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Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, em conjunto com o primeiro-ministro da Bélgica, Yves Leterme

por Portal do Planalto publicado 03/10/2011 13h26, última modificação 04/07/2014 20h07
Presidenta agradece a calorosa recepção belga e fala sobre temas como o Festival Europalia, a V Cúpula da Parceria Estratégica Brasil–União Europeia, o programa Ciência sem Fronteiras, a Rio+20, entre outros

Bruxelas-Bélgica, 03 de outubro de 2011

 

Eu queria iniciar agradecendo ao Primeiro-Ministro a calorosa recepção, e também os belíssimos dias que nós estamos, aqui, usufruindo.

Queria destacar que é, de fato, com grande alegria que eu visito a Bélgica, um país que nós consideramos um grande parceiro e, sem sombra de dúvida, com o qual queremos estreitar as relações.

Esta visita coincide com a abertura da Europalia, tendo com o Brasil o tema central, e isso é muito importante para esse relacionamento, baseado não só nos agentes econômicos, nas parcerias estratégicas na área de ciência e tecnologia, mas também na cultura que representa a alma dos povos.

Eu queria também destacar que nós estamos aqui para a V Cúpula da Parceria Estratégica Brasil–União Europeia, considerando que a sede da União Europeia é aqui em Bruxelas, e, portanto, esta é uma agenda muito importante tanto para o Brasil em relação à Bélgica quanto para o Brasil em relação à União Europeia.

Eu agradeci o apoio do governo do primeiro-ministro Leterme à 23ª edição do Festival Europalia, com o tema centrado no Brasil. Eu acredito que esse momento do Festival Europalia coincide também com um momento importante para o Brasil, em que o Brasil continua tendo crescimento econômico com um processo de inclusão social e com grande (incompreensível) na questão da inovação tecnológica.

Eu destaquei a importância dessa relação Brasil-Bélgica, no que se refere a essa questão da ciência, da tecnologia e da inovação. Em primeiro lugar, gostaria de destacar a questão relativa aos estudantes brasileiros aqui na Bélgica, principalmente dentro do Programa Ciência sem Fronteiras. Nesse Programa nós pretendemos que 75... em torno de 75 a cem mil estudantes brasileiros vão ao exterior e estudem nas universidades mais destacadas, principalmente na área das Engenharias, da Matemática, da Física e da Química.

Concordamos com a importância da cooperação na área do tratamento de dejetos nucleares, na medida em que o Brasil tem uma parte da sua matriz energética, em torno de 2%, baseada no fornecimento de energia nuclear para fins pacíficos.

Nos interessa também a participação de empresas belgas nos processos de seleção que nós teremos daqui para frente, notadamente, na área de satélites espaciais, especificamente satélites geoestacionários, que nós pretendemos licitar ainda este ano; também pela experiência logística da Bélgica na área de portos, aeroportos e gestão de hidrovias.

Mesmo durante a crise econômica, as nossas relações comerciais seguem se desenvolvendo de uma forma bastante satisfatória, e empresas brasileiras atuam aqui na Bélgica e empresas belgas atuam no Brasil. E para nós interessa estreitar cada vez mais essa relação. E manifestei ao Primeiro-Ministro a minha satisfação com o fato de a economia belga, nesta situação, estar crescendo de forma significativa.

Conversamos também a respeito dos órgãos multilaterais e, obviamente, em todos esses órgãos multilaterais um tema vai se destacar neste momento e pelo menos até o final do ano, que é o caso da crise que afeta os países desenvolvidos. E, neste aspecto, o Brasil está tomando todas as providências para diminuir o eventual impacto do aprofundamento da crise sobre a sua economia.

Manifestei que é nossa crença que os governos dos países desenvolvidos devem agir no interesse dos seus povos e, de fato, garantir que eles não sofram de forma grave o desemprego e a redução de suas conquistas sociais.

O Brasil faz parte de uma região do mundo que nos anos 80 e 90 sofreram um processo de estagnação econômica, de perdas bastante significativas em todas as áreas, por um processo que inicia no início dos anos 80 e que se chamou a “crise da dívida latino-americana”. E destaquei que a nossa experiência demonstra que, no nosso caso, ajustes fiscais extremamente recessivos só aprofundaram o processo de estagnação, de perda de oportunidades e de desemprego, e que dificilmente se sai da crise sem aumentar o consumo, o investimento e o nível de crescimento da economia.

Além disso, eu agradeci muito ao primeiro-ministro Leterme o apoio belga à reforma do Conselho de Segurança da ONU, e também à aspiração brasileira de um assento permanente.

Vamos considerar, de forma muito amigável, o pleito belga de sediar, em 2017, a Exposição Universal.

Reiterei o convite, ao Primeiro-Ministro, para participar da Conferência sobre o Clima, a Rio+20, lembrando que o Brasil, de forma voluntária, definiu, em lei, a redução das suas emissões de gases efeito estufa, no horizonte até 2020, com base em 1990: redução de 36% a 39%. A Rio+20 é um momento especial para que os povos olhem para frente e discutam seu desenvolvimento com, cada vez mais, inclusão social e respeito ao meio ambiente.

Finalmente, eu reitero a determinação do Brasil em construir uma parceria estratégica com a Bélgica e buscarmos, juntos, um desenvolvimento maior dos nossos países e das nossas regiões.

Agradeço a recepção fraterna que o governo belga me deu, nesse momento, e espero que, de fato, as relações entre os nossos dois povos encontrem um momento muito especial nessa Europalia.

 

Ouça a íntegra do discurso (08min10s) da Presidenta Dilma