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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de anúncio de investimentos do PAC2 Mobilidade Urbana para Guarulhos e Osasco - Guarulhos/SP

por Rose Mary Rosendo publicado 07/11/2013 19h35, última modificação 04/07/2014 20h20

 

Guarulhos-SP, 07 de novembro de 2013


Muito boa tarde. Então, “vambora”: Boa tarde.

Eu começo dizendo para vocês que eu queria pedir licença e queria agradecer e fazer um cumprimento muito especial às médicas e aos médicos do Programa Mais Médicos que vieram nos ajudar aqui no Brasil. Ao cumprimentar os médicos cubanos, eu cumprimento os médicos das outras nacionalidades e os médicos brasileiros que integram esse Programa Mais Médicos que, além de ser um programa pela saúde de qualidade, é um programa com grande conteúdo de humanidade.

Queria também saudar os nossos dois prefeitos que participam dessa cerimônia. Primeiro, o prefeito Sebastião Almeida, de Guarulhos, e a primeira-dama, Lourdes Almeida. Depois, eu queria saudar o prefeito de Osasco, Jorge Lapas, e a senhora primeira-dama de Osasco, Sandra Regina Lapas.

Saudar o nosso querido prefeito de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad. Ao cumprimentar os três, eu queria cumprimentar todos os prefeitos aqui presentes.

Queria agradecer e cumprimentar, também, a todos aqueles empresários que aqui estão, vereadores, secretários municipais.

E cumprimentar também o representante do governo do estado de São Paulo, o secretário Semeghini.

Queria cumprimentar os ministros que me acompanham: ministro Aguinaldo, das Cidades; e a ministra Helena Chagas, ministra da Comunicação Social.

Cumprimentar os deputados federais aqui presentes: Aline Corrêa, Arlindo Chinaglia, Vanderlei Siraque.

Cumprimentar o Júlio Eduardo Santos, Secretário Nacional de Transporte e Mobilidade Urbana.

Queria dirigir um cumprimento especial aos presidentes das Câmaras Municipais, de Guarulhos, Eduardo Soltur, e de Osasco, Antônio Aparecido Toniolo.

Cumprimentar os deputados estaduais aqui presentes: o Alencar, o Marcos Martins e o meu querido amigo e companheiro Edinho Silva.

Cumprimentar os ex-prefeitos: o querido Eloi Pietá, de Guarulhos; o querido Emídio. Vamos saudar também o Emídio de Souza, de Osasco.

E cumprimentar os senhores jornalistas, as senhoras jornalistas, os senhores fotógrafos e os senhores cinegrafistas.

 

Eu estou aqui hoje... eu já vim aqui em São Paulo por essa questão de mobilidade urbana algumas vezes. Estive lá com o prefeito Fernando Haddad, e com o Fernando Haddad nós fizemos um conjunto de lançamentos de investimentos em BRTs, em corredores de ônibus, para que o tráfego da cidade de São Paulo tivesse uma melhoria significativa. Depois estive com o prefeito, o nosso querido prefeito Marinho, lá no ABC, e lá, juntamente com o Marinho, prefeito de São Bernardo do Campo, fizemos uma cerimônia com as prefeituras do ABC – São Bernardo, São Caetano, Santo André, além de Diadema e as outras prefeituras daquela região. Depois fomos a São Paulo lançar o metrô e outras obras além do metrô... metrô esse que, por sinal, chega aqui em Guarulhos, o que é uma conquista de vocês, é uma conquista de vocês. É uma conquista de vocês, uma conquista do prefeito. Ah, é, sim! E essa parceria entre o governo estadual, os prefeitos, no caso o prefeito de Guarulhos e o governo federal, ela tem esse sentido de provocar uma ação conjunta, e resolver aqueles problemas, que são os problemas fundamentais da população.

Agora eu estou aqui, em Guarulhos, juntos estamos nós e a prefeitura de Osasco, Guarulhos e Osasco. O prefeito de Osasco me perguntou se eu vou visitar Osasco. Olha, prefeito, terei o maior prazer em também fazer um lançamento lá em Osasco. Mas, na verdade, eu estou numa das maiores regiões metropolitanas do Brasil, da América Latina e, eu tenho certeza, uma região que por qualquer critério ganha: por critério de população, por critério de produção industrial, de dinamismo comercial, de dinamismo de serviços, de empreendedorismo, de capacidade de trabalho da sua população, de diversidade cultural. Essa é uma realidade, aqui nós estamos numa das regiões que concentra uma parte do nosso país. Aqui tem uma parte do coração do Brasil, que é grande, mas é uma parte significativa. Esses 39 municípios, eles se concentram, se complementam, e tem horas que a gente não sabe onde acaba um e começa outro, porque são municípios que se integraram. Por isso, é muito importante a gente olhar e ver que a gente precisa de se integrar. Nós precisamos de uma ação conjunta e coordenada.

Todos os moradores de Guarulhos e de Osasco sabem o que significa essa proximidade e como ela é importante. Todo dia tem gente que sai dali e vem trabalhar aqui, sai de lá e vai trabalhar mais acolá, mais longe. Então, é essa... essa movimentação coloca a questão da mobilidade urbana no centro da questão da qualidade de vida das pessoas.

Nós olhamos aqui para esse evento e vemos que estamos aqui num espaço fantástico. Aqui nós vemos que está sendo empregado uma série... está sendo empregado aço, cimento, telhas, mas aqui tem, sobretudo, um grande benefício, o benefício que vi há pouco, quando um conjunto de crianças, jovens, jovens adultos fizeram uma demonstração de ginástica acrobática para mim que acelera o coração da gente, porque você vê aquela pirâmide humana com uma criança lá em cima quase encostando no teto. Uma imensa capacidade artística, uma precisão que mostra que a gente sempre tem de ver por trás dos prédios e das obras a sua utilidade.

A mesma coisa acontece com a tal da mobilidade urbana. Nós estamos falando de transporte público de qualidade, e aí tem uma coisa que a gente tem de perceber, que tem um imenso valor na vida de qualquer um de nós: o tempo. O tempo, porque nós precisamos usar o nosso tempo de forma a equilibrar o quanto nós ficamos no trabalho, mas também o nosso tempo afetivo, para a nossa família, o nosso tempo de lazer, o nosso tempo de estudo, enfim, aquele tempo que significa qualidade de vida. Transporte urbano é tempo, transporte urbano também é algo que afeta o bolso das pessoas, que, como a gente usa todos os dias, nós temos de saber quanto é que ele custa e quanto é que ele implica de perda de tempo e implica também em menos renda.

Por isso que é importantíssima a questão da mobilidade urbana, é porque ela afeta a nossa vida, de cada um de nós, mesmo aquele pessoal que não anda de ônibus porque anda de carro, afeta o tempo deles também, porque ter mais carro privado do que transporte público diminui o trânsito, o fluxo do trânsito. É necessário que a gente saiba que o carro pode ser deixado em casa e que todo mundo tem de ter aceso a um transporte público de qualidade. Isso implica em metrô, implica no tal do BRT, que, na verdade, no início se chamava ligeirinho. O BRT, quando nasceu, se chamava Ligeirinho. Mas você sabe como é que é aquela história, o povo gosta de nome inglês. Chama hoje Bus Rapid Transport, eu acho. Transport. Então, vocês vejam que conseguem complicar o BRT é o popular ligeirinho, criado neste país, lá em Curitiba, há muitos anos atrás. E esse ligeirinho nada mais é que uma ideia muito interessante: garantir que os ônibus funcionassem de uma forma parecida com os metrôs. Eles tinham um trilho, como se fosse um trilho; eles tinham um canal, então, eles eram segregados e passavam só ali, não interrompia-se o trânsito, ele não ficava parado. O BRT, por isso, chamava, naquela época, ligeirinho.

Nós temos de fazer ligeirinhos, BRTs, nós temos de fazer metrôs, temos de fazer VLTs. Temos de resolver problemas urbanos como é essa questão do trevo de Bonsucesso. Porque o trevo de Bonsucesso é um problema de uma solução, ou seja, quando Guarulhos cresceu, quando cresceu essa região e Osasco, criou-se o problema de termos uma rodovia que cortava uma cidade. Então, aquele é um problema de tráfego, mas não é só de tráfego, é de segurança. O prefeito estava me dizendo, por exemplo, que muitas vezes as cargas ali, porque ficam paralisadas, correm risco de serem objeto de violência, delitos em geral, e também de conforto para as pessoas. Para você não ter de atravessar uma rodovia ultramovimentada é fundamental que tenha aquele escoamento. Agora, sobretudo, essa diferenciação entre modais, ela é importante sabe para quê? Para o bilhete único. O bilhete único é uma das formas que precisa da integração das diferentes formas de transporte.

E aí eu quero dizer que eu venho aqui hoje para lançar 4 corredores, para além do que nós já fizemos, para além do que está em dia. E aí eu queria falar para o prefeito que ele está de parabéns. Eu peguei, aqui, toda a lista de obras de mobilidade urbana em curso na região, e eu queria dizer para vocês que tem duas colunas, uma coluna que está escrito “licitação!”, aqui, na coluna de licitação, nós temos quase doze obras, todas as obras, no que se refere à licitação, estão Ok. Então, significa o quê? Que isso que nós estamos assinando hoje, aqui, que é o corredor João Paulo I, o corredor Jamil Zarif, o corredor Paulo Faccini, e o corredor Otávio Braga Mesquita podem começar assim que nós acabarmos de assinar este contrato. Por isso que eu queria cumprimentar o prefeito, queria cumprimentar. Teve um momento que ele teve de fazer os projetos, porque às vezes as pessoas acham que tudo é automático. Não é, não. Tem trabalho, tem tempo de trabalho aqui.

E, no caso da prefeitura de Osasco, também nós temos um lançamento que é importante. Por que ele é importante? Primeiro, porque nós temos a implantação da avenida... não, não é dessa avenida. É... no caso de Osasco, são R$ 124 milhões. Nós vamos construir o corredor Visconde Nova Granada ao Sport Club Corinthians. E vamos... e aqui eu acho que tem um dos projetos que eu acho muito importante, que é fazer o estudo de viabilidade, para quê? Para que nós possamos investir num VLT que vai trafegar nas linhas marginais do Rodoanel, entre Osasco e Carapicuíba. Sem dúvida nenhuma, esse é o projeto mais caro do senhor prefeito, porque é um veículo leve sobre trilhos. VLT é isso: veículo... Esse é mais fácil, porque aquele BRT é bus rapid. Esse é veículo leve sobre trilhos – VLT. Então é algo muito mais acessível à língua portuguesa. E aqui eu queria dizer que é um projeto que eu considero um projeto também estratégico naquela região de Osasco.

Mas eu não posso deixar de falar para vocês que nós aqui em São Paulo estamos investindo, só o governo federal está investindo 21 bilhões de reais. Uma parte, é bom que vocês saibam, uma parte é Orçamento Geral da União, portanto, é dinheiro que não é necessário pagar ao governo federal. É dinheiro chamado “a fundo perdido”. De perdido não tem nada, mas é chamado assim. E outra parte é empréstimo, um empréstimo adequado, porque no Brasil não se tinha empréstimo adequado a obras desse porte, nem a obras que é necessário dar tempo para ser feita, dar tempo para o processo retornar e ela poder ser paga. Por isso que não se fez durante muito anos metrô neste país. Porque nós financiamos com 30 anos para pagar, 5 anos de carência e juros subsidiados. Então, tem modelo, hoje, em pé, que viabiliza esses grandes projetos de mobilidade urbana.

Mas eu também quero falar de uma coisa que eu considero muito importante. Eu quero falar para vocês, aproveitando a presença dos médicos, do Mais Médicos. Um país como o Brasil não pode esperar a formação de médicos aqui no Brasil, porque geralmente leva 6 anos para que nós tenhamos médicos suficientes para atender a população. Isso significou para nós, então, primeiro uma chamada de médicos brasileiros e, depois, chamamos médicos formados fora do Brasil. Esses médicos formados fora do Brasil, junto com os médicos brasileiros, o que é o objetivo deles? O objetivo deles é atender algumas regiões do Brasil onde não tinha médico, geralmente não tinha médico nas regiões onde tinha maiores níveis de pobreza. E onde estão essas regiões? Começando pelas mais distantes, seguramente estão na fronteira do Brasil, seguramente nos distritos indígenas, seguramente junto às populações quilombolas, seguramente no Norte e no Nordeste do país, no caso do Nordeste, no semiárido, mas também nas grandes cidades do nosso país, nas suas periferias, como São Paulo, Guarulhos – estou falando grandes cidades deste país, porque Guarulhos e Osasco são duas grandes cidades deste país, elas são, em alguns casos, maiores que muitas cidades médias do Brasil inteiro. E isso mostrava claramente que tinha um problema de atendimento da saúde.

E aí, porque que eu agradeço aos médicos que estão aqui nos ajudando. Primeiro, pelo carinho com os pacientes, que é um carinho reconhecido pelos pacientes. As próprias pessoas que estão sendo atendidas ficam muito gratas, extremamente gratas por terem esse atendimento humano, esse atendimento caloroso. Segundo, porque estão em regiões que... onde o Brasil mais precisa, porque nós sabemos que o acesso a serviços públicos de qualidade é também uma questão fundamental para acabar com a desigualdade no Brasil. E, terceiro, por um motivo: porque eles deixaram suas famílias, eles deixaram os seus países e vêm morar no Brasil, e eu tenho certeza absoluta, porque eu conheço o nosso povo, eu sei que nós somos um povo bondoso, um povo generoso, um povo alegre e um povo que tem uma imensa capacidade de fazer amigos e amizade. Então, sei perfeitamente também que eles serão bem recebidos. Aliás, outro dia eu disse: na verdade, eles são muito parecidos. Acho que os nossos... principalmente o pessoal que vem aqui da América Latina, do Caribe, são muito parecidos com nós, brasileiros. Então, eu tenho certeza que eles vão se sentir em casa.

Mas eu queria dizer que é importantíssimo esse programa, é importantíssimo porque, eu não sei se vocês sabem, mas no Brasil tinha municípios que não tinham um único médico. Aqui eu vejo muitas mulheres, mães, avós, ou aquelas que têm irmãos, enfim, que tem o convívio com a criança e sabem que criança gosta muito de ficar doente de madrugada, quando a gente não tem para onde ir. Se não tiver um médico na cidade, como é que uma mãe faz, uma avó faz, uma irmã faz? Então, ter médico na cidade, ter médico na comunidade é algo essencial. Nós, do governo federal, não podíamos conviver com o fato de que tinha muitos municípios no nosso país, centenas, para não dizer milhares, que tinham médico só de forma intermitente.

A segunda coisa que eu queria falar para vocês diz respeito a uma outra questão. Eu vejo aqui muitos jovens e também vejo aqui muitas mulheres, vejo homens, mas vejo muitos jovens e crianças... Eu vi, ao longo da apresentação feita a mim. E é sobre educação que eu quero falar. Porque nós temos de ter uma certeza: a educação é o caminho do Brasil. Se tem um caminho certo para o Brasil... um dos prefeitos, eu acho que foi o Sebastião, disse que é aquele presente que o pai pode dar aos filhos. Eu acho que a educação é, ele tem razão, é esse presente, esse patrimônio que o pai pode deixar para o filho, e a mãe. Durante muito tempo não puderam deixar.

Nós precisamos de assegurar que todos os brasileiros e as brasileiras tenham acesso a esse caminho, que é um caminho que garante duas coisas. Para os mais pobres, e aí eu falo para população do Bolsa Família, Bolsa Família que está fazendo 10 anos esse ano, Bolsa Família que tirou 36 milhões de brasileiros da miséria. A saída da miséria é só um começo. Para sair da miséria de forma permanente tem o caminho, e esse é o da educação. É creche para as crianças, ensino em tempo integral, alfabetização na idade certa, professores bem formados e bem pagos, ensino técnico profissionalizante, o Pronatec para trabalhadores, para jovens trabalhadores, e ensino técnico profissionalizante para complementar o ensino médio, e acesso à universidade e acesso à formação nas melhores escolas do exterior.

Para isso é necessário dinheiro. Ninguém tem dúvida que não se faz educação sem investir, primeiro nas pessoas, depois nas escolas, nos laboratórios, nos livros, nos Ipads ou tablets. Agora, de onde vem o dinheiro? O Brasil não é um país pobre, mas o Brasil tem de separar a sua maior riqueza, a sua mais poderosa riqueza para investir na educação. E essa riqueza que eu estou falando, é uma riqueza finita, um dia, um dia, que geralmente não está perto,... ela começará a diminuir. Essa riqueza é o petróleo. Por isso foi muito importante a aprovação dos royalties do petróleo, e eu vou falar para vocês daqui a pouco do Fundo Social do pré-sal para ser investido 75% na educação. Por que é que foi importante? Porque para a gente fazer escola em tempo integral, nós vamos ter de ampliar as escolas.

Hoje nós estamos fazendo com 50 mil, mas ainda de forma... não, eu diria assim, ainda não da forma como deve ser. Por que é que tem de fazer escola em tempo integral? Ah, é simples! Tem de fazer escola em tempo integral porque nenhum país do mundo se desenvolveu sem escola em tempo integral, nenhuma nação, porque é a nação que desenvolve, nenhuma nação se tornou uma nação desenvolvida sem que seus alunos fossem alunos de um período que não é de quatro horas numa escola, de um período além de seis horas, de sete horas dentro da escola. E aqui no Brasil isso será necessário, e nesse segundo período tem de estudar português, matemática, ciências e uma língua. Não é só... só, hein? Estou falando só. É também. Não é só para artes, é também, e nem só para esporte, é também. Mas o grosso é português, matemática, ciências e uma língua estrangeira. Isso é fundamental para nós virarmos uma nação desenvolvida. Sem isso nós não viramos. E isso é crucial para tirar milhões e milhões de brasileiros perenemente de uma situação de pobreza, porque nós sabemos que isso começa também na creche. Por isso eu fiquei felicíssima com o dado da creche contratada aqui por Guarulhos, porque creche, durante muito tempo, pelo menos na minha época – e eu sou um pouco antiga, para não dizer que eu sou velha, sou um pouco antiga – era assim. A creche era vista como um lugar para a gente deixar os filhos para poder ir trabalhar. Mas creche não é para isso, não, viu, gente? Pode até ser uma consequência secundária, mas a creche é para criança, porque todos os estudos mostram que entre 0 a 3 anos, e depois, de 3 a 6, se forma, na criança, todas as maiores aptidões, inclusive algumas, algumas que eles chamam de não-cognitiva. O que quer dizer isso? Quer dizer que não só aquelas que se ensina, é a forma pela qual a criança exercita seu ouvido, se relaciona com os objetos, com as pessoas. Tanto é assim que a ONU vai fazer, aqui no Brasil, no ano que vem, no ano que vem, um congresso sobre isto, sobre a questão da criança de ter acesso a incentivos não-cognitivos. Portanto, criança tem que ir para a creche e, principalmente, crianças das classes populares deste país. Porque, se a gente quer atacar a raiz da desigualdade, nós temos de atacar... todo mundo aqui é diferente de todo mundo, ninguém é igual, mas tem uma coisa que tem de ser igual, a oportunidade tem que ser igual. E aí, se a gente quer que os brasileirinhos, os brasileirinhos e as brasileirinhas tenham acesso ao que tiver de melhor em educação, tem de dar creche para eles. Por isso, eu dou os parabéns ao Sebastião, e dou os parabéns ao prefeito Jorge Lapas, os dois que estão nesse processo de implantar creche no seu município. Nós precisamos dessa estrutura.

E eu queria finalizar contando para vocês de onde sai uma parte muito grande do dinheiro: sai do tal do pré-sal. O pré-sal é onde está a maior riqueza do Brasil na área de petróleo. Para vocês terem uma ideia, esse Campo de Libra, que vai ser uma das fontes para a gente garantir que a riqueza do petróleo se transforme em educação, salas de aula, em conhecimento, esse Campo de Libra, ele equivale, durante 100 anos nós... É menos, tá? É menos. Vamos botar aí, durante 50 anos, é 40, mas vou botar 50. Cinquenta anos, o Brasil explorou petróleo, porque diziam que não tinha petróleo aqui. Quando nós passamos a explorar, daquele momento que nós começamos até hoje, nós achamos 15... nós temos uma reserva de 15 bilhões de barris. Esse campo, só ele, tem de 8 a 12 bilhões de barris.

Além disso, hoje, nós produzimos, somando a Petrobras e todas as outras empresas, uns 2,1 milhões barris/dia. Ele, no auge dele, terá 1,4 milhão barris/dia, 77% de tudo o que nós tivemos até agora. E como é que fica... você podia me perguntar, alguém aqui podia me perguntar: “mas, vem cá, presidenta, como é que fica esse dinheiro aí que vai vir desse Campo? Quanto é o dinheiro?” Ô gente, o dinheiro, durante 35 anos, será um pouco mais de 1 trilhão de reais, uns 500 bilhões de dólares, dos quais, e aí é que vem a boa notícia, 75% é do governo, aí incluído federal, estadual, municipal, e 25% é das empresas que exploram. Por quê? Porque todo mundo sabe que ali tem petróleo. Antes não era assim. Antes o petróleo ficava para quem descobria. Por que é que ficava? Porque o risco de não achar petróleo era muito grande e muito alto. Então, pagava royalties e o petróleo ficava com quem descobria. Agora o petróleo fica dominantemente, como nós sabemos que tem petróleo, tem muito petróleo, é de boa qualidade e sabemos onde está, 75% é nosso. Se a gente somar a parte da Petrobras, a nossa, nós ficamos com 85%. É daí que vai sair, nos próximos anos, a riqueza para melhorar a educação deste país. É daí que vai sair. E aí, o resto da boa notícia. Isso foi colocado em lei, e eu conto para vocês porque é uma questão que beneficia a cada um dos brasileiros e das brasileiras, e que garante que nós tenhamos, ao longo dos próximos anos, um projeto de educação que vai honrar o tamanho e o potencial deste país e do seu povo.

Por isso, num, numa... veja bem, num evento de mobilidade urbana, eu falei do transporte urbano, eu falei da saúde com o Mais Médicos e eu falei de educação porque eles têm uma coisa em comum. Um governo não pode governar olhando simplesmente o efeito das suas ações, materialmente falando: quanto de concreto, quanto de aço, quanto de alumínio. Ele tem de olhar o que ele trouxe de benefício para cada um dos brasileiros e das brasileiras.

Um beijo no coração. Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra (37min11s) do discurso da Presidenta Dilma