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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de assinatura das ordens de início das obras de duplicação da BR-381/MG, trecho de Belo Horizonte a Governador Valadares - Ipatinga/MG

por Portal Planalto publicado 12/05/2014 22h24, última modificação 04/07/2014 20h22

 

Ipatinga-MG, 12 de maio de 2014

 

Primeiro, eu queria desejar os parabéns atrasados pelo dia 29 de abril. Parabéns Ipatinguenses, parabéns a todos vocês. Eu queria aproveitar e cumprimentar a Cecília Ferramenta e ao Chico Ferramenta, quando eu dou esses parabéns. Então, vocês recebam meus parabéns pelas comemorações dos 50 anos aqui de Ipatinga. Mesmo considerando que tinha antes o distrito de Coronel Fabriciano, mesmo considerando isso, Ipatinga está fazendo 50 anos, é uma jovem senhora.

E eu fiquei encantada. Eu estive aqui em 1979, e quero dizer para vocês que ao chegar aqui e passar pelas ruas eu fiquei impressionada com a quantidade de árvores que, aqui em Ipatinga, é algo que torna essa cidade uma cidade especial. Então eu sei que foi o Chico, eu sei, mas a Cecília continuou e bem continuado. Bom, por isso meus parabéns. E a cidade tá ali novinha, é uma senhora de 50 anos bem conservada.

E eu queria também saudar aqui a todas as lideranças, homens mulheres, jovens que defenderam a realização da BR-381. Eu quero defender que essa é uma posição importantíssima para nós governantes: ter lideranças que afirmam, que lutam e que defendem obras. Então, parabéns a todas essas lideranças que brigaram, que lutaram, que reivindicaram a BR-381.

Eu queria continuar cumprimentando o ministro dos Transportes.

Cumprimentando também o ex-ministro do Desenvolvimento Industrial e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.

Queria dirigir um cumprimento especial aos deputados federais presentes aqui, como o Fábio Ramalho, o Gabriel Guimarães, o George Hilton, o Leonardo Monteiro, o Mauro Lopes, Miguel Corrêa, Padre João e Reginaldo Lopes.

Queria dirigir um cumprimento, do fundo do coração, para o padre William Luciano Pires. E o padre William falou uma coisa que deve nos fazer pensar: a família dele faleceu por conta das condições dessa rodovia, em 1991, lá se vão 23 anos. De fato, padre William, 23 anos é muito tempo para a gente esperar por uma estrada. E eu quero dizer ao senhor que eu gostaria de, nesses 23 anos, ter estado aqui e ter lutado, junto com vocês, para construí-la, ou estado onde eu estou hoje e lutado para construí-la. Quero dizer ao senhor que nós temos, desde o momento em que eu recebi as reivindicações – e quero reconhecer que eu as recebi lá na Fiemg, quando eu era candidata, eu quero reconhecer isso –, nós nos determinamos a fazer essa rodovia. E aí, ao longo da minha fala, eu vou explicar para vocês o que acontece no Brasil e porque de fato para cada uma das obras que nós fazemos, nós temos de iniciar uma luta.

Bom continuando meus cumprimentos, e depois eu falo isso para vocês. Queria cumprimentar o general Fraxe, diretor do Dnit,

Dirigir uma saudação especial ao nosso presidente da Fiemg, Olavo Machado Júnior. E ao saudar a Fiemg, eu saúdo todos os empresários aqui presentes.

Queria também cumprimentar os deputados estaduais: Carlos Henrique, Celinho do Sinttrocel, Durval Ângelo, Pompílio Canavez, Rosângela Reis.

Saudar os presidentes das Associações Municipais: Rosângela Mendes, da Associação de Municípios pelo Desenvolvimento Integrado, e a nossa prefeita de Coronel Fabriciano; Geraldo Godoy, da Associação de Municípios do Vale do Aço e prefeito de Periquito.

Representes dos consórcios que executarão as obras da BR-381: Rafael Rocha, diretor-presidente do Consórcio... Não, ele é diretor-presidente da empresa construtora Brasil S/A, e representa o Consórcio Brasil/Mota/Engesur. Queria cumprimentar o Francisco Kindelán, que é presidente da Isolux e representa o Consórcio Isolux/Corsan/Engevix. E o Daniel de Oliveira, que é diretor comercial da J Dantas S/A e representa o Consórcio J Dantas/Sotepa.

Cumprimentar o presidente da Usiminas, Julian Eguren. E cumprimento aqui todos os representantes, funcionários e participantes do setor siderúrgico.

Cumprimentar o Saulo Manoel, dirigente nacional da Central de Movimentos Populares. Saulo, eu cumprimento, por meio da sua pessoa, todos os demais movimentos sociais aqui representados.

Queria cumprimentar também as senhoras e os senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Mas eu estava dizendo para vocês que um país não pode esperar 23 anos para fazer uma rodovia, principalmente uma rodovia que tem dupla importância. A primeira e maior importância é preservar vidas humanas que precisam, por várias questões, transitar pela rodovia. As rodovias têm de ser rodovias da vida, e não rodovias da morte.

A segunda questão é que essa... eu sou de Minas e sei a importância do Vale do Aço, eu conheço esta região, eu sei o que ela significa. E aí tem razão aqueles que dizem: não só para Minas Gerais, significam muito para o Brasil. Aqui foi onde a indústria pesada brasileira começou. Daqui saíram todos os projetos grandes de criação de uma indústria nacional. Daqui, hoje, ainda saem todos os elementos necessários para vários projetos no Brasil, desde a indústria naval, da construção de plataformas, sondas, por parte da Petrobras, através da nossa política de conteúdo nacional que gera emprego aqui, até a indústria automobilística, que também vem aqui demandar matérias-primas. Por isso, essa rodovia não podia, de fato, esperar 23 anos.

Agora eu explico para vocês o que acontece. O que acontece, mais grave, é que num período desses, não se fazia projeto no Brasil, nem tampouco se investia em rodovia. Quando o ministro dos Transportes diz aqui que o governo federal está colocando R$ 8 bilhões em rodovias aqui, no estado, eu digo pra vocês, que nunca, como dizia o nosso presidente Lula, nunca dantes na história desse país se colocou tanto dinheiro em rodovia. Aqueles que criticam qualquer atraso vão ter de responder porque nos 10 anos ou 8 anos que estiveram à frente do país não fizeram esta rodovia, que há muito tempo era necessária.

Eu digo para vocês: eu farei todo o esforço agora para controlar o ritmo das obras. Vou olhar, junto com o ministro, com o nosso ministro César Borges, o ritmo do Dnit ao liberar os processos. Vou também olhar o ritmo das obras junto às empresas responsáveis. Nós queremos essa obra pronta, nós sabemos da importância dela, e a maior importância dela não é para produtos, é para pessoas. A maior importância é garantir a vida, mas também garantir a qualidade de vida, é garantir empregos. A importância dela é garantir que uma região que é considerada uma das regiões mais importantes do país, em matéria de produção, tenha sua infraestrutura adequada. Nós sabemos, aqui, que investir nesta rodovia é algo complexo. Não é uma rodovia simples e, por isso mesmo, precisa mais ainda da nossa atenção. Ela vai utilizar uma quantidade significativa de recursos. O governo federal está colocando R$ 2,5 bilhões para fazê-la.

No passado, nós pensamos em colocar esta rodovia, esse trecho, em concessão. Por que o governo federal, em 2011, que tinha pensado em colocar em concessão, recuou dessa proposta e foi refazê-lo por meio do sistema de obra publica, no qual a gente coloca o dinheiro a fundo perdido? Por quê? Porque pelo trecho de duplicação, nós teríamos uma tarifa de pedágio muito alta. Por isso é que nós mudamos para obra pública, que não terá de ser paga pelos contribuintes, porque eles já pagaram o que nós estamos gastando sobre a forma de pagamento dessa obra, são os impostos que nós estamos gastando. Então, é isso que explica que no nosso período nós tenham um ano de atraso, porque tentamos primeiro ver se dava sob o regime de concessão, não deu. Várias outras obras deram sob o regime de concessão, e as três rodovias às quais o ministro se refere, todas elas têm as menores concessões cobradas neste país, todas elas.

Eu queria dizer para vocês uma outra coisa. Eu considero muito importante o estado de Minas Gerais para o Brasil. Não só porque eu nasci aqui, mas o Olavo disse uma coisa muito bonita, disse que Minas Gerais é cercada pelo Brasil. Ela é, de fato, é o nosso estado que é cercado pelo Brasil. Com isso, ele quis dizer uma coisa que é o seguinte: Minas Gerais está numa situação estratégica no Brasil. Ele, ao mesmo tempo – o estado, não é? – ao mesmo tempo é uma porta para o Sudeste e para o Sul e, ao mesmo tempo, uma porta para o Nordeste. Eu tenho certeza que o Brasil só será grande quando todas as regiões crescerem. Então, sempre Minas Gerais cercada pelo Brasil terá uma situação privilegiada. Daí a sua importância, também, para o meu governo, não só pelo carinho que eu tenho com a cidade, mas pelo fato que ela tem essa importância extraordinária. E é isso que explica o nível de investimentos que nós fazemos aqui.

O ministro deixou claro que a gente está investindo uma carteira de 8 bilhões e pouco na área de rodovias. Mas nós estamos investindo algo muito similar na área de mobilidade urbana. Antes de eu passar para a área de mobilidade urbana, que é metrô BRTs, corredores de ônibus, eu queria falar de três tipos de obras, eu queria falar do anel rodoviário, do metrô de Belo Horizonte, e com ele eu entro na questão de mobilidade, e queria falar para vocês de algumas promessas que eu fiz e que eu vou cumprir.

Por exemplo, eu queria falar de uma questão que eu acho fundamental para o país, que é como é que as estradas passam pelos sistemas urbanos. No Brasil, muitas vezes, quando a estrada passou, ali não era ainda cidade, era fora da cidade. Com o crescimento da cidade, passa a passar por dentro. Nós temos um grande interesse, daqui para frente, o governo federal vai cuidar fundamentalmente dos contornos. E aí eu vou falar do contorno, que é o Anel Rodoviário de Minas Gerais.

Nós temos feito, ao longo do Brasil, em todo o território, vários contornos rodoviários. Um, inclusive, nós estamos entregando no mês que vem, que é o contorno rodoviário lá do Rio e Janeiro. Temos participação também no contorno rodoviário de São Paulo, que lá chama Rodoanel. E aqui em Minas nós temos todo o interesse em fazer o contorno rodoviário de Belo Horizonte. Por quê? Porque é algo fundamental tirar o transporte de carga do centro ou da periferia habitada das grandes cidades e das médias cidades deste país. É uma questão que é colocada de forma clara para nós.

Nós, então, fizemos uma proposta para o governo de Minas Gerais, o governo estadual: vocês façam uma parte, nós pagamos a parte que vocês fazem, e nós fazemos a outra parte e também pagamos. Enfim, nós pagamos o anel rodoviário inteiro. Então, eu tenho escutando que tem gente se queixando que o anel rodoviário está atrasado. Ora, se tiver atrasado, eu sugiro que se cobre o governo de Minas também pelo atraso, e não só o governo federal. Porque na hora de a gente fazer o acordo e passar os recursos, todo mundo quer, na hora de cobrar só nós somos cobrados? Que história é essa? Eu respondo pelos meus atos, mas não pelos outros. Até entendo o atraso, até entendo, porque eles também não tinham projeto, porque no Brasil ninguém tinha projeto. Nós ficamos mais de 30 anos sem fazer projeto neste país e estamos todos correndo atrás da bola. Agora, o correto é o correto. Se a gente falar uma coisa, a gente assume, se a gente assumir responsabilidade, a gente assume. E quero dizer que a parceria é a minha praxe, acho que parceria é fundamental. Acho que todos os estados, todas as prefeituras são parceiros do governo federal.

Uma coisa é a eleição. Eleição, as pessoas discutem, disputam, é assim mesmo, e é da democracia e graças a Deus este país é uma democracia. Mas fora da eleição, o que tem de ser feito? Parceria. Você tem de fazer parceira porque, com parceria, muitas vezes uma obra muito cara, um ente só da Federação não consegue, mas todos juntos conseguem. E necessariamente a União tem mais dinheiro, tem bancos, pode financiar, pode entrar com o OGU. Então, nós temos feito parceria não é com um estado, é com os 27 estados da Federação. Não tem um só estado com que nós não fazemos parceria.

Daí porque eu entro agora numa outra questão que acho importantíssima, que é a mobilidade urbana. Aqui, aqui em Minas Gerais, a nossa carteira de mobilidade urbana, que eu vou explicar para vocês: não é atribuição do governo federal investir em transporte. No passado, falavam assim, antes do governo do presidente Lula, que foi quem mudou isso primeiro, falavam assim: como não é minha responsabilidade, eu não tenho nada com isso. Nós não falamos isso, mesmo não sendo minha responsabilidade constitucional investir em transporte urbano, como o transporte urbano virou um problema no nosso país, o governo federal investe, sim, em transporte urbano.

E aqui, em Minas Gerais, nós colocamos outros R$ 8 bilhões. Primeiro, colocamos no metrô de Belo Horizonte. É importante que Belo Horizonte amplie o seu metrô. Belo Horizonte, afinal das contas, é a capital de todos os mineiros, é o centro de Minas Gerais, e é uma cidade que necessita de trilho. Por quê? Porque as cidades com mais de 1 milhão de habitantes, até acima de 500 mil, elas precisam de transporte urbano sobre trilho, porque caso contrário as pessoas terão de perder uma parte da sua vida dentro de um transporte urbano. O único jeito de você ir em qualquer cidade do mundo desenvolvido – Paris, Londres, Tóquio – de um ponto a outro, numa cidade ultrapopulosa, é o metrô ou qualquer outro sistema de trilho. Isso significa que quando segrega a canaleta, não deixa cortarem o percurso do metrô, do Veículo Leve sobre Trilho ou até de um BRT, você tem um transporte de massa mais adequado, mais rápido, mais seguro e onde a vida das pessoas possam ser transformadas naquilo que é importante. O que é importante na vida de cada um de nós? É o tempo para viver, é o tempo para desfrutar do lazer, é o tempo para ficar com os filhos, é o tempo para ter as amizades, para estudar, é tempo.

Então, é fundamental que o governo federal faça esse investimento. E aqui nós estamos investindo no metrô de BH, em BRT em contagem, Uberaba, Uberlândia, estamos investindo em corredores de ônibus, Governador Valadares, Juiz de Fora, Montes Claros, Ribeirão das Neves. A prefeita Cecília disse para mim, quando nós estávamos dentro do carro, lá do aeroporto para cá, ela me disse: “Presidenta, aqui nós vamos precisar também do investimento em mobilidade urbana, porque  apesar de Ipatinga ter 200 mil habitantes,um pouco mais de 200, ela já se transformou numa cidade onde muita gente de fora circula, daí porque eu preciso de melhorar meu transporte urbano”. Sábia prefeita, sábia prefeita, porque é assim, prefeita, que a gente evita que tenha os congestionamentos que tem em São Paulo, por exemplo, ou no Rio, que durante muito tempo neste país se falou que metrô era transporte de rico. Transporte de rico coisíssima nenhuma, metrô é transporte de quem se acha merecedor do que tem de melhor em transporte urbano, e eu acho que a população deste país é merecedora. Então, prefeita, é isso.

Agora eu vou deixar de falar nessas coisas mais duras, e vou falar de uma outra que eu me orgulho muito. Aqui, no estado de Minas Gerais, nós temos uma quantidade imensa de cidades históricas, cidades que são a nossa memória, a memória da vida do nosso país, não é só dos mineiros, de todos os brasileiros. Aqui houve um período, na nossa história em que temos cidades belíssimas, cidades coloniais. Então, preservá-las é muito importante, e por isso nós fizemos o PAC Cidades Históricas beneficiando Congonhas, Diamantina, Mariana, Ouro Preto, Sabará, São João Del Rei, Serro e a nossa BH que, afinal de contas, foi onde todos nós começamos, pelo menos eu, garanto a vocês, foi onde eu comecei a minha vida, literalmente, foi onde eu nasci. Mas Belo Horizonte tem esse sentido também de ter sido uma das primeiras cidades, neste país, planejadas e concebidas como uma cidade nova.

Além disso, eu queria falar para vocês em outros investimentos que o governo federal faz e que eu tenho imenso orgulho deles, porque eu acredito que melhora, transforma e modifica a vida das pessoas. Este país é um país que teve uma transformação nos últimos 12 anos, começada com o Lula e continuada por mim, fazendo avançar, porque a gente já tinha aprendido muito no período anterior. E esse avanço é elevar 42 milhões de pessoas para a classe média. Pensando bem, é uma coisa importante: 42 milhões é quase um país. A gente podia dizer aqui, quase uma Argentina. 42 milhões de pessoas nós elevamos para a classe média. Nós também tiramos 36 milhões da miséria.

Eu estou dizendo isso porque eu acho que tudo isso tem ainda mais valor quando a gente aposta na educação. Apostar na educação é apostar no caminho para garantir que essa redução da desigualdade que houve no Brasil, porque isso que eu estou falando é redução de desigualdade, todo mundo ganhou nesses 12 anos, mas ganhou mais quem era mais pobre, mais pobre. Ganhou mais quem era classe média, em relação das camadas mais ricas, e isso é redução da desigualdade. Como garante que uma redução da desigualdade seja permanente? Você garante através de um método que eu considero muito importante: educação é o caminho pra isso. Por isso a gente diz que na educação você não pode olhar só um segmento, você tem de olhar da creche ao pós-graduação. A creche é fundamental, a gente achava antes que era por causa das mães que tinham de trabalhar, é por causa das mães que têm de trabalhar, mas isso é uma razão, eu diria, de segundo nível. O primeiro nível, a creche é para a criança mesmo, a creche é para os brasileirinhos e para as brasileirinhas de 0 a 3 anos terem as mesmas oportunidades, todos, independentemente daonde nasceram, do sobrenome que tenham ou riqueza dos pais. Porque tem de ser creche de primeiro mundo? Porque a raiz da desigualdade está de 0 a 3 anos. Uma criança que tem os estímulos de 0 a 3 anos, ela terá um desempenho melhor ao longo de toda a sua vida de aprendizado. Então, creche... Depois de creche, nenhum país no mundo virou uma nação desenvolvida sem que nós tivéssemos educação de tempo integral. Nem tampouco nós teremos uma nação desenvolvida se os brasileiros não tiverem acesso à educação de qualidade.

Então, aqui em Minas nós autorizamos, com dinheiro federal, a construção de 604 creches, autorizamos 3.500 escolas de tempo integral, a aquisição de 2.400 ônibus. Eu ainda acho pouco, acho que nós temos de fazer mais, por isso que nós mandamos para o Congresso uma lei, a lei dos royalties. E o que diz a lei dos royalties? Diz o seguinte: que 75% de tudo que todos os estados, todos os municípios, mas, sobretudo, o governo federal, ganhar com a exploração do petróleo vai para a educação. Por que tem de ir para a educação? Eu não sei se aqui tem professoras... Então quero dizer para vocês uma coisa: não vai ter educação de qualidade no Brasil se a profissão “professor” não for valorizada. Para a profissão “professor” ser valorizada, nós vamos ter de pagar um salário que atraia para essa profissão todas as pessoas que têm a vocação e que tenham capacitação, porque senão só as abnegadas vão ficar, porque a gente sabe que no Brasil professor não ganha o suficiente para ter uma educação de qualidade. Vai ter de gastar dinheiro sim. Porque eles falam “não, não pode gastar dinheiro com o custeio” – salário de professor é custeio – “Tem só de gastar com investimento”. Não senhores, pode gastar em educação, não só pode como deve, não só pode como deve. E a gente precisa de muito dinheiro, e a gente tem usar o dinheiro do petróleo, que é uma riqueza, vocês concordam comigo, finita. Você começa a explorar Petróleo, você tem de continuar explorando, porque todo dia diminui um pouco o que você tira lá de baixo, ela é finita. Agora a riqueza relacionada ao que nós podemos dar para as pessoas, em termos de educação, essa é permanente e infinita. Só o Brasil ganha, só as pessoas que a recebem ganham. Por isso, eu acredito firmemente nessa questão da educação.

E aí vou aproveitar a presença da Fiemg aqui e falar sobre os cursos técnicos. Ele mencionou o Pronatec. O Pronatec, não é, doutor Olavo? É algo importantissimo que nós fizemos juntos, é uma parceria entre o governo federal e o Sistema S, Senai, Senac, Senat, dos Transportes e Senar, da agricultura. Nós fizemos uma parceria. Essa parceria é para tornar os cursos os melhores do país, dos Institutos Federais de Educação, das universidades. Você está de Parabéns, viu, Cecília, por aqui ter a interiorização de universidades, é outra coisa que é fundamental, que nós fizemos desde o Lula.

Mas, eu queria falar sobre o Pronatec. Aqui, em Minas Gerais, são 736 mil jovens e trabalhadores mineiros que tiveram acesso ao Pronatec. Vocês têm um desempenho fantástico aqui. O governo federal, com o Sistema S, transformou o acesso a ensino técnico profissionalizante de nível médio, ou capacitação e qualificação profissional para qualquer trabalhador ou trabalhadora, ou um microempreendedor individual que queira se capacitar em algo gratuito. Por isso, no Pronatec, o governo federal coloca R$ 14 bilhões, o que é muito importante para o país, porque esse é um país que precisa de técnicos qualificados.

Além disso, e quero dizer que nós dizemos uma parceria fantástica com ao Senai e, portanto, com a CNI e com as Federações das Indústrias. Nós Criamos os Institutos Senai de Inovação, e os Institutos Senai de Tecnologia. São 60 de tecnologia e 23 de inovação que o governo federal financia aqui, no estado de Minas Gerais... não, desculpa, aqui no Brasil. No estado de Minas Gerais tem, de fato, muitos institutos, é fato agora, nós espalhamos esses institutos por todo o Brasil.

E eu quero falar uma coisa para vocês. Tem saído muitas noticias de que tem gente contra subsídio. Pois fiquem sabendo que os Institutos, os Institutos Senai de Inovação, nem tampouco os Institutos Senai de Tecnologia sairiam do papel se nós não tivéssemos subsidiado. O que nós subsidiamos? O diferencial de juros. Que diferencial de juros? O que é isso que eu estou falando? É o seguinte: tem a taxa selic, como a taxa selic é alta, nós cobramos um juro menor quando estamos financiando. Quem paga a diferença? O governo federal paga a diferença, ele paga a diferença desses institutos, ele paga a diferença dos programas federais ligados ao BNDES, de investimento, chamado Programa de Sustentação do Investimento, paga também do Minha Casa, Minha Vida. Aí é que eu quero chegar, no Minha Casa, Minha Vida. Porque nós colocamos no Minha Casa, Minha Vida, uma equação para poder ter uma política de habitação no nosso país, porque senão não tinha essa política de habitação.

No passado falavam: “Ah, o pessoal que se vire, vai lá no mercado e compra a casa se puder”. Não pode, não dá para comprar. Por um motivo muito simples, é só fazer uma conta. Uma casa que custa entre R$ 56 e 62 mil, e uma pessoa que tem uma renda familiar de R$ 1 mil, ela não paga a casa,  come e bota os filhos, para transportar os filhos para a escola, não tem jeito. E comprar remédio, nem pensar.

Então, nós fizemos o Minha Casa, Minha Vida utilizando dinheiro dos impostos para garantir a casa, a segurança para as camadas da população que mais precisam. Quanto menos a renda, maior o incentivo e subsídio. Quando é maior a renda tem algum incentivo, mas é menos, muitas vezes sob a forma de redução de seguro e diminuição da taxa de juros. Por isso, quando vocês verem alguém criticando subsídio, vocês saibam que ou estão querendo acabar com o programa social, ou querendo acabar com o financiamento das indústrias no nosso país, para não falar da agricultura. Toda a política de safra agrícola do país tem subsídio, toda, tanto para a agricultura comercial quanto para a agricultura familiar. Não tem uma única vírgula na política de crédito para a agricultura sem subsídio. Então, aqueles que defendem, aqueles que defendem acabar com o subsídio, eles defendem acabar com a política de financiamento para a agricultura, para a indústria, para o pequeno empresário e também para todo o povo brasileiro, quando se tratar do Minha Casa, Minha Vida.

Aqui em Minas não teriam 195 mil moradias do Minha Casa Minha Vida que nós já entregamos, nem tampouco as 134 mil que nós vamos... que estão em construção e que nós vamos entregar, o que, portanto, comprometeria enormemente a qualidade de vida das pessoas aqui.

E queria finalizar – aí não tem nada uma coisa com a outra – falando o seguinte: aqui em Ipatinga, 8 médicos do Mais Médicos já estão em atividade, e mais 2 virão para cá até o final do mês. Eu tenho também de dizer a vocês, eu tenho muito orgulho da decisão que nós tomamos para de fato fornecer atendimento médico aqui na região. Quero dizer que os 1.117 médicos que estão já em atividade nos 456 municípios mineiros, aos quais se juntarão mais 104 médicos são fundamentais para dar cobertura para uma parte expressiva da população. E no Brasil inteiro nós teremos 14 mil médicos nesse final do mês de maio, atendendo em torno de 49 milhões de pessoas que não eram atendidas.

Finalmente, eu quero dizer para vocês: eu sempre fico muito feliz de vir em Minas Gerais. Eu considero que quem nasceu aqui tem uma visão de mundo que é que um poeta dizia: “Você olha o mundo lá de cima das montanhas, você vê esse mundo de forma diferente”. Eu considero que todos os mineiros sempre tiveram uma vocação. Sabe qual eu acho que é a vocação dos mineiros? Para mim, a vocação dos mineiros é olhar o Brasil. Nós sempre, mineiros, olhamos o Brasil. Nós temos uma quantidade imensa de mineiros, sejam eles grandes escritores, grandes poetas, mas, sobretudo, grandes políticos. E eu fico aqui com o JK, que veio cá e criou pensando a Usiminas. Ele criou a Usiminas pensando em Minas e pensando no Brasil.

Por isso, eu gosto muito de vir aqui. Aqui é um lugar que inspira a gente, como todos os mineiros antes de mim foram inspirados por esta terra. Muito obrigada e um beijo no coração de vocês.

 

Ouça a íntegra (42min57s) do discurso da Presidenta Dilma Rousseff