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Declaração à imprensa da presidenta da República, Dilma Rousseff, após assinatura de atos entre Brasil e México - Cidade do México/México

por Portal Planalto publicado 26/05/2015 19h29, última modificação 26/05/2015 19h29

Cidade do México-México, 26 de maio de 2015

 

 

Excelentíssimo senhor presidente da República do México, Enrique Peña Nieto,

Senhoras e senhores ministros  de Estado e integrantes das delegações do México e do Brasil,

Cumprimento os senhores e as senhoras embaixadores creditados junto ao governo dos Estados Unidos do México,

Senhoras e senhores aqui presentes,

Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas

 

Com grande satisfação eu me encontro hoje aqui, no México, país que, como o Brasil, é uma síntese da alma latino-americana.

Eu quero agradecer ao presidente Peña Nieto a fraterna recepção, e também quero agradecer ao povo mexicano, que tanto parece com o povo brasileiro, a amável acolhida, e tudo isso nós recebemos, eu e minha delegação. Agradeço também a honra da Ordem da Águia Asteca. E quero dizer também aos senhores que o presidente Peña Nieto foi agraciado com a maior Ordem brasileira, a Ordem do Cruzeiro do Sul, que é um dos símbolos do nosso País.

Minhas primeiras palavras, senhor presidente, são de pesar pela tragédia que se abateu sobre o município de Ciudad Acuña. Eu desejo expressar minhas sinceras condolências também aos familiares das vitimas, aos seus amigos e a todo o povo mexicano.

Quero dizer que o Brasil também, recentemente, passou por uma tragédia similar quando um tornado atingiu um município num estado sulista do País. Nós, hoje, mantivemos, nesta manhã, uma produtiva reunião de trabalho, uma reunião que, sem dúvida, vai contribuir para uma nova etapa em nossas relações.

Quero reconhecer aqui, que quando o presidente Peña Nieto visitou o Brasil, no final de 2012, antes de se empossar presidente, mas já eleito, nossas opiniões coincidiram  em que o Brasil e México – as duas maiores economias da América Latina, os países com as maiores populações e ambos de expressivo território – não podiam, presidente Peña Nieto, ficar de costas um para o outro.

Desde então, nós voltamos a nos encontrar em várias ocasiões. E sempre que nós retornamos a nos ver, nós retornamos ao tema desta relação mais estreita entre nós, explorando, em nossas conversas, caminhos para uma maior aproximação. Em março último, no Panamá, concordamos que deveríamos tomar as medidas necessárias, em termos econômicos, para atualizar as nossas relações, para transformar as nossas relações de acordo com o seu potencial.

Minha visita hoje ao México é consequência, senhor presidente, dessa disposição ao diálogo que o senhor demonstrou. E tenha certeza de que nós também o vemos como um grande amigo do Brasil.

Em 2014, senhor presidente, o nosso comércio alcançou 9, um pouco mais de US$ 9 bilhões, chegando quase a US$ 10 bilhões. Um aumento de 100%, em relação ao que era em 2004. Nós somos hoje o 8º parceiro comercial do México, que por sua vez é o nosso 11º sócio comercial. A nossa corrente de comércio é formada por produtos manufaturados, o que garante maior renda e maior geração de empregos para os nossos povos.

Mas nós temos também oportunidades para avançar muito mais. Avançar mais, tanto nas nossas relações comerciais, como nos investimentos recíprocos que podemos receber uns dos outros. Os nossos números estão aquém do nosso potencial, do tamanho da nossa economia e da força dos nossos povos. Sem dúvida, eu concordo com o senhor, temos condições de dobrar esse intercâmbio em alguns anos, senhor presidente. Foi por acreditar nisso que nós negociamos importantes acordos setoriais, que atualizam as novas relações.

Foi por exemplo,  concluído, em março, o acordo automotivo. Acordo muito importante para o comércio bilateral de veículos e de autopeças. Negociação de novas regras que vão permitir maior dinamismo e equilíbrio nessas trocas.

Com esse mesmo objetivo, o presidente Peña Nieto e eu decidimos dar início à mais expressiva mudança qualitativa em nosso relacionamento comercial da última década.

As negociações que se iniciarão a partir de julho, vão ampliar o acordo que, desde 2002, regula o nosso comércio bilateral como um todo, o chamado Acordo de Complementação Econômica, que leva o  número 53 – o  ACE 53. O ACE 53 abrange hoje um pouco mais de 800 produtos, o que é aparentemente muito, mas para nós é pouco, tendo em vista os 6 mil produtos ou os mais de 6 mil produtos que podemos levar a um acordo e beneficiar reciprocamente as nossas economias.

Senhor presidente, no menor prazo possível, nós vamos promover o incremento e o equilíbrio do comércio bilateral, com a inclusão de novos setores nessa lista que hoje estão, infelizmente, fora dela. Com isso, o nosso comércio tem todas as condições para se acelerar, para se diversificar e para ser ampliado. Temos plena consciência que podemos ir além do que nos permite hoje esse instrumento.

Em matéria de investimentos, também demos um passo importante,  assinando hoje o Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos entre Brasil e México. De fato, é o primeiro acordo de facilitação e cooperação, na área de investimentos, que o Brasil assina neste continente.Trata-se, eu acredito, de uma iniciativa muito inovadora que firmamos com apenas com outro país, além do México, até agora. Demos esse passo porque acreditamos que temos com o México uma parceria das mais importantes, em termos de investimentos e negócios.

Os números, aliás, falam por si: nos últimos anos, o Brasil tornou-se o 2º destino dos investimentos mexicanos no mundo, com um estoque expressivo de mais de US$ 22 bilhões.

O Brasil, por sua vez, é o principal investidor estrangeiro no México entre os países da Aladi, mas podemos fazer mais e hoje nós temos orgulho de participar no “Projeto Etileno XXI”, uma parceria entre uma empresa mexicana e uma empresa brasileira.

Não por acaso o Seminário Empresarial Brasil-México, que está sendo hoje realizado, conta com a presença de mais de 50 empresários brasileiros, todos eles motivados tanto pelas relações comerciais como pelas perspectivas de investimentos. Essa participação, portanto,  é a prova que nossos setores privados estão atentos às oportunidades de crescimento das nossas relações.

Tenho certeza que esse crescimento será maior ainda, pela parceria entre a Apex, a empresa de exportação brasileira, o órgão, aliás, de exportação do Brasil, a instituição exportadora do governo brasileiro, e a ProMéxico, duas agências que hoje formalizam sua cooperação por meio de um convênio interinstitucional.

Concluímos também acordos importantes na área de turismo, meio ambiente, pesca, agricultura e serviços aéreos e temos imensas perspectivas em várias outras áreas. São temas importantes, que demonstram a riqueza e a variedade da nossa agenda bilateral.

Eu queria destacar aqui a importância do crescimento dos fluxos de turismo entre o Brasil e o México. E, necessariamente, em 2016, o Brasil espera receber novamente os mexicanos de braços abertos, o senhor e todos aqueles que forem torcer pelos diferentes jogos que as Olimpíadas propiciam.

Acredito também que nós temos muito a cooperar na área da mudança do clima. E, os próprios desastres que estamos enfrentando mostram a importância dessa cooperação a nossa participação na Cop 21, e cumprimento vocês mexicanos e o senhor, senhor presidente, por receber aqui a Cúpula para a Biodiversidade. A Cúpula para a garantia do respeito à biodiversidade. Nós, que somos grandes países megadiversos. No plano das nossas relações, nós vamos buscar sempre adaptar nossos programas às realidades dos nossos países.

Daí porque eu queria saudar também uma área em que nós temos atuado, aí não nacionalmente, mas internacionalmente, ou melhor dizendo, multilateralmente de forma coordenada e cooperada: a área do desarmamento e da não ploriferação nuclear.

Ainda há uma série de outras áreas de cooperação, como a de defesa, o combate ao tráfico de pessoas. E temos várias iniciativas que podem e irão certamente gerar frutos no futuro.

Como se pode ver, as relações México e Brasil, elas apresentam um grau de potencialidade, de oportunidades que nós temos obrigação e dever de explorar. Minha presença no México e a reunião que mantive hoje com o senhor presidente fortalecem esse objetivo. Estou profundamente satisfeita com os acordos que alcançamos e diante de nós uma série de tarefas surgem e nós iremos cumpri-las.

Creio que estamos abrindo um novo capítulo na nossa história, um novo caminho de futuro. Penso aqui nas palavras do grande Octávio Paz, que nos disse: “O mundo muda quando dois se olham e se reconhecem”. Proponho, senhor presidente, que juntemos nossos esforços e nosso brinde com a tequila e com a cachaça, que tem de se tornar os símbolos da nossa relação estreita México e Brasil, Brasil e México.

Muchas Gracias.

 

Ouça a íntegra(14min8s) da declaração à imprensa da Presidenta Dilma