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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de anúncio de investimentos do PAC2 Mobilidade Urbana - Fortaleza/CE

por Rose Mary Rosendo publicado 22/11/2013 15h50, última modificação 04/07/2014 20h20

Fortaleza-CE, 22 de novembro de 2013


Muito boa tarde. Para mim é boa tarde, para vocês é quase boa tarde.
Eu queria começar cumprimentando o governador Cid Gomes, e dizer do meu orgulho de estar aqui mais uma vez - viu, Cid, - nessa que é uma das parcerias, que eu acredito, mais entrosadas e mais bem sucedidas feitas entre o governo federal, o governo do estado e depois eu vou falar do nosso querido prefeito e também do nosso prefeito Roberto Cláudio.
Queria cumprimentar e dizer que eu estou muito feliz de estar aqui hoje porque depois de algum tempo eu tive a oportunidade de vê-lo. Cumprimentar o ex-governador, atual secretário da Saúde, Ciro Gomes. O Ciro é uma pessoa com a qual eu convivi, nós dois fomos juntos ministros no primeiro governo do presidente Lula. E eu aprendi, naquele momento, durante anos de convívio, eu aprendi várias coisas, conheci o Ciro como um homem de coragem, um homem de perseverança, um excelente gestor, mas, sobretudo, um homem de imensa dignidade e um homem íntegro. E mesmo que ele não queira, mesmo que ele não queira... extremamente doce. Eu dizia para o Ciro que quando ele crescesse, ele iria ficar mau. Até lá ele não ficaria mau. Era, de fato, uma pessoa de muito bom coração e uma pessoa de ótimo convívio. Para mim ele sempre será isso.
Queria cumprimentar o nosso prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio.
Cumprimentar o vice-governador do Ceará, Domingos Filho.
Cumprimentar o deputado José Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa do Ceará.
Cumprimentar os ministros de Estado que me acompanham aqui hoje nessa visita a Fortaleza, nessa visita ao Ceará: Aguinaldo Ribeiro, das Cidades; Aloizio Mercadante, da Educação; Alexandre Padilha, da Saúde; Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação Social.
Queria cumprimentar o querido ministro, atualmente ex-ministro-chefe da Secretaria de Portos a quem também eu aprendi ao longo desses anos em que ele participou no governo federal e que deu toda sua contribuição para que o Brasil tivesse novo marco regulatório dos portos, Leônidas Cristiano – Leônidas, é muito bom te ver.
Queria cumprimentar os senadores Eunício Oliveira, Inácio Arruda e José Pimentel, líder do governo no Congresso. Mas queria agradecer a cada um dos senadores, em especial ao senador Eunício, senador Inácio, pela contribuição que eles dão no Congresso ao meu governo.
Cumprimentar aqui a todos os deputados federais: André Figueiredo, Antônio Balma, Ariosto Holanda, Artur Bruno, Domingos Neto, José Airton, Zé Guimarães e o Mário Feitosa e o Mauro Benevides.
Cumprimentar o secretário municipal de Educação, Ivo Gomes.
Cumprimentar o vereador Walter Cavalcante, presidente da Câmara Municipal de Fortaleza.
Queria cumprimentar também os nossos parceiros nos projetos de mobilidade urbana, o Adail Fontenele, que é secretário de infraestrutura do Ceará. O Rômulo Fortes que é diretor do Metrofor.
Queria cumprimentar também os parceiros na criação da reserva indígena dos Anacés.
Cumprimentando a nossa querida presidenta da Petrobras, Graça Foster.
A Maria Augusta Assirati, presidente da Funai.
A secretária do patrimônio da União, a Cassandra Nunes.
O procurador Francisco de Araújo Macedo filho, procurador regional da República.
O Júlio Eduardo dos Santos, secretário nacional de Transporte e mobilidade urbana.
Queria cumprimentar os representantes das comunidades indígenas: o cacique Francisco Ferreira de Morais Junior, da comunidade indígena Anacés de Matões; a Luiza Goreti Rodrigues Coelho, da comunidade indígena Anacés de Bolso.
Queria cumprimentar o presidente da Central Única das Favelas, o preto Zezé.
Cumprimentar os senhores e as senhoras jornalistas fotógrafos e cinegrafistas.


Queria dizer a vocês que esse é um momento especial e mais uma vez eu reitero que houve um tempo no Brasil em que se achava que não era preciso investir em metrô. Houve um tempo no Brasil em que se achava que o governo federal podia virar as costas e não participar do investimento em mobilidade urbana, em parceria com estados e municípios. Essas duas convicções de tempos atrás, prejudicaram muito o país, prejudicaram muito as grandes e médias regiões, aliás, as grandes e médias cidades do país. Mas prejudicaram, sobretudo, as grandes regiões metropolitanas. Primeiro, porque uma das questões que está em causa com o transporte coletivo público é a questão do tempo, o tempo que as pessoas gastam em se transportar de suas residências, de suas moradias, para o trabalho, para o estudo, para o lazer, para o esporte, enfim, para qualquer atividade. Esse tempo é um tempo que se perde, em relação às atividades que vocês têm de exercer, ou você quer exercer.
Quando se coloca a questão do transporte urbano em grandes concentrações populacionais, todos os países do mundo colocaram a questão do transporte sobre trilhos, do transporte segregado, pode ser transporte rodoviário, sobre rodas, mas tem de ser segregado. Por que no Brasil não se investia em metrô? Porque houve um tempo neste país que se dizia o seguinte: nós não temos renda, nós não temos renda para investir em metrô, nós temos de nos contentar só com o ônibus. Mas nem falavam em corredores de ônibus, nem falavam em segregar o transporte rodoviário.
Essa visão que olha o Brasil, que sempre diminui o que o Brasil deve ser, pode ser e será, é a visão que nós rompemos hoje, que o Cid sempre rompeu e que, por isso, eu devo reconhecer aqui que aqui, em Fortaleza, e aqui, no Ceará, se faz o maior esforço para investimento em mobilidade urbana para o metrô, e eu sempre estou dizendo que uma das grandes iniciativas aqui foi não só fazer o metrô, mas procurar fazer o metrô de forma rápida e mais barata. E aí, eu sempre cumprimento e divulguei para todos os prefeitos com os quais eu assinei compromisso de construção de metrô, eu contei a história, aqui, do Ceará, a história da compra dos tatuzões, que estão ali, dos tatuzões, que permitiu a construção mais rápida e mais barata. Isso vai permitir que o Ceará seja – e especialmente Fortaleza – seja uma das cidades com maior quilometragem proporcional, proporcional – vou repetir, para ninguém falar que eu estou falando outra coisa – proporcional de trilhos de metrô implantados com funcionamento do metrô e com atendimento em estações à população da cidade.
Esse é um ato e, aliás, e um fato, que demonstra a vontade política e, portanto, governador Cid Gomes, o senhor pode ter certeza que eu tenho é orgulho de participar dessa parceria. Aqui se está construindo, se está construindo uma estrutura de transporte, com imensa racionalidade de conforto, rapidez e segurança para a população. E aí eu não estou falando só do metrô, não. Eu estou falando do VLT, estou falando do BRT, estou falando dessa iniciativa na Linha Oeste, que é a modernização, a eletrificação, a compra de novos trens, e eu acho que a reconstrução de 13 estações.
E aí eu vou falar de uma outra coisa também, que tem a ver com o que está fazendo o Roberto Cláudio, ao construir corredores exclusivos de ônibus, ao construir os BRSs e os BRTs, por essas estruturas, nessas estruturas viárias que o Cid nos espanta quando ele começa a contar o que é que vai ser integrado a o quê. Eu não tenho condição de acompanhar perfeitamente, não, mas eu me impressiono. Quero dizer para vocês porque eu me impressiono. Eu me impressiono não é pela quantidade de nomes, é pela importância que ele dá a uma coisa que tem de acontecer em todas as cidades, que é a integração dos modais: eu faço isso, vou entregar isso com aquilo, a Leste com a Oeste e a Sul, o VLT vai ter esse papel, o BRT e o BRS vai ter esse outro.
Por que isso é importante? Porque isso é condição para racionalizar o transporte e beneficiar o trabalhador, a trabalhadora, a dona de casa, o empreendedor, o pequeno empreendedor, aquele... toda aquela população que usa o transporte público com uma tarifa mais baixa, com o bilhete único. Se a gente não faz a integração, não tem bilhete único. E é essa, eu acho, que é a grande obra feita aqui: é uma obra de vários metrôs, de VLTs, de BRTs, de BRSs, mas é uma obra que tem um olho na pessoa, tem um olho numa questão, que é a integração do transporte para beneficiar com uma tarifa mais barata, com um bilhete único, dando racionalidade a toda essa questão de se movimentar numa cidade que só cresce, uma cidade do tamanho da cidade de Fortaleza.
Então, quero dizer, Cid, que mais uma vez eu tenho muita felicidade de estar aqui. Eu estive aqui recentemente, nessa que é uma das atividades que nós mais prezamos, que é lançar obra de mobilidade urbana. Os meus dados – não sei se eles estão absolutamente corretos, mas eu acho que estão, porque nós refizemos várias vezes – apontam que nós temos aqui uma carteira de investimentos em mobilidade urbana de R$ 8,5 bilhões, R$ 8,5 bilhões. E aí eu vou parafrasear o Lula, que dizia: “Nunca antes na história deste país” o governo federal colocou R$ 8,5 bilhões, junto com o governo do estado, para ter uma carteira desse tamanho de obras aqui em Fortaleza.
E eu digo isso, e mais uma vez eu repito: dinheiro, dinheiro não é, hoje, tanto problema do Brasil. O que é problema do Brasil e que aqui está solucionado é a capacidade e a vontade política, a capacidade de gestão e a vontade política que permite que nós façamos isso.
Meus queridos cearenses, minhas queridas cearenses, eu queria dizer para vocês que em todos os estados que eu vou existem um ou dois investimentos que tem, para as pessoas que residem nos estados, uma importância diferenciada. Eu acho que eu não vou errar se eu disser que aqui, no Ceará, a Refinaria Premium 2 é um desses investimentos queridos e sonhados pelos cearenses e pelas cearenses.
A decisão de instalar a refinaria Premium 2, ela foi tomada. E hoje nós damos um passo. Eu sobrevoei, junto com o Cid – eu ainda era ministra do presidente Lula – eu sobrevoei toda a área da refinaria. E hoje nós, aqui, depois de meses, eu diria até de anos de tentativa, mas meses de negociação, nós construímos um acordo para a concessão da licença de instalação. E, mais importante, ao mesmo tempo que a gente consegue a licença de instalação, a gente garante os direitos do povo Anacé. Pelo acordo entre a Funai e o Ministério Público, aliás, acompanhado pela Funai e o Ministério Público, o estado do Ceará vai comprar uma área e vai transformá-la na reserva indígena Taba dos Anacés. O povo Anacé vai receber uma infraestrutura inteiramente nova, construída pelo governo do estado e em parceria com a Petrobras. Aliás, nós temos aqui, hoje, para essa assinatura, a presença da presidenta Maria das Graças Foster, da Petrobras. E mais um aliado, mais um aliado, para as mulheres que estão aqui. Hoje, vocês vejam só como é que o Brasil está mudando: nós temos uma mulher na Presidência da República, e temos uma mulher presidindo a maior empresa do Brasil, que é a Petrobras.
Eu concordo com a versão e com a visão de que a Premium 2 é muito importante para o Ceará. Eu quero dizer que é, sim. Junto com o que o governador estava me dizendo, a respeito da siderúrgica, que a siderúrgica está em fase acelerada de contratação de trabalhadores, de construção, de terraplanagem, enfim de todas as providências... Já está em montagem, Cid? Já está em montagem, e está subindo. Junto com isso, eu acredito que a questão da refinaria é, de fato – vocês têm toda a razão –, um momento também muito importante para o desenvolvimento aqui do estado do Ceará. Com as refinarias, com as siderúrgicas, vão chegar novos investimentos, mais oportunidades de emprego, mais oportunidades de criar parques industriais específicos, reforçando o complexo de Pecém, vai ocorrer. E isso, portanto, é o momento em que nós celebramos, e com muito orgulho, celebramos essa que é uma das principais atividades no que eu acredito, para uma região ou para um estado, ter uma refinaria e ter também uma siderúrgica.
Eu também, além dessa questão da Refinaria Premium, não posso deixar de me referir a uma coisa que para mim, e eu tenho absoluta certeza, também, para o governo aqui, do Ceará, é algo muito importante, e também para o prefeito Antônio Cláudio, que são as creches. Desculpa. Sabe por quê? Porque eu tenho um amigo que se chama Antônio Cláudio e chamo ele de Roberto Cláudio, então, é uma confusão só. Mas me desculpa, tá, prefeito?
Mas eu queria dizer pra vocês isso. Eu fico muito feliz de estar aqui, no anúncio dessas creches, porque creche é algo fundamental para que nós tenhamos não só aquela tranquilidade para as mães que trabalham – eu acho que essa é uma razão, mas é secundária – mas que nós tenhamos, sobretudo, qualidade na educação para as criancinhas deste país, os brasileirinhos e as brasileirinhas, oportunidades iguais. Nós somos cada um diferente do outro. Mas nós temos de ter direito a oportunidades iguais.
Então, creche de qualidade, que estimule o desenvolvimento da criança, que assegure que essa criança vai ter, no futuro, uma vida plena porque ela teve na creche estímulos adequados, desenvolveu a sua capacidade, que é natural, de aprender, mas desenvolveu essa capacidade, é algo crucial. E eu falo aqui com muita tranquilidade, porque acredito que aqui é a terra de uma outra grande inovação na política educacional no Brasil, que é a questão da alfabetização na idade certa.
O governador Cid sabe que nós viemos aqui, olhamos a experiência que foi desenvolvida aqui na Secretaria de Educação, sobre a questão da alfabetização na idade certa e incorporamos essa experiência essa excepcional prática educacional, à política do governo. Eu sempre reconheço isso porque eu acho que a combinação de creche, alfabetização na idade certa e ensino integral vai fazer o Brasil mudar de patamar na educação. E agora nós aprovamos no Congresso, com toda a contribuição dada pelos senadores e pelos deputados, os 85% dos royalties para a educação e os 25% para a saúde.
Finalmente, sabe Roberto Cláudio – senão eu te chamo outra vez de Antônio Cláudio, você vai ver, que eu falo: “O Antônio é ele”, tá? Bom, eu queria falar mais uma coisa para vocês que diz respeito não a esse ato aqui, mas a um ato que está sendo realizado no Brasil que é a questão dos aeroportos.
A questão dos aeroportos é um momento de longa uma longa trajetória. Nós, ao licitarmos para a iniciativa privada a concessão do aeroporto, não só para os investimentos na expansão, mas, sobretudo, para a gestão aeroportuária, nós procuramos construir uma combinação que a gente considera fundamental entre as grandes operadoras de aeroportos do mundo e as grandes empresas capazes de construir aeroportos no Brasil. Essa licitação de hoje foi bem-sucedida. Por quê? Porque ganhou o aeroporto do Galeão, que será um hub internacional e nacional, que vai permitir que as pessoas que trafegam no eixo sudeste tenham uma expansão da capacidade que já está pequena desses aeroportos. Então, lá foi ganho por uma razoável, razoável, eu diria, não, por um extraordinário ágio de 243%, por um consórcio entre a Odebrecht e uma grande empresa aeroportuária chinesa chamada Changi, de um lado. E, de outro, foi ganho Confins, por um consórcio entre a empresa CCR e os operadores do aeroporto de Munique mais os operadores do aeroporto de Zurique. Com esses dois aeroportos, vai ser arrecadado, pelo governo federal, algo em torno a um pouco mais de 20 bilhões de reais. Isso mostra duas coisas. Primeiro, um enorme interesse dos investidores em investir no Brasil. Segundo, mostra claramente que o Brasil continua sendo uma das grandes oportunidades para os brasileiros, e eles têm de ter orgulho do que têm e do que pode ter. Por isso a, todos aqueles pessimistas, aqueles incrédulos aos quais se referia o ministro Aguinaldo, hoje infelizmente vão ter um dia de amargura, porque não deu errado, não deu errado, vou repetir: não deu errado. Porque, no Brasil, é uma coisa muito triste, torcem para dar errado. Dessa vez, e mais uma vez, porque também em Libra torceram para dar errado, não deu errado.
E eu tenho certeza que as próximas licitações não vão dar errado. A arrecadação é importante para o país, mas, para o futuro do país, o que é importante são esses investimentos que vão dar estrutura para todos nós, que transitamos pelo Brasil afora, vamos ter mais qualidade no transporte aeroportuário.
E finalizar, eu finalizo dizendo que parcerias como essas, e, como o nome indica, precisa das partes. E aqui eu quero dizer que eu encontrei partes que são muito efetivas, muito capazes e, sobretudo, com grande vontade política. Me refiro ao meu querido Roberto Cláudio. E ao nosso governador Cid Gomes.

 

Ouça a íntegra (27min51s) do discurso da Presidenta Dilma