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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia alusiva à Semana Nacional de Trânsito 2012

por Portal do Planalto publicado 21/09/2012 14h08, última modificação 04/07/2014 20h12

Palácio do Planalto, 21 de setembro de 2012

 

Eu queria iniciar cumprimentando a Cissa Guimarães, e eu estou aqui com a camiseta do Rafael, porque eu quero iniciar homenageando todas as mães, todos os pais, todos os parentes que sofreram perdas como a da Cissa. São perdas irreparáveis. Porque cada uma de nós, que somos mulheres, sabemos que tem uma coisa que é antinatural: é perder um filho.

Mas nós estamos aqui para prestar uma homenagem a todas essas mães, esses pais, as avós, as cunhadas, os amigos, as amigas, enfim, a todos eles que continuam vivendo sem seus entes queridos.

Eu acho que esse pacto é um pacto que mostra e que tem de mostrar a evolução dos valores no Brasil. A adoção de valores, da solidariedade, de valores que tem como base a visão que cada um de nós temos de ter do seu semelhante como uma pessoa integral.

Então, Cissa, você receba em meu nome, no nome do governo, essa noção que nós temos de obrigação de estar fazendo esse pacto. O governo está optando por esse pacto porque nós temos obrigação de fazê-lo.

Queria, também, cumprimentar todos os presentes aqui, do meio artístico e desportivo. O Emerson, o Emerson Fittipaldi que nós aprendemos a torcer por ele. Que praticamente introduziu a Fórmula 1 na casa de cada um de nós, e que fez com que a gente começasse a perceber que o Brasil tinha, também, uma dimensão internacional nessa área, que depois nós vimos também com o Ayrton Senna e tantos outros.

Cumprimentar o Marcelo Tas, que como vocês estão vendo, hoje está do lado de cá. Geralmente ele está do lado de lá. Mas nessa atividade, nesse pacto, nós todos estamos de um só lado.

Também cumprimentar a querida Paula Fernandes por ter vindo, por ter se mostrado tão receptiva a toda essa movimentação.

Cumprimentar também a todos os presentes aqui. Todos os ministros aqui presentes. Os... o que a gente chama, o pessoal mais rico do governo, que são os dos bancos, da Petrobras, da Eletrobras. Todos os presentes que representam aqui o governo. Esse pessoal tem de perceber que nós estamos todos muito mal intencionados.

Queria fazer um cumprimento especial para o deputado Hugo Leal, presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro, por toda a iniciativa que, ao longo de todos esses anos, ele teve e sempre brigou por isso.

Queria cumprimentar também o João Caldas, aqui presente.

Queria dirigir um cumprimento especial aos nossos atletas, que faz com que a gente tenha de subir um degrau para poder abraçá-los. E que nos dá tanto orgulho.

Queria cumprimentar os jornalistas, os fotógrafos e os cinegrafistas aqui presentes.

Bom, o propósito desta cerimônia é reforçar o compromisso do governo com a paz no trânsito. Mas também, é um propósito que tem por objetivo refletir sobre o próprio Brasil. Nós temos visto um país pujante. Nós aumentamos o emprego, nós aumentamos a renda, nós tiramos 40 milhões de pessoas... elevamos à classe média. Nós fazemos um imenso esforço para o país crescer, cada um dos presentes aqui, o governo. Agora, nós sabemos que, com isso, vem a possibilidade do país aumentar o número de veículos, motocicletas, do trânsito ser um trânsito muito mais complexo.

Não seria admissível que o governo, esse governo que busca elevar esse país à condição de um país forte, que reconhece no seu mercado interno uma das maiores riquezas que tem, esse país não ser capaz de trabalhar conjuntamente os importantes valores que são aqueles ligados à evolução, ao progresso, mas, sobretudo, valores éticos e morais que preservem a vida. Porque, caso contrário, era como se nós nos transformássemos numa sociedade que tem como objetivo só bens materiais. Um governo não pode, não deve e não é admissível que não valorize o que há de mais importante na sociedade, que é a vida. Que são as relações afetivas entre uma mãe e um filho, entre um irmão e uma irmã, entre amigos. Não pode e não deve pregar como sendo importante pura e simplesmente obter um ganho, uma renda. Nós temos de apostar que um país como o Brasil tem de ter uma visão solidária da vida, tem de ter uma visão solidária da relação da comunidade. Por isso, cada vez que nós nos tornamos, cada vez mais que nós nos tornamos um país desenvolvido e um país de classe média, e que temos essa quantidade de veículos em circulação, é exigido de nós também a responsabilidade perante a sociedade e cada um dos cidadãos brasileiros e das cidadãs brasileiras, a responsabilidade com a vida em sociedade, com a vida em comunidade e com os valores relativos à civilidade nessas relações.

Por isso, nós lançamos em maio passado o Pacto Nacional pela Redução dos Acidentes de Trânsito, em resposta à proposta da ONU de fazer do período de 2011 a 2020 a Década Mundial de Ação pela Segurança do Trânsito. Mas, sobretudo, o que nós temos como objetivo é construir uma sociedade mais comprometida com todos.

Há pouco, eu escutei uma frase muito bonita para a Cissa: “A sua dor é a nossa dor”. Eu acho que essa frase, eu queria até que você levantasse, você falou a frase, queria dar uma... Essa frase, eu acho que ela sintetiza o espírito desse pacto. Só é possível fazer esse pacto quando a sua dor é a nossa dor. E, por isso, eu tenho certeza que ele tem a ver com a consciência, ele tem a ver com a capacidade de nós divulgarmos isso, tem a ver com a nossa capacidade de ter uma ação solidária entre governo e sociedade. Uma ação solidária, espontânea, voluntária, em que todos nós nos comprometamos – obviamente, o governo de forma diferenciada – a eliminar a violência no trânsito, a criar um padrão de comportamento em que nós achemos que o bom, o bom é respeitar as regras; o ruim é violá-las.

Mas, também, que a gente tente refletir isso na nossa legislação. Que a gente não seja, não seja – eu diria de uma forma meio forte – não seja cúmplice quando nos omitirmos. Não sejamos cúmplices. Não podemos nos omitir. E isso significa, também, que temos de tomar aquelas medidas necessárias para que haja uma correspondência entre essa realidade e a legislação.

Nós sabemos que não tem uma receita pronta e acabada em nenhum lugar do mundo para que a gente elimine a violência e institua, de vez, a segurança. Só há uma receita, é – eu considero muito boa a propaganda, por isso, Emerson, é a consciência. É a persuasão. É formar, de fato, um pacto entre nós todos, no sentido de permitir que o Brasil se transforme não só num grande país de classe média, mas num grande país civilizado de classe média.

Eu queria destacar que nós temos um caminho percorrido até aqui. Eu acho que têm várias... Nós temos várias iniciativas que podemos explorar, mas ainda temos muito a fazer. Tanto as campanhas de conscientização – que demonstram que quando se faz essa campanha e se mobiliza mais, reduz de uma forma muito efetiva o número de mortes ao longo dos feriados e das principais festas do país – mas, também, nós precisamos de, numa relação muito cooperativa com a indústria, procurar elevar os padrões de segurança dos nossos automóveis e, principalmente, as exigências para que muitos jovens não morram em acidentes de trânsito, que vêm sendo uma das principais causas de mortalidade na faixa etária da juventude brasileira. E isso, inclusive, com grande impacto no uso de motocicletas, principalmente no uso de motocicletas.

Nós estamos fazendo a nossa parte também no que se refere a duplicação de rodovias. Aumentar o número de rodovias com duplicação de pista porque isso torna as estradas mais seguras. E, também, o governo federal tem tido uma preocupação em investir em mobilidade nas grandes cidades deste país. Assim é que colocamos de orçamento, não só de financiamento do BNDES e dos demais bancos públicos brasileiros, mas colocamos do orçamento geral da União uma quantidade expressiva de recursos para financiar metrôs, porque também a redução do transporte individual e o aumento do transporte público nas grandes cidades reduz, também, a incidência de mortes no trânsito.

Eu queria finalizar dizendo que nós, juntos, governos e cidadãos, porque é muito importante, também, que nesse pacto sejam incluídos os governos estaduais, os governos municipais. Com esse ato, hoje, nós estamos pura e simplesmente, iniciando o caminho, iniciando uma caminhada. Nós não estamos concluindo o processo, pelo contrário, nós estamos abrindo. E queremos mobilizar todos os governadores e todos os prefeitos de capital e de todas as cidades deste país.

Por isso, juntos, governos e cidadãos, nós podemos fazer do trânsito uma oportunidade. A oportunidade de exercitar a nossa solidariedade e a nossa prudência. A nossa cidadania e o nosso respeito a esse bem, que todos nós sabemos que é o mais precioso de todos que é o bem da vida.

Por isso eu agradeço a presença de todos vocês. Mais uma vez eu homenageio aqueles que perderam seus entes mais queridos, e digo que é por conta do respeito a eles, que todos nós devemos nos mobilizar e levar esse pacto a se tornar, cada vez mais, um pacto vivo, um pacto real e um pacto efetivo.

Um abraço a todos aqui presentes e muito obrigada.

 

Ouça a íntegra do discurso (16min49s) da presidenta Dilma