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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante almoço oferecido ao presidente da Alemanha, Christian Wulff

por Portal do Planalto publicado 05/05/2011 17h12, última modificação 25/06/2014 08h53
O evento aconteceu no Palácio Itamaraty

 

Palácio Itamaraty, 05 de maio de 2011

 

Excelentíssimo Senhor, Christian Wulff, presidente da República Federal da Alemanha,

Senhora Bettina Wulff,

Senador José Sarney, presidente do Senado Federal, ex-presidente da República,

Ministro Antonio Patriota, das Relações Exteriores, por intermédio de quem saúdo as senhoras e os senhores ministros de Estado e demais integrantes da delegação brasileira,

Senhoras e senhores integrantes da delegação alemã,

Senadora Lídice da Mata,

Embaixador Wilfried Grolig, embaixador da República Federal da Alemanha no Brasil,

Embaixador Everton Vargas, embaixador do Brasil na República Federal da Alemanha,

Senhoras e senhores empresários,

Senhoras e senhores jornalistas,

Senhoras e senhores,

Minhas boas-vindas ao presidente Christian Wulff e à senhora Bettina Wulff. Agradeço-lhes por atenderem o convite para visitar o Brasil nos primeiros meses de meu governo. Sua presença, senhor Presidente, entre nós, testemunha a importância das relações que unem nossos países e fortalece uma cooperação e uma parceria históricas.

O capital e a tecnologia alemães foram fundamentais para o Brasil passar de uma economia pura e simplesmente agrícola à industrialização brasileira dos anos 50 e 60.

O Brasil quer dar agora um novo salto em seu desenvolvimento e, mais uma vez, contamos com a parceria da Alemanha. A significativa delegação empresarial, parlamentar e governamental que o acompanha atende às oportunidades abertas com a situação peculiar que o país vive, de crescimento econômico e inclusão social, coincide com as oportunidades abertas, com os preparativos para a Copa de 2014, as Olimpíadas de 2016, com o horizonte de exploração do pré-sal, com o trem de alta velocidade, enfim, coincide com um momento muito importante da economia, da política e da sociedade brasileira.

Chegou o momento, caro presidente Wulff, de seu país investir ainda mais no Brasil. Nós somos parceiros estratégicos dos senhores e somos também um dos grandes polos industriais da Alemanha no exterior.

Estou certa de que o Plano da Aceleração do Crescimento atrairá também empresários alemães, principalmente, para projetos voltados às áreas de infraestrutura, especialmente aeroportos e portos, energias limpas e renováveis e ao nosso esforço para o desenvolvimento científico e tecnológico e inovação.

O Brasil é o principal parceiro comercial da Alemanha na América Latina. Nosso intercâmbio quase triplicou nos últimos 8 anos. E os números do primeiro trimestre de 2011 já apontam para um aumento superior a 23%, em relação ao ano passado. A Alemanha tem no aumento do comércio com o Brasil e com a América do Sul, uma alternativa sólida, senhor Presidente, e eficaz, para contrabalançar os movimentos da demanda nos demais países desenvolvidos.

Estou convencida de que podemos contar com o valioso apoio do governo de Vossa Excelência, para fazer avançar as negociações entre o Mercosul e a União Europeia, de forma realista e equilibrada.

Muito nos honra, também, que o Brasil tenha sido escolhido como país tema da Cebit – Centro para a Tecnologia da Informação e Comunicação –, a maior feira de tecnologia da informação do mundo, a ser realizada em Hannover, no ano que vem.

Senhor Presidente,

É na cooperação em matéria energética que temos um dos pilares centrais de nossa parceria. O suprimento confiável, diversificado e renovável de energia é um desafio para países como o Brasil e a Alemanha, com grande população e crescimento econômico robusto.

No setor de biocombustíveis, o Brasil tem conhecimento, tecnologia e vantagens competitivas na produção de etanol e biodiesel. A Alemanha tem toda uma expertise em biodiesel. Os biocombustíveis já contribuem para a diversificação das nossas matrizes e para o cumprimento de nossas metas ambientais.

Senhor Presidente,

Para além desses temas bilaterais que eu tenho certeza que nós iremos aprofundar e transformar numa plataforma para a promoção do desenvolvimento recíproco das nossas relações e do bem dos nossos povos, o certo é que também temos valores comuns. Buscamos incessantemente promover a paz, a cooperação e o desenvolvimento dos países e dos povos; defendemos a democracia e os direitos humanos. Aliás, somos grandes países democráticos.

Com sua visita, a Alemanha e o Brasil dão um passo a mais na construção de uma ordem multipolar, que prima pelo entendimento e pela cooperação. Ressalto a importância da cooperação trilateral, que permite iniciativas conjuntas do Brasil e da Alemanha, no sentido de beneficiar os países pobres. Exemplo relevante dela é o do primeiro projeto-piloto nesse modelo executado em prol de Moçambique, na área da metrologia.

No campo da governança econômico-financeira internacional, o G-20 já mostrou ser capaz de tomar decisões importantes que foram essenciais para superar momentos mais dramáticos da crise que se abateu sobre o mundo, a partir de 2008.

Espero, senhor Presidente, que a Cúpula de Cannes... que na Cúpula de Cannes possamos dar passos concretos no sentido de uma cooperação macroeconômica efetiva, da regulação dos mercados e da ampliação da participação dos países emergentes no processo decisório global.

É com esse objetivo que também defendemos que tenhamos uma ação coordenada na luta contra os desafios da mudança do clima. Estamos cientes que somente a ação multilateral guiada pelos princípios consagrados do Protocolo de Quioto proporcionará as bases adequadas para a redução das emissões dos gases de efeito estufa. Com esse objetivo, também, temos certeza que quando o Brasil sediar, no Rio de Janeiro, em 2012, a Rio+20, Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, teremos uma grande contribuição dada pela Alemanha.

Também compartilhamos objetivos estratégicos na reforma das Nações Unidas e do seu Conselho de Segurança. Só assim, com a presença no Conselho de países que espelhem a nova relação de forças no mundo será possível um Conselho mais efetivo, mais eficaz e que, de fato, represente os interesses da humanidade.

Creio que há base suficiente para uma iniciativa sobre a reforma que contemple a expansão dos assentos permanentes e não-permanentes. Aliás, os conflitos recentes na África do Norte e no Oriente Médio mostram que não há porque optar entre conformismo de um lado, violência intervencionista de outro.   A realidade é mais fixa e complexa.

Cada uma dessas situações depende de tratamento específico atento às verdadeiras raízes dos problemas e à busca de soluções duradouras que respeitem a soberania nacional, promovam as liberdades civis, os direitos humanos em todos os países da região, sem seletividade.

Senhor Presidente, quero, por fim, expressar minha imensa satisfação com a realização da temporada da Alemanha no Brasil em 2013, que compreenderá atividades culturais, científicas, educacionais e econômicas.

Mais do que um evento entre dois países, essa será uma celebração dos laços históricos e da sincera amizade que unem nossas sociedades. Será, sobretudo, uma homenagem aos milhares de homens e mulheres de seu país, imigrantes que cruzaram o Atlântico para viver conosco a grande aventura de construir uma nação soberana, justa, democrática e pujante.

Peço a todos que ergamos um brinde à crescente prosperidade da República Federal da Alemanha, ao povo alemão, ao estreitamento contínuo das relações bilaterais entre os nossos países. E ao senhor, senhor Presidente! Ao senhor, senhor Gerdau!

 

Ouça a íntegra do discurso (10min32s) da Presidenta Dilma.