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Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, após encontro com o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping - Brasília/DF

por Portal planalto publicado 17/07/2014 14h10, última modificação 17/07/2014 14h16

 

Palácio do Planalto, 17 de julho de 2014

 

 

Excelentíssimo senhor Xi Jinping, da China.

Senhores membros do Bureau Político do Comitê Central do Partido Comunista da China.

Senhoras e senhores ministros de estado e integrantes das delegações da China e do Brasil.

Governadores Tarso Genro, do Rio Grande do Sul; Sandoval Cardoso, do Tocantins.

Senhoras e senhores empresários e dirigentes de instituições de ensino e pesquisa da China e do Brasil.

Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Senhoras e senhores,

 

Com grande satisfação eu recebo hoje o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping. Sua visita ao Brasil marca o 40o aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os nossos países. O balanço não poderia ser mais positivo e o futuro não poderia ser mais promissor. Nossas relações, que configuram uma parceria verdadeiramente estratégica, desenvolvem-se com velocidade inédita, em diversas áreas de cooperação.

China e Brasil são as maiores economias em desenvolvimento nos respectivos hemisférios – e cada vez mais integradas. Partimos de uma corrente de comércio de US$ 3 bilhões para a cifra recorde de quase US$ 90  bilhões, em 2013. A China é, desde 2009, nosso principal parceiro comercial. O Brasil é o principal destino dos investimentos chineses na América Latina. Esses investimentos apresentam forte tendência ao crescimento e à diversificação em áreas como energia, tecnologias da informação e da comunicação, automóveis, alta tecnologia, bancos, petróleo, entre outros setores consolidam a China como grande parceira do desenvolvimento brasileiro.

Em matéria de energia, petróleo, externei ao Presidente Xi minha satisfação com a participação de duas empresas chinesas, a CNOOC e a CNPC, no consórcio liderado pela Petrobras, para a exploração do Campo de Libra. Também é bem-vinda a crescente presença chinesa no setor elétrico brasileiro por meio da State Grid.

Essa parceria ganha hoje renovado impulso com a assinatura de 2 novos acordos. O primeiro, entre a Petrobras [Eletrobrás] e a State Grid para a construção de linhas de transmissão para ultra-alta tensão na usina de Belo Monte. O segundo, entre a Eletrobrás/Furnas e o Grupo Três Gargantas para a construção da hidrelétrica do Rio Tapajós.

O presidente Xi e eu reiteramos a importância de nossas relações financeiras, decorrência natural da crescente interação econômica. O Banco do Brasil inicia, em Xangai, as operações da primeira agência de um banco brasileiro na China e já operam no Brasil três bancos chineses.

Os acordos assinados hoje entre o BNDES e o Eximbank, e o BNDES e o Banco de Desenvolvimento da China e o Fundo Soberano CIC ampliarão a diversificação e diversificarão os canais de financiamento ao desenvolvimento.

Nos próximos anos, com o Programa de Investimentos em Logística, da ordem de 240 bilhões de reais, que o Brasil leva a cabo, o projeto de desenvolvimento entrará numa nova fase, portanto, a nossa parceria também.

Apresentei ao presidente Xi as oportunidades que se abrem em licitações nos setores ferroviário, portuário, aeroviário e rodoviário. Aqui, as empresas chinesas encontrarão segurança jurídica e marco regulatório estável, e também serão muito bem vindas.

Nesse sentido, ressaltamos o Memorando de Entendimento sobre Cooperação Ferroviária entre o Ministério dos Transportes e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.

Reiterei ao presidente Xi Jinping minha expectativa sobre a participação de empresas chinesas nos projetos brasileiros de infraestrutura e logística. Damos especial atenção à licitação do trecho 4 da Ferrovia Transcontinental, que ligará Lucas do Rio Verde a Campinorte. Essa obra integra a Ferrovia Transoceânica Brasil – Peru, fundamental para a integração sul-americana e o escoamento das exportações brasileiras para a Ásia.

No setor industrial, a relação bilateral sai fortalecida com os anúncios de investimentos significativos para a fábrica de maquinário para construção civil, pela Sany, no valor de US$ 300 milhões, e a instalação da montadora Chery, ambas em Jacareí. Cada uma gerará mil postos de trabalho.

Identificamos, ainda, amplas oportunidades de cooperação no setor do agronegócio. Nossa determinação é a de superar quaisquer dificuldades técnicas e sanitárias que limitem a ampliação do comércio bilateral. Congratulei-me com o Presidente Xi pelo levantamento do embargo e disposição de compra de carne bovina para a China, que abre grandes oportunidades para o agronegócio brasileiro.

Insisti na necessidade permanente de diversificar e agregar valor às exportações e investimentos brasileiros. Exemplo importante de iniciativa nesse sentido foi a venda de 60 aeronaves da Embraer às empresas chinesas Tianjin Airlines e ICBC Leasing.

Concordamos em impulsionar nossa cooperação em ciência, tecnologia e inovação, em especial em tecnologias agrícolas - área em que a Embrapa e a Academia de Ciências da China já trabalham -, nanotecnologia e biologia, também. Manifestamos expectativas com o diálogo regular entre nossos parques tecnológicos.

Reafirmamos o compromisso de lançar, ainda em 2014, o quinto satélite da família Cbers. Nosso Plano Decenal Espacial prevê a extensão desse Programa, sua atualização tecnológica e, no futuro, lançamentos também a partir do Brasil.

Na área de defesa, destaco o Protocolo para cooperação em tecnologia de informação e sensoriamento remoto, que permitirá o monitoramento mais preciso do desmatamento da Amazônia, de atividades ilícitas, além do desenvolvimento do interesse militar ao longo da fronteira brasileira.

Na área de tecnologias da informação e comunicação, que já contam com diversos investimentos de importantes... com diversos investimentos de importantes companhias chinesas, saudamos o anúncio do lançamento, no Brasil, do serviço de buscas, Baidu, na Internet. Ainda nesse setor, estreitamos nossa cooperação com o Protocolo entre o Ministério de Ciência e Tecnologia e a Huawei, que prevê investimentos em processamento de dados e computação em nuvem. 

Acordamos a ampliação da presença de estudantes brasileiros na China, no âmbito do Programa Ciência sem Fronteiras, e também o estabelecimento de estágio para esses bolsistas. Para atingir a meta de cinco mil estudantes na China, promoveremos o aprendizado do mandarim no Brasil, com a abertura de novas unidades do Instituto Confúcio em universidades brasileiras.

Saudamos o êxito do Mês da China no Brasil e do Mês do Brasil na China, realizados em 2013. Fizemos votos de que outras iniciativas desse tipo, nas áreas de educação, cultura, turismo e esporte, contribuam para estreitar os laços de amizade e o conhecimento mútuo dos povos. O Brasil apoia o pleito chinês de sediar os Jogos Olímpicos de 2024... ai, desculpa,  2022.

Saudamos também, senhoras e senhores, a oportunidade de discutir o papel ampliado que cabe à China e ao Brasil nos principais temas da agenda internacional. Observamos que, mesmo em um quadro internacional adverso, de persistência da crise econômica, os dois países têm-se mostrado capazes de manter e ampliar suas políticas de crescimento econômico com inclusão social, combate à pobreza e redução das desigualdades.

Queremos estreitar nossa coordenação em mecanismos como o Brics, o G-20, o Basic e nas Nações Unidas. Nesse sentido, compartilhamos a profunda preocupação com os dramáticos eventos no Oriente Médio e, em particular, os acontecimentos recentes na Faixa de Gaza. Nossos países têm importante papel a cumprir no processo, necessário e urgente, de reforma das instituições de governança econômica e política mundial.

Assinalamos a crescente relevância do tema da segurança cibernética na agenda global. Manifestei ao presidente Xi o desejo brasileiro de avançar os princípios de governança da Internet consagrados na declaração final da NETmundial.

Finalmente, saudamos a aproximação entre a China, a América Latina e o Caribe. Ainda hoje, daremos passos firmes nessa direção, com a realização da Reunião de Líderes da China, Brasil e Celac.

Avalio, portanto, os trabalhos desta manhã como muito produtivos e amistosos, condizentes com o espírito de amizade que une os nossos países. Tivemos também uma imensa oportunidade na reunião dos Brics ao lançarmos o novo Banco de Desenvolvimento dos Brics e o Acordo Contingente de Reservas.

Meu caro Presidente Xi,

Um grande líder chinês do século XX disse que “a ação não deve ser uma reação, mas uma criação”. Que esse ensinamento inspire a parceria sino-brasileira na construção do desenvolvimento sustentável de nossos países e de uma ordem internacional pacífica, democrática e inclusiva.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra da declaração à imprensa (13min48s) da Presidenta Dilma