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Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, após reunião bilateral com o Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama

por Portal do Planalto publicado 09/04/2012 16h36, última modificação 04/07/2014 20h10
Segundo a presidenta, no que se refere ao aspecto bilateral, Brasil e Estados Unidos têm crescentemente estreitado as suas relações comerciais e ampliado os investimentos recíprocos

 

Washington-EUA, 09 de abril de 2012

 

Eu queria dizer para vocês que foi muito importante encontrar hoje, aqui, com o presidente Obama, depois do nosso encontro, no ano passado, em Brasília. Aquele encontro foi muito importante na medida em que também propiciou um contato com a primeira-dama Michelle e também com as crianças.

Sobretudo, a relação entre o Brasil e os Estados Unidos é, para o Brasil, uma relação muito importante, tanto do ponto de vista bilateral, quanto do ponto de vista multilateral. No que se refere ao aspecto bilateral, o Brasil e os Estados Unidos têm crescentemente estreitado as suas relações comerciais e ampliado os investimentos recíprocos entre Brasil e Estados Unidos. O investimento brasileiro nos Estados Unidos, o investimento direto, já chega a 40% do total do investimento americano no Brasil.

Todas essas relações apresentam resultados muito importantes, mas, ao mesmo tempo, demonstram que nós estamos aquém das nossas possibilidades. Tanto o Brasil como os Estados Unidos têm áreas estratégicas nas quais cooperar ou melhor aprofundar a sua cooperação. Por exemplo, na área de energia, nós temos um grande campo de cooperação quando se considera o petróleo e o gás, tanto no que se refere a fornecimento de equipamentos e serviços, tanto no que se refere à participação das relações comerciais.

Nós também somos parceiros na área de biocombustível. E eu queria saudar aqui a redução das barreiras ao etanol ocorridas recentemente. Queria destacar também em grande espaço de cooperação na área de eficiência energética, que é tão cara ao presidente Obama. E em energias renováveis. E também na evolução tecnológica nessa área, quando se trata de redes inteligentes.

Sem sombra de dúvidas, outras áreas também são relevantes. Eu queria destacar as áreas de ciência, tecnologia e inovação, nas quais tanto os empresários quanto o mundo acadêmico, quanto o governo têm um papel de destaque. E aí é importante a participação no Ciência sem Fronteiras de estudantes brasileiros vindo aqui para os Estados Unidos desenvolver sua parceria em universidades americanas tanto quanto estudantes, como quanto pesquisadores.

Queria também agradecer aqui de público o apoio que nós tivemos a essas iniciativas. E o fato de que o Brasil acha muito importante o programa americano One Hundred Thousand. Queria destacar também que nós temos no campo da defesa, no campo da atividade naval, e em vários outros, grandes oportunidades. Sem sombra de dúvida também na área de segurança.

Tanto o PAC quanto as atividades ligadas à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016, permitem amplas oportunidades de investimentos também, e parcerias entre empresas americanas e brasileiras.

Eu acredito que é do nosso extremo interesse estreitar nossas relações econômicas e as nossas parcerias na área de inovação.

Na área multilateral, nós também discutimos a nossa preocupação diante da crise internacional que levou instabilidade, baixo crescimento e desemprego a várias regiões do mundo. E também manifestamos que reconhecemos o papel dos bancos centrais, especialmente, nos últimos meses, do Banco Central europeu em impedir uma crise de liquidez de altas proporções, afetando a todos os países. Mas também manifestamos para o Presidente a preocupação do Brasil com a expansão monetária, sem que os países com superávits equilibrem essa expansão monetária com políticas fiscais baseadas na expansão dos investimentos.

Essas políticas monetárias solitárias, no que se refere às políticas fiscais, levam à desvalorização das moedas nos países emergentes - não, a desvalorização das moedas nos países desenvolvidos - levando ao comprometimento do crescimento dos países emergentes. Consideramos que o papel dos Estados Unidos nessa conjuntura e neste mundo multilateral que vem surgindo é muito importante.

A grande flexibilidade da economia norte-americana, a liderança na área de ciência, tecnologia e inovação tida pelos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, as forças democráticas que fundam a nação americana tornam importante, muito importante os Estados Unidos, tanto na contenção da crise quanto na retomada da prosperidade.

Os países BRICS respondem, hoje, por uma parte muito expressiva do crescimento econômico, mas é importante perceber que a retomada do crescimento, num horizonte de médio prazo, passa também pela retomada expressiva do crescimento americano. Nós saudamos a grande melhoria ocorrida aqui, nos Estados Unidos. E temos certeza de que isso será uma tônica dos próximos meses e anos sob a liderança do presidente Obama.

Por outro lado, também compartilhamos com o presidente Obama as questões relativas a essa IV Cúpula das Américas que ocorrerá no final desta semana, em Cartagena, na Colômbia. Essa Cúpula, ela expressa o fato de que a América Latina é um continente que vem crescendo, distribuindo renda e fazendo um processo de inclusão social. Mas, também, a crise atinge os países latino-americanos, de uma forma menos intensa, mas atinge.

Nessa Cúpula nós iremos discutir, mais uma vez, como a integração beneficia a América Latina, como o crescimento econômico só ocorrerá se fizermos uma política voltada para fortalecer nossos mercados internos, cada vez mais incluindo milhões e milhões de brasileiros e de latino-americanos, e também impedindo que políticas protecionistas, principalmente aquelas ligadas ao câmbio, nos afetem.

Um outro ponto que será muito importante é a preocupação que temos, todos, com a questão do tráfico e da violência que ele desencadeia. Ao mesmo tempo, temos também consciência da importância da América Latina nesse processo de combate à droga. Como eu disse sistematicamente, acredito que, no caso da droga, temos de ser duros no combate ao tráfico e, ao mesmo tempo, temos de tratar aqueles que caíram à mercê do tráfico, tornando-se viciados.

Queria dizer também que o Brasil considera muito importante a reunião do Open Government, do Governo Aberto, que ocorrerá no dia 17, em Brasília. É uma reunião interministerial, na qual a secretária de Estado, Hillary [Clinton] comparecerá. Essa iniciativa partiu do presidente Obama e o Brasil é um co-presidente. Nós consideramos essa política de governo aberto essencial para o combate à corrupção, a garantia de maior transparência e também de maior eficiência no gasto público, na medida que se melhora a possibilidade de avaliação e monitoramento. Eu considero que isso contribui, também, fortemente, para a democracia em nosso país. E também, o acesso do cidadão à informação que lhe é devida.

Eu tenho certeza que a cooperação entre o Brasil e também o nosso estreito relacionamento e parceria são muitos importantes para o nosso país, mas também para um desenvolvimento, no século XXI, que se caracteriza, como é o tema da Rio+20, para qual eu convidei o presidente Obama, que é crescer, incluir e sermos capazes de conservar e proteger o meio ambiente, que é, nada mais, nada menos, a definição de desenvolvimento sustentável.

Eu agradeço a calorosa, fraterna e amiga recepção que o presidente Obama e o povo americano me dão nessas circunstâncias. A mim e a minha comitiva.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra da declaração à imprensa (18min37s) da Presidenta Dilma