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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante almoço em homenagem ao Primeiro-Ministro da República Popular da China, Li Keqiang e senhora Cheng Hong - Palácio Itamaraty

por Portal Planalto publicado 19/05/2015 17h50, última modificação 19/05/2015 17h50

Palácio do Planalto, 19 de maio de 2015

 

 

Excelentíssimo Senhor Li Keqiang, primeiro-ministro da República Popular da China e senhora Cheng Hong,

Senhor Michel Temer, vice-presidente da República Federativa do Brasil e presidente da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação pela parte brasileira (COSBAN),

Deputado presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha,

Ministro presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski,

Senhoras e senhores ministros de Estado, membros do Conselho de Estado e integrantes das delegações da China e do Brasil,

Governador Flávio Dino, do Maranhão; Camilo Santana, do Ceará; José Melo de Oliveira, do Amazonas.

Senador Jorge Viana,

Deputados federais integrantes da Frente Parlamentar Brasil-China,

Senhoras e senhores embaixadores,

Senhoras e senhores empresários, jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Quero, mais uma vez, dar as boas-vindas ao primeiro-ministro Li Keqiang e à professora Cheng Hong. É uma grande alegria tê-los aqui em Brasília, primeiro-ministro. Tive a honra de receber, no ano passado, a visita do presidente Xi Jinping. Naquela ocasião, celebramos não apenas os 40 anos de nossas estratégicas relações diplomáticas, mas, sobretudo, olhamos para a frente e vimos o futuro de nossa parceria estratégica global, o qual cabe aperfeiçoar. A visita do primeiro-ministro demonstra que estamos cumprindo a nossa tarefa. Temos de nos empenhar cada vez mais.

O plano de ação conjunta 2015-2021, e os acordos, vários e múltiplos que assinamos hoje, são prova da amplitude e da ambição de nossa agenda. Na esfera bilateral, temos cooperado em áreas tão diversas quanto a exploração de petróleo do pré-sal, à qual a China deu uma grande contribuição. O planejamento de ferrovias que, esperamos, liguem o Atlântico ao Pacífico, e impulsionem a integração da América do Sul com a China e a Ásia. A concepção e o lançamento de satélites, as redes de transmissão em ultra-alta tensão. A China é o maior parceiro comercial do Brasil; a economia brasileira é o principal destino dos investimentos chineses na América Latina. São investimentos de longo prazo fundamentais para o nosso desenvolvimento. No âmbito multilateral, coincidimos no esforço de construir um mundo multipolar, um mundo de paz, inclusivo e pacífico, que priorize soluções nos temas da segurança coletiva. Temos mantido constante interlocução em fóruns como as Nações Unidas, os BRICS, o G20, o BASIC e em iniciativas como a reforma do Fundo Monetário do Banco Mundial e conclusão da Rodada de Doha. Essa aproximação, que ganhou impulso na última década, aumentou a interação e o conhecimento mútuo entre nossas sociedades. Afinal, são de homens e mulheres que as nações são feitas, e são homens e mulheres que devem dialogar.

A história da China traz importantes exemplos para o Brasil. Detentora de uma civilização milenar e de grande riqueza cultural, sua nação e seu povo superaram a espoliação colonial e o trauma de duas guerras mundiais para recuperar seu lugar de destaque no sistema internacional que vinha de longas e longas décadas, de longos séculos.

Hoje, a China é um país cuja inserção no mundo tem por base conceitos como o desenvolvimento pacífico, o sonho chinês e o conceito de Confúncio de harmonia, elementos de estabilidade em prol de uma ordem internacional mais justa e equitativa.

Caro primeiro-ministro Li Keqiang,

É igualmente uma satisfação especial receber a professora Cheng Hong, conceituada estudiosa da literatura, cuja obra “A tranquilidade não tem preço”, trata da importância das coisas intangíveis, como o som de um rio e o canto dos pássaros. Permita-me, professora, tomar de empréstimo essa ideia: a amizade entre a China e Brasil, além de todos os avanços concretos que temos visto, também se baseia em valores imateriais, entre eles a igualdade, a confiança mútua, mais uma vez, a harmonia e respeito à diversidade.

Como disse recentemente o primeiro-ministro: “a diversidade cultural é o mais precioso tesouro de nosso planeta”. E disse também: “a sociedade humana é como um jardim, onde civilizações florescem, onde diferentes culturas e religiões devem buscar a paz, a estabilidade, a coexistência harmoniosa”. É em nome desses valores intangíveis, de todo o nosso fluxo de comércio e investimento. É, sobretudo, em nome de nossa amizade, das causas comuns que defendemos, que proponho um brinde a Vossa Excelência, um brinde à professora Cheng Hong, e à toda a sua delegação, senhor primeiro-ministro, que espero, possam levar do Brasil a melhor das recordações. Kanpai senhor ministro, Kanpai.

 

 Ouça a íntegra(07min16s) do discurso da Presidenta Dilma