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Discurso da presidenta da República, Dilma Rousseff, durante a abertura do Dia Internacional da Academia das Artes e Ciências Televisivas - Rio de Janeiro/RJ

por Portal Planalto publicado 25/06/2015 23h23, última modificação 26/06/2015 13h17

Rio de Janeiro-RJ, 25 de junho de 2015

 

 

Eu queria cumprimentar o vice-presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e senhora Gisela Marinho, por intermédio dos quais cumprimento todos os artistas e executivos da indústria da televisão aqui presentes.

Cumprimentar o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão,

Cumprimentar o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes,

Cumprimentar o senhor Bruce Paisner, presidente da Academia Internacional de Televisão, Artes e Ciências, e a senhora Nicole Paisner.

Cumprimentar o senhor Roberto Marinho Neto, diretor do Grupo Globo,

O senhor Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da Rede Globo,

Cumprimentar os senhores e as senhoras jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Poucas cidades, senhoras e senhores, são um cenário tão apropriado para este encontro da Academia das Artes e Ciências Televisivas como o Rio de Janeiro.

Nós estamos em uma das cidades mais bonitas do mundo - a nossa modéstia é grande -, o que é inspirador para um encontro que tem o audiovisual como conceito e referência. Uma cidade que tem vocação para a produção cultural em todas as suas formas, onde respiramos arte popular em cada rua, em cada praça, em cada praia. Uma cidade que se tornará, no próximo ano, cidade olímpica, ao sediar o maior evento esportivo do mundo. E que, por isso, estará no centro das atenções da televisão, que levará os jogos à casa de cada um dos milhões de integrantes da população mundial.

Nos próximos dias, a programação das senhoras e dos senhores na cidade, lhes permitirá entender porque nós, brasileiros, amamos tanto o Rio de Janeiro. Permitirá, também, mostrar que a decisão de se reunir pela segunda vez no Brasil para debater a indústria de televisão não poderia ter sido mais acertada.

Sem dúvida, o Brasil é um país reconhecido internacionalmente por sua diversidade cultural. Ao longo dos séculos, a contribuição de diferentes povos e etnias na formação do povo brasileiro - índios, negros, brancos, europeus, asiáticos, árabes -, semeada em um país de dimensões continentais, forjou uma admirável pluralidade de expressões culturais. É um patrimônio coletivo que constitui a nossa identidade e que muito nos orgulha.

A sociedade brasileira vive a satisfação de ver essa diversidade cada vez mais presente na nossa produção audiovisual. Graças a políticas e ao apoio ao setor e aos investimentos de agentes privados, essa produção tem crescido em quantidade, em qualidade e na capacidade de refletir a riqueza da cultura brasileira - tanto para o público interno como para os olhos do mundo.

Uma demonstração da qualidade de nossa produção audiovisual é a presença, a cada ano, de obras brasileiras entre as indicações para a Academia, para o Emmy Internacional, prêmio que nós conquistamos por algumas produções e atrações aqui produzidas.

Lembro, ainda, do Brasil de Todas as Telas. Ao falar do fomento à produção audiovisual no Brasil eu lembro, por exemplo, a importância da aprovação e implantação do marco regulatório da TV por assinatura, que estabeleceu uma nova dinâmica para a produção e a exibição de conteúdos produzidos aqui no Brasil e também vindos do exterior. Criam demanda e oportunidades para a produção de conteúdo.

Maior iniciativa de apoio à produção audiovisual já implementada no país, que apoia vários elos da cadeia produtiva, desde a produção de roteiros até a ampliação e a modernização do parque exibidor, passando pela produção e difusão e pelo incentivo à pesquisa.

A importância da indústria cultural é inquestionável para nós, do Brasil, assim como é para qualquer outro país do mundo. Uma variada cadeia produtiva de bens e serviços culturais, com tecnologias que avançam rapidamente, permitem uma impressionante agregação de valor. E o valor audiovisual, além de riqueza econômica, cria cultura, símbolos e interpretações do mundo, cria vínculos, inspira povos e nações, envolve e emociona as pessoas. As tecnologias, os bens, os serviços culturais, as tecnologias, os bens e os serviços esportivos permitem que nos reconheçamos e sejamos reconhecidos internacionalmente como nação, como sociedade, como indivíduos, diante de nós mesmos e diante do mundo. Essa inequívoca importância será tanto maior quanto mais formos capazes de valorizar a diversidade e olharmos para o resto do mundo buscando aprender, buscando integrar a nossa diversidade à diversidade de todos os povos. E isso exige compromisso também inarredável com a liberdade de expressão, em todas as suas formas, em todas as suas possibilidades e em todas as suas nuances.

Liberdade de manifestação para que a sociedade, as pessoas, os cidadãos possam expressar e possam se expressar, por meio das diferentes mídias, seus projetos, seus desejos, suas esperanças e seus interesses, sem qualquer censura do Estado e também sem qualquer bloqueio de natureza econômica. Existe, sim, liberdade de imprensa, sem dúvida alguma, como sempre defendi e continuo defendendo. Eu gosto de repetir o que sempre respondo quando me perguntam sobre a liberdade de imprensa: prefiro o ruído e as críticas usuais e normais na democracia ao silêncio imposto ou obsequiosamente aceito nas ditaduras. A liberdade de expressão requer também a destinação do devido espaço para o debate elucidativo, sem censura ou autocensura, em todos os formatos de mídia, sobre os direitos contemporâneos e os avanços civilizatórios, indispensáveis a uma sociedade conectada com as demandas do século XXI. O Brasil, os países, a humanidade, a própria civilização, avançarão à medida que conseguirem superar as desigualdades e os preconceitos de gênero, de raça e condição social, superar a intolerância e a violência.

As empresas de mídia, sobretudo as redes e emissoras de rádio e televisão, assim como os produtores de conteúdo na internet e os veículos impressos, têm um papel fundamental a desempenhar na construção de uma agenda de diversidade, de respeito aos direitos individuais e humanos, de melhoria de vida e de justiça social.

Estou certa que este encontro permitirá ricos debates sobre os desafios que a indústria de televisão deverá enfrentar, em suas tarefas de entreter, contar histórias e informar, em um mundo em radical transformação tecnológica; um mundo que vive, como nunca, a era da informação e a revolução da internet. Mas um mundo que não pode esquecer que algo nos diferencia, e não foi apenas ter sabido conquistar o fogo, mas foi em torno das fogueiras contar as histórias que cada um de nós inventava, desde a antiguidade. O Brasil se orgulha, orgulha muito, de ter transformado em lei e aprovado o marco civil da internet, defendendo a liberdade de expressão, a privacidade e a neutralidade da rede. Sabemos que a convergência das mídias é, talvez, um dos maiores acontecimentos que já estão em andamento neste século. Que ela sirva para a criação de um mundo de paz, de esperança e justiça para nós e nossos filhos e netos; que ela sirva para dar suporte à liberdade de expressão e de manifestação.

Sejam muito bem-vindos, desfrutem a cidade maravilhosa, já quase olímpica. Tenham um excelente encontro! Aproveito também esse momento para cumprimentar a TV Globo pelo seus 50 anos.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra(10min34s) do discurso da Presidenta Dilma