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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de abertura da Feira Internacional das Tecnologias da Informação e das Comunicações - CeBIT 2012

por Portal do Planalto publicado 05/03/2012 16h41, última modificação 07/07/2014 10h52

Hannover-Alemanha, 05 de março de 2012

 

Boa noite. Queria cumprimentar a excelentíssima senhora Angela Merkel, chanceler federal da Alemanha,

O senhor David McAllister, governador da Baixa Saxônia,

O senhor Dieter Kempf, presidente da Bitkom,

O senhor Eric Schmidt, presidente da Google,

Senhoras e senhores integrantes das comitivas do Brasil e da Alemanha,

Senhoras e senhores empresários dos setores de tecnologia de informação e das comunicações do Brasil e da Alemanha,

Senhoras e senhores empresários,

Senhoras e senhores profissionais da imprensa,

Senhoras e senhores,

 

Com grande satisfação, participo da abertura deste evento, o maior encontro global de tecnologias da informação e da comunicação, que faz de Hannover a capital mundial da economia digital, da tecnologia de informação e da inovação.

Eventos como este testemunham o espírito empreendedor, a criatividade e o dinamismo do povo alemão. Muito nos honra a escolha do Brasil como país tema da CeBIT em 2012.

As tecnologias digitais ampliaram de maneira vertiginosa a capacidade do ser humano de produzir, armazenar e distribuir informação. Elas revolucionam a produção, o comércio, a maneira com que nos comunicamos, a própria cultura. Colaboram para a transparência e a eficiência nas políticas dos diferentes governos. Oferecem novas possibilidades de acesso ao conhecimento e são, sobretudo, instrumento de inclusão social e de exercício renovado da cidadania.

Seus benefícios não podem, portanto, ser privilégio de poucos. A exclusão digital, a exclusão das tecnologias de informação acentua a exclusão social e acirra, ainda mais, as desigualdades já existentes.

Por isso, em simultâneo a políticas consistentes de combate à pobreza e à desigualdade social, o Brasil fez uma opção clara, nos últimos anos, por universalizar o acesso a essas tecnologias e estimular seu desenvolvimento no país.

Vivemos hoje um momento ímpar no nosso processo de desenvolvimento. Estabilidade de preço, solidez fiscal, elevadas reservas internacionais, aumento do investimento produtivo e infraestrutura em expansão são marcas de uma economia em crescimento, que gera expressivo volume de emprego e garante a ampliação da renda do trabalho.

Crescimento continuado e políticas sociais consistentes resultaram em um forte processo de ascensão social e, pela primeira vez na história do meu país, mais da metade dos 190 milhões de brasileiras e de brasileiros pertencem às classes médias.

Essa grande mobilidade social tem um impacto direto no uso e na apropriação das tecnologias digitais. Hoje o mercado brasileiro para essas tecnologias tem dimensões globais. Em 2011, o Brasil foi o terceiro maior mercado de computadores pessoais do mundo e o quinto maior mercado de telefones celulares. Mais de 61 milhões de brasileiros têm acesso à internet e esse número está em contínua expansão.

Nossas exportações de software vêm crescendo e aumentam a cada ano, tendo alcançado já US$ 2,5 bilhões em 2011. Duplicamos o uso de banda larga móvel, saltando para 41 milhões de acessos. A TV por assinatura chega, hoje, a mais de 12 milhões de lares, com crescimento de 30% em 2011.

A ampliação e o potencial desse mercado não passaram despercebidos aos nossos parceiros externos. Só no setor de telecomunicações, o investimento estrangeiro direto no Brasil cresceu mais de dez vezes no ano passado, saltando para mais de US$ 6 bilhões.

Mas as tecnologias da informação e da comunicação no meu país são também um componente essencial das nossas políticas de governo. Empresas e órgãos públicos do Brasil contam com dezenas de milhares de postos de atendimento à população, baseados, muitas vezes, em softwares livres desenvolvidos no Brasil, com padrões abertos.

Fomos um dos primeiros países do mundo a adotar processos eleitorais completamente informatizados e fizemos isso em pleitos com mais de 135 milhões de eleitores. Nos últimos anos, instalamos laboratórios de informática e conexões de banda larga em todas as 58 mil escolas públicas urbanas do país. Os nossos bancos têm uma expertise na comunicação com seus clientes online e em real time.

Avançamos muito, mas é preciso muito mais. Devemos seguir investindo fortemente no desenvolvimento de nossa infraestrutura e em nossa indústria de tecnologia de informação e comunicação. A expressão no Brasil está também consubstanciada na significativa expansão da sua indústria de tecnologia da informação. Também está expressa no seu setor serviços e significa também um crescente aproveitamento da nossa criatividade nessa área tecnológica.

O ano de 2012 será especialmente promissor. Até dezembro, por meio do Programa Nacional de Banda Larga, ativaremos uma rede de fibra ótica de 31 mil quilômetros, que chegará às capitais de nossos 27 estados federados e cobrirá a metade de nossa população. Licitaremos, em maio, as faixas necessárias para a implantação dos telefones móveis de quarta geração. Estaremos operando nessas faixas ainda em 2013 nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014.

Contrataremos, ainda em 2012, a construção de cabos óticos submarinos para ligar o Brasil à América do Norte, à Europa e à África. Essas saídas internacionais serão somadas a um anel ótico sul-americano, cuja implementação foi decidida pelos países que integram a Unasul. Teremos, assim, um aumento da capacidade e um barateamento dos custos das conexões, como um todo, mas, sobretudo, garantiremos a soberania das comunicações na América do Sul.

A implantação da TV digital está em curso há alguns anos, ancorada na nossa parceria com o Japão, que permitiu a criação de um padrão próprio de televisão digital terrestre de alta definição, adaptada à mobilidade e à interatividade características de nosso mercado consumidor. Onze países da América Latina já aderiram ao padrão nipo-brasileiro e estamos, agora, incentivando a adoção dos recursos interativos na TV aberta por meio de uma tecnologia desenvolvida no Brasil.

Senhoras e senhores, empresários, membros do governo,

Senhora Chanceler,

O Brasil é, hoje, um país de oportunidades. Um país de oportunidades para os 190 milhões de brasileiros e brasileiras que, graças ao crescimento do emprego e da renda, têm cada vez mais acesso a bens de consumo e serviços, inclusive e sobretudo aos ligados à tecnologia digital.

Para empreendedores também o Brasil é um país de oportunidade. Para empreendedores, para investidores que encontram no Brasil estabilidade econômica, mercado consumidor em expansão e políticas de apoio aos investimentos e à inovação para empresas que produzam bens de tecnologia digital e softwares no país.

Este também, senhora Chanceler, é um momento de celebração de nossa longa e profícua cooperação com a Alemanha. Ao longo de décadas o Brasil e a Alemanha forjaram uma próspera relação, que permitiu ao Brasil dar um grande salto em nossa indústria na segunda metade do século XX.

A participação agora na CeBIT, em 2012, simboliza também uma nova etapa dessa aliança. Ao realçar o setor de alta tecnologia com elevado fator de inovação como um dos eixos centrais de nosso relacionamento econômico bilateral, reforçamos o caráter estratégico das relações entre a Alemanha e o Brasil.

A vinda de milhares de jovens estudantes brasileiros, bolsistas do nosso Programa Ciência sem Fronteiras, para as universidades de excelência da Alemanha fortalecerá ainda mais as nossas relações. Somos muito reconhecidos pelo empenho do governo alemão, que conferiu agilidade a essa iniciativa. Queremos construir, ainda mais, conexões nessa parceria, estimulando uma maior atuação das pequenas e médias empresas e imprimindo ênfase a projetos conjuntos de inovação tecnológica com aplicação no setor empresarial.

Estou segura, senhora Chanceler, de que nossos países trabalharão juntos para construir uma sociedade de informação inovadora, aberta e inclusiva.

O Brasil tem todas as condições para consolidar uma posição de destaque na fronteira tecnológica digital, repetindo o sucesso que já obtivemos na inovação nos setores de energia, combustíveis renováveis e tecnologia agrícola, entre outros.

Isso ficará evidente em nossa participação na CeBIT. Convido todos os participantes da Feira a conhecerem de perto nossos avanços e a explorarem novas parcerias com as numerosas empresas brasileiras presentes em Hannover.

Gostaria de acrescentar que o tema desta CeBIT, que é “Gerenciando a confiança”, é muito oportuno, e pode me permitir, senhora Chanceler, dizer que se nós agregarmos e combinarmos as nossas características próprias, ou seja, a grande qualidade alemã e a flexibilidade brasileira, sem dúvida nós estaremos avançando em direção a um futuro muito promissor na área da tecnologia da informação e dessa revolução que, necessariamente, a tecnologia, quando submetida aos interesses humanos, pode produzir para o conjunto das pessoas, para o bem da paz e da Humanidade.

Muito obrigada, senhora Chanceler, senhores integrantes do governo alemão, senhores integrantes do meu governo e senhores empresários.

 

Ouça a íntegra do discurso (14min15s) da Presidenta Dilma