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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de anúncio de investimentos em infraestrutura urbana e equipamentos sociais nas comunidades da Rocinha e nos complexos do Lins e do Jacarezinho

por Portal do Planalto publicado 14/06/2013 15h42, última modificação 04/07/2014 20h17

 

Rio de Janeiro-RJ, 14 de junho de 2013

 

E eu queria começar a minha fala saudando em especial os moradores, as companheiras e os companheiros que moram aqui na Rocinha.

E queria também saudar os moradores que integram os complexos de Lins e do Jacarezinho, que também estão aqui hoje porque nós vamos, aqui, lançar o PAC 2. E o PAC 2 é uma iniciativa do governo federal que tem por objetivo melhorar a vida do povo da Rocinha, do complexo de Lins e do complexo de Jacarezinho. Então, meu abraço e um grande beijo no coração para cada uma das mulheres e dos meus companheiros homens e para as crianças e os jovens dessas comunidades.

Queria cumprimentar o meu querido governador Sérgio Cabral. Meu parceiro, parceiro do presidente Lula e com quem nós temos o orgulho, nós temos também essa coisa boa que a gente sente na alma quando a gente consegue contribuir para melhorar a vida desse povo, desse povo lutador e trabalhador das comunidades aqui do Rio de Janeiro.

Queria cumprimentar o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, outro grande parceiro, nosso Eduardo Paes. O Eduardo Paes tem uma característica: o Eduardo Paes é o prefeito mais feliz do Brasil, mais feliz do Brasil. Porque o Eduardo Paes é prefeito da cidade do Rio de Janeiro, e sempre disse para mim: “eu olho para outros perfeitos e tenho uma pena danada. Eu sou um prefeito feliz”.

Queria cumprimentar também o ministro Aguinaldo Ribeiro, que falou aqui hoje para nós, falou muito bem. Mostrou a visão que o governo federal tem hoje sobre a realidade brasileira.

Queria cumprimentar também o Pezão. O nosso vice Pezão.

Eu queria cumprimentar o presidente da Assembleia Legislativa do estado, o Paulo Melo.

Cumprimentar o deputado Washington Reis; o vice-prefeito Adilson Pires; o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine; o nosso querido amigo e companheiro Wagner Bittencourt, vice-presidente do BNDES; a secretária nacional de Habitação, a Inês Magalhães.

Queria cumprimentar um lutador aqui, que é integrante da equipe do Sérgio Cabral, que é o Hudson Braga, secretário estadual de Obras. Cumprimento o Hudson Cabral [Braga] e também cumprimento o Ícaro e sua equipe.

Cumprimentar o Antônio Shaolin, o presidente da Câmara Comunitária da Rocinha. Quando eu cumprimento o Shaolin, eu estou cumprimentando também todos os integrantes das associações de todas as comunidades que hoje aqui me honram com a sua presença.

Cumprimentar os senhores jornalistas, os senhores fotógrafos e os senhores cinegrafistas e as senhoras jornalistas, fotógrafas e cinegrafistas.

A primeira vez que eu estive numa cerimônia aqui na Rocinha, foi no lançamento desse fantástico complexo esportivo. A Rocinha neste momento... o governador Sérgio Cabral  tinha feito um início de terraplanagem e nós estávamos iniciando o PAC 1. A gente iniciava o PAC 1 com essa obra da Rocinha. E naquele momento, foi quando o presidente Lula disse uma coisa que eu queria lembrar para vocês aqui hoje: disse que eu era a mãe do PAC da Rocinha, e que o Pezão era o pai do PAC da Rocinha. Porque naquele dia nós iniciávamos uma coisa que muita gente, – porque tem isso em algumas pessoas – elas não são muitas não, eu falei errado, elas são poucas pessoas no Brasil. Aquelas pessoas que não acreditam em nada e torcem para dar errado. Diziam que nós não conseguiríamos fazer esse complexo esportivo, não conseguiríamos fazer todas as medidas que nós tomamos aqui na Rocinha e não conseguiríamos fazer essa passarela, enfim, nós não íamos fazer nada aqui na Rocinha.

E o tempo passou e eu tive muito orgulho de voltar aqui e ver as crianças nadando na piscina. Porque dá muito orgulho quando a gente vê as crianças, esses brasileirinhos e essas brasileirinhas, tendo acesso a uma piscina de qualidade como é essa aqui do complexo. Dá muita alegria quando a gente olha a qualidade dos equipamentos esportivos, da biblioteca, quando a gente vê que tem aqui na Rocinha um conjunto de equipamentos que garante uma qualidade de vida para a população que mora aqui.

E isso porque nós temos um lado, e esse lado, ele é claro. Esse lado é o lado do povo brasileiro. O lado do povo brasileiro e mais, nós fazemos obras, temos iniciativas, fazemos ações para todo do Brasil. Mas por quê a gente tem de olhar para aqueles segmentos mais pobres do país? Porque foram eles que nunca tiveram acesso a nada no país. Foi de costas para a Rocinha, de costas para o complexo de Lins, de costas para o complexo de Jacarezinho, de costas para o complexo do Alemão, enfim, de costas para comunidades não só aqui do Rio de Janeiro, mas de todo o Brasil, que o nosso país foi governado até 2003. Não se fazia obras para as comunidades mais pobres, não se focava política para as pessoas que mais precisavam.

E quero dizer para vocês que uma das coisas que eu mais gosto de fazer como presidenta é isso que nós estamos fazendo aqui hoje. Por quê? Porque eu sei que o Brasil real, o Brasil real, o meu Brasil profundo, o Brasil a quem eu devo a minha eleição mora aqui, está aqui e é esse Brasil que permite que nós tenhamos mudado, que o Brasil tenha mudado, que não seja mais o mesmo Brasil. Porque o Brasil, até então, era um Brasil que tinha um mercado interno pequenininho, só para as classes mais ricas. E nós, nesse período com o presidente Lula e depois com o meu governo, nós criamos cada vez mais um processo em que as pessoas, as pessoas do nosso país, aquele brasileiro concreto e aquela brasileira, aquele trabalhador e aquela trabalhadora, aquele empreendedor e aquela empreendedora, aquela cabeleireira, aquele cabeleireiro, o dono da oficina, o trabalhador numa fábrica, todos eles passaram a ter vez. A ter vez e a ser objeto da preocupação da política do governo federal.

E aí nós fizemos uma parceria, porque encontramos no caminho pessoas que pensavam iguais a nós, fizemos uma parceria. Primeiro fizemos com o governador Sérgio Cabral, depois fizemos com o prefeito Eduardo Paes, além de outras parcerias com outros prefeitos pelo Rio de Janeiro afora. Mas essa parceria resultou em coisas muito importantes aqui.

Eu queria lembrar que investir, investir nas favelas desse nosso Brasil foi algo, eu diria, transformador. Transformador porque melhora não só a vida aqui dessas pessoas que moram na Rocinha, mas melhora a vida de todos os bairros que cercam a Rocinha. E aqui eu queria dizer para vocês que eu fico muito feliz. O investimento total, no meu período, e tem várias coisas que a gente ainda continua do PAC 1, mas o investimento no  meu período, em favelas, nas principais – porque tem outros investimentos menores – totaliza hoje R$ 5 bilhões e 900 milhões nesse período. E isso significa uma coisa muito importante: qualidade de moradia significa acesso à UPA; significa escolas para os nossos queridos jovens e para as crianças; significa acesso a um complexo esportivo que dá sustentação para o lazer e para práticas que são necessárias em qualquer país do mundo, para o povo, que é o esporte; significa também a pré-condição para que a gente ao mesmo tempo pacifique uma comunidade e acabe com os mecanismos, com aquele controle privado da violência que muitas vezes ocorreu por descaso do poder público.

Eu tenho aqui a certeza que nós acertamos a política, nós acertamos a política, por quê? Um país só é vencedor quando faz com que seu povo seja vencedor junto com ele. Aqui, nós construímos as condições para que o povo desta comunidade vencesse junto com o país. Nesses dez anos e mais precisamente, nesse últimos seis a sete anos, nós tivemos aqui, no Rio de Janeiro, uma mudança fantástica da cidade do Rio de Janeiro e das comunidades do Rio de Janeiro.

Fazer como faz o prefeito Eduardo Paes e o governo do estado, metrô, todos os BRTs. Esse VLT que nós vamos agora inaugurar daqui a pouco, aliás, nós vamos lançar, não inaugurar. Fazer isso é ter um compromisso com a cidade, mas, sobretudo, tem um compromisso com os moradores daquela cidade. E eu quero dizer para vocês que ontem eu tive uma experiência muito forte aqui, sobre também a melhoria que está sendo feita, na área de segurança pública.

Eu não sei se vocês sabem, mas o Rio de Janeiro, o estado e a cidade, são vistos pelo Brasil como sendo um dos estados, senão o estado em que a questão da violência foi mais bem tratada. Porque as UPPs são vistas como uma vitória. Porque a UPP não é só a força policial, a UPP não são só os policiais, a UPP é também a volta do respeito pelas necessidades da população.

Mas aqui eu quero dizer para vocês que nós temos uma experiência fantástica nessa área. E ontem nós lançamos, através de um link que envolveu Belo Horizonte, Brasília e o Rio de Janeiro, o que se chama o Sistema de Segurança e Controle das Obras Ligadas aos Grandes Eventos. Ele se chama isso, e ele consiste em quê? Ele consiste em colocar a tecnologia a serviço da proteção das comunidades, das pessoas, dos cidadãos de uma cidade e de um estado.

Nesse caso, nós estamos construindo isso como início da proteção para esses eventos que vão orgulhar o Brasil, que são a Copa, a Copa das Confederações, a vinda do Papa e as Olimpíadas. Mas ele é muito mais que isso, por quê? Porque ele deixa para o estado, ele deixa para o Brasil o que se chama uma herança, um legado, aquilo que a gente ganha quando, às vezes, uma tia morre e deixa para ti. Nesse caso aqui não precisou de morrer ninguém, nós estamos deixando como legado para a nossa população, para o nosso povo, algo fundamental, que é colocar a tecnologia a serviço da Segurança Pública.

E essa tecnologia é o seguinte: são aparelhos que asseguram um grau de visão muito preciso sobre eventos, que permite que você faça um controle da violência numa região; que garante também que num caso de um desastre, a pessoa está muito ferida e ela precisa ser resgatada, resgatá-la com um nível maior de segurança possível, através de equipamentos que cortam o carro, que abrem o carro e que permite que você retire de lá a pessoa; que tenha todo um controle sobre um conjunto grande de um grupo de bairros e que permita que você, por exemplo, chegue na hora, impeça e previna uma ação de violência ou que você, depois, consiga intervir imediatamente e diminuir o efeito dela. É isso que é um complexo de segurança, um sistema de comando e controle. E é importante dizer que nós juntamos esforços, o governo federal, o governo do estado e a prefeitura.

Por isso, quanto perguntarem para cada um de vocês: “Bom, mas o que que a gente ganha? O que que cada um de nós ganha com a Copa do Mundo?”. Óbvio que, além da alegria do futebol, de ver o Brasil jogar, além da Copa das Confederações, de ver o jogar, e nós todos aqui torcermos para o Brasil ganhar, nós ganhamos um aumento e uma melhoria na segurança. Nós ganhamos todas essas obras que também são fundamentais, como a Transcarioca, a Transolímpica, e todas as outras, a linha 4, do metrô, todas as outras obras que são feitas para melhorar a cidade, mas melhorar a cidade não é... pode ser no momento para um turista, mas permanentemente, para o resto da vida, é para melhorar a vida da população carioca, da população aqui do Rio de Janeiro.

Eu não poderia deixar de dizer para vocês algumas coisas. Vocês têm visto na imprensa, vocês têm visto muita gente falando que o Brasil passa por um momento de dificuldades. O Brasil, hoje, é um dos países mais sólidos do mundo. O Brasil, hoje, é um país que, em meio à crise econômica das mais graves, talvez a mais grave desde 1929, é um país que tem a menor taxa de desemprego do mundo. Vocês lembram como era antes? Antes, nós tínhamos uma taxa de desemprego alta, a Europa e os Estados Unidos, uma taxa baixa. Geralmente era assim: aqui tinha 14%, 15%, 16% de desemprego, e na Europa e nos Estados Unidos, em torno de 5%. Pois é engraçado, isso mudou. Hoje nós temos uma das menores taxas de desemprego do mundo, vivemos num sistema de quase pleno emprego.

Hoje, estamos em torno dos 5,5%, 5,7%. E nos estados mais desenvolvidos do mundo qual é a taxa de desemprego? Na Europa tem países que, para as populações jovens, o desemprego alcança 50% da população jovem. Em Portugal, de onde eu acabei de vir, o desemprego beira 20%, ou seja, um em cada quatro portugueses estão desempregados. E eles vêm dizer que o Brasil é um país em situação difícil. Interessa a eles criar essa ideia. Não só o Brasil não está numa situação difícil, como o Brasil é um país extremamente sólido. Nós temos das menores relações entre dívida líquida e PIB, somos um governo muito preocupado em manter aquela capacidade que toda mãe de família, que toda casa tem; nós não gastamos mais do que possuímos, nós somos sérios em relação à política fiscal deste país.

E tem uma outra coisa que eu quero dizer para vocês: é sobre inflação. Nós jamais deixaremos que a inflação volte a este país. Hoje ela está sob controle, ontem ela estava sob controle e ela continuará sob controle.

Por isso eu peço a vocês que não deem ouvidos a esses que jogam sempre no quanto pior, melhor; quanto pior, melhor. Críticas, todo mundo tem de ter a humildade de aceitar, agora, terrorismo, não. Fazer estardalhaço e terrorismo informativo sobre a situação do Brasil, não. E eu vou dar um exemplo do que eu estou falando. Eu estou falando, por exemplo, se vocês lembrarem bem, que eles diziam que no Brasil ia ter racionamento, no início deste ano. Agora não falam mais nada, porque está claro não só que o Brasil tem energia suficiente, mas também que nós fomos capazes de reduzir a tarifa de energia.

Então, eu quero dizer a vocês isso: nós vamos continuar com o emprego elevado, nós vamos continuar lutando todos os dias para que o Brasil cresça de forma sustentável. E aqueles que esperem que nós possamos cair no conto do vigário – porque é um conto do vigário no seguinte aspecto: acabar e reduzir os gastos sociais, os gastos como esse que nós estamos fazendo aqui na Rocinha – podem esperar sentados. Nós não iremos diminuir os investimentos que beneficiem o povo brasileiro, sabem por quê? Porque essa é a nossa prioridade, e também porque isso não é preciso. Nós temos recurso suficiente para manter o investimento e os gastos sociais, e fazer isso de uma forma séria, responsável, garantindo a solidez do gasto público, e também mantendo a inflação sob controle. Antes eles diziam: ou bem distribui, ou bem deixa o bolo crescer; ou bem o bolo cresce, e se você distribuir o bolo antes dele crescer é um desastre. Isso nós provamos que é mentira. O bolo, num país do tamanho do Brasil, com a população do tamanho da brasileira, só cresce se ele for também distribuído. É esse povo, é esse povo que é a força do mercado do nosso país.

Por isso eu queria dizer: eu estou muito feliz de estar aqui hoje, esse é um dos programas que eu mais tenho orgulho de ter participado e de participar. O Pezão, de fato, fala para mim, sempre, que nós temos de ir para o PAC 4, para o 5, para o PAC 6. Eu concordo com o Pezão, a gente vai fazer vários PACs. Agora é hora de executar bem o PAC 2, agora é hora, Pezão. E eu tenho certeza que você faz isso, porque você fez isso no PAC 1. Agora é hora de uma coisa: agora é hora de a gente botar o bloco na rua. Botar o bloco na rua é pegar os projetos, pegar o companheiro Ícaro e sua equipe e começar a executar aqui tudo isso que nós aprovamos.

E quero dizer para vocês que eu, como tive o prazer de andar ali, no Alemão, de participar de uma coisa que, para mim, foi um momento, porque é muito bonito, é muito bonito andar naquele bondinho, eu chamo de bondinho do Alemão. E eu acho, e me disseram que o bondinho aqui são metros, alguns metros maiores, mas eu imagino a beleza da vista. E mais do que a vista, uma das coisas que mais me encantou foi eu saber que vai haver um aumento da insolação e da ventilação, porque era algo muito triste saber que aqui, na Rocinha, existia um processo grande de tuberculose derivado do fato de que as casas eram muito juntas, que não tinha nem insolação nem ventilação adequados.

Por isso, assegurar saneamento aqui na Rocinha, abrir aquela rua principal, abrir as ruas laterais, garantir uma melhoria de vida substancial, também afeta a saúde das pessoas e melhora a qualidade dessa saúde. Me orgulha muito participar dessa cerimônia.

Queria, finalmente, agradecer e agradecer muito à comunidade da Rocinha, à comunidade e complexo de Lins, e agradecer também a todas as demais comunidades. Eu já falei aqui do Jacarezinho, mas agradecer à Rocinha, o Pavão-Pavãozinho, o Cantagalo, a Colônia Juliano Moreira, o Boréu, enfim, agradecer a todas as comunidades que já receberam recursos do PAC, do PAC 1 e, agora, do PAC 2. E dizer para as outras comunidades que nós, vocês podem ter certeza, chegaremos a eles. Dizer para vocês que nós iremos chegar a eles. Um dia, mais outro dia, e nós chegamos lá.

Um abraço e um beijo a todos.

 

Ouça a íntegra (29min26s) do discurso da Presidenta Dilma