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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante almoço oferecido ao primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt

por Portal do Planalto publicado 17/05/2011 15h58, última modificação 25/06/2014 08h53
O evento aconteceu no Palácio Itamaraty

 

Palácio Itamaraty, 17 de maio de 2011 

 

Excelentíssimo senhor Fredrik Reinfeldt, Primeiro-Ministro do Reino da Suécia,

Excelentíssima senhora Filippa Reinfeldt.

Senador José Sarney, presidente do Senado,

Embaixador Antonio Patriota, em nome de quem cumprimento os demais ministros de Estado aqui presentes,

Senhores senadores aqui presentes,

Senhoras senadoras,

Senhores deputados federais,

Senhoras deputadas federais,

Integrantes da delegação sueca,

Ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal,

Senhoras e senhores empresários brasileiros e suecos aqui presentes,

Senhoras e senhores jornalistas aqui presentes,

Senhoras e senhores,

 

Hoje é um dia especial, porque estamos recebendo aqui no Brasil o primeiro-ministro Fredrik Reinfeldt e a senhora Filippa. Queria reiterar a eles meus votos de boas-vindas.

De longa data, a Suécia ocupa lugar importante no coração e nas mentes dos brasileiros, atraídos que fomos por seu modelo de bem-estar social e altíssimo índice de desenvolvimento humano.

Nas primeiras décadas do século passado, empresas suecas se instalaram no Brasil, iniciando uma exemplar parceria entre nossos países. São Paulo, como disse o Primeiro-Ministro, passou a ser – depois de Gotemburgo – o segundo polo industrial sueco. Aqui estão instaladas empresas tradicionais, cujas marcas o mundo conhece e respeita, mas também companhias e setores industriais diversificados, nos serviços e na alta tecnologia.

Por essa razão, eu estou convencida de que estão dadas as condições para multiplicar esses avanços e identificar novos e estratégicos horizontes de cooperação e parceria.

O Brasil vem tendo uma trajetória de crescimento sustentável e duradouro, com extraordinária ampliação de seu mercado interno, fruto de um ciclo virtuoso de expansão da renda dos nossos trabalhadores, da população em geral e da classe média, com controle da inflação e disciplina macroeconômica.

Mais do que traduzir um imperativo moral, o lema do meu Governo – “País rico é país sem pobreza” – representa a nossa determinação de combater a exclusão, fazendo de todo brasileiro um produtor, um consumidor, mas, sobretudo, um cidadão. O crescimento econômico que nós tivemos nos últimos anos reflete justamente o fato de que combatemos a miséria e integramos milhões e milhões de brasileiros e brasileiras no mercado interno. Com isso, este país passou a ser um país exportador e com uma forte âncora no mercado interno também.

Essas orientações de política econômica criaram um ambiente atraente para investidores. Adotamos um ambicioso plano de investimentos em nossa infraestrutura energética, em nossa infraestrutura de transportes, de portos e aeroportos. E vamos continuar perseguindo a realização e a solução dos gargalos que temos em várias áreas, pelos longos anos que o nosso país, na década passada, passou sem crescer. A implementação do PAC, o trem bala, os megaeventos esportivos que sediaremos estão transformando o Brasil num canteiro de obras.

A área de inovação oferece amplas perspectivas de expansão. O Centro Brasil-Suécia de Pesquisa e Inovação, a ser inaugurado em São Bernardo do Campo, permitirá valiosa troca de experiências.

Senhor Primeiro-Ministro,

O reconhecido engajamento sueco em temas ambientais expressa também nossa preocupação comum de encontrarmos alternativas energéticas renováveis, limpas e eficientes. A implementação do acordo bilateral sobre cooperação em bioenergia reforça a posição estratégica da Suécia como nosso principal parceiro europeu na promoção dos biocombustíveis. O resultado já se vê nas ruas de Estocolmo, onde ônibus e outros veículos circulam movidos a etanol brasileiro.

Nosso diálogo franco e construtivo se dá também sobre temas relacionados à ordem multipolar que emerge neste princípio de século.

Estocolmo e Rio de Janeiro sediaram, em 1972 e 1992, grandes encontros mundiais que são, hoje, marcos na discussão sobre meio ambiente e desenvolvimento. Sei que teremos a Suécia ao nosso lado na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

No campo político, buscamos o fortalecimento das Nações Unidas como o grande foro internacional para a harmonização de interesses e instrumento para conter as tensões mundiais.

O Brasil se situa à margem de esquemas hegemônicos de poder. Não somos caudatários de grandes potências, nem prisioneiros de preconceitos que opõem civilizações. Com espírito aberto e construtivo, procuramos abrir caminhos que conduzam ao diálogo, pois é dele que advêm o entendimento e a paz.

Senhor Primeiro-Ministro,

É com esse espírito que convido os presentes a erguerem um brinde à Suécia e ao Brasil, aos empresários suecos e aos empresários brasileiros, aos integrantes da comitiva sueca, ao povo brasileiro e ao povo sueco, e especialmente à visita de Vossa Excelência e da senhora Filippa Reinfeldt.

Muito obrigada a todos.

 

Ouça a íntegra do discurso (07min15s) da Presidenta Dilma.