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Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, após cerimônia de assinatura de atos - Bogotá/Colômbia

por Portal Planalto publicado 09/10/2015 20h00, última modificação 09/10/2015 20h05

Bogotá-Colômbia, 09 de outubro de 2015

 

 

Boa tarde.

Minhas primeiras palavras, querido Presidente Juan Manuel Santos, são de agradecimento, agradecimento pela calorosa, fraterna recepção que você ofereceu a mim e à minha delegação aqui em Bogotá.

Quero aproveitar esta ocasião para transmitir o reconhecimento do Brasil e meu apreço pessoal por sua decisão corajosa ao implementar o processo de paz aqui na Colômbia com as Forças Armadas Revolucionárias, e abrir esse processo é um orgulho para toda América do Sul, para todo esse hemisfério. Acredito que o êxito dessa negociação transcende as fronteiras de seu país. Transcende as fronteiras também da (incompreensível). O que nós vemos no mundo é a quase impotência em estabelecer acordo de paz. Por isso, o senhor receba o nosso imenso apreço, nosso respeito e nossa admiração porque essa sua vitória vai ser uma vitória de todos nós. E, certamente, nada melhor que uma olimpíada, que o senhor tem toda a razão, ela tem um marco histórico baseado na paz entre as cidades, e uma olimpíada é justamente isso, é o momento em o esporte, como relação entre os povos, ultrapassa qualquer barreira e cria essa que é a comunhão pacífica entre as diferentes nações. Então, presidente Juan Manuel Santos, pode ter certeza que eu espero  o senhor na olimpíada e que o facho da olimpíada será o facho da paz aqui na Colômbia.

Nós nos conhecemos, presidente, há algum tempo. E reunimos logo após a posse do senhor, isso a partir de 2010, quando nos visitou como presidente eleito, em Brasília.

Já naquela ocasião expressei minha intenção de dar especial atenção às relações entre o Brasil e a Colômbia.  E esta relação entre Brasil e Colômbia, ela tem como base, eu acho que duas questões: uma imensa cooperação baseada na visão de que nós, dois grandes países aqui da América do Sul, ao cooperarmos buscamos a prosperidade de nossos países e de nossos povos; e, em segundo lugar, o fato de que nós estamos em um continente que tem uma característica que o senhor reafirma no processo de paz, nós somos países que representam não o poder da guerra ou do conflito, mas o softpower, aquele baseado no entendimento, aquele baseado na operação para mudança de patamares, de desenvolvimento dos nossos países. Então eu acredito que hoje, nessa manhã, nós demos um grande passo. Eu acredito que o balanço é extremamente positivo da nossa reunião. Nós coincidimos na questão de explorar o potencial imenso que existe entre nossos países.

Em 2014, o intercâmbio comercial bilateral passou de US$ 1,5 bilhão a US$ 4 bilhões. São 165% de crescimento. Acredito que é apenas o início de um processo que sem sombra de dúvida será vantajoso para os povos e para a economia de nossos países. Vai gerar mais emprego, vai gerar mais renda e principalmente um quadro em que  a situação dos países, do mundo é uma situação de dificuldade, não é uma situação de facilidade, principalmente porque vivemos o fim do chamado supercíclo das commodities. Todos os nossos países dessa região foram afetados.

Nós então estamos desenvolvendo iniciativas que eu julgo muito importantes. Essa vinda, essa minha visita de estado aqui à Colômbia, ela também marca uma reunião importante com o mundo empresarial que nós teremos agora à tarde.

Além disso, como os senhores viram, assinamos alguns acordos e outros memorandos de entendimento. Acho que o memorando de entendimento sobre o setor automotivo assinado hoje ao amparo de Acordo de Complementação Econômica número 59, vai desenvolver a indústria automobilística e os setores a ela associados. Ao mesmo tempo a nossa decisão de dar, de descongelar o Acordo de Complementação Econômica 59, vai permitir que nós tenhamos uma relação mais fluida, tanto comercial quanto na área de investimentos.

Constatamos também que, nesta área de investimentos, nós temos as empresas brasileiras e as empresas colombianas respectivamente investindo nos nossos países, e isso é algo extremamente importante porque também estreita as nossas relações. Daí porque a assinatura do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, o primeiro firmado pelo Brasil aqui na América do Sul, é muito importante porque ele estabelece normas para mitigação de riscos das nossas relações, prevenção de conflitos, ou seja, resolver os conflitos que eventualmente surjam da forma mais rápida possível e define também um padrão de governança institucional que acreditamos ser muito importante.

Transmitir também ao presidente Santos o nosso interesse no acordo para evitar a bitributação. O que eu saúdo como sendo também mais um passo no sentido de facilitar, de aproximar nossas relações comerciais e os interesses das empresas dos nossos países.

Acredito também que o acordo de inclusão financeira, tanto de Letícia, na região de Letícia e de Tabatinga, Letícia, na Colômbia, e Tabatinga, no Brasil, representa também uma forma de relacionamento fronteiriço que só faz com que haja um “ganha ganha” de parte de ambos os países.

Comuniquei ao presidente Santos também o interesse do Brasil e do Mercosul numa parceria com a Aliança do Pacífico. Queremos estreitar também essas relações, temos medidas comuns tais como a extensão de acordos vigentes, certificação digital e cooperação aduaneira.

Na esfera bilateral, também demos passos muito importantes, e vocês viram acordos em várias áreas: pesquisa científica, cooperação industrial, serviços bancários, desenvolvimento rural, cooperação policial, tecnologias da informação, comunicação, esportes, assuntos indígenas e transporte fluvial.

Quero reiterar o apoio integral do Brasil  ao processo de implementação da paz. Essa manifestação de vontade política – que une inteligência e generosa disposição ao diálogo – ela tem recebido apoio de todos os países, dos organismos multilaterais, como é o caso da Unasul. Conta com a simpatia de todos nós. Por isso, eu gostaria de dizer que o Brasil tem imenso interesse em cooperar com a fase pós-conflitos, com a reconstrução tanto no que se refere ao Plano Nacional de Agricultura, contribuindo com a nossa experiência na área da agricultura familiar e da agricultura comercial, como também nos dispondo a cooperar nas questões relativas a infraestrutura com foco em inclusão social que também pode vir a facilitar bastante o desenvolvimento das áreas que até então estavam conflituadas.

Transmito também a satisfação imensa do Brasil por termos participados juntos dentro Unasul, e mantido nesse organismo uma posição de  “unidade na diversidade”, respeitando o fato de que cada nação, cada país, tem as suas características, as suas concepções, mas que nós temos de buscar uma convergência cada vez maior entre nós baseada em princípios democráticos, buscando a solução pacífica de divergências, e nisso a Colômbia tem tido um reconhecimento de todos os integrantes desta que é um dos organismos regionais mais fortes aqui do continente, que é a Unasul.

Em termos multilaterais também acredito que demos um passo hoje muito importante para a COP21, em Paris, na questão da mudança do clima. A declaração conjunta do Brasil e da Colômbia é muito mais do que apenas uma declaração, mas é uma posição comum de países que, como diz o presidente Santos, são os maiores países, são os países megadiversos, e os maiores do mundo. E compartilhamos, talvez, uma das maiores riquezas, que é a Amazônia.

E assim o nosso posicionamento comum tem um sentido que ultrapassa, mera e simplesmente, um acordo firmado neste âmbito, que é o da Conferência, da COP21. Mas a disposição dos nossos países de agirmos para preservar essa riqueza ambiental porque a Amazônia é a nossa biodiversidade e é algo que, sem dúvida, é a nossa contribuição maior para a sustentabilidade do planeta.

Quero também dizer que conto imensamente com todos os colombianos e as colombianas na Olimpíada Rio 2016. Na Copa do Mundo, a Colômbia, vocês foram um dos países que tiveram uma participação marcante em número, não só através da Seleção Cafetera - é assim que se chama? - mas também com a participação e a presença calorosa dos colombianos e das colombianas.

Então, eu quero aqui reiterar o nosso convite especial ao senhor e também a todo o seu ministério e seu gabinete, e também a todo o povo colombiano. Conto com vocês mais uma vez para que nós façamos essa Olimpíada ser, verdadeiramente, não só uma Olimpíada Rio 2016, mas também ser uma Olimpíada em que a gente vai comemorar a paz aqui na Colômbia, a unidade da Colômbia.

Eu quero dizer, presidente Santos, que temos também um grande interesse em contribuir com todas as atividades de retirada de minas. O Brasil teve uma participação nisso, quero reiterar ao senhor a disposição que nós temos nessa área de forma absolutamente sem limites. Acho que essa contribuição é uma contribuição humanitária que nós consideramos muito importantes. A Colômbia e o Brasil também têm, eu acho, uma disposição importante em alguns acordos bilaterais que eu gostaria de frisar por último, tanto na área de serviços, serviços de TI, como foi bem dito aqui pelo ministro da área, como também serviços de engenharia. Mas eu queria dizer também na área de compras governamentais, o Brasil tem todo um interesse dar inteira reciprocidade à Colômbia no que se refere às compras públicas do meu país.

Finalmente eu quero dizer que o Brasil e a Colômbia só ganham estando juntos, cooperando e desenvolvendo relações amistosas na área relativa à relação entre os nossos povos. E também na área comercial, de infraestrutura, de investimento e, sobretudo, participando nesse esforço que para vocês têm ali a expressão “Paz, Equidade e Educação”. E que no meu país nós chamamos de Pátria Educadora. Acho que nossa aproximação, nossa cooperação na área de educação, ela é estratégica para todo o desenvolvimento das nossas relações e de nossos países.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra da declaração (14min08s) da Presidenta Dilma