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Declaração à imprensa concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após encontro com o Primeiro-Ministro do Reino Unido, David Cameron

por Portal do Planalto publicado 28/09/2012 18h11, última modificação 04/07/2014 20h12

Palácio do Planalto, 28 de setembro de 2012

 

Excelentíssimo senhor primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron,

Senhoras e senhores integrantes das delegações do Reino Unido e do Brasil,

Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas,

 

Com grande satisfação, nós recebemos hoje o primeiro-ministro David Cameron em sua primeira visita ao Brasil. A presença do chefe de Governo britânico entre nós, acompanhado de expressiva delegação empresarial e acadêmica, reflete a disposição comum que temos, de estreitarmos as nossas relações e a nossa cooperação bilateral.

Durante a reunião de trabalho que mantivemos, revisamos vários aspectos da nossa parceria estratégica. A despeito da crise econômica e financeira internacional, os fluxos de comércio e investimento entre o Brasil e o Reino Unido têm registrado contínuo crescimento. Nós consideramos que eles podem aumentar ainda mais. Mas, só para se ter uma ideia, nosso comércio passou de 7,8 bilhões, em 2010, para 8,6 bilhões em 2011. E o investimento direto, entre o Brasil e o Reino Unido e entre o Reino Unido e o Brasil, também tem crescido, sendo que a maior parte vem do Reino Unido para o Brasil.

O primeiro-ministro e eu identificamos áreas de especial interesse para novas parcerias, como as indústrias criativas, como a infraestrutura, a área de petróleo e gás, a área da defesa, a área de serviços financeiros, de logística e mineração. É positivo que os investidores britânicos estejam buscando novas oportunidades na economia brasileira, em um momento em que realizamos um grande esforço de modernização da nossa infraestrutura, com a implementação do plano de investimento, tanto na área de rodovias, como ferrovias e, na sequência, portos e aeroportos.

Tema central da parceria entre o Reino Unido e o Brasil é o da ciência, da tecnologia e da inovação, aspecto essencial para a melhoria dos níveis de competitividade da economia brasileira e, certamente, da economia inglesa. Concordamos em expandir essa cooperação em setores como biotecnologia, biofármacos, nanotecnologia, tecnologia da informação, comunicação, tecnologias limpas, tecnologias da defesa.

Vamos avançar na área de divulgação e educação para a Ciência, mediante a instalação, no Brasil, de um museu da Ciência, nos moldes do Museu de [da] Ciência de Londres.

Com o desenvolvimento socioeconômico e tecnológico, nós temos certeza de que teremos um campo muito importante de cooperação, e isso está relacionado com uma política de efetiva capacitação profissional e de conhecimento. E por isso, eu agradeci o primeiro-ministro Cameron pela disposição do governo britânico em acolher, até 2014, 10 mil bolsistas brasileiros nos níveis de graduação e de pós-graduação.  

Nós reiteramos o nosso compromisso de intensificar a cooperação na área energética. E isso significa que queremos explorar todas as oportunidades de desenvolvimento conjunto - seja na área de petróleo e gás, seja na área de energias renováveis -, sabendo que há uma grande complementaridade entre os dois países, principalmente com o Brasil, aproveitando também o conhecimento do Reino Unido na área de energia eólica.   

Eu cumprimentei o primeiro-ministro pelo êxito na realização das Olimpíadas e das Paraolimpíadas, brilhantemente organizadas pelo Reino Unido. Com o encerramento dos Jogos de Londres, a tocha olímpica começa a fazer a sua transição para o Brasil, e nós começamos a nossa contagem regressiva.

É de grande interesse do Brasil a cooperação bilateral no tocante à organização dos grandes eventos esportivos que nós teremos pela frente, como a Copa do Mundo e a Olimpíada de [20]16.

Ouvi do primeiro-ministro Cameron avaliação sobre os últimos desdobramentos da situação da Europa e sobre as perspectivas da União Europeia no combate à crise.

Apresentei a visão do Brasil sobre a crise econômica mundial, sobretudo em sua fase atual. Mais uma vez reiterei a importância de ampliar os esforços no sentido de melhorar as condições de recuperação da economia internacional, tanto no que no que se refere aos países desenvolvidos como no que se refere, também, aos países emergentes.

Expus ao primeiro-ministro que o Brasil tem feito a sua parte, no que se refere à recuperação mundial, quando desenvolve incentivos ao crescimento do emprego e à demanda doméstica. E fiz ver ao primeiro-ministro que, em plena crise, temos aumentado as nossas importações.

Consideramos também um êxito a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, para o fortalecimento não só da proteção do meio ambiente como para a definição de um marco de relações multilaterais. Sabemos que a Rio+20 foi um ponto muito importante, um ponto de partida para a consolidação de um novo paradigma de desenvolvimento sustentável que seja capaz de articular as dimensões econômica, social e ambiental. Na nossa frase-síntese trata-se de crescer, incluir, preservar e proteger.

Cumprimentei o primeiro-ministro por ser, o primeiro-ministro Cameron, um dos co-presidentes do Painel de Alto Nível para a Agenda do Desenvolvimento pós-2015, criado pelo secretário-geral da ONU, que contará com a participação, pelo Brasil, da ministra Izabella Teixeira, e que tem por objetivo, justamente, pensar esse futuro do qual a Rio+20 é ponto de partida.

Do ponto de vista do Brasil, o multilateralismo também deve guiá-lo, e deve nos guiar a todos, na busca de solução para os conflitos do Oriente Médio. Notadamente, o processo de paz entre Israel e Palestina só será viável com maior participação da comunidade internacional. E nós consideramos que postergar a resolução desse conflito só serve para favorecer os interesses extremistas que existem em todos os lados.

Reiterei ao primeiro-ministro a convicção do Brasil de que não há solução militar para a crise síria. Um processo político liderado pelos próprios sírios é o melhor caminho para a superação do conflito. Por isso é fundamental apoiar as iniciativas do novo representante especial conjunto da ONU e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi.

Também me preocupa, de uma forma muito especial, a crescente retórica em prol de uma ação militar unilateral no Irã. Qualquer iniciativa desse tipo constituiria uma violação da Carta da ONU, com graves consequências para o Oriente Médio. O Brasil reconhece – e eu reiterei isso para o primeiro-ministro, e nós concordamos – na ONU, o principal centro de governança global, e valorizamos o multilateralismo, a solidariedade e o direito internacional. Consideramos que só uma ONU reformada pode garantir a prevalência de uma ordem baseada em regras. Neste contexto, eu reiterei meus agradecimentos ao apoio que o governo britânico tem dado ao Brasil para que ocupe um assento permanente na ONU.

Sobretudo, nós tivemos uma excelente reunião. Eu saí dessa reunião certa de que o Reino Unido e o Brasil têm um longo horizonte de cooperação, têm uma longa trajetória de construção, de relacionamentos comerciais, de parcerias tecnológicas, de construção de projetos comuns na área da defesa, na área da energia, enfim, em todas as áreas que nós considerarmos importantes para a construção dessa parceria estratégica.

Mais uma vez, eu agradeço ao primeiro-ministro a sua visita ao Brasil, considero uma visita extremamente bem-sucedida. Agradeço também à toda a comitiva do primeiro-ministro, aos empresários que o acompanharam. E tenho certeza que ele conheceu, de uma forma muito circunstanciada, uma parte do Brasil, porque ele esteve em São Paulo, no Rio e, agora, em Brasília. É de fato um grande prazer tê-lo recebido aqui, primeiro-ministro David Cameron. E agradeço também a ótima recepção que o senhor me deu, quando visitei Londres, por ocasião das Olimpíadas.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra da declaração (12min19s) da Presidenta Dilma.