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Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, após visita à sede da Fifa - Zurique/Suíça

por Portal Planalto publicado 23/01/2014 16h42, última modificação 04/07/2014 20h20

 

Zurique-Suíça, 23 de janeiro de 2014

 

Como presidenta do Brasil, eu estou muito feliz de estar aqui, na casa do futebol. É um momento especial para mim. E eu gostaria de dizer que essa, sem dúvida nenhuma, é a Copa das Copas, primeiro porque eu acredito que o mundo tem grande admiração, acompanha o futebol, o futebol é um esporte disseminado por todos os países do mundo. Mas, sem pretender que o Brasil seja diferente, eu queria reiterar que nós somos o país que ama o futebol, que tem o futebol no coração, nas veias e tem, nesse esporte, uma paixão nacional.

Nós participamos de todas as Copas do Mundo, cinco delas nós tivemos a imensa alegria e o grande orgulho de levar a Taça Jules Rimet. Ao mesmo tempo, o Brasil é um país que teve no futebol, também, um momento importante, pelo qual uma parte do seu povo, sistematicamente alijado de suas riquezas, se afirmou, em que jogadores negros se transformaram em heróis nacionais.

Eu fico muito feliz de dizer a vocês que para nós é extremamente relevante que a Copa tenha como tema a questão do racismo. O Brasil é um país que 51% da sua população se declara como negra, um país que teve 300 anos de escravidão e que o racismo assumiu a forma pela qual a escravidão perdurou, uma vez que ela unia a questão da cor à questão da exclusão social.

Nós temos muito orgulho de ter reduzido a desigualdade no Brasil, mas sabemos que é fundamental movimentos que evidenciem que o racismo e o preconceito são elementos que devem ser banidos das sociedades democráticas. O futebol é um momento de encontro, é um momento em que as pessoas são capazes de se unir em busca de um bem comum.

Lembrando o grande Mandela, que olhou para o esporte e viu no esporte, principalmente no esporte coletivo, uma forma de unidade, de unir um povo, eu quero dizer que o futebol, mais do que tudo, tem esse poder também. O futebol pode, perfeitamente, ser uma ação afirmativa, no sentido de uma luta contra o preconceito e contra o racismo. Por isso nós nos entendemos tão bem com a proposta do nosso presidente Blatter, que eu tenho muito prazer de ter visitado aqui, nesta casa do futebol.

No que se refere à paz, também acredito que essa seja uma das características mais importantes nesse momento em que o mundo vive essa afirmação do futebol como um fator de disseminação de valores da paz, do entendimento entre os homens, do entendimento entre as nações. Por isso também acho importantíssima essa questão sugerida pelo Papa Francisco, e fiquei muito feliz com a proposta do presidente Blatter. Queria dizer a vocês, também por uma questão de informação, que tivemos uma conversa semelhante com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no mesmo sentido, no sentido de transformar a Copa do Mundo num movimento que seja uma afirmação da paz entre os homens.

E, finalmente, queria também dizer que na questão relativa à Copa afirmar a questão de gênero, a participação das mulheres em todas as dimensões da vida, seja na dimensão política, cultural, mas aqui, no caso, é na esportiva. Queria cumprimentar a Fifa por esse empenho, por essa determinação em apoiar o futebol feminino. O Brasil é o país do futebol, nós temos tido uma grande, mas uma grande mesmo, força no futebol feminino. E esse futebol está sendo profissionalizado com grandes atletas, como a Marta.

E queria falar para vocês uma coisa: acho que esses três aspectos da Copa das Copas orgulham muito, eu acho, a mim, mas eu acho que contribui imensamente para transformar a Copa, lá no Brasil, num evento que tenha também uma dimensão que deixa um legado, além do legado para o meu povo, o legado em termos de mobilidade urbana, de metrôs, de melhoria das condições de vida da população brasileira, que deixa um legado em termos de valores para o mundo. Nós estamos num momento em que as pessoas precisam de reforçar, reiterar valores.

Então, nesse sentido, eu queria agradecer ao presidente Blatter, por essas sugestões, que vêm justamente se unir às nossas preocupações, conforme a gente tinha reiterado para ele.

Muito obrigado a todos pela atenção, e quero reafirmar que nós estamos preparados, nós vamos fazer a Copa das Copas. Vamos fazer a Copa das Copas no país do futebol. E temos, assim eu acredito – aí eu tenho que puxar, como dizem os brasileiros, “a brasa para a minha sardinha”: eu tenho certeza que o Brasil teve grandes craques, e que continua tendo grandes craques, como o Neymar, por exemplo, e tantos outros. E tem dois treinadores que foram campeões mundiais, farão bonito nessa Copa do Mundo.

Muito obrigada a vocês.

Deixa só eu fazer uma declaração, só um instantinho. O governo brasileiro – eu estou em janeiro – fará todo... tem todo o empenho, e não é só nos estádios, os estádios são obras relativamente simples, fará todo o empenho para ser a Copa das Copas. Isso inclui estádios, aeroportos, portos, e inclui todas as obras necessárias para que a gente seja o país que bem recebe todos aqueles que vão nos visitar.

E eu quero dizer o seguinte: podem vir ao Brasil, vocês serão recebidos de braços abertos pelo povo brasileiro.

 

Ouça a íntegra (07min50s) da declaração da Presidenta Dilma