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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de posse do novo Ministro-Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger - Brasília/DF

por Portal Planalto publicado 05/02/2015 11h00, última modificação 05/02/2015 11h46

Brasília-DF, 05 de fevereiro de 2015

 

 Queria cumprimentar o ministro-chefe desta Secretaria de Assuntos Estratégicos, Roberto Magabeira Unger.

Cumprimentar o ex-ministro Marcelo Neri.

Cumprimentar o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal

Cumprimentar aqui os ministros presentes, cumprimentando o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

Cumprimentar os senadores Valdir Raupp, Acir Gurgacz e Vanessa Grazziotin.

Cumprimentar a deputada federal Marinha Raupp, o deputado Paes Landim e o deputado Saraiva Felipe.

Cumprimentar o vice-governador de Rondônia, Daniel Pereira.

Os senhores jornalistas, os senhores fotógrafos e os senhores cinegrafistas.

 

Eu gostaria de dizer que desde a chegada do professor e pesquisador Marcelo Neri aqui, na sua assessoria prestada ao governo, foi que se falou pela primeira vez do que seria um novo fenômeno no Brasil a partir de todas as transformações que ocorreram desde 2003. O professor Marcelo Neri nomeou aquele que seria um novo fenômeno, o fenômeno do surgimento da nova classe média do Brasil. Seis anos depois da chegada do professor, é inquestionável que esse conceito se tornou uma peça-chave, uma das melhores descrições que se pode fazer do resultado socioeconômico do processo em curso de crescimento com distribuição de renda que ocorreu no país.

Nós conseguimos, através de uma política que combinou imenso esforço, no sentido da inclusão social, reduzir a desigualdade de oportunidades. O professor Marcelo Neri, um brilhante pesquisador, se agregou em 2012 como ministro do meu governo e, nos últimos anos, nos ajudou a entender melhor todas as transformações em curso no Brasil, tanto no que diz respeito aos ganhos de renda, mas também ao acesso à educação, à saúde, os efeitos de todo esse ganho nas taxas de mortalidade, de natalidade, enfim, de perspectivas de vida da população brasileira. E nos permitiu entender esse novo perfil que a sociedade brasileira adquiriu: o fato de que era uma sociedade que tinha uma composição e passou a ter outra composição cuja característica principal é ser mais de 50% integrada pela classe média. E quando você considera as classes A e B e a classe C você tem então um nível de participação extremamente elevado, em torno de mais de 70%, se eu não me engano.

Mas eu quero dizer que nós aprendemos muito com o professor Neri. Eu e todos os ministros e ministras aqui presentes, que conviveram e debateram com ele nesses últimos três anos. Por isso, eu registro aqui o meu caloroso agradecimento ao Neri por seu trabalho no Ipea e na Secretaria de Assuntos Estratégicos. Eu desejo imenso sucesso nas novas atividades do professor e quero dizer que, do ponto de vista do governo, nós queremos sempre contar com as suas instigantes análises e com a sua contribuição em outras esferas e acredito que ele é responsável por inspirar, também, os avanços que conquistamos nas nossas políticas sociais.

Dou as minhas boas vindas ao professor Mangabeira Unger, que retorna ao Brasil e ao governo para nos ajudar nessa nova etapa. Falar do currículo e das pesquisas do professor Mangabeira Unger não é necessário porque elas são conhecidas. Falar da parceria que construímos quando ambos fomos ministros do presidente Lula também levaria algum tempo e renderia ótimas histórias, sobretudo, eu quero destacar duas grandes contribuições do professor Mangabeira, no que se refere às políticas no Brasil: uma é o Plano Nacional de Defesa e o outro é a instigante determinação de que nós deveríamos apostar em aeroportos regionais.

São algumas das grandes contribuições que o professor deu também  ao longo da sua atuação como ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos do período Lula. Todos os que estão aqui e que integraram o ministério ou órgãos públicos sabem dessa contribuição - eu também queria lembrar o problema da regularização fundiária na Amazônia.

Bom, citando estas questões, o que eu pretendo é dizer o seguinte: a importância da presença do professor. O Brasil votou pela continuidade e pela mudança. Continuidade com mudanças. E nós sabemos que aqueles que estão empenhados nesse processo - hoje, nós temos dois grandes rumos e duas grandes diretrizes: uma, fazer do Brasil uma pátria educadora e o outro é elevar a competitividade da nossa economia. Essas diretrizes se complementam, mas elas também têm de ser desdobradas. E nós precisamos ligar todas as políticas de curto prazo a uma visão de longo prazo do nosso país, mesmo que o nosso governo tenha um término, claro, que é dezembro de 2018, é necessário quando se faz a política diuturnamente, a política pública diuturnamente, as medidas que são necessárias para se tomar e para ter efeito prático imediato, é necessário que se conceba também aquelas políticas que terão fôlego de longo prazo, que serão a herança e o legado que se deixa para as próximas gerações. E eu acredito que fazer do Brasil uma pátria educadora é investir muito na qualidade da nossa educação, é transformar, como sempre dissemos, o nosso passaporte do pré-sal, transformar o nosso passaporte do pré-sal em qualidade educacional, mas é também fortalecer valores, é fortalecer direitos de cada cidadão e de cada cidadã. E passa também por estimular a inovação. Nós sabemos que o Brasil precisa de caminhar no sentido da competitividade e da entrada na sociedade do conhecimento. E isso é imprescindível para que nós tenhamos também a continuidade da inclusão social e do crescimento econômico. Precisamos da inovação em todas as esferas, em todas as atividades. E para isso, o ensino formal de qualidade, um ensino formal que atinja brasileiros e brasileiras desde a creche à pós-graduação, é um dos instrumentos essenciais.

Eu queria também dizer que integrar esses diagnósticos setoriais que nós somos obrigados a fazer todo dia, criar, de fato, dentro do governo, uma visão de futuro, passa por saber como nós integramos as políticas que têm efeitos imediatos à aquelas que tem mais longo prazo. Sem dúvida nenhuma, a educação é aquela que corta todo esse período, todo o período e todo o transcurso da política. Eu espero do professor Mangabeira Unger um assessoramento para nós identificarmos as melhores alternativas que nos permitam enfrentar todos os desafios do governo. E que tenha na sua função esta visão de diagnóstico e de longo prazo. De diagnóstico do curto e também de proposta de longo prazo. Na verdade, o que eu desejo ao professor Mangabeira Unger é muito trabalho, tenho certeza que isso não lhe faltará.

Muito Obrigada.

 

 Ouça a íntegra do discurso (10min08s) da Presidenta Dilma