. Nós vamos precisar de 1.440.

Então, eles têm de aumentar a produção para fornecer para nós e desviar um pouquinho. Nós pretendemos, e é a minha exigência para o MDA, que eles distribuam para os senhores prefeitos e para as senhoras prefeitas o restante até, da retroescavadeira e da motoniveladora, até julho. Dos caminhões, uma parte dos caminhões em agosto, e tentaremos fazer com que eles nos entreguem caminhões e pás carregadeiras, porque até setembro nós queríamos entregar todos os equipamentos para todos os prefeitos. E eu repito, esses equipamentos não são só para seca. Eles são, inclusive, para algo fundamental que é o escoamento da produção agrícola do nosso país, principalmente no interior do Brasil.

Eu queria dizer que eu fico muito feliz de estar aqui, e eu quero assegurar vocês que meu governo todinho, todos os ministros acompanham com muito cuidado e atenção a evolução da situação da seca, e quero garantir para vocês, como eu fiz em todos os estados do Nordeste que eu visitei, que os nordestinos em geral e os potiguares em particular, este povo querido do Rio Grande do Norte, vão continuar recebendo todo o apoio necessário para enfrentar a seca.

O Brasil... nós vamos mudar essa estratégia de enfrentamento da seca. Obras estruturantes combinadas com essa ação conjunta com os governadores e os prefeitos vão nos ajudar a superar a seca como sendo uma tragédia e nós vamos demonstrar que o brasileiro, sobretudo o nordestino, que sempre foi um povo extremamente forte, duro, rígido e capaz de briga, nós ganharemos essa vitória. Mas essa vitória nós não ganhamos contra o clima. Nós ganhamos mostrando que o homem é capaz de controlar as condições em que o clima se manifesta contra ele.

Eu quero dizer que eu não hesitarei em gastar dinheiro federal nessa questão. Agora, nós, sozinhos não somos a andorinha. Não fazemos verão. Nós só atuamos em parceria, e a parceria mais republicana possível. Eu não olho qual é o partido, qual o time de futebol que torce, não olho qual a religião que professa. O que me interessa é que nós todos aqui, prefeitos, governador e presidenta, fomos eleitos pelo voto popular. E é isso que nos torna comprometidos com a população dos nossos município, estado e país.

E eu queria prosseguir dizendo uma coisa: eu tenho parceria em várias áreas com o governo do estado, várias áreas. Nós e o Brasil está mudando. Eu sou da época, só para vocês terem uma ideia, quando eu entrei no governo do presidente Lula, e em 2005, quando eu fui para a Casa Civil, que a gente comemorava poder investir R$ 500 milhões, 500 milhões – lembrem bem, só Oiticica custa trezentos e cinquenta e poucos –, a gente comemorava investir 500 milhões em saneamento em todo o Brasil. Hoje nós investiremos, para resolver problema de saneamento no Brasil, 500 milhões é o preço de uma obra, nós investíamos 500 milhões no Brasil inteiro.

O Brasil passou muito tempo sem ter obra, sem ter projeto, sem se fazer projeto. Nós damos muita importância a projeto bem feito. Nós damos muita importância a obra bem realizada, que evita um incômodo total. Agora, nós temos de fazer esse imenso esforço, porque nós viemos de uma época em que não tinha projeto e não tinha investimento. Nós passamos a investir neste país, eu digo para vocês quanto, em... no segundo período... do final do primeiro período do governo Lula para o segundo período. Eu tenho a tranquilidade de dizer para vocês: hoje o Brasil é diferente, vocês são diferentes, vocês, prefeitos, que acabaram de assumir, e os que antecederam vocês, são diferentes. O Pepe, aqui, foi prefeito de Caxias do Sul. O Pepe, se muito, recebeu... máquina você não recebeu, Pepe, nem precisa de falar, que todo mundo sabe. Agora, o Brasil não repassava dinheiro, nós não tínhamos obras em conjunto. O que mudou foi que nós temos obras em conjunto, obras com os prefeitos e com os governadores, no caso, aqui, com a governadora.

E aí, eu acho fundamental dizer que nós, o governo federal, tradicionalmente dizia: segurança pública, eu não tenho nada com isso, porque a Constituição diz que é do estado. Então, o governo federal lavava as mãos e fingia que não via o que estava acontecendo. A partir do governo Lula, e agora porque nós construímos as condições para isso, nós investimos, sim, em segurança pública junto com a governadora. E investimos porque tem ações na área de segurança pública que serão muito mais bem feitas se forem feitas em parceria. Então eu saúdo aqui, viu, governadora, eu saúdo esse programa que vocês acabaram de assinar porque ele deu certo, ele vem dando certo em vários estados.

Eu recebi, uma vez, o telefonema do governador Teotônio, e o governador Teotônio disse para mim: “A situação aqui em Alagoas é terrível. Nós temos a maior taxa de homicídio do Brasil”. E nós fizemos um programa junto com ele, da mesma forma como fizemos com outros governadores. Esse processo é um processo em que nós compartilhamos não só o que está dito que nós estamos compartilhando, que é vamos investir R$ 22 milhões, mas nós compartilhamos a inteligência. Nós compartilhamos a possibilidade de retirada de presos do sistema prisional para sistemas de segurança máxima federais.

Enfim, nós compartilhamos um conjunto de ações. Nós fazemos, sistematicamente, plano de monitoramento da fronteira com o Exército brasileiro e a Polícia Federal: o programa Ágata que está em curso ainda e o programa Sentinela, que é permanente. Com isso nós também compartilhamos as informações que porventura nós tenhamos acesso. E sobre, obviamente, sobre ações de inteligência ninguém fala muito porque não tem sentido ficar falando muito sobre isso.

Eu queria dizer também para vocês que nós estamos realizando obras que melhoram a infraestrutura do estado. Eu sei que esse estado é um dos estados mais bonitos do Brasil, com uma das praias mais bonitas do país, e por isso, quando nós falamos de turismo, nós não estamos falando só do turista estrangeiro que vem aqui. Nós estamos falando do turista que vem aqui, do turista brasileiro, que começou a viajar, pegar avião porque o modelo de crescimento mudou. Nós crescemos e distribuímos renda e o povo hoje anda de avião, anda de avião. Então, vir aqui para o Rio Grande do Norte não é algo que não passa pela cabeça de brasileiros. Talvez vocês não saibam, mas tem um encantamento do Brasil, tem um encantamento do Brasil por esta região. E aí nós estamos investindo aqui para que nós tenhamos uma estrutura melhor.

Eu queria levantar, primeiro, uma questão que ninguém falou aqui, porque eles contaram tudo o que eu ia fazer, então sobrou pouca coisa para eu contar, mas eu vou tornar a contar. Eu cito que nós vamos retomar a duplicação do acesso à praia de Pipa, que todo mundo sabe, no Brasil, que é uma das coisas mais bonitas do país, ali em Tibau do Sul. Nós vamos também modernizar – isso a Governadora já falou –, ajudar... fazer uma parceria para modernizar o Centro de Convenções de Natal, porque se moderniza o Centro de Convenções você vai trazer milhares de milhões de turistas aqui porque além de participar da convenção, desfruta da beleza natural.

Nós vamos fazer uma outra coisa, que é, além da concessão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, que é criar, na BR-101, todas as obras... construir, aliás, todas as obras complementares, que vão melhorar o trânsito no entorno de Natal e entre a capital e Parnamirim. Nós também vamos fazer algo que não estava previsto, mas que eu estou anunciando, que é a Reta Tabajara. A Reta Tabajara terá os seus 26,7 quilômetros duplicados e adequados, e o edital – isso ninguém disse – vai ser publicado no dia 20 de junho. A extensão da BR-304 também está prevista e integra o PAC. Vai da divisa... vai de Natal até a divisa com o Ceará.

O ministro César Borges – vocês deviam dar palmas para ele também e para o Fraxe [diretor-geral do DNIT, Jorge Ernesto Pinto Fraxe] aqui – vai fazer o RDC Integrado até dezembro. A duplicação dessa rodovia... por isso que não é 1 bilhão e 700, não, vai ser mais do que isso. Só a duplicação dessa rodovia está em torno de quase R$ 1 bilhão.

Também vamos fazer o chamado Gancho do Igapó, sistema... O Gancho do Igapó é um sistema de viadutos e túnel, vocês sabem melhor do que eu, que liga a BR-101 ao aeroporto internacional de São Gonçalo do Amarante. Ela é uma obra turística, é uma obra de logística, ela faz todo o sentido do mundo. Ela é uma obra que tem um sentido estruturante e que nós aprovamos.

Com isso eu queria dizer para vocês o seguinte: o que é que a gente está fazendo? A gente está acelerando o processo para tornar mais competitiva a economia do Rio Grande do Norte. Isso é contra outro estado? Não, não é. Isso é a favor do estado do Rio Grande do Norte, a favor da criação de riquezas aqui. E, sobretudo, a favor de acelerar o crescimento do estado como um todo, não concentrar num só lugar, mas garantir que ele seja integrado e que ele seja um crescimento equilibrado.

Eu queria dizer também que nós vamos continuar mobilizando todos os instrumentos que nós temos para melhorar a condição de vida da população do Rio Grande do Norte. E aqui eu também tenho uma reivindicação. A minha reivindicação é a seguinte: no caso dos royalties é fundamental que a gente faça um esforço no nosso país para a educação. Por quê? Eu sei, eu sei como é que a coisa é, mas eu queria fazer essa ponderação. Por quê? Nós somos um país que, nesses últimos dez anos, vocês sabem, eu falo isso, eu sei que vocês sentem, eu podia falar o que eu quisesse, se vocês não sentissem, vocês não iam acreditar, que é o seguinte: o Brasil mudou. Nós conseguimos tirar milhões de pessoas da pobreza, colocamos... O Brasil virou um país de classe média. Nós hoje temos um país com mais de 100 milhões de pessoas na chamada classe C. Se você somar com o que está na classe B e A, então dá quase 130 milhões dos nossos quase 200 milhões. Mas nós temos de fazer um esforço para fazer com que sejamos um país de classe média, efetivamente.

Se a gente for olhar, nós vamos continuar expandindo os programas sociais até tirar o último brasileiro da miséria, o último brasileiro da miséria nós tiraremos. Mas tem dois caminhos para tirar as pessoas da miséria, um deles é o emprego, é o crescimento, é gerar emprego, é formar mão de obra, o trabalhador adulto ser formado. E o outro é para jovens e crianças: é educação, educação e mais educação.

E aí, por isso que eu peço que vocês concordem em que uma parte dos... a parte dos royalties, a parte das participações especiais em metade de todos os rendimentos do pré-sal, se destinem à educação. Nós precisamos educar esse povo nosso. E quando eu falo “povo nosso”, eu estou falando dos brasileirinhos e das brasileirinhas, que tem de estudar em escola integral, de tempo integral. Nenhum país chegou a ficar um país desenvolvido sem criança estudando. E não é só praticar esporte, nem é só fazer aula de arte. É estudar Matemática, Português, Ciência e uma língua. E isso é caro. Nós temos de tornar a nossa educação a melhor possível. Essa é a condição para nós virarmos um país de classe média, efetivamente. Aquele país em que a pessoa carrega com ela seu patrimônio, e seu patrimônio é a educação.

Eu fico muito feliz de chegar aqui no Rio Grande do Norte e olhar que nós temos... eu estou falando fora do que fez o presidente Lula, além do que fez o presidente Lula, que fez uma revolução criando escola técnica e interiorizando universidade por este país afora. No meu período nós estamos fazendo, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, o IFRN, quatro novos campi, sendo que um já está em funcionamento, que é o de São Gonçalo do Amarante. De Canguaretama, de Ceará-Mirim, de São Paulo do Potengi ainda não estão em funcionamento, mas as obras estão em andamento. Na Universidade Federal Rural do Semiárido tem um novo campus, que é o de Pau Ferro.

Então, eu dou esses exemplos e da importância que isso tem, porque eu tenho certeza que esse é um passo decisivo para o desenvolvimento aqui do Rio Grande do Norte. E eu fico muito feliz de ter aqui... e aí vocês têm que fazer um esforço maior, botar os filhos para estudar inglês. Tem 563 alunos beneficiados pelo Ciência sem Fronteiras. Vocês tem de buscar mais alunos aqui do Rio Grande do Norte para o Ciência sem Fronteiras, que é mandar o menino ou a menina estudar na melhor... numa das melhores universidades do mundo, e tem de saber inglês, não tem jeito. E não adianta querer ir para Portugal, porque para Portugal não vai. Vai para as melhores universidades tecnológicas do mundo. É isso que nós estamos querendo. Aqui também no Brasil tem ótimas universidades.

Nós estamos querendo é colocar o nosso pessoal no que há de “top”. Por que é que nós fazemos isso? Porque a gente aprende com os outros. Nós não somos pretensiosos nem soberbos. Nós aprendemos perfeitamente com o que há de melhor no mundo e trazemos para cá. Fizemos isso com a Embrapa e deu certo. Fizemos com a Petrobrás  e deu certo, vamos continuar fazendo e dando certo.

E quero dizer para vocês uma outra coisa: acho que vocês aqui têm condições de fato de universalizar várias coisas; têm condição, também, de ter um desempenho muito bom no Minha Casa, Minha Vida. Acho que depende das prefeituras, depende... A Caixa tem recursos para fazê-lo. Vocês podem perfeitamente chegar ao teto do Minha Casa, Minha Vida. Tem um ano e meio ainda, um ano e meio tem 1 milhão e 200 mil novas contratações para serem feitas.

Finalmente, eu queria dizer o seguinte: eu quero dar continuidade a essa construção, que não começou comigo, nem começou com a governadora Ciarlini, se a gente lembrar bem. Eu lembro bem o esforço imenso feito no governo do presidente Lula, até porque eu ajudei, junto com a ex-governadora Vilma Faria. Eu quero continuar a construir um Rio Grande grande, um Rio Grande do Norte grande, um Rio Grande do Norte que faça, que esteja à altura desse novo Nordeste que o Brasil precisa. O Brasil precisa de um novo Nordeste, e não precisa porque alguém está fazendo um favor para o Nordeste. O Brasil não crescerá o que tem de crescer se o Nordeste não continuar crescendo acima de várias outras regiões do país, porque o Nordeste precisa de tirar o atraso.

Então, de fato, o presidente da Câmara tem razão. De fato, nós temos grande crescimento lá em Pernambuco, no Ceará, na Bahia, mas temos também aqui no Rio Grande do Norte. E eu acho que o Rio Grande do Norte pode perceber que ele tem uma diferença, ele tem um diferencial, melhor dizendo: ele tem uma localização especial, ele tem uma atratividade, em matéria de turismo, que poucos estados do Brasil têm. E, mais do que isso, nós estamos situados num momento em que esta região, chegou a hora e a vez dela, porque tem isso: chegou a hora e a vez do desenvolvimento regional acelerado do Brasil. E aqui é um dos lugares em que isso vai acontecer.

Nós podemos afirmar com orgulho que o povo nordestino deu um passo à frente, fez as escolhas certas tem uma capacidade enorme de trabalho, cria e provoca modificações no resto do Brasil, mas agora eu creio que nós temos de dar, aqui no Nordeste, as mesmas condições que há concentradas onde o país começou fortemente seu desenvolvimento industrial lá no século passado, que é o Sul e o Sudeste. Nós temos de dar agora as condições para que ocorra um surto de desenvolvimento aqui. E esse surto de desenvolvimento tem de ser mais virtuoso do que foi no Sul e no Sudeste. Lá eles se desenvolveram, mas ainda no Sul e no Sudeste tem várias regiões, dentro do Sul e do Sudeste, que são pequenos nortes e nordestes do país.

Nós queremos transformar o Nordeste numa região homogeneamente desenvolvida. Não é possível que nós aceitemos que seja um lugar mais desenvolvido que outro. Daí por que eu, de fato, tenho esse compromisso de melhorar, cada vez mais, dentro da possibilidade do governo federal, um, a infraestrutura. A infraestrutura terá todo o meu empenho. Dois, a política com a convivência da seca, segurança hídrica e segurança produtiva. Três, programas sociais. Quatro, a educação sozinha. E a educação é algo que eu também peço aos prefeitos e às prefeitas. Ajudem, o Brasil tem de fazer, erguer uma única voz pedindo educação, educação e educação.

A hora que nós completarmos essa fase, nós teremos, sem sombra de dúvida, nós teremos dado um salto porque isso vai beneficiar a criação de ciência, tecnologia e inovação, vai beneficiar a estabilidade e a qualidade do trabalho no Brasil, vai aumentar a produtividade, melhorando assim a nossa economia, e vai, sobretudo, nos colocar em outro patamar. Nós somos um povo criativo porque somos diversos, porque somos uma mistura de europeus com negros e com índios. Nós somos um povo que tem uma imensa capacidade de criar, daí por que nós temos de educar o nosso povo, nós temos de ter um compromisso com a educação de qualidade. É isso que eu peço, na minha reivindicação.

No mais, eu tentarei, dentro das possibilidades e sem ser demagógica, atender aos pleitos dos senhores. Podem esperar que na parte da questão das dívidas nós temos uma boa novidade.

 

Ouça a íntegra (49min28s) do discurso da Presidenta Dilma