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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante aula para alunos do Colégio da Polícia Militar Alfredo Vianna por ocasião da Campanha Zika Zero nas Escola - Juazeiro/BA

por Portal Planalto publicado 19/02/2016 20h00, última modificação 19/02/2016 22h01

 

Juazeiro-BA, 19 de fevereiro de 2016

 

 

Espero que vocês todos sejam aqueles estudantes que ganham só nota alta. Ih, tem um silêncio só. Vocês podiam falar: “Seremos, sim, dona presidenta”.

Mas eu sei que vocês são bons alunos. Eu tenho a informação, dada pelo governador, que - vocês podem se sentar, todo mundo - que os alunos aqui, desse colégio, têm ótimas notas no Ideb e que são, entre os colégios aqui da Bahia, um dos melhores colégios. O colégio só é um dos melhores colégios pelos alunos e pelos professores. Então, eu queria cumprimentar também os senhores e as senhoras professoras, que são aquelas pessoas responsáveis pela qualidade do colégio.

Hoje eu vou ser um pouco uma professora. E quero conversar com vocês sobre uma questão muito importante: primeiro, o que eu quero conversar com vocês sobre essa questão? Eu quero conversar porque a questão do mosquito da dengue, que a gente conhece como mosquito da dengue, é algo que tem que preocupar a todos nós. Tem que preocupar a presidenta, o governador, o ex-governador da Bahia, o Jaques Wagner. E tem que preocupar também cada um dos alunos aqui presentes, o diretor, os alunos, o professor e a professora.

Então, eu vou começar cumprimentando nosso governador, vamos falar boa tarde governador Rui Costa.

“Boa tarde governador Rui Costa”

Agora, nós vamos cumprimentar o ministro Jaques Wagner, ex-governador da Bahia.

“Boa tarde, governador”

Vamos cumprimentar agora os deputados. Nós temos dois deputados aqui junto com a gente. Um, que acaba de sair dali que vocês estão vendo, que é o Afonso Florence, um deputado aqui da Bahia. E o outro é o deputado Antônio Brito que está ali, magrinho, bem magrinho.

Queria cumprimentar também o secretário-executivo, vice-ministro lá da Saúde do Brasil, que é o Agenor, que está aqui, o Agenor Álvaro da Silva,

Queria cumprimentar o nosso querido prefeito, o nosso querido prefeito de Juazeiro, Isaac Carvalho,

E cumprimentar também os jornalistas e as jornalistas, já que eu cumprimentei vocês.

Então, vamos começar a nossa conversa. Eu não sei se o pessoal que está ali assim vai enxergar aqui. Então eu pedia que o pessoal daí desse uma licencinha. Tem uma TV alí? Ah, tá ótimo.

Então, eu vou começar a explicar para vocês, a história do mosquito e do vírus. O mosquito é uma coisa e o vírus é outra coisa. Então vamos começar primeiro dizendo para vocês da onde que veio o tal de vírus da zika. O vírus... depois vocês vão ver o que ele produz. A doença sempre ou é por bactéria ou por vírus. Nós vamos discutir uma doença que é por vírus.

Ele veio, como vocês podem ver, da África. Aqui está a África, eles vieram da África, de um país chamado Uganda, que tem uma montanha e a montanha desse país, chamado Uganda, tem um nome que chama Zika, a montanha. Por isso, como o mosquito apareceu a primeira vez, em 1947, que foi no ano que eu nasci, esse mosquito teve o nome da montanha, então ele se chama zika, aliás, o mosquito, não, desculpa, o vírus, chama zika vírus.

Lá, esse mosquito apareceu e foi... descobriram ele quando fizeram exame de sangue nas pessoas. E, em 1951, ele é detectado, ou seja, ele é comprovadamente o mosquito que estava no sangue das pessoas. Aí, ele vai para a Ásia e para a Oceania. Então, ele se espalha pela Ásia e pela Oceania. E aí, ele é encontrado aqui na América Latina, em especial no Brasil, no ano passado, em abril de 2015.

Aí, o que acontece em 2015? No dia 22 de outubro a Secretaria de Saúde de Pernambuco comunica ao ministro da Saúde, o Ministério da Saúde, lá em Brasília, comunica o quê? Comunica: “Olha nós estamos percebendo que aumentou o caso de uma doença, que se chama microcefalia”. Essa doença tinha geralmente 150, 200 casos por ano. E eles constataram, de repente, que tinha aumentado muito o número de bebês que tinham mostrado microcefalia. O que é a microcefalia? O bebê nasce com tamanho menor do crânio e, portanto, também da massa encefálica.

Aí, no dia 24 de outubro, o Ministério da Saúde mandou lá, para Pernambuco, uma equipe para constatar e para investigar o que estava acontecendo. Em 11 de novembro, o Ministério da Saúde, depois de fazer uma porção de estudo, 11 de novembro do ano passado, ele percebe que também, nesse lugar, estava havendo um aumento imenso de casos de pessoas que tinham sido contaminadas pelo mosquito, que se chama Aedes aegypti, o mosquito que é, que vocês conhecem como mosquito da dengue, mas que está produzindo uma outra doença, que é a doença do zika vírus.

Junta as duas coisas e chega à conclusão que esse mosquito, o mosquito da dengue, está transmitindo também um outro vírus, tá transmitindo o vírus, o zika. E que esse zika transmite essa doença nos bebês. E aí, o Ministério da Saúde decreta emergência de saúde pública no Brasil.

No mundo tem uma organização que se chama Organização Mundial de Saúde. Ela cuida de alertar todos os países do mundo, os Estados Unidos, a França, Alemanha, quando há epidemia de alguma doença. E aí, no dia 1º de fevereiro deste ano, ali antes do Carnaval, a Organização Mundial de Saúde declara a existência de uma epidemia de zika e microcefalia. E que isso era um caso de emergência de saúde pública de importância internacional.

Então, como é que a gente sabe se uma pessoa ou está com zika - e é importante dizer que nas pessoas que não estão grávidas, nas mulheres que não estão grávidas e nos homens e nas crianças, o que você nota? Você nota a existência de uma gripe e depois eu vou dar as características dela. Essa gripe, ela é muito perigosa para as mulheres que estão grávidas, muito perigosa. E o que acontece?

Primeiro, 80% dos casos de quem pega essa gripe, pela picada da “mosquita”, da “mosquita”, quais são os sintomas? Eles são leves, 80% não tem sintomas. Quando tem sintomas, quais são eles? Primeiro, febre baixa. A febre é baixa, a febre não é alta, entre 37 e 38. E 38,5 - 37 a 38; Cansaço físico e mental, a pessoa fica muito cansada. Mancha vermelha, principalmente essas manchas vermelhas e coceira no corpo. Olhos vermelhos sem pus e sem coceira. Dor de cabeça, dor nas articulações e dores musculares. É isso que uma pessoa que tem, que contrai o vírus pelo mosquito - que chama Aedes aegypit ou mosquito da dengue, como nós conhecemos - a pessoa tem essas características. Vamos lembrar, 80% não tem sintomas, 20% tem essas características.

Em geral, a doença evolui sem nenhuma complicação e some em 7 dias, entre 3 a 7. Se houver sintomas, se algum de vocês tiver algum desses sintomas, a mãe de vocês ou o pai de vocês ou um parente de vocês tem que levar vocês ao posto de saúde mais próximo. Agora, se for uma moça, uma senhora grávida é fundamental que ela procure o posto de saúde mais próximo.

E o que se deve ser feito? E aí é que nós vamos entender porque que ele é perigoso. Ele perigoso então para as mulheres grávidas, por quê? Porque ele tem preferência pelo sistema nervoso. E está relacionado a doenças neurológicas.

Quando ele atinge uma mulher grávida, ele causa microcefalia. E o que é a microcefalia? A microcefalia é uma redução de tamanho - o cérebro e a caixa cerebral de uma criança, o crânio de uma criança normal é esse, de uma criança com microcefalia é esse. O que acontece com a criança? Ela não desenvolve todas as suas capacidades, ela não desenvolve. O bebê, portanto, nasce com a cabeça menor. Ao nascer com essa cabeça menor há um comprometimento de várias, dependendo do nível da doença, de várias características da criança.

E, além disso, em alguns adultos, o zika foi associado também á uma doença chamada que chama Guillain-Barré. Mas essa é uma doença que incomoda, mas não tem a gravidade da microcefalia.

No Brasil, onde é que apareceu já o vírus da zika? E onde apareceram os casos de microcefalia? Como vocês podem ver, estão concentrados na região costeira do Nordeste - e no Nordeste do País. Mas ele está descendo rapidamente para o resto do País. Por exemplo: tinha muito poucos casos de doenças e da constatação da existência do zika vírus lá no Rio Grande do Sul. Agora, já tem 30 casos.

Então, nós sabemos que nesse período de verão, quando há calor, e ao mesmo tempo quando chove mais no nosso país, há o quê? Há água parada. E quando há água parada é quando o mosquito se reproduz.

O que é que faz o mosquito? Você tem o mosquito e a “mosquita”. O mosquito gosta de fruta, ele não pica e nem extrai sangue das pessoas. Quem faz isso é a “mosquita”. É a “mosquita” que pica e vive do sangue das pessoas. E é quando ela contamina, porque é ela que transporta o vírus zikal. É ela, é a “mosquita”. E o que ela faz? Ela bota entre 400 a 500 ovos. E onde ela prefere colocar? Primeiro, ela procura onde tem água parada, a água pode ser limpa ou pode ser suja. Depois, ela procura um local na borda. Vamos supor, se ela vai botar seu ovo em uma tampinha de refrigerante, ela não bota dentro da tampinha de refrigerante, ela bota na borda da tampinha e aí quando tiver a água na tampinha, o ovo vira larva. A larva vai evoluir e vai virar o mosquito e é assim que ele se reproduz. Ao se reproduzir ela vai, para se alimentar, pica uma pessoa e contamina essa pessoa.

Então, aonde que tem acontecido esses, o surgimento dessa doença? Onde tem calor e - ah, ela gosta também de sombra, é bom vocês saberem -. Então, é justamente nessa área, que é a área de calor do globo terrestre. E o mosquito que transmite o zika, que chama Aedes aegypti, ou mosquito da dengue, da chikungunya e também, gente, da febre amarela. O mosquito transmite todos esses tipos de doenças.

E hoje ele existe em 113 países. Mas, só nesta região [volta um pouquinho], só naquela região lá, colorida, é que ele se reproduz de forma tranquila e fácil. E ele é um mosquito esperto, muito esperto. Primeiro, o barulho dele… Ele não tem aquele barulho. Ele não tem esse barulho; Segundo, como eu disse para vocês, ele coloca.. .a “mosquita” coloca o ovo, ela dura dois meses só, de vida, a “mosquita” tem. Mas ela coloca, ao longo da vida dela, entre 400 e 500 ovos.

Mas, esses ovos, eles têm uma grande capacidade de esperar. E o que ele espera? Ela pode botar num lugar seco. E o ovo só vai florescer e virar larva e virar mosquito se chover, se tiver água parada. Então, não é um mosquito qualquer. Ela não coloca 1.500 ovos. Aquilo está errado. Ela coloca entre 400 e 500. Botaram um 1 a mais aí.

Bom, além disso, eu quero falar uma coisa para vocês - e por isso eu estou aqui. É que dois… aonde mais... as pesquisas que os pesquisadores fazem, os prefeitos, os governadores, os cientistas, eles constataram que dois terços dos chamados criadouros, que é onde o mosquitos consegue se reproduzir, estão aonde? Estão dentro das casas das pessoas. Estão dentro das residências.

E aí, em que lugares que eles estão? Nas caixas d’água, a “mosquita” pode botar o ovo na caixa d´água. Nas calhas, que mesmo que sejam totalmente limpas elas vão lá e botam seus ovos, esperando a próxima chuva. Nos galões, tonéis, poços, tambores, nos pneus, nas garrafas vazias, nos baldes e nos ralos limpos. O que a gente tem que fazer para ela não botar os ovos? Primeiro, você veda a caixa d´água, se você tampar tudo ela não vai poder entrar e botar. A mesma coisa, você vai deixar a calha totalmente limpa, mas você tem que voltar e olhar. A cada vez que chove volta e olha a calha da sua casa.

Os galões, os tonéis, os poços e os tambores têm que ser bem vedados para a “mosquita” não entrar. A mesma coisa os pneus, se você deixar chover... você tem um pneu velho, choveu, entrou água, ali vira um criadouro de mosquito. Garrafa vazia e baldes, só com a boca para baixo. E ralos limpos e com telas.

Além disso, uma coisa que é importante lembrar, sabe a bandeja da geladeira? Se a bandeja da geladeira estiver com água, o mosquito pode ir para a bandeja da geladeira e lá se reproduzir. A mesma coisa prato de vasos de plantas. Se ele estiver vazio - ou com um pouquinho de água - a “mosquita” vai lá e põe o ovo. Então eles têm que estar com areia até a borda. As bromélias. A bromélia tem uma capacidade guardar água para si mesma. Ali também o mosquito pode colocar os seus ovos. E ali também há a reprodução do mosquito. Vasos sanitários sem uso, fechado. A mesma coisa. Lona de cobertura esticada. Porque se a lona de cobertura tiver uma, tiver assim uma inclinação, a água vai aqui, empossa, a “mosquita” vai lá e bota seu ovo. A mesma coisa piscina e fonte.

Aonde o mosquito não vai? Onde tem peixe, porque o peixe come a larva do mosquito. Então uma água, se você tiver um laguinho e tiver um peixe dentro, o mosquito já era. Porque o peixe vai lá e “babau” mosquito, ele come o mosquito.

Então, nós, a saúde pública dos estados, os agentes, até o Exército, as Forças Armadas, nós visitamos, temos visitado as casas, junto com os governadores, os agentes de saúde. Para quê? Para tomar uma medida que cada um de nós tem de tomar, que é não deixar o mosquito nascer.

As gestantes têm que tomar um cuidado muito grande. Elas têm de usar, e se alguém tiver na família uma pessoa que esteja grávida, tem que lembrar a ela que ela tem que usar roupas compridas, calças e blusas, manga, aplicar repelente. Por quê? Porque o mosquito gosta do suor humano e do cheiro humano. Então, quando tem suor, o mosquito pica com mais vontade. A gestante sempre tem que procurar um posto de saúde e fazer seu pré-natal.

Bom, o que nós estamos pedindo? Nós estamos pedindo - e aí eu estou fazendo um apelo a vocês para ajudar os pais e as mães de vocês a fazer o quê? A uma vez por semana, só uma vez, vamos supor, sábado, dedicar só 15 minutos do sábado, ou de qualquer outro dia. Mas uma vez por semana. E olhar todos os lugares onde o mosquito pode nascer, o mosquito pode ser criado. Onde ele pode crescer e picar alguém e transmitir microcefalia. E prejudicar os nossos bebês, que são o futuro do nosso País. Eu peço a vocês que falem com seus amigos, seus parentes, seus vizinhos, que falem com todos, para que a gente possa combater esse mosquito.

Além disso, eu queria dizer uma coisa para vocês: o mosquito não pode ser mais forte de que um País inteiro. Nós vamos combater o mosquito. Mas nós temos uma certeza, qual é a certeza que nós temos? A certeza que nós temos é que o mosquito, ele não é mais forte que todos nós juntos. Se ele picar uma pessoa, ele é mais forte de que uma pessoa. Mas se nós todos, juntos, nos unirmos e formos atrás da casa dele e eliminar as condições que ele tem sobrevivência, que é a água parada, ele não vai viver para picar as nossas crianças.

Enquanto isso, o que o governo faz? O governo tenta várias coisas. Primeiro, nós estamos colocando dinheiro para que a gente possa desenvolver uma vacina contra esse mosquito. E aí todos nós vamos nos vacinar. E aí o mosquito vai deixar de ser importante para nós. Nós vamos ter uma proteção contra ele.

Outra coisa - e eu visitei aqui há pouco. Nós estamos olhando também um jeito de acabar com o mosquito de outra forma, que não seja só esse de acabar com o local em que ele nasce e cresce e vem nos picar, os chamados criadouros. E qual é essa outra forma? É a fábrica de mosquito que mata, reproduz o mosquito que vai matar o mosquito da dengue. Aqui mesmo, em Juazeiro, tem uma das fábricas mais importantes de mosquito do nosso País, que chama Moscamed. O que ela produz? Ela produz o mosquito estéril. O que acontece com o mosquito estéril? Ele cruza com a “mosquita” e não produz filhos. Ou um mosquito que carrega uma doença que vai contaminar o próprio mosquito.

Então, essas formas de usar o próprio mosquito para derrotar o mosquito é que nem essas lutas marciais, que usam a força do adversário, como no Jiu-Jitsu e outros tipos de lutas dessas, que usam a força do adversário para derrotar o próprio. E, nesse caso, no nosso caso, é eu usar o que o mosquito faz para derrotar ele mesmo. Ele nos contamina, a gente contamina ele. Ele produz doenças nas nossas crianças; nós vamos produzir doenças nesse mosquito.

Então, gente, basicamente o que eu peço a vocês é que a gente use da capacidade que os jovens, como vocês, têm, para influir na família de vocês. Explicar para o pai e para a mãe porque só 15 minutos por semana, que pode ser no sábado, no domingo, em qualquer dia da semana, limpando, impedindo que tenha lugar onde se concentra água parada, pode significar a nossa luta e a nossa vitória contra o mosquito.

Eu sei que aqui, nesse colégio da Polícia Militar Alfredo Vianna, os alunos são extremamente dedicados, tanto é que aqui vocês têm altas notas no Ideb. Por isso, eu tenho certeza que vocês têm um papel muito importante para a família de vocês, na comunidade de vocês, na rua de vocês, com os amigos e os parentes. E é isso que eu peço, participem desse nossa campanha para impedir que brasileirinhos e brasileirinhas nasçam com um problema sério, neurológico, que vai comprometer o futuro deles. Nós temos de acolher as mães e as crianças. Isso é papel nosso, do governo, é papel da família, é papel da comunidade. Agora, nós não queremos que mais crianças sejam contaminadas com esse mosquito.

Por isso, eu queria agora passar para as perguntas. Me disseram que vocês querem fazer as perguntas. Então, vou responder as perguntas de vocês.

 

Professora: Presidenta, ontem nós passamos nas classes e todos os alunos fizeram algumas perguntas. Nós sorteamos quatro. Então, eu vou começar chamando a Luana, do 8ª ano B. Luana, você pode vir na frente, por favor, fazer a sua pergunta?


Luana: Presidenta, o que a senhora está fazendo para conter o mosquito da dengue?

 

Presidenta: Agora eu vou aproveitar a pergunta da Luana e responder para vocês como é que nós estamos fazendo com as vacinas. Porque uma coisa é isso: nós estamos indo de casa em casa, para acabar com os criadouros. E estamos fazendo as palestras, como essa que eu estou fazendo aqui hoje. Tem uma grande campanha no País inteiro. Os ministros, todo mundo, está cada um em uma escola, fazendo a campanha e explicando essa história que eu acabei de falar para vocês.

Mas, além disso, eu queria contar pra Luana o que nós estamos fazendo. Nós temos, no Brasil, laboratórios de pesquisa. Esses laboratórios de pesquisa, como esse que tem aqui, que pesquisa o mosquito e que tenta criar o mosquito estéril, o mosquito que acaba com a população de mosquitos. Mas nós estamos pesquisando a vacina. Para pesquisar a vacina, nós fazemos parcerias com outros países do mundo. Eu, inclusive, telefonei para o presidente dos Estados Unidos, o presidente Obama, e nós acertamos que o Brasil e os Estados Unidos fariam várias pesquisas.

Nós temos alguns institutos que fazem, e que são de alta qualidade em relação a todo o mundo. Um deles se chama Bio-Manguinhos, lá no Rio de Janeiro. É um dos maiores laboratórios e centros de pesquisa de vacina, de remédio, do nosso País. É, sem dúvida, o nosso maior laboratório - e ele é muito importante.

Então, o que nós fizemos? Nós fizemos uma parceria com a Universidade do Texas. Nessa parceria, nós vamos desenvolver, juntos, a vacina. E vamos, depois, repartir todo o conhecimento sobre essa vacina e aplicá-lo. Uma vacina leva, geralmente, um tempo para ser produzida e para ser passível de ser usada nas pessoas. Porque você tem que teste e tudo. Geralmente, vai levar de dois a três, quatro anos, para você ter uma vacina pronta para aplicar, uma vacina contra o zika.

Além disso, o Butantã, que é um outro centro de pesquisa, um outro laboratório, o Butantã está desenvolvendo, já em fase avançada, uma vacina contra a dengue. E essa vacina contra a dengue também vai ser muito importante, porque ela vai permitir que a gente combata os quatro tipos da dengue.

Além disso, nós estamos também com o Instituto Evandro Chagas desenvolvendo, também, uma vacina em parceria com o Instituto internacional. Aliás, o Instituto Americano e com um laboratório que chama GlaxoSmithKline. Com esse laboratório nós estamos também desenvolvendo uma vacina. E agora nós estamos também, como eu falei agora há pouco, muito interessados nessa questão que é produzida aqui em Juazeiro - e que é importante que todo o País saiba que aqui se produz, no Moscamed, um mosquito estéril, que tem.. ou um transgênico, que pode acabar com a população de mosquitos e assim diminuir também a doença.

Agora, quero dizer uma coisa para vocês, respondendo a Luana. O jeito mais eficaz que nós temos hoje, agora, amanhã, depois de amanhã, para combater o mosquito está nas nossas mãos, na mão da população. Em nenhuma cidade em que o mosquito foi combatido com eficiência foi conseguido isso sem a participação de vocês, a participação da população.

Tem uma cidade no Piauí, chamada Areia Branca, que houve uma mobilização e eles conseguiram acabar inteiramente com o mosquito naquela cidade. Como eles fizeram? O prefeito, o governo estadual e o governo federal foram para rua, de casa em casa. E lá eles tinham um selo. A casa que eles visitassem que tivesse sem nenhum criadouro de mosquito, levava um selo verde. A que tivesse algum criadouro de mosquito, levava um selo amarelo ou vermelho. Vermelho se tivesse muito. E o amarelo, se tivesse pouco. E isso motivou a cidade e todo mundo combateu o mosquito. E o mosquito desapareceu.

É claro que essa cidade era uma cidade menor, foi mais fácil de fazer. Mas nós temos certeza de uma coisa: sem a participação de cada um de nós, nós não derrotamos o mosquito.

Por isso, não basta só nós fazermos, procurarmos a vacina, estimularmos esses laboratórios que produzem o mosquito estéril ou transgênico. Nós precisamos da participação da população, de cada um de vocês, dos pais, das mães, dos amigos e dos parentes. Basicamente, Luana, espero ter te respondido. Obrigada.

 

Professora: Obrigada, Luana. Vamos chamar a Lisandra, do 6º ano F.

 

Presidenta: Muito bem, Lisandra - eu estava olhando aqui de longe, você é lindinha.

 

Lisandra: Como funciona a fábrica de mosquito? E se a senhora acha que isso vai deter o mosquito?

 

Presidenta: Olha, eu fiquei impressionada, Lisandra, com a fábrica de mosquito que eu vi aqui. Como é que ela funciona? O que eles fazem? Eles estão fazendo como se fossem dois caminhos: no caminho eles criam o mosquito - eu fiquei impressionada com isso. E aí ele me disse que pega uma agulha fininha. Você só imagina quão fininha deve ser a agulha, porque isso eu não vi. Pega o ovo do mosquito e bota uma doença dentro do ovo do mosquito. Aí, cria o mosquito que tem, então, essa bactéria. E com essa bactéria esse mosquito vai contaminar outro mosquito. Aí o mosquito vai ficar doente e não vai se reproduzir.

Tem outra forma, que é fazendo o seguinte: esterilizando o mosquito. O mosquito é estéril. E se ele se acasalar com uma “mosquita”, ele não vai produzir outros mosquitos. Como é que eles fazem isso, com o mosquito estéril? Eles isso utilizando radiação nuclear. Pegam… porque vocês sabem que a radiação nuclear, ela, além de produzir doença, ela produz a esterilidade. E, portanto, o mosquito em questão é esterilizado por radiação e é, então, solto. E aí ele vai se acasalar e não vai produzir novos mosquitos. É a fábrica de mosquitos daqui, a Moscamed, utiliza essas duas trajetórias. Outras fábricas, como lá em Manguinhos, contaminam o mosquito com doenças próprias do mosquito, que fazem com que o mosquito seja incapaz de reproduzir.

Então, as fábricas de mosquito fazem isso. Agora, vocês só imaginam uma coisa: a quantidade de mosquito que você tem que soltar para matar esses mosquitos. Então até agora tem experiências limitadas. O governador me disse que eles estão fazendo uma aqui na Bahia em Jacobina.

 

Professora: Obrigada, Lisandra. Agora a Talita, do 6º ano D.

 

Presidenta: Como é que você chama?

 

Talita: Talita, do 6º ano D.: Senhora presidenta, eu gostaria de perguntar quais precauções a senhora irá tomar nas Olimpíadas deste ano, com pessoas que virão de outros países?

 

Presidenta: Boa pergunta. Agora vem a boa notícia. Qual é a boa notícia? A boa notícia é que o período, se você for ver o período de vida dos mosquitos, onde eles mais se proliferam, onde a alta incidência da transmissão das doenças que o Aedes aegypti transmite, é entre janeiro a junho, no máximo julho. Olha, a Olimpíada é em agosto. Então, nesse momento haverá uma queda vertiginosa por conta da temperatura do País - e isso diminui a capacidade do mosquito contaminar outras pessoas.

Nós tomaremos, com as pessoas que vêm de fora, a mesma precaução, mas, sobretudo nos lugares que vão receber visitantes, nós estamos dando uma atenção especial a esses locais, principalmente a cidade do Rio de Janeiro. Mas não só lá. Eu vou falar da cidade do Rio de Janeiro porque é o local que vai receber as Olimpíadas.

Só para vocês terem uma ideia, no dia 13 tinha, dos 220 mil homens do Exército, da Aeronáutica, e da Marinha, que se distribuíram pelo Brasil, 70 mil estavam lá. Por quê? Porque nós vamos ter em relação ao Rio de Janeiro todo o cuidado, para que os nossos visitantes, os que vêm nos visitar, principalmente se houver mulheres grávidas, tenham consciência. Primeiro, que é fundamental passar repelente. Segundo, vá para todos os lugares com mangas compridas. E terceiro, todo o estudo feito pela Secretaria de Saúde e pelo Ministério da Saúde aponta e indica que, esses casos, que acontecem no período de janeiro a julho, eles não têm a mesma incidência em agosto. E é isso que nós esperamos e essa é a boa notícia. Obrigada, querida

 

Professora: Obrigada, Talita. Agora a última pergunta é do Paulo Henrique, do 8º A.

 

Presidenta: Eu já estava achando que só tinha menina. Agora vem o Paulo Henrique. Tudo bom, Paulo Henrique? Prazer em te conhecer.

 

Paulo Henrique: Senhora presidenta Dilma, se acharem a cura pra dengue, vão achar também para a zika e chikungunya?

 

Presidenta: Olha, infelizmente, não. E não é a vacina, que você falou, né? Hoje, no Brasil, nós já temos, na fase 3, uma vacina sendo desenvolvida no Instituto Butantã para os quatro tipos de dengue. E, a boa notícia também, é que essa vacina vai… para ela ser uma vacina com eficácia, você vai precisar só de uma dose. E cobre todos os tipos de dengue. Agora, ela não serve nem para a chikungunya nem para a zika. Para a chikungunya e para a zika, você tem que desenvolver outra vacina, porque tanto a chikungunya quanto a vacina para o zika necessita de um processo específico para esse vírus.

Não é o mesmo vírus, nem apenas uma mutação. É preciso se desenvolver tudo novamente, não serve. Se servisse, nós estaríamos muito bem, porque essa vacina da dengue, ela já está na chamada fase três. E a fase três já é uma fase de teste. E aí da fase de teste você já vai direto para a aplicação da vacina nas pessoas, em geral. Infelizmente, querido, não. Não basta desenvolver para uma que você desenvolve para outra. Infelizmente, não. Tchau, obrigada.

 

Professora: Obrigada, Paulo Henrique. Essa foi a última pergunta.

 

Presidenta: Então, eu agradeço a atenção aqui dos alunos, das moças, dos moços, dos meninos e das meninas, como se diz na minha terra, bonitas. E desejo a vocês também que vocês estudem bem, porque nós estamos em um país que a diferença vai ser sempre a nossa capacidade de garantir e de ter um povo mais educado possível.

Uma das coisas que eu fiquei muito feliz, que o prefeito, o governador e o ministro me disseram, quando eu cheguei aqui, é que vocês, em geral, têm um desempenho escolar dos melhores. E eu acredito que também aqui seja uma escola com grande contribuição dos professores.

Agradeço, então, à atenção de vocês, alunos e alunos; agradeço à atenção dos professores; agradeço a todas as autoridades da Secretaria de Educação e a ela ligados; agradeço, também, à Polícia Militar aqui do estado da Bahia. E peço, encarecidamente, lembrem: 15  minutos por semana, uma vez por semana só, 15 minutos, no dia em que vocês escolherem, olhem e verifiquem todos os criadouros na casa de vocês. Muito obrigada.