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Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, seguida de entrevista coletiva - Helsinque/Finlândia

por Portal Planalto publicado 20/10/2015 10h50, última modificação 20/10/2015 11h04

Helsinque-Finlândia, 20 de outubro de 2015

 

 

Senhoras e senhores,

 

Eu queria expressar a minha satisfação em realizar essa primeira visita à Finlândia. Agradeço o convite do presidente Sauli Niinistö e a acolhida calorosa que a minha delegação e eu recebemos nesse encantador país. Vim a Helsinque para celebrar a amizade entre nossos países e para aprofundar a cooperação bilateral.

Transmiti ao presidente a admiração dos brasileiros pelo modelo educacional da Finlândia, modelo que é hoje uma referência global. Queremos intensificar as ações conjuntas na educação básica, que é pilar central do meu governo e elemento crucial para assentar os fundamentos de uma sociedade do conhecimento e fortalecer a democracia.

Gostaríamos de intensificar a cooperação bilateral em matéria de formação de professores, tanto para o ensino básico como para o ensino técnico e vocacional.

Tenho igualmente satisfação com os resultados obtidos no Ciência sem Fronteiras. No setor comercial nós consideramos que é importante ampliar as nossas relações diversificando seu conteúdo.

Externei ao presidente que investimentos finlandeses no Brasil serão muito bem-vindos, notadamente no setor naval e de exploração offshore. Esses investimentos poderão somar-se às cerca de 40 representações e 56 subsidiárias de empresas finlandesas que atuam no Brasil.

Quero destacar, em particular, a importância que atribuímos à ciência, tecnologia e inovação. Por isso aproveitarei minha passagem pela Finlândia para visitar alguns centros de excelência tecnológica. Conversei com o presidente sobre a criação de um Centro de Inovação Brasil-Finlândia, com sede em ambos os países.

Na área de energia, vemos com grande satisfação um potencial de cooperação, especialmente na exploração de etanol celulósico.

Hoje também avaliamos o quadro internacional e suas implicações. Concordamos sobre a necessidade de trabalharmos juntos para a construção de um mundo de paz, segurança coletiva e desenvolvimento.

Concordamos ainda sobre o caráter importante da reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Reiterei o agradecimento pelo apoio dado pela Finlândia ao pleito brasileiro por um assento permanente no Conselho de Segurança.

Reafirmamos o compromisso com a Agenda 2030 e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e desejamos que a COP-21, em Paris, alcance um acordo justo, equilibrado, ambicioso e duradouro.

Ao encerrar, gostaria de aproveitar a oportunidade para convidar o senhor presidente e o povo finlandês a visitar o Brasil, em 2016, por ocasião dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, no Rio de Janeiro. Mais do que uma empolgante competição esportiva, as Olimpíadas são um momento de cooperação e de celebração da paz entre os povos.

Obrigada.

 

Jornalista: Presidente, até pela sua declaração inicial, a gente percebe a sua intenção, seu esforço em levar adiante uma agenda positiva. Porém, ontem na Suécia, nós vimos a preocupação dos suecos com a crise política e econômica no Brasil. Ou seja, não é uma preocupação somente dos brasileiros, mas a gente pode perceber, com repercussão internacional. Hoje, um novo pedido de impeachment deve ser protocolado na Câmara. Eu pergunto: essas crises, a crise política e econômica, não chegaram ao ponto de inviabilizar as ações do governo? E até que ponto a senhora teme ou até que ponto se preocupa com esse novo pedido de impeachment?

 

Presidenta: Olha, eu acredito que o objetivo da oposição pode ser inviabilizar a ação do governo. Mas a  ação do governo não vai ser inviabilizada pela oposição. Faça ela quantos pedidos de impeachment fizer. Nesse sentido, de outro lado, eu concordo que pode haver alguma preocupação, de quem quer que seja, inclusive no caso você está citando na Suécia, a preocupação dos jornalistas suecos, ela não prevalece na medida em que o Brasil tem todas as condições de pagar.

Nós estamos enfrentando a crise como vários outros países da União Europeia estão enfrentando, como os Estados Unidos enfrentaram. Isso não inviabilizou ações de governo.

 

Jornalista: Eu gostaria de perguntar sobre a economia. Por que a economia brasileira tem pior desempenho do que vários outros países da América Latina e como o novo pedido de abertura do processo de impeachment poderia afetar a credibilidade da economia? Obrigada.

 

Presidenta: Bom, a economia brasileira é uma economia bastante robusta. Nós somos um país com US$ 370 bilhões de reservas. Ao mesmo tempo não temos nenhuma bolha imobiliária nem tampouco nenhuma crise bancária. Nos últimos seis anos nós tivemos e fizemos uma política anticíclica que foi responsável por garantir, durante este período de crise internacional, uma das menores taxas de desemprego de toda a história do país. E nós sabemos que a crise internacional, ela tem durado mais tempo do que o esperado. Nós não temos mais instrumentos para impedir que a crise nos atinja, principalmente após a desaceleração de outros países emergentes e também diante do fim do superciclo das commodities. Isso exigirá do Brasil um reequilíbrio fiscal bastante profundo, o controle da inflação e a estabilidade macroeconômica. Isso nos levará, necessariamente, a voltar a crescer e também a gerar empregos.

O Brasil é, das economias da América Latina, a mais industrializada. Por isso é absolutamente explicável que seja a nossa indústria a que mais tenha sofrido diante da crise, assim como indústrias de todos os países, dos Estados Unidos à União Europeia. De outro lado, é importante dizer que é necessário, sem dúvida, estabilidade política para que a gente tenha um transcurso, um percurso mais tranquilo em relação à recuperação econômica. E o governo tomou todas as medidas nesse sentido. Nós estamos reconstituindo a base política de sustentação do governo e é absolutamente garantido que nós iremos ultrapassar essa crise.

 

Jornalista: Presidente, durante a sua viagem, a senhora declarou lamentar que o presidente da Câmara que seja um brasileiro envolvido em denúncias de contas na Suíça. O presidente da Câmara disse ontem que ele lamenta que o governo brasileiro, no caso o governo da senhora, esteja envolvido, segundo palavras dele, no maior escândalo de corrupção do mundo. Como a senhora reage a declaração tão forte?

 

Presidenta: Primeiro, eu não vou comentar as palavras do presidente da Câmara. Segundo, o meu governo não está envolvido em nenhum escândalo de corrupção. Não é o meu governo que está sendo acusado atualmente.

 

Jornalista: A Petrobras não faz parte do seu governo?


Presidenta: As pessoas que estão envolvidas estão presas. E não é a empresa Petrobras que está envolvida no escândalo, são pessoas que praticaram corrupção e elas estão presas.

 

Ouça a íntegra da declaração (17min03s) da Presidenta Dilma