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Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, após cerimônia de assinatura de atos

por Portal do Planalto publicado 26/01/2013 12h16, última modificação 04/07/2014 20h14

 

Santiago-Chile, 26 de janeiro de 2013

 

Eu queria cumprimentar o presidente Sebastián Piñera,

Cumprimentar os integrantes das delegações do Chile e do Brasil,

Cumprimentar os senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas,

 

E dizer que eu estou, juntamente com a minha delegação, muito feliz de estar aqui no Chile. Como o presidente Piñera disse, nós, nas nossas falas presidenciais e diplomáticas, sempre nos referimos a essa amizade sem limites que reúne o Brasil e o Chile.

O Brasil tem um agradecimento recente muito especial a fazer ao Chile. Muitos membros do meu governo viveram aqui no período da ditadura militar no Brasil e, por isso, nós sabemos que os nossos laços, além desses e de todos os históricos que nos unem, eles estão muito além de simplesmente laços econômicos e, sobretudo, estão ... são relativos a laços humanos, a laços pessoais, que nós construímos no correr do tempo histórico em que nossos países se relacionaram.

Eu queria iniciar minhas palavras felicitando muito o presidente Sebastián Piñera pela organização de duas complexas reuniões: a Cúpula da Comunidade dos Países Latino-Americanos e do Caribe-CELAC e também o Encontro CELAC-União Europeia. Os dois encontros, eles têm uma importância, nesse momento que nós vivemos, uma importância histórica. Têm vantagens evidentes, porque num mundo altamente globalizado e um mundo que vive uma conjuntura em que os temas da integração e da integração regional e do enfrentamento às dificuldades que as crises nos países desenvolvidos lançaram sobre o mundo, essa cooperação interregional, ela passa a ser um elemento fundamental para a superação e para a construção de um mundo que cresce, que distribui renda e que beneficia as suas populações.

Eu gostaria de dizer que o Chile e o Brasil, mesmo diante de todas as dificuldades, mantiveram uma relação comercial muito importante e muito estratégica. O Chile, para o Brasil, tem sido um grande parceiro comercial e na área de investimentos. Nós temos tido relações comerciais que, diante da situação e da conjuntura, são bastante significativas, mas nós ... eu disse para o presidente Piñera que, justamente por isso, fica claro que nós podemos mais e, do ponto de vista do Brasil, os grandes investimentos que as empresas chilenas fazem no Brasil são muito bem-vindos, e empresas brasileiras também estão aqui no Chile.

Então, nós temos, no que se refere à área comercial, um forte potencial e um grande desafio, porque somos países que, apesar de não ter fronteira, têm uma grande possibilidade de interligação. É justamente porque nós não temos fronteira, mas temos... estamos em dois oceanos, que a nossa relação de infraestrutura é estratégica.

E eu queria aqui me referir a dois temas que eu e o presidente Piñera tratamos, de forma intensa, inclusive o presidente Piñera providenciou um mapa, e nós discutimos longamente, numa reunião de trabalho, eu diria, e discutimos essa interligação que torna a nossa fronteira, os portos, todos os portos do Brasil – Santos, Paranaguá, enfim, todos os portos do Brasil – e todos os portos chilenos, fronteiriços. É isso que nós discutimos.

Essa amizade sem limites vira, agora, uma amizade sem fronteiras também, e aí esse corredor interoceânico rodoviário e o corredor interoceânico ferroviário ligam dois elementos fundamentais do comércio do mundo: o comércio do Atlântico e o comércio do Pacífico que, obviamente, interage com a Ásia.

Uma outra questão que eu acho fundamental é os avanços que nossos países tiveram nos últimos anos, tanto em termos de crescimento quanto em termos de distribuição de renda, e que eu creio que faz com que nós nos situemos num patamar diferenciado, se nós compararmos a nossa situação agora, neste século, nesta década do século XXI, com o passado.

No que se refere a nossas relações bilaterais, nós aprofundamos os temas energéticos, vimos a imensa possibilidade de cooperação, tanto na área de energias renováveis, como hidrelétrica, como a biomassa, e o Brasil está disposto, e o Chile também, a cooperar nessa área.

Eu acredito também que ficou claro o nosso imenso potencial de cooperação nas áreas de ciência e tecnologia. Eu... Nós acabamos de assinar este acordo, que o presidente Piñera falou muito bem, sobre o continente branco, e nós agradecemos essa cooperação ao Chile, principalmente diante da importância para o Brasil dessa cooperação, diante dos fatos que aconteceram na nossa base.

Ao mesmo tempo, também, vimos com muita, muita expectativa a possibilidade de nós cooperarmos e desenvolvermos a cooperação no que se refere a essa posição estratégica que o Chile tem, no que se refere aos observatórios astronômicos, que é do imenso interesse do Brasil.

Finalmente, eu queria dizer que, para nós, não há limites nessa cooperação. O Brasil está pronto a cooperar em todas as áreas com o Chile e nós consideramos que essa parceria assume um aspecto muito importante. Nós vivemos numa região do mundo onde nós não temos conflitos étnicos, nós não temos guerras e nós resolvemos os nossos conflitos através do diálogo. Isso torna construir essa área de harmonia na nossa região uma questão relevante, uma questão que eu acho que se torna até símbolo para o resto do mundo.

Finalmente, eu queria dizer que nós estamos inteiramente dispostos a efetivar todos os passos no sentido de construir uma relação cada vez mais ampla, cada vez mais forte, não só do ponto de vista econômico, mas do ponto de vista cultural e do ponto de vista do intercâmbio de pessoas, de estudantes e de cientistas.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra da declaração à imprensa (08min17s) da Presidenta Dilma