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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante almoço oferecido ao Rei da Espanha, Juan Carlos I

por Portal do Planalto publicado 04/06/2012 15h04, última modificação 04/07/2014 20h11

Palácio Itamaraty, 04 de junho de 2012

 

Eu queria cumprimentar Sua Majestade Juan Carlos I, Rei da Espanha,

O senhor Michel Temer, vice-presidente da República,

O senador José Sarney, presidente do Senado e ex-presidente da República,

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo,

Cumprimentar as senhoras e senhores ministros de Estado e demais integrantes das delegações do Brasil e da Espanha.

Queria cumprimentar o senador Fernando Collor de Melo, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Senado Federal, ex-presidente da República.

Queria também cumprimentar as senhoras e os senhores deputados federais presentes.

Queria cumprimentar as senhoras e os senhores empresários.

Queria cumprimentar os senhores jornalistas, os senhores fotógrafos e os senhores cinegrafistas.

Senhoras e senhores,

 

Com grande alegria, eu, em nome do povo brasileiro e do governo brasileiro, dou as boas vindas ao Rei Juan Carlos. Mais do que representante      de um grande país, recebemos um amigo do Brasil, cujo afeto por nossa terra e nosso povo é amplamente conhecido.

Espanha e Brasil possuem uma larga história de relacionamento e de cooperação. A visita de vossa majestade, acompanhada de expressiva delegação empresarial, evidencia o desejo da Espanha de aprofundar essas relações - o que nós ficamos extremamente satisfeitos – e de conferir um renovado impulso à parceria estratégia bilateral lançada em 2003.

Sei que o contexto internacional, muitas vezes, conspira contra nossas vontades nacionais. O delicado momento econômico por que passa o mundo, e a Europa em particular, tem apresentado ainda de formas diferenciadas desafios para todos nós.

Nós temos confiança na criatividade e na força do povo espanhol. Estamos seguros de que os esforços para superação da crise europeia serão muito bem-sucedidos. O Brasil buscará a melhor forma de colaborar neste momento de desafios. Temos adotado medidas para fortalecer a nossa economia e estimular o nosso crescimento.

Nós sempre defendemos que a saída da crise passa, fundamentalmente, pelo crescimento econômico com distribuição de renda, pela criação de empregos e pelos esforços de combater a pobreza e promover a justiça social. Tal esforço não é compatível com a paralisia, nem tampouco é incompatível com a necessária busca do equilíbrio macroeconômico.

Mas, a retomada do crescimento em nível global não pode depender apenas de medidas adotadas pelos países emergentes. Em um momento de crise é fundamental insistir em uma ação coordenada e solidária entre todos os grandes atores da economia mundial, em especial, uma ação coordenada e solidária entre os próprios países da Europa.

Será esta a mensagem que o Brasil levará à próxima Cúpula do G-20, no México: a afirmação da importância do crescimento econômico e, simultaneamente, a tomada de medidas na área dos esforços macroeconômicos de estabilidade. Não há incompatibilidade entre as duas, pelo contrário. É necessário o crescimento para que o ajuste não seja feito em detrimento dos interesses dos povos dos países europeus e dos povos de todos os países do mundo.

Majestade, segue fortalecido o espírito de entendimento e a admiração mútua que aproximou brasileiros e espanhóis e que levou nossos concidadãos a buscar novas oportunidades nos dois lados do Atlântico.

Por isso, atribuo importância ao fato de que estejamos avançando no encaminhamento de soluções reais para os nossos problemas. Por exemplo, para os problemas enfrentados por viajantes brasileiros na Espanha.

Com esse mesmo ânimo construtivo, empresários espanhóis e brasileiros seguirão renovando as suas relações, explorando possibilidades nos campos do comércio e dos investimentos, estabelecendo parcerias, articulando joint ventures, participando efetivamente do crescimento dos nossos países.

Apesar dos efeitos negativos da crise sobre a economia global, as relações econômicas bilaterais vêm retomando seu dinamismo. Lembro que a Espanha é o segundo maior investidor no Brasil, com um estoque de US$ 85,3 bilhões. Nosso comércio bilateral atingiu, em 2011, cerca de US$ 8 bilhões.

Nós temos um desafio. Não só continuar, mas fazer avançar, ampliar e diversificar a pauta de nossas trocas comerciais e também as parcerias de investimento que, mesmo sendo hoje extremamente significativas, ainda podemos dizer que estão aquém das potencialidades das nossas economias.

Por isso precisamos criar as condições para multiplicar esses avanços e identificar novos horizontes de cooperação. Temos grande interesse em projetos de infraestrutura, de energia, em projetos que compartilhem tecnologia.

O Brasil está se preparando para um salto de competitividade em sua economia. Para isso é necessário um desenvolvimento acelerado de nossas capacidades científicas e tecnológicas.

O Brasil também está se preparando para ter, diante do acirramento das crises e de processos recessivos na economia internacional, uma política pró-cíclica de investimento.

Nós temos imensas oportunidades, tanto na área de infraestrutura, transporte, energia, telecomunicações, como também na relação associada entre o Brasil e a Espanha no sentido de promover a cooperação em inovação e pesquisa, por meio, sobretudo, do intercâmbio de pesquisadores e pela implementação de projetos bilaterais em áreas de alta tecnologia, como engenharia biomédica, nanotecnologia, equipamentos de defesa e tecnologia da informação.

A cooperação com a Espanha na área de educação, particularmente no âmbito do programa Ciência sem Fronteiras, é muito auspiciosa. Nos próximos dois anos, até 8 mil bolsistas brasileiros poderão ser recebidos pelas universidades e instituições espanholas. Agradeço o apoio do governo espanhol a essa iniciativa.

Senhoras e senhores,

 

A Espanha continuará a ser um sócio do Brasil nas iniciativas de investimentos, nas iniciativas de construção de uma parceria estratégica entre os nossos empresários, os nossos povos, e também nas iniciativas de solidariedade internacional e de promoção do desenvolvimento.

Confiamos nessa aliança, porque queremos construir um mundo à imagem dos valores que unem nossos povos – a defesa da democracia e do desenvolvimento para todos, promoção e proteção dos direitos humanos e o fortalecimento do multilateralismo.

Vossa majestade visita uma América Latina imbuída do espírito de solidariedade traduzido no desejo de integração política e econômica. Cultivamos o diálogo livre e desimpedido, porque fundado no apreço e respeito entre iguais.

Somos, sem dúvida, uma zona de paz, democrática e que busca soluções autônomas para nossos problemas.

É de especial interesse para o Brasil, no plano multilateral, o diálogo entre a Espanha o nosso país no âmbito da Rio+20. A Conferência constitui oportunidade única para refletir sobre padrões de desenvolvimento para as próximas décadas, capazes de gerar crescimento econômico, com a inclusão social e proteção ao meio ambiente.

Recebi, com muita satisfação, a confirmação da presença do presidente Mariano Rajoy, no segmento de alto nível da Conferência Rio+20.

Com espírito aberto aos novos tempos e aos desafios que se apresentam para todos nós, convido a todos a brindarem em homenagem ao Rei Juan Calos I, à prosperidade do povo espanhol, à força do povo espanhol para enfrentar desafios e à amizade fraterna que une nossos países.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra do discurso (11min59s) da Presidenta Dilma