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Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, após cerimônia de assinatura de atos

por Portal do Planalto publicado 25/10/2011 14h41, última modificação 04/07/2014 20h08
Durante a declaração, presidenta Dilma diz que, como inovação e educação andam juntas, engenheiros brasileiros irão à Ucrânia para capacitar-se em empresas produtoras de veículos lançadores de satélites

Palácio do Planalto, 25 de outubro de 2011

 

Excelentíssimo senhor Viktor Yanukovych, presidente da Ucrânia,

Senhoras e senhores ministros integrantes das delegações da Ucrânia e do Brasil,

Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas,

Senhoras e senhores,

Quero reiterar as minhas boas vindas ao presidente Yanukovych e a sua comitiva, na primeira visita que faz à América Latina. Sua presença entre nós reflete a sólida relação que estamos construindo nesses últimos anos. Ela coincide também com a comemoração dos 120 anos da imigração ucraniana para o Brasil, que tanto nos orgulha.

Na reunião que acabamos de realizar, discutimos a situação da economia internacional e as perspectivas para a Cúpula do G-20, em Cannes. Relatei ao presidente Yanukovych nossa preocupação com o quadro global da Economia. A falta de uma ação rápida só levará ao agravamento da crise, com sérias consequências políticas e sociais.

Por outro lado, a saída da crise exige uma combinação equilibrada entre medidas de ajuste fiscal e de estímulo ao crescimento econômico e ao emprego.

É preciso um esforço concertado de reequilíbrio de toda a economia internacional. Há que sempre evitar que alguns países transfiram para outros os custos de uma conjuntura difícil, seja por artifícios de controle cambial, seja por políticas monetárias excessivamente expansivas, seja por qualquer desequilíbrio financeiro.

Ouvi, muito interessada, e manifestei para o Presidente a importância que nós damos à questão da segurança nuclear, e manifestei o interesse do Brasil na Cúpula de Segurança Nuclear, realizada em abril último, por ocasião dos 25 anos do acidente de Chernobyl. Aqueles eventos e o de Fukushima mostram a necessidade do aprimoramento constante de todas as instalações nucleares, e aqui eu estou me referindo àquelas relativas à geração de energia elétrica.

Queria destacar também que reiterei o compromisso do Brasil com os esforços internacionais em prol do desarmamento e da não proliferação de armas de destruição em massa.

O presidente Yanukovych e eu passamos em revista uma ampla agenda. Na área espacial, a cooperação bilateral é emblemática do potencial das relações entre os nossos países. A instalação do sítio de lançamento do Cyclone-4, em Alcântara, terá efeitos multiplicadores em atividade de sensoriamento remoto, serviços meteorológicos e controle do espaço aéreo, além de permitir que o Brasil também ingresse no mercado internacional de lançamento de satélites. Como inovação e educação andam juntas, engenheiros brasileiros irão à Ucrânia para capacitar-se em empresas produtoras de veículos lançadores de satélites.

Ampliaremos também, na esfera comercial, as nossas relações com a Ucrânia. O Brasil se tornou o maior parceiro da Ucrânia na América Latina. Temos um comércio bilateral que cresceu de forma sustentada até 2008. Apesar dos efeitos da crise financeira sobre o nosso intercâmbio de bens e serviços, já vemos uma clara recuperação em 2011 e, por isso, eu queria aqui acrescentar a importância da parceria estratégica entre o Brasil e a Ucrânia como um dos elementos importantes na conformação de novos polos comerciais de relacionamento na esfera internacional.

O acordo para a promoção bilateral de investimentos vai se consubstanciar também em um fórum de CEOs, em um fórum de empresários, de governadores e um fórum com a participação tanto do governo da Ucrânia quanto do governo brasileiro.

São essas iniciativas que vão fomentar novas oportunidades de negócio e de comércio, tanto para o Brasil quanto para a Ucrânia. Nós encaramos a parceria estratégica com a Ucrânia como elemento essencial deste novo momento por que o mundo passa, porque ao mesmo tempo em que devemos enfrentar a crise em cada um dos nossos países, devemos também construir novas relações de forma mais profunda. O Brasil e a Ucrânia começaram esse processo há alguns anos, e agora chegou a hora do aprofundamento das nossas relações.

Expressei também ao presidente Yanukovych minha satisfação com a parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz e a empresa ucraniana Indar para a produção de insulina no Brasil, o que reduzirá o custo dos medicamentos, beneficiando as camadas mais pobres da população.

Queremos também fazer da Ucrânia um supridor cada vez mais importante para a produção de fertilizantes no Brasil. A exportação de ureia e amônia ucranianas abastecerão as fábricas em construção no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento 2.

Ainda na área agrícola, compartilhamos a avaliação de que a assinatura do Memorando de Entendimento entre a Embrapa e a Academia Ucraniana de Ciências Agrárias vai impulsionar pesquisas e projetos de cooperação conjuntos, com efeitos positivos no setor de segurança alimentar e bioenergia.

Concordamos em aprofundar o diálogo no Grupo de Trabalho sobre Biocombustíveis, com base na experiência do Brasil nessa área e no interesse da Ucrânia em aumentar a produção e o uso de biocombustíveis.

Também avaliamos positivamente as relações entre a Petrobras e as empresas ucranianas para aquisição e produção no Brasil de turbinas a gás, que gerarão energia elétrica para as plataformas do pré-sal.

Decidimos levar adiante as negociações de cooperação na área de Defesa, que nos permitirá explorar complementaridades industriais para promover o desenvolvimento de equipamentos militares.

Sobre as questões da Paz e da Segurança, coincidimos em que as antigas estruturas vigentes no mundo bipolar perderam sua eficiência neste novo mundo multipolar. Assim sendo, as Nações Unidas carecem de reformas como, por exemplo, a reforma no Conselho de Segurança da ONU. E, a esse respeito, reiterei meu reconhecimento ao governo ucraniano pelo apoio ao pleito brasileiro de ocupar assento permanente em um Conselho de Segurança ampliado e representativo. Manifestei também ao Presidente o apoio brasileiro à presença da Ucrânia como membro não permanente.

Convidei o Presidente ucraniano a participar também das Conferências que... principalmente da Conferência, no Brasil, a Rio+20, que nós queremos que seja uma conferência a definir padrões de desenvolvimento sustentável, inclusão social e economia de baixo carbono, a Rio+20.

As decisões que tomamos durante a visita de hoje, elas consolidam o relacionamento entre o Brasil e a Ucrânia, reafirmam essa parceria estratégica e mostram como dois países podem se beneficiar, através de um relacionamento não somente respeitoso, como também um relacionamento complementar, e com uma visão clara de que é estratégico, tanto para o Brasil quanto para a Ucrânia, o estabelecimento de relações tão estreitas.

Além disso, disse ao Presidente que os 120 anos da imigração ucraniana para o Brasil mostram e tornam essa oportunidade uma ocasião propícia à visita do Presidente e, ao mesmo tempo, reforça a imensa diversidade cultural brasileira, na medida em que os nossos brasileiros ucranianos e brasileiras ucranianas são responsáveis pela construção deste nosso Brasil – multidiverso, multicultural e multiétnico.

Muito obrigada, senhor Presidente, e queria agradecer também à sua delegação. E espero que, nesta tarde, as nossas respectivas delegações aproveitem para estreitar os seus vínculos.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra do discurso (11min46s) da Presidenta Dilma